{"id":1272,"date":"2011-03-08T16:38:56","date_gmt":"2011-03-08T16:38:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1272"},"modified":"2011-03-08T16:38:56","modified_gmt":"2011-03-08T16:38:56","slug":"circulo-de-fogo-o-anti-comunismo-pos-guerra-fria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1272","title":{"rendered":"C\u00cdRCULO DE FOGO: O ANTI-COMUNISMO P\u00d3S-GUERRA FRIA"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cO mundo sem guerras e sem armas \u00e9 uma id\u00e9ia ut\u00f3pica,<\/p>\n<p> mas deve-se fazer de tudo para atingir esse ideal.<\/p>\n<p> Ser\u00e1 poss\u00edvel engendrar a paz sem armas? Duvido muito\u201d.<\/p>\n<p> (Mikhail Kalachnikov, inventor do fuzil AK-47)<\/p>\n<p> \u201cAs cidades podem vencer, Stalingrado!<\/p>\n<p> Penso na vit\u00f3ria das cidades, que por enquanto \u00e9 apenas uma<\/p>\n<p> fuma\u00e7a subindo do Volga.<\/p>\n<p> Penso no colar de cidades, que se amar\u00e3o e se defender\u00e3o<\/p>\n<p> contra tudo.<\/p>\n<p> Em teu ch\u00e3o calcinado onde apodrecem cad\u00e1veres,<\/p>\n<p> a grande Cidade de amanh\u00e3 erguer\u00e1 a sua Ordem\u201d.<\/p>\n<p> (Carlos Drummond de Andrade, <em>Carta a Stalingrado<\/em>)<\/em><\/p>\n<p><strong>A invas\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica pela Alemanha nazista<\/strong><\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Pol\u00f4nia no dia 1\u00ba de setembro de 1939 pelas tropas alem\u00e3s e a rea\u00e7\u00e3o da Inglaterra e Fran\u00e7a em seu socorro deram in\u00edcio \u00e0 Segunda Guerra Mundial. Mesmo com a declara\u00e7\u00e3o de guerra \u00e9 importante lembrar que os EUA manteve neutralidade em rela\u00e7\u00e3o ao conflito e mesmo com a declara\u00e7\u00e3o de guerra, Inglaterra e Fran\u00e7a n\u00e3o se empenharam em barrar o avan\u00e7o das tropas alem\u00e3s no territ\u00f3rio polon\u00eas, o que se convencionou chamar de \u201cguerra estranha\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade, os pa\u00edses capitalistas, Fran\u00e7a, Inglaterra e EUA acreditavam que com a invas\u00e3o quase sem resist\u00eancia \u00e0 Pol\u00f4nia, logo os nazistas chegariam \u00e0 URSS<sup><sup>2<\/sup><\/sup>. No entanto, as coisas n\u00e3o ocorreram como o ocidente esperava, Hitler ao inv\u00e9s de partir para o confronto direto com o ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico, prefere atacar a Fran\u00e7a, Inglaterra, Dinamarca, Noruega, B\u00e9lgica e Holanda para s\u00f3 depois marchar contra a URSS, um inimigo bem mais poderoso<sup><sup>3<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Seria somente em 22 de junho de 1941 que a Alemanha invadiria o territ\u00f3rio sovi\u00e9tico descumprindo o \u201cpacto de n\u00e3o agress\u00e3o\u201d assinado em 1939 entre os dois pa\u00edses<sup><sup>4<\/sup><\/sup>, estava deflagrada a \u201copera\u00e7\u00e3o barbarossa\u201d pelo ex\u00e9rcito nazista e os sovi\u00e9ticos entram definitivamente no que ir\u00e3o chamar de \u201cGrande Guerra P\u00e1tria\u201d. A vit\u00f3ria do Ex\u00e9rcito Vermelho em Moscou, quando os nazistas chegaram \u00e0s portas da cidade mas foram barrados pelos sovi\u00e9ticos, deu mostras da inten\u00e7\u00e3o do povo da URSS em resistir at\u00e9 a morte \u00e0 invas\u00e3o nazista.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o das tropas alem\u00e3s sobre a Europa ocidental e a posterior invas\u00e3o da URSS, criou condi\u00e7\u00f5es para que em 1942 fosse definitivamente constru\u00edda a \u201ccoaliz\u00e3o anti-fascista\u201d envolvendo a URSS, a Inglaterra e os EUA, que finalmente saia da neutralidade<sup><sup>5<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>De todas as a\u00e7\u00f5es de guerra, a considerada mais sangrenta foi a \u201cBatalha de Stalingrado\u201d, ocorrida entre julho de 1942 e fevereiro de 1943. A vit\u00f3ria sovi\u00e9tica em Stalingrado, depois da cidade ter virado um amontoado de ru\u00ednas, representou a verdadeira virada dos aliados frente ao ex\u00e9rcito nazista. Foi somente a partir da vit\u00f3ria em Stalingrado que a Alemanha come\u00e7ou a perder a guerra e o mundo a livrar-se do dom\u00ednio do nazi-fascismo.<\/p>\n<p><strong>A participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica na Segunda Guerra Mundial vista no cinema<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com a decisiva participa\u00e7\u00e3o da URSS na derrota do Eixo, n\u00e3o s\u00e3o muitos os filmes ocidentais que abordam a participa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica na Segunda Guerra Mundial. Algu\u00e9m desavisado, que acompanhasse a hist\u00f3ria apenas atrav\u00e9s dos filmes hollywoodianos certamente acreditaria que o maior conflito b\u00e9lico do s\u00e9culo XX teve como protagonistas t\u00e3o somente os pa\u00edses do Eixo (Alemanha, Jap\u00e3o e It\u00e1lia) contra os EUA e em menor medida, a Inglaterra. No entanto, a URSS foi o pa\u00eds que mais sofreu perdas tanto em termos materiais, com destrui\u00e7\u00e3o total de cidades, aldeias e f\u00e1bricas, bem como a mais atingida na quantidade de mutilados e de mortos. A \u00faltima estimativa mostra que pelos menos 29 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos morreram na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Tem-se de recorrer aos pr\u00f3prios filmes sovi\u00e9ticos para encontrar refer\u00eancias cinematrogr\u00e1ficas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da URSS no conflito, e nisto os cineastas sovi\u00e9ticos foram mestres como Grigori Chukrai (A balada do soldado, 1959, premiado com a Palma de Ouro em Cannes), Mikhail Kalatozov (Quando voam as cegonhas, 1957, premiado com a Palma de Ouro em Cannes), Sergei Bondarchuk (O destino de um homem, 1959), Andrei Tarkovski (A inf\u00e2ncia de Ivan, 1961, premiado com o Le\u00e3o de Ouro em Veneza), Elem Klimov (V\u00e1 e veja, 1985, premiado com a Medalha de Ouro no Festival Internacional de Moscou), entre tantos outros.<\/p>\n<p>Um aspecto que chama a aten\u00e7\u00e3o no cinema de guerra sovi\u00e9tico \u00e9 que, ao contr\u00e1rio da maioria dos filmes norte-americanos que tratam a guerra com ufanismo e hero\u00edsmo, em que seus soldados s\u00e3o verdadeiros exemplos de car\u00e1ter e retid\u00e3o e os horrores da guerra como fome, aldeias inteiras dizimadas, estupros etc. passam ao largo<sup><sup>6<\/sup><\/sup>, os filmes de guerra sovi\u00e9ticos buscam expor o lado mais sombrio da guerra. O motivo certamente se deve ao fato, al\u00e9m de ideol\u00f3gicos, que boa parte dos diretores sovi\u00e9ticos dos anos 50, 60, 70 e 80 vivenciaram a Segunda Guerra Mundial na pr\u00f3pria pele, em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, seja lutando ou sofrendo a experi\u00eancia de in\u00fameras perdas materiais e afetivas que a guerra traz, coisa que nenhum diretor norte-americano viveu, pois desde a Guerra Civil Norte-Americana os EUA n\u00e3o presenciam uma guerra em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os filmes sovi\u00e9ticos em geral eram de dif\u00edcil acesso a poucos anos atr\u00e1s, somente com o fim da URSS \u00e9 que s\u00e3o reeditados e mesmo assim, as locadoras de filmes n\u00e3o tem mostrado muito interesse em t\u00ea-los em seu acervo, exce\u00e7\u00e3o feita a um que outro filme de Eisenstein ou de Tarkovski, sendo que este somente depois de mudar-se para o ocidente teve uma melhor acolhida pela cr\u00edtica mundial.<\/p>\n<p><strong>O anti-comunismo escancarado em \u201cC\u00edrculo de fogo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O filme \u201cC\u00edrculo de fogo\u201d (\u201cEnemy at the gates\u201d) de Jean-Jacques Annaud de 2001, uma produ\u00e7\u00e3o conjunta entre Alemanha\/EUA\/Inglaterra, \u00e9 dos poucos filmes ocidentais que tratam da participa\u00e7\u00e3o da URSS na Segunda Guerra Mundal, mais especificamente da \u201cBatalha de Stalingrado\u201d. Logicamente, a hist\u00f3ria do filme busca personalizar o conflito entre a URSS e a Alemanha, centrando a atua\u00e7\u00e3o entre o duelo entre dois franco-atiradores, um sovi\u00e9tico, Vassily Zaitsev (Jude Law) e um oficial nazista Erin K\u00f6nig<sup><sup>7<\/sup><\/sup> (Ed Harris). O resto do filme \u00e9 um festival de prega\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica anti-comunista, anti-sovi\u00e9tica e um romance folhetinesco<sup><sup>8<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>A maneira como os soldados do Ex\u00e9rcito Vermelho s\u00e3o retratados no filme \u00e9 de grande inverdade hist\u00f3rica. Inicialmente os soldados sovi\u00e9ticos aparecem viajando de trem com destino \u00e0 defesa de Stalingrado, certamente por sua enorme covardia tem de ser trancados nos vag\u00f5es para n\u00e3o desertarem. Na verdade, \u00e9 not\u00f3rio que tanto os oficias quanto os demais soldados dividiam os mesmos vag\u00f5es e ningu\u00e9m era trancafiado em trens.<\/p>\n<p>Os soldados que na travessia do rio Volga jogam-se no rio para fugir da artilharia a\u00e9rea alem\u00e3 s\u00e3o executados pelos oficiais. No desembarque das tropas em Stalingrado, os oficiais gritam frases como: \u201cem nome da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica n\u00e3o dem um passo atr\u00e1s ou atiraremos\u201d, \u201cos desertores ser\u00e3o mortos\u201d ou \u201cn\u00e3o h\u00e1 perd\u00e3o para covardes\u201d<sup><sup>9<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Vendo o filme, \u00e9 imposs\u00edvel concluir quem s\u00e3o mais cru\u00e9is e assassinos, os nazistas ou os pr\u00f3prios sovi\u00e9ticos. Os soldados do Ex\u00e9rcito Vermelho batem na popula\u00e7\u00e3o e amea\u00e7am com a morte aqueles que tentarem sair de Stalingrado, quando na realidade o governo sovi\u00e9tico praticamente esvaziou a cidade j\u00e1 em agosto de 1942. Se o tratamento dispensado pelos soldados sovi\u00e9ticos aos habitantes de Stalingrado tivessem sido verdadeiras, seria espantoso os civis n\u00e3o terem optado por se aliarem aos nazistas, o que como \u00e9 sabido, n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Os soldados sovi\u00e9ticos aparecem como verdadeiros suicidas. Ao desembarcarem percebem que existe um rifle para cada dois soldados, os outros dois carregam apenas muni\u00e7\u00e3o. Quando aquele que carrega o rifle morre, um deles recolhe a arma do morto e apenas a\u00ed passa a se defender e atacar, o que passa a id\u00e9ia do total amadorismo e despreparo do ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico para enfrentar o bem armado ex\u00e9rcito nazista. A d\u00favida que fica \u00e9: como foi poss\u00edvel que os sovi\u00e9ticos derrotaram os nazistas n\u00e3o s\u00f3 em Stalingrado como vencerem a Segunda Guerra Mundial tendo meia arma para cada soldado<sup><sup>10<\/sup><\/sup>?<\/p>\n<p>Quando Kruschev pergunta a um oficial (que em instantes ter\u00e1 de suicidar-se para evitar a burocracia de ser executado, como afirma Kruschev) sobre a derrota at\u00e9 aquele instante da resist\u00eancia em barrar o avan\u00e7o nazista o oficial argumenta: \u201cos alem\u00e3es tem artilharia, avi\u00f5es, tanques, e o que eu tinha?\u201d<sup><sup>11<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Os oficiais sovi\u00e9ticos s\u00e3o personagens t\u00edpicos de com\u00e9dia: apalermados, com f\u00edsico ou muito acima do peso, ou muito baixos em estatura, outros exageradamente magros. No entanto, todos tem uma coisa em comum: a covardia. Ser\u00e1 que algum filme de guerra j\u00e1 retratou oficiais norte-americanos de maneira t\u00e3o caricata como os oficiais sovi\u00e9ticos s\u00e3o apresentados?<\/p>\n<p>O saco de maldades dos sovi\u00e9ticos n\u00e3o tem fim, Kruschev diante de seus oficiais enfileirados (um verdadeiro ex\u00e9rcito de Brancaleone) pergunta a um narigudo com cara de personagem de desenho animado se tinha alguma sugest\u00e3o de como aumentar o moral da tropa que estava sendo aniquilada pelo ex\u00e9rcito alem\u00e3o. Imediatamente o oficial do Ex\u00e9rcito Vermelho responde tremendo de medo: \u201catire em todos os outros generais que recuarem\u201d, outro diz: \u201cdeportem as fam\u00edlias dos traidores\u201d. A reuni\u00e3o com os oficiais vira um verdadeiro festival de maldades, vencido por Kruschev que diz com a maior frieza e naturalidade: \u201cn\u00e3o, isso tudo j\u00e1 foi feito\u201d. O Comiss\u00e1rio Danilov, um soldado que espantosamente n\u00e3o sabe atirar, \u00e9 que tem a solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica: \u201cdar esperan\u00e7a aos soldados\u201d, \u201cprecisamos \u00e9 de her\u00f3is\u201d. Kruschev ficou em \u00eaxtase, finalmente encontrou a solu\u00e7\u00e3o para vencer os nazistas.<\/p>\n<p>Assim, a divulga\u00e7\u00e3o das fa\u00e7anhas de Zaitsev, al\u00e7ado a condi\u00e7\u00e3o de her\u00f3i e exemplo por conta do servi\u00e7o de \u201crela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u201d do Comiss\u00e1rio Danilov foi a alternativa encontrada para que a resist\u00eancia sovi\u00e9tica come\u00e7asse a combater efetivamente o inimigo. Parece que o ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico encontrou o seu \u201cRambo\u201d, que sozinho \u00e9 capaz de ganhar uma guerra. Simplifica\u00e7\u00e3o grotesca e ris\u00edvel.<\/p>\n<p>No momento em que Zaitsev \u00e9 apresentado a Kruschev (ao som do Hino da URSS que ainda nem havia sido criado na \u00e9poca), todos pateticamente passam a olhar para um quadro de St\u00e1lin com uma express\u00e3o quase demon\u00edaca. \u201cOlhe para ele com orgulho, pois ele est\u00e1 olhando para voc\u00ea\u201d, diz Kruschev para Zaitsev. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o chorar de tanto rir.<\/p>\n<p>Em outra cena, em que Zaitsev est\u00e1 respondendo \u00e0s cartas de trabalhadores que as dezenas lhe escrevem, tem uma id\u00e9ia de g\u00eanio: \u201cn\u00e3o devemos dizer que n\u00e3o sou o \u00fanico a lutar?\u201d. O Comiss\u00e1rio Danilov, al\u00e7ado a condi\u00e7\u00e3o de membro maior do ex\u00e9rcito, respons\u00e1vel pela propaganda dos feitos de Zaitsev, que tem a tarefa de pensar, j\u00e1 que como visto anteriormente nem atirar sabia, gostou da id\u00e9ia, parece que at\u00e9 ent\u00e3o ele n\u00e3o havia percebido que a guerra n\u00e3o girava apenas ao redor de seu her\u00f3i.<\/p>\n<p>Uma das cenas mais ideol\u00f3gicas ocorrem quando o soldado Koulikov, que usa dentadura met\u00e1lica, conta sua hist\u00f3ria a Zaitsev. Teria sido mandado passar 16 meses na Alemanha para fazer um curso na escola de tiro dirigida por K\u00f6nig\/Thorvald, quando ainda estava em vig\u00eancia o \u201cpacto de n\u00e3o agress\u00e3o\u201d, ou como ele mesmo diz: \u201cquando o nosso Josef e o Adolf deles andavam de m\u00e3os dadas\u201d. Com a deflagra\u00e7\u00e3o da guerra contra a Alemanha, j\u00e1 de volta \u00e0 URSS \u00e9 interrogado pela NKVD (a pol\u00edcia pol\u00edtica sovi\u00e9tica) e torturado, queriam saber o que fazia na Alemanha. Parece inveross\u00edmel que para os agentes da NKVD o \u201cpacto de n\u00e3o agress\u00e3o\u201d fosse novidade. A prega\u00e7\u00e3o anti-comunista chega ao auge quando Koulikov diz que, tendo sido acusado de suspeita de espionagem,teve todos os dentes quebrados por um martelo: \u201cn\u00e3o foi uma foice, mas foi um martelo\u201d. O saco de maldades dos comunistas sovi\u00e9ticos realmente parece n\u00e3o ter fim.<\/p>\n<p>Os oficiais sovi\u00e9ticos parecem n\u00e3o ter nenhuma firmeza ideol\u00f3gica, muito pelo contr\u00e1rio, pouco antes de se deixar levar um tiro na cabe\u00e7a pelo atirador alem\u00e3o, Danilov despede-se da vida deixando a mensagem de que n\u00e3o adianta querer mudar a sociedade, ela sempre ser\u00e1 desigual: \u201cEu fui t\u00e3o idiota, Vassily. O homem sempre ser\u00e1 homem. N\u00e3o h\u00e1 um homem novo. Tentamos criar uma sociedade que fosse igual na qual n\u00e3o houvesse o que invejar do vizinho. Mas h\u00e1 sempre algo para dar inveja. Um sorriso, uma amizade, algo que voc\u00ea n\u00e3o tem e quer ter. Neste mundo, mesmo no sovi\u00e9tico sempre haver\u00e1 ricos e pobres, o rico em dons e o pobre em dons. O rico no amor, o pobre no amor\u201d. Sua vida de comunista n\u00e3o teve sentido, resta a morte.<\/p>\n<p>No t\u00e9rmino do filme, o diretor parece mostrar que nada funciona em uma sociedade socialista, a burocracia emperra as coisas mais elementares. Zaitsev chega no hospital e procura por T\u00e2nia, as senhoras, que representam a burocracia sovi\u00e9tica, de muito m\u00e1 vontade dizem que n\u00e3o tem ningu\u00e9m com aquele nome internada naquele hospital. \u00c9 preciso que o pr\u00f3prio Zaitsev encontre a poucos metros de dist\u00e2ncia T\u00e2nia deitada na cama do hospital.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por menos que v\u00e1rios veteranos de guerra criticaram o filme, a rea\u00e7\u00e3o dos espectadores dos pa\u00edses da ex-URSS foi p\u00e9ssima, sendo que a pr\u00f3pria fam\u00edlia do verdadeiro Vassily Zaitsev conseguiu proibir por certo tempo a exibi\u00e7\u00e3o do filme em cinemas da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Esperamos que um dia a hist\u00f3ria da luta da Frente Oriental da Segunda Guerra Mundial, dos \u201cHer\u00f3is de Stalingrado\u201d e de todos os demais, soldados e civis que derramaram o seu generoso sangue para defender o mundo do nazi-fascismo ainda seja contada com a seriedade que merece.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia consultada<\/strong><\/p>\n<p>ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006. 238 p.<\/p>\n<p>GUBER, A. A. (org.). Historia universal \u2013 vol. II. Mosc\u00fa: Editorial Progreso, 1976. 449 p.<\/p>\n<p>KALACHNIKOV, Mikhail. Rajadas da hist\u00f3ria \u2013 o fuzil AK-47 da R\u00fassia de St\u00e1lin at\u00e9 hoje. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. 167 p.<\/p>\n<p>MARTENS, Ludo. Stalin \u2013 um novo olhar. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2003. 350 p.<\/p>\n<p>MU\u00d1OZ, Ricardo e TERRANOVA, Juan. Stalingrado \u2013 la tumba blanca del Reich. Bogot\u00e1: Planeta, 2007.156 p.<\/p>\n<p>REVUNENKOV, V. G. Hist\u00f3ria dos tempos atuais \u2013 1917-1957. Rio de Janeiro: Vit\u00f3ria, 1961. 293 p.<\/p>\n<p>ZHILIN, P. (org.). La gran guerra p\u00e1tria de la Uni\u00f3n Sovi\u00e9tica \u2013 1941-1945. Mosc\u00fa: Editorial Progreso, 1985. 469 p.<\/p>\n<p><strong>S\u00edtios da internet consultados<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pt.shvoong.com\/movies\/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo\/\">http:\/\/pt.shvoong.com\/movies\/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo\/<\/a><\/p>\n<p>acessado em 19\/05\/2009.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/soviet-empire.com\/ussr\/viewtopic.php?t=43057&amp;sid=2e31fafb6a028a6e7...\">http:\/\/soviet-empire.com\/ussr\/viewtopic.php?t=43057&amp;sid=2e31fafb6a028a6e7\u2026<\/a> acessado em 19\/05\/2009.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/forum.outerspace.com.br\/archive\/index.php\/t-40978.html\">http:\/\/forum.outerspace.com.br\/archive\/index.php\/t-40978.html<\/a> acessado em 21\/05\/2009.<\/p>\n<p lang=\"en-US\">\u00a0<\/p>\n<p>1 Professor Associado do Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFSM, Doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp.<\/p>\n<p>2 Guber (1976, p. 226) afirma que se contra as a\u00e7\u00f5es da Alemanha nazista os pa\u00edses capitalistas eram no m\u00ednimo lenientes, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 URSS e aos comunistas de seus pa\u00edses, eram duros. A Fran\u00e7a colocou o Partido Comunista Franc\u00eas na ilegalidade, com seus jornais fechados e seus militantes e inclusive parlamentares presos. Igualmente na Inglaterra, EUA e outros tantos pa\u00edses capitalistas foi desencadeada uma feroz persegui\u00e7\u00e3o aos comunistas.<\/p>\n<p>3 Martens (2003, p.265) acredita que o futuro tanto da Inglaterra, bombardeada pela Luftwaffe, como a Fran\u00e7a invadida pelas tropas alem\u00e3s, poderia ter sido diferente: \u201cEm mar\u00e7o de 1939, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica entabulava negocia\u00e7\u00f5es para formar uma alian\u00e7a antifascista. A Inglaterra e a Fran\u00e7a deixaram as coisas se arrastarem, manobrando. Para esta atitude, as duas gandes \u2018democracias\u2019 faziam compreender a Hitler que ele poderia marchar contra Stalin sem ser inquietado pelo Oeste\u201d.<\/p>\n<p>4 Em 20 de agosto de 1941 Hitler prop\u00f5e \u00e0 URSS um \u201dpacto de n\u00e3o agress\u00e3o\u201d, estrategicamente aceito. Segundo Martens (2003, p. 270), o pacto possibilitou que a URSS conseguisse 21 meses de paz para se preparar para a futura agress\u00e3o alem\u00e3 em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>5 Os aliados mesmo que unidos contra as tropas do Eixo, n\u00e3o eram homog\u00eaneos quanto aos seus interesses: \u201cA Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica considerava como seus objetivos fundamentais a destrui\u00e7\u00e3o do fascismo, a liberta\u00e7\u00e3o dos povos subjugados, o restabelecimento das liberdades democr\u00e1ticas e a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para o estabelecimento de uma paz duradoura e s\u00f3lida. Os imperialistas dos Estados Unidos e da Inglaterra consideravam como finalidade mais importante da guerra a destrui\u00e7\u00e3o de seus principais competidores \u2013 a Alemanha e o Jap\u00e3o \u2013 na luta pelo dom\u00ednio mundial e pela consolida\u00e7\u00e3o de seu predom\u00ednio no mundo\u201d (Revunenkov, 1961, p. 132).<\/p>\n<p>6 O cinema de guerra norte-ameicano come\u00e7a a inserir novos ingredientes al\u00e9m do hero\u00edsmo e ufanismo a partir de filmes sobre a guerra do Vietn\u00e3 como \u201cApocalipse Now\u201d de Francis Ford Coppola e \u201cPlatoon\u201d de Oliver Stone.<\/p>\n<p>7 Em sua biografia, Zaitsev afirma que o tal oficial alem\u00e3o na verdade se chamava Heinz Thorvald. Este era um coronell da SS que dirigia uma escola de tiro em Berlim (Mu\u00f1oz e Terranova, 2007, p. 80).<\/p>\n<p>8 Zaitsev eliminou em Stalingrado 242 nazistas (n\u00fameros aproximados) e realmente matou o oficial alem\u00e3o que tinha sido enviado para Stalingrado para mata o pr\u00f3prio Zaitsev. Embora o filme n\u00e3o fa\u00e7a nenhuma refer\u00eancia ao futuro de Zaitsev, ele passou a ser instrutor de tiro dos atiradores de elite, alcan\u00e7ando a patente de capit\u00e3o, sendo inclusive autor de manuais de instru\u00e7\u00e3o para atiradores de elite. Recebeu a condecora\u00e7\u00e3o da Guerra Patri\u00f3tica, duas Ordens Bandeira Vermelha, Ordem de Lenin, Medalha da Estrela Dourada e t\u00edtulo de \u201cHer\u00f3i da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u201d. Terminou seus dias como diretor de uma f\u00e1brica de carros em Kiev, onde morreu em 1991. A cidade de Volvogrado (antiga Stalingrado) possui um monumento em sua homenagem e seu rifle moisin-nagant 91\/30 est\u00e1 no Museu de Volvogrado. Dados extra\u00eddos do texto \u201cOne shot, one kill\u201d dispon\u00edvel no s\u00edtio http:\/\/forum.outerspace.com.br\/archive\/index.php\/t-40978.html<\/p>\n<p>9 Com o t\u00edtulo de \u201cO grande fiasco do C\u00edrculo de Fogo\u201d, o s\u00edtio http:\/pt.shvoong.com\/movies\/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo\/ afirma o seguinte: \u201cDe fato, a penaliza\u00e7\u00e3o de desertores existia no Ex\u00e9rcito Vermelho, como em todos os ex\u00e9rcitos do mundo, por\u00e9m desertores reais e n\u00e3o soldados que recuavam. Segundo V. Suvorov, um desertor sovi\u00e9tico famoso no ocidente, haviam \u2018Batalh\u00f5es Penais\u2019 onde desertores faziam atividades mais perigosas como limpar minas terrestres, dentre outras, nunca eram executados diretamente em combate\u201d. A execu\u00e7\u00e3o de traidores e desertores era rara no Ex\u00e9rcito Vermelho, dos 100.000 soldados enviados a Stalingrado, apenas 265 foram executados. Ver em: http:\/\/soviet-empire.com\/ussr\/viewtopic.php?t=43057&amp;sid=2e31fafb6a028a6e7\u2026<\/p>\n<p>10 \u201cOra, um fuzil era a primeira coisa que mesmo um volunt\u00e1rio civil recebia ao se alistar, muitos civis eram mesmo treinados para a\u00e7\u00f5es militares em parques p\u00fablicos e oper\u00e1rios muitas vezes faziam fuzis improvisados nas f\u00e1bricas, como bem atestado pela jornalista A. L. Strong, que viveu 15 anos na URSS. Mesmo nos por\u00f5es do Ex\u00e9rcito, haviam velhos Moisins-Nagants, talvez mais fuzis do que em qualquer ex\u00e9rcito do mundo\u201d. Ver o s\u00edtio http:\/pt.shvoong.com\/movies\/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo\/.<\/p>\n<p>11 \u201cKruschov jamais comandou opera\u00e7\u00f5es militares em Stalingrado, apenas se limitara a comandar a evacua\u00e7\u00e3o de civis antes da batalha come\u00e7ar, seus reais comandantes foram Yeremenko (depois promovido a marechal) e Vassily Chuykov, especialista em combates urbanos veterano de Madri, ex-acessor de Chiang Kai Shek na Manch\u00faria (onde derrotou os japoneses usando coquet\u00e9is Molotov e velhos fuzis), que comandou tropas at\u00e9 Berlim. No filme, entretanto, o comandante \u00e9 um general choramingo que se queixa de \u2018n\u00e3o ter avi\u00f5es e tanques\u2026\u2019 como os alem\u00e3es, embora nesta \u00e9poca voasse sobre Stalingrado Ivan Kozhedub (o maior ase dentre os aliados) e a \u2018Rosa Branca de Stalingrado (Lilya Litvyak)\u2019, aviadora conhecida por fa\u00e7anhas lend\u00e1rias, bem como os tanques T-35, mais tarde retratados ligeiramente no filme\u201d. Ver o s\u00edtio http:\/pt.shvoong.com\/movies\/1872360-grande-fiasco-c%C3%ADrculo-fogo\/. Dados mais precisos aparecem em Zhilin (1985, p. 185) que afirma ter o Ex\u00e9rcito Vermelho no come\u00e7o da contra ofensiva de Stalingrado em compara\u00e7\u00e3o ao ex\u00e9rcito nazista, uma propor\u00e7\u00e3o de aproximadamente 1:1 em n\u00famero de soldados; 1,5:1 em pe\u00e7as de artilharia; 2,2:1 em n\u00famero de tanques e canh\u00f5es automotores; 1,1:1 em quantidade de avi\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Blog do Dario\n\n\n\n\n\n\n\n\nS\u00e9rgio Prieb1\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1272\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-1272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-kw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}