{"id":12737,"date":"2016-11-28T11:54:31","date_gmt":"2016-11-28T14:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12737"},"modified":"2016-12-18T02:19:41","modified_gmt":"2016-12-18T05:19:41","slug":"carta-de-seropedicarj-ii-seminario-nacional-de-educacao-em-agroecologia-snea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12737","title":{"rendered":"CARTA DE SEROP\u00c9DICA\/RJ \u2013 II Semin\u00e1rio Nacional de Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia (SNEA)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/y3KD0JKMjVjz9r7cbIlYtlw86QjDEkrdEo1XZ_ZDl3MmmZWomkTDZ5YXQl6zcOZGEkbdRzVl6_qc9Wj5UJgsyQk6KnsmLRKaVQh7oq7XsHPAVAmkW8Eao_AZ6lUlfj0RjVCPd5PlO-u_EEA19EUw=s0-d-e1-ft#http:\/\/aba-agroecologia.org.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/logo-snea-300x114.jpg\" alt=\"imagem\" \/>N\u00f3s, 420 profissionais da extens\u00e3o, ensino e pesquisa, da comunica\u00e7\u00e3o, estudantes dos diferentes n\u00edveis e modalidades de ensino, agricultores e agricultoras, povos e comunidades tradicionais, jovens, mulheres e homens de todo o Brasil nos reunimos em Serop\u00e9dica- RJ, de 25 a 27 de outubro de 2016, no II Semin\u00e1rio Nacional de Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia (SNEA), para debater o tema \u201cEduca\u00e7\u00e3o em Agroecologia: resist\u00eancias e <!--more-->lutas pela democracia\u201d. Este tema reflete os ac\u00famulos e aprendizados desde o I SNEA e a preocupa\u00e7\u00e3o com as amea\u00e7as de desmonte institucionais que colocam em risco os avan\u00e7os duramente conquistados pela sociedade brasileira em seu processo de democratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fortes ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o claras express\u00f5es deste risco, a exemplo do fechamento das escolas do campo; da PEC 241\/2016, que prop\u00f5em congelar os gastos p\u00fablicos por 20 anos e com isso, interdita a continuidade, o aprimoramento e a expans\u00e3o do ensino m\u00e9dio, tecnol\u00f3gico e superior no Brasil, em que os maiores atingidos ser\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e pobres; a Medida Provis\u00f3ria 746\/2016 que prev\u00ea a reformula\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio, excluindo do rol das disciplinas obrigat\u00f3rias Artes, Filosofia, Sociologia e Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, condicionando o\/a estudante a optar por uma \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o sem ter conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio, negando o princ\u00edpio da complexidade para a forma\u00e7\u00e3o da cidadania cr\u00edtica; o Projeto de Lei 293\/2016 (conhecido como Lei da Morda\u00e7a) que cerceia a autonomia de profissionais de educa\u00e7\u00e3o para abordar dimens\u00f5es pol\u00edticas, \u00e9tnico-raciais, de g\u00eanero e sexualidade, ressaltando que professores\/as que descumprirem estas orienta\u00e7\u00f5es estar\u00e3o sujeitos \u00e0 exonera\u00e7\u00e3o dos cargos.<\/p>\n<p>Repudiamos as a\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas implementadas recentemente, a exemplo da pris\u00e3o pol\u00edtica de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; as medidas da SETEC\/MEC para que os dirigentes dos Institutos Federais delatem os estudantes envolvidos nas ocupa\u00e7\u00f5es; e medidas arbitr\u00e1rias e autorit\u00e1rias para desocupa\u00e7\u00e3o das Escolas, cerceando o livre direito de manifesta\u00e7\u00e3o da sociedade. Dessa forma, nos solidarizamos com o movimento dos\/as estudantes de ocupa\u00e7\u00e3o das escolas, das universidades e institutos federais que lutam por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade.<\/p>\n<p>Nesta conjuntura o II SNEA promoveu uma rica reflex\u00e3o. Foram socializadas e debatidas 170 experi\u00eancias de Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia, articulados a partir de eixos tem\u00e1ticos sobre a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento agroecol\u00f3gico, a forma\u00e7\u00e3o do profissional em agroecologia e a quest\u00e3o agr\u00e1ria e agroecologia. Estas experi\u00eancias s\u00e3o fruto do ac\u00famulo hist\u00f3rico protagonizado por educadores\/as, estudantes e pelos movimentos sociais do campo.<\/p>\n<p>Evidenciamos ainda no evento o fornecimento de alimentos agroecol\u00f3gicos de fam\u00edlias agricultoras para a alimenta\u00e7\u00e3o dos participantes e a realiza\u00e7\u00e3o da Feira Agroecol\u00f3gica e Cultural \u201cSabores e Saberes\u201d como um espa\u00e7o educativo, tendo os momentos culturais como mediadores de di\u00e1logos e conex\u00f5es entre a cidade e o campo.<\/p>\n<p>Reconhecemos alguns temas fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de uma Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia, como a luta pela terra, a reforma agr\u00e1ria, a defesa dos bens comuns e dos territ\u00f3rios, a indissociabilidade da extens\u00e3o, ensino e pesquisa, a transdiciplinaridade, o feminismo, a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e o di\u00e1logo de saberes, as juventudes, o di\u00e1logo intercultural, a sexualidade, as pol\u00edticas p\u00fablicas, a seguran\u00e7a e soberania alimentar, a sa\u00fade e a economia solid\u00e1ria. Percebemos que os princ\u00edpios da Vida, da Diversidade, da Complexidade e da Transforma\u00e7\u00e3o propostos no I SNEA para a Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia v\u00eam sendo refor\u00e7ados e colocados em pr\u00e1tica nestas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Observamos que a Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia se constr\u00f3i com o fomento e o apoio do Estado a partir de pol\u00edticas p\u00fablicas. Ressaltamos o apoio dado aos N\u00facleos de Estudos em Agroecologia (NEAs), que desde 2010, passam a ser fomentados por Minist\u00e9rios envolvendo um grande n\u00famero de professores, estudantes de ensino m\u00e9dio, de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3sgradua\u00e7\u00e3o; t\u00e9cnicos extensionistas e representantes da agricultura familiar, em cerca de 281 projetos, em 102 institui\u00e7\u00f5es de ensino, beneficiando mais de 47.000 agricultores e agricultoras familiares em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Denunciamos os ataques \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o campo, para a agricultura familiar e a reforma agr\u00e1ria, a exemplo da extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e o corte de recursos do Programa Nacional de Educa\u00e7\u00e3o na Reforma Agr\u00e1ria \u2013 PRONERA e da Pol\u00edtica Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica \u2013 PNAPO. Denunciamos a desterritorializa\u00e7\u00e3o dos povos e comunidades tradicionais e o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio como express\u00e3o do capitalismo no campo, da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, da concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e do esvaziamento do campo.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia deve se dar no contexto territorial em que se encontra, com seus atores, debatendo as rela\u00e7\u00f5es de poder e os conflitos, devendo-se contribuir para fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o social e a constru\u00e7\u00e3o de um projeto popular que tenha como centralidade a luta pela terra em conson\u00e2ncia com os princ\u00edpios da agroecologia e o bem viver. Uma educa\u00e7\u00e3o que valoriza a pesquisa e o trabalho como princ\u00edpios educativos, favorecendo uma perspectiva cr\u00edtica e polit\u00e9cnica da forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Reconhecemos que a agroecologia tem sido constru\u00edda em diferentes processos educativos, seja na escola, nas universidades, nos institutos federais, seja no ch\u00e3o do trabalho e nas lutas sociais e populares do campo e da cidade. Isso vem possibilitando a experimenta\u00e7\u00e3o de diferentes perspectiva pedag\u00f3gicas utilizando-se de pr\u00e1ticas da educa\u00e7\u00e3o popular que articulam extens\u00e3o, ensino e pesquisa, como as caravanas, interc\u00e2mbios, est\u00e1gios de viv\u00eancia, instala\u00e7\u00f5es art\u00edstico-pedag\u00f3gicas, entre outras, que nos apontam a necessidade de romper com uma educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria e anti-dial\u00f3gica. A forma\u00e7\u00e3o em agroecologia deve ser interdisciplinar, baseada na complexidade e no di\u00e1logo de saberes.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 fundamental para que isto ocorra, reconhecer que a ci\u00eancia dominante e a educa\u00e7\u00e3o conservadora s\u00e3o limitadas e parciais, sendo necess\u00e1rio buscar outra ci\u00eancia que possibilite novas rela\u00e7\u00f5es dos seres humanos entre si e com a natureza.<\/p>\n<p>Defendemos uma educa\u00e7\u00e3o com diferentes perspectivas pedag\u00f3gicas que flores\u00e7am da rela\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia e os conhecimentos populares, como as pedagogias do trabalho, da autonomia, libert\u00e1ria, da terra, da vida, do alimento, gri\u00f4, da altern\u00e2ncia, construindo uma pedagogia socioecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Ressaltamos que nesta perspectiva, a cultura \u00e9 elemento pol\u00edtico de di\u00e1logo com os territ\u00f3rios, uma vez que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da diversidade e dos saberes populares. Ela deve compor a totalidade dos espa\u00e7os educativos. As representa\u00e7\u00f5es culturais s\u00e3o respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o de um povo. Assim, a cultura \u00e9 mem\u00f3ria e denota a necessidade de reconhecermos os saberes ancestrais, aprendendo com os mesmos e renovando-os.<\/p>\n<p>Repudiamos qualquer tipo de viol\u00eancia contra as mulheres e defendemos a diversidade sexual e o direito \u00e0s livres escolhas de g\u00eanero. Entendemos que as experi\u00eancias em educa\u00e7\u00e3o em agroecologia devem valorizar e fortalecer o protagonismo das mulheres como portadoras de conhecimentos e pr\u00e1ticas sociais que favore\u00e7am o avan\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o do enfoque agroecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Por fim, defendemos que o Estado brasileiro nas suas diferentes esferas reconhe\u00e7a todos\/as profissionais que se dedicam a Agroecologia possibilitando a realiza\u00e7\u00e3o de concursos p\u00fablicos, e fomentando espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o, visando o cumprimento das diversas pol\u00edticas p\u00fablicas que apontam a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma outra perspectiva de desenvolvimento, a exemplo da Pol\u00edtica Nacional de Agroecologia e Sistemas Org\u00e2nicos de Produ\u00e7\u00e3o \u2013 PNAPO.<\/p>\n<p>Por Educa\u00e7\u00e3o em Agroecologia que considere \u201cuma agri-cultura da alma, do territ\u00f3rio, da alegria, dos sentidos, dos tempos e dos espa\u00e7os\u201d (D\u00e9a Trancoso).<\/p>\n<p>http:\/\/aba-agroecologia.org.br \/wordpress\/?p=2862<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00f3s, 420 profissionais da extens\u00e3o, ensino e pesquisa, da comunica\u00e7\u00e3o, estudantes dos diferentes n\u00edveis e modalidades de ensino, agricultores e agricultoras, povos e \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12737\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-12737","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3jr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12737","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12737"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12737\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}