{"id":12743,"date":"2016-11-28T12:03:01","date_gmt":"2016-11-28T15:03:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12743"},"modified":"2016-12-18T02:19:55","modified_gmt":"2016-12-18T05:19:55","slug":"fidel-por-fidel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12743","title":{"rendered":"FIDEL POR FIDEL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/castro_fidel_2.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>\u201cConseguimos o que parecia imposs\u00edvel conseguir\u201d<\/strong><\/p>\n<p>3 de fevereiro de 1999. Discurso pronunciado por Fidel na Aula Magna da Universidade Central da Venezuela<\/p>\n<p>Assim, uso a mesma camisa com a qual vim a esta universidade h\u00e1 quarenta anos, com a qual atacamos o Quartel Moncada, com a qual desembarcamos do <em><i>Granma<\/i><\/em>. <!--more-->Me atreveria a dizer, apesar das tantas p\u00e1ginas de aventuras que qualquer um pode encontrar em minha vida revolucion\u00e1ria, que sempre tratei de ser s\u00e1bio, por\u00e9m prudente; ainda que talvez tenha sido mais s\u00e1bio que prudente.<\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, atuamos como disse Mart\u00ed ao falar do grande objetivo anti-imperialista de suas lutas, pr\u00f3ximo j\u00e1 a morrer em combate, que \u00abEm sil\u00eancio teve que ser e um tanto indiretamente, porque existem coisas que para consegui-las \u00e9 preciso andar ocultas, e ao proclamar-se o que s\u00e3o, se levantariam dificuldades demasiado robustas para alcan\u00e7ar sobre elas o fim\u00bb.<\/p>\n<p>Fui discreto, n\u00e3o sempre que devia, porque com o povo me encontrava e come\u00e7ava a lhe explicar as ideias de Marx e a sociedade de classes, de maneira que no movimento de car\u00e1ter popular, cuja consigna em sua luta contra a corrup\u00e7\u00e3o era \u00abVergonha contra dinheiro\u00bb, ao qual tinha me incorporado rec\u00e9m chegado \u00e0 universidade, me estavam proporcionando fama de comunista. Por\u00e9m, j\u00e1 era nos anos finais de minha carreira n\u00e3o um comunista ut\u00f3pico, mas um comunista at\u00edpico, que atuava livremente. Partia de uma an\u00e1lise realista da situa\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds. Era a \u00e9poca do Macarthismo, do isolamento quase total do Partido Socialista Popular, nome que ostentava o partido marxista em Cuba, e tinha, em troca, no movimento onde me incorporei, convertido j\u00e1 em Partido do Povo Cubano, uma grande massa que, em minha opini\u00e3o, tinha instinto de classe, por\u00e9m n\u00e3o consci\u00eancia de classe, camponeses, trabalhadores, profissionais, pessoas das camadas m\u00e9dias, gente boa, honesta, potencialmente revolucion\u00e1ria. Seu fundador, e l\u00edder, homem de grande carisma, tinha se privado da vida dramaticamente meses antes do golpe de Estado de 1952. Das jovens fileiras daquele partido se nutriu depois nosso movimento.<\/p>\n<p>Militava naquela organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que j\u00e1 realmente estava caindo, como ocorria com todas, nas m\u00e3os de gente rica, e sabia de mem\u00f3ria tudo o que ia acontecer depois do j\u00e1 inevit\u00e1vel triunfo eleitoral; por\u00e9m, tinha elaborado algumas ideias, por minha conta tamb\u00e9m \u2013 imaginem que a um utopista pode ocorrer qualquer coisa \u2013, sobre o era preciso fazer em Cuba e como faz\u00ea-lo, apesar dos Estados Unidos. Era preciso levar aquelas massas por um caminho revolucion\u00e1rio. Talvez tenha sido o m\u00e9rito da t\u00e1tica que n\u00f3s seguimos. Claro, and\u00e1vamos com os livros de Marx, de Engels e de Lenin.<\/p>\n<p>Quando do ataque ao Quartel Moncada nos foi extraviado um livro de Lenin. No julgamento, a primeira coisa que se dizia sobre a propaganda do regime batistiano, era que se tratava de uma conspira\u00e7\u00e3o de \u00abpri\u00edstas\u00bb corrompidos, do governo rec\u00e9m derrubado, com o dinheiro daquela gente, e tamb\u00e9m comunista. N\u00e3o se sabe como se podiam conciliar as duas categorias.<\/p>\n<p>No julgamento, o que fiz foi assumir minha pr\u00f3pria defesa. N\u00e3o que me considerasse bom advogado, por\u00e9m acreditava quem melhor que podia defender-me naquele momento era eu mesmo; coloquei-me uma toga e ocupei meu posto onde estavam os advogados. O julgamento era pol\u00edtico, mais que penal. N\u00e3o pretendia sair absolvido, mas sim divulgar ideias (\u2026) Nas horas iniciais, enquanto me interrogavam, apareceu o livro de Lenin. Algu\u00e9m o sacou: \u00abVoc\u00eas tinham um livro de Lenin\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00f3s explicando o que \u00e9ramos: martianos, era a verdade, que n\u00e3o t\u00ednhamos nada a ver com aquele governo corrompido que tinham desalojado do poder, que nos prop\u00fanhamos tais e mais quais objetivos. Isso sim, de marxismo-leninismo n\u00e3o lhes falamos nenhuma palavra, nem t\u00ednhamos por que dizer nada. Dissemos o que t\u00ednhamos que dizer, por\u00e9m como no julgamento reluziu o livro. Eu senti uma verdadeira irrita\u00e7\u00e3o nesse instante e disse: \u00abSim, esse livro de Lenin \u00e9 nosso. N\u00f3s lemos os livros de Lenin e de outros socialistas. Quem n\u00e3o os l\u00ea \u00e9 um ignorante\u00bb, assim afirmei a ju\u00edzes e aos demais naquele mesmo lugar.<\/p>\n<p>Era insuport\u00e1vel aquilo. N\u00e3o \u00edamos dizer: \u00abOlhe, esse livrinho, algu\u00e9m o p\u00f4s a\u00ed\u00bb. N\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois, nosso programa estava exposto quando me defendi no julgamento, Quem n\u00e3o sabia como pens\u00e1vamos foi porque n\u00e3o quis saber como pens\u00e1vamos. Talvez se quisesse ignorar aquele discurso conhecido como <em><i>A historia me absolver\u00e1<\/i><\/em>, com o qual me defendi apenas l\u00e1 (\u2026).<\/p>\n<p>Pergunto-me, dizia a eles, por que n\u00e3o deduziram qual era nosso pensamento, porque a\u00ed estava tudo. Continha \u2013 e pode dizer \u2013 os cimentos de um programa socialista de governo, ainda que, convencido, desde o in\u00edcio, de que esse n\u00e3o era o momento de faz\u00ea-lo, que isso ia ter suas etapas e seu tempo. \u00c9 quando falamos j\u00e1 da reforma agr\u00e1ria, e falamos, inclusive, entre outras muitas coisas de car\u00e1ter social e econ\u00f4mico (&#8230;). Falei at\u00e9 do bezerro de ouro. Voltei a recordar a B\u00edblia e assinalei: \u00abaos que adoravam o bezerro de ouro\u00bb, em clara refer\u00eancia \u00e0queles que esperavam tudo do capitalismo. Um n\u00famero suficiente de coisas para deduzir como pens\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Depois, meditei que era prov\u00e1vel que muitos dos que podiam ser afetados por uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos acreditariam em absoluto, porque em cinquenta e sete anos como neocol\u00f4nia ianque, se tinha proclamado mais de um programa progressista ou revolucion\u00e1rio; as classes dominantes n\u00e3o acreditaram nunca em n\u00f3s como algo poss\u00edvel ou permiss\u00edvel pelos Estados Unidos (\u2026).<\/p>\n<p>Sentiam antipatia por Batista, admiravam o combate frontal contra seu regime abusivo e corrupto, e possivelmente subestimaram o pensamento contido naquele argumento, onde estavam as bases do que depois fizemos e o que hoje pensamos, com a diferen\u00e7a de que muitos anos de experi\u00eancia enriqueceram mais nossos conhecimentos e percep\u00e7\u00f5es em torno de todos aqueles temas. De modo que esse \u00e9 meu pensamento, j\u00e1 disse desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos a dura experi\u00eancia de um longo per\u00edodo revolucion\u00e1rio, especialmente os \u00faltimos dez anos, enfrentados sob circunst\u00e2ncias muito dif\u00edceis contra for\u00e7as sumamente poderosas. Bom, vou dizer a verdade: conseguimos o que parecia imposs\u00edvel conseguir. Eu diria que quase ocorreram milagres. Desde cedo, as leis foram tal e como se tinham prometido, surgiu furiosa a oposi\u00e7\u00e3o sempre soberba e arrogante dos Estados Unidos, que tinha muita influ\u00eancia em nosso pa\u00eds, e o processo foi se radicalizando ante cada golpe e agress\u00e3o que receb\u00edamos; assim come\u00e7ou a longa luta que durou at\u00e9 hoje. Polarizaram-se as for\u00e7as em nosso pa\u00eds, com a sorte de que a imensa maioria estava com a Revolu\u00e7\u00e3o, e uma minoria, que seria de 10% ou menos, estava contra ela, de modo que sempre existiu um grande consenso e um grande apoio em todo aquele processo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Sabemos com que podemos nos preocupar, porque fizemos um grande esfor\u00e7o para superar aqueles preju\u00edzos que existiam, para transmitir ideias, para criar consci\u00eancia nas pessoas, e foi dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2016\/11\/26\/fidel-por-fidel-logramos-lo-que-parecia-imposible-lograr\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cConseguimos o que parecia imposs\u00edvel conseguir\u201d 3 de fevereiro de 1999. 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