{"id":12783,"date":"2016-12-01T20:02:35","date_gmt":"2016-12-01T23:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12783"},"modified":"2016-12-18T02:21:23","modified_gmt":"2016-12-18T05:21:23","slug":"dia-internacional-de-solidariedade-com-a-palestina-nada-para-comemorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12783","title":{"rendered":"Dia Internacional de Solidariedade com a Palestina: nada para comemorar"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/mariaenpalestina.files.wordpress.com\/2016\/11\/15241307_10211291089772969_5309390869269388695_n.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>por Maria Landi<\/p>\n<p>Kisan, Cisjordania, marzo 2015. Foto: Michaela WhittonEm 29 de novembro \u00e9 celebrado o Dia Internacional de Solidariedade com a Palestina, institu\u00eddo pela ONU em 1977. Neste dia, em muitos pa\u00edses em todo o mundo, comit\u00eas de solidariedade e<!--more--> governos realizam atos de comemora\u00e7\u00e3o, agitando bandeiras palestinas e fazendo discursos inflamados a favor da causa palestina. Mas dificilmente h\u00e1 uma data mais amb\u00edgua no calend\u00e1rio dessa causa, pois isso implica que o apoio ao direito do povo palestino \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o \u00e9 celebrado no mesmo dia em que a comunidade internacional decidiu despoj\u00e1-lo de mais da metade de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na verdade, a data recorda a Resolu\u00e7\u00e3o 181 da Assembleia Geral (AG) da ONU, que em 1947 recomendou a divis\u00e3o do territ\u00f3rio da Palestina hist\u00f3rica para criar dois Estados, um judeu e um \u00e1rabe. A proposta tinha sido feita por uma comiss\u00e3o especial (UNSCOP) criada para resolver a quest\u00e3o palestina, depois que o governo brit\u00e2nico anunciou a sua decis\u00e3o de deixar a Palestina, em fevereiro de 1947, deixando \u00e0 ONU o futuro do pa\u00eds. Na Comiss\u00e3o Especial (UNSCOP) os pa\u00edses ocidentais e seus aliados conseguiram se impor sobre os \u00e1rabes e aprovar o plano de parti\u00e7\u00e3o por maioria (como um consenso n\u00e3o foi alcan\u00e7ado), com total desprezo pelos interesses dos povos \u00e1rabes nativos.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o 181 \u00e9 geralmente invocada como base para a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel pela ONU. O sionismo a considera sua \u00abpedra angular\u00bb. No entanto, muitos especialistas apontam a fal\u00e1cia de semelhante afirma\u00e7\u00e3o, com solidez jur\u00eddica e hist\u00f3rica: nem a Assembleia Geral (AG) nem o Conselho de Seguran\u00e7a tem poder de criar nem para dividir pa\u00edses ou dispor do seu territ\u00f3rio; de modo que o texto da resolu\u00e7\u00e3o fala sempre de recomenda\u00e7\u00e3o . Ainda assim, como bem apontam os pa\u00edses \u00e1rabes, a proposta foi contra a letra e o esp\u00edrito da Carta da ONU.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m fortes argumentos contra a ideia de divis\u00e3o, porque negava a vontade e o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o do povo palestino; um direito rec\u00e9m consagrado na nova carta da ONU, num contexto mundial e regional de descoloniza\u00e7\u00e3o e da emerg\u00eancia de estados independentes. No entanto, cedendo \u00e0 press\u00e3o sionista, ignorando as vozes cr\u00edticas e at\u00e9 mesmo a proposta sensata dos pa\u00edses \u00e1rabes de levar a quest\u00e3o ao Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, a AG aprovou a recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia de dividir o territ\u00f3rio entre os povos nativos e os colonos imigrantes nunca foi levantada em qualquer outro evento hist\u00f3rico. Al\u00e9m disso, o plano concedia a minoria judaica imigrante 54 por cento do territ\u00f3rio; uma divis\u00e3o sob todos os pontos de vista injusta e arbitr\u00e1ria, considerando as realidades demogr\u00e1ficas do pa\u00eds. No final do s\u00e9culo XIX as pessoas de religi\u00e3o judaica constitu\u00edam 2 por cento da popula\u00e7\u00e3o da Palestina. No final da Primeira Guerra Mundial \u2013 j\u00e1 iniciada a imigra\u00e7\u00e3o sionista &#8211; chegou a 10 por cento. A cont\u00ednua e massiva imigra\u00e7\u00e3o vindo da Europa promovida pelo sionismo e facilitada pelo Mandato Brit\u00e2nico, ante o protesto e a resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o nativa, fez com que, no final da Segunda Guerra Mundial, os imigrantes judeus representassem um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o Palestina &#8211; embora a maioria era de imigrantes europeus .<\/p>\n<p>O que \u00e9 pouco analisado \u00e9 o triste papel desempenhado pelos pa\u00edses latinos americanos, aliados de uma Europa com uma m\u00e1 consci\u00eancia pelo recente holocausto e preso em sua \u00e1rea de influ\u00eancia. Guatemala, Peru e Uruguai integravam o UNSCOP e se alinharam com a posi\u00e7\u00e3o recomendada pela parti\u00e7\u00e3o da Palestina. E na Assembleia Geral, a grande maioria dos nossos pa\u00edses votou a favor; outro grupo menor se abstive e s\u00f3 Cuba votou contra. Em um mundo que emergia dos horrores da II Guerra Mundial, uma ONU rec\u00e9m-criada para n\u00e3o repeti-los e, em pleno impulso de descoloniza\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente, os pa\u00edses latino-americanos viraram as costas para o povo diretamente afetado pelo projeto colonial europeu, alinhando-se com os novos e velhos colonizadores. At\u00e9 hoje Israel nunca perde a oportunidade para lembrar e agradecer o apoio Latino-Americano ao seu nascimento.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m esclarecer que os sionistas, que n\u00e3o simpatizavam com a parti\u00e7\u00e3o da Palestina porque queriam a totalidade da &#8220;Terra de Israel&#8221;, ainda assim aceitaram a solu\u00e7\u00e3o como tempor\u00e1ria, uma vez agora tinham o pretexto que precisavam para iniciar a conquista e apropria\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio palestino restante.<\/p>\n<p>De fato, imediatamente ap\u00f3s aprovada a resolu\u00e7\u00e3o, as mil\u00edcias sionistas iniciaram , em dezembro de 1947, a limpeza \u00e9tnica de aldeias, vilas e cidades palestinas, expulsando violentamente a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e destruindo sua infraestrutura urbana para tornar imposs\u00edvel seu retorno e para apagar os vest\u00edgios dos crimes que cometeram. Na narrativa sionista oficial, a &#8220;guerra de independ\u00eancia&#8221; israelense come\u00e7ou com &#8220;a agress\u00e3o dos ex\u00e9rcitos \u00e1rabes vizinhos&#8221;, em maio de 1948; mas a pesquisa hist\u00f3rica deixou claro que muito antes de um \u00fanico soldado \u00e1rabe pisar na Palestina para deter o avan\u00e7o das for\u00e7as sionistas, eles, os sionistas, j\u00e1 haviam despovoado, assassinado e destru\u00eddo muitas cidades palestinas.<\/p>\n<p>O resultado da agress\u00e3o contra o povo palestino foi que um ano depois os sionistas haviam conquistado quase 80 por cento do territ\u00f3rio palestino. E estas &#8220;fronteiras&#8221; adquiridas atrav\u00e9s de guerra \u2013 e a assinatura do armist\u00edcio com os pa\u00edses \u00e1rabes &#8211; foram legitimadas em maio 1949, quando a ONU admitiu Israel sem exigir nenhuma das condi\u00e7\u00f5es estabelecidas previamente: retorno as fronteiras previstas no plano de parti\u00e7\u00e3o, reconhecendo o estatuto especial de Jerusal\u00e9m e permitir o retorno da popula\u00e7\u00e3o palestina expulsa. O resto do territ\u00f3rio da Palestina (Cisjord\u00e2nia e Gaza) foi ocupado em 1967 por outra guerra.<\/p>\n<p>Agora, quando se fala de por fim \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, que significa Israel se retirar dos territ\u00f3rios e permitir a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino, n\u00e3o se refere \u00e0 divis\u00e3o do territ\u00f3rio proposto (e nunca implementado) na resolu\u00e7\u00e3o 181, mas nessas fronteiras m\u00f3veis decorrente da ocupa\u00e7\u00e3o militar, e, portanto, ilegal nos termos da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Mas Israel n\u00e3o est\u00e1 satisfeito com os 80 por cento do territ\u00f3rio palestino hist\u00f3rico que ocupa; a agress\u00e3o militar contra a gente \u00e1rabe e a ocupa\u00e7\u00e3o avan\u00e7am.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/mariaenpalestina.files.wordpress.com\/2016\/11\/palestina-espacio-territorio630.jpg?w=747&#038;h=408&#038;fit=540%2C408\" alt=\"\" \/>Este 29 de novembro tamb\u00e9m marca quatro anos desde que a Assembleia Geral da ONU aprovou a incorpora\u00e7\u00e3o da Palestina como um Estado observador. Por voto da maioria, que teve apoio dos pa\u00edses da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o resultou em absolutamente nenhuma mudan\u00e7a real para o povo palestino, que continua a sobreviver sob ocupa\u00e7\u00e3o militar e colonial na Cisjord\u00e2nia e em Gaza, discriminados em Israel e em sua grande maioria refugiados ou exilados, proibidos de retornar \u00e0 sua terra natal.<\/p>\n<p>Esta data \u00e9 uma oportunidade para lembrar o que j\u00e1 dissemos algumas vezes: a quest\u00e3o palestina n\u00e3o ser\u00e1 resolvida sem o fim do sionismo, esta rel\u00edquia colonial que deu origem a um estado organizado com base na supremacia \u00e9tnica &#8211; religiosa. Enquanto for assim, enquanto todas as pessoas que vivem nesta terra n\u00e3o tiverem os mesmos direitos, n\u00e3o haver\u00e1 paz e n\u00e3o haver\u00e1 justi\u00e7a; n\u00e3o s\u00f3 no que restou do territ\u00f3rio hist\u00f3rico da Palestina, mas em toda a regi\u00e3o, onde o projeto sionista foi imposto h\u00e1 quase sete d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Traduzido e postado por Blogger no <a href=\"http:\/\/somostodospalestinos.blogspot.com\/2016\/11\/dia-internacional-de-solidariedade-com.html\">SOMOS TODOS PALESTINOS<\/a> em 11\/29\/2016<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/palestinalibre.org\/articulo.php?a=62786\" target=\"_blank\">http:\/\/palestinalibre.org\/arti<wbr \/>culo.php?a=62786<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Maria Landi Kisan, Cisjordania, marzo 2015. 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