{"id":12796,"date":"2016-12-02T20:26:21","date_gmt":"2016-12-02T23:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12796"},"modified":"2016-12-18T02:21:50","modified_gmt":"2016-12-18T05:21:50","slug":"avanco-neoliberal-impoe-novos-desafios-para-a-luta-feminista-dizem-mulheres-da-alba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12796","title":{"rendered":"Avan\u00e7o neoliberal imp\u00f5e novos desafios para a luta feminista, dizem mulheres da Alba"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm6.staticflickr.com\/5532\/31221597201_72336f9e6a_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Representantes de organiza\u00e7\u00f5es de 19 pa\u00edses se re\u00fanem em Bogot\u00e1 para o I Encontro de Feminismo dos movimentos populares<\/p>\n<p>Vivian Fernandes<\/p>\n<p>Brasil de Fato | Bogot\u00e1 (Col\u00f4mbia), 30 de Novembro de 2016 \u00e0s 15:40<!--more--><\/p>\n<p>Com mais de 60 mulheres de 19 pa\u00edses, o 1<sup>o<\/sup> Encontro de Feminismos e Mulheres da Alba Movimentos acontece em Bogot\u00e1, capital da Col\u00f4mbia, nesta ter\u00e7a\u00a0(29) e quarta-feira (30). Durante os dois dias de evento ser\u00e3o compartilhados pontos de vista e hist\u00f3rias de resist\u00eancia antipatriarcais, al\u00e9m de ser constru\u00eddo um\u00a0planejamento da organiza\u00e7\u00e3o e das lutas para a liberta\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres do continente e do mundo.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do conservadorismo e do projeto neoliberal na regi\u00e3o foi um dos temas debatidos no espa\u00e7o. \u201cO conservadorismo n\u00e3o\u00a0\u00e9 s\u00f3 de ideias, mas est\u00e1 vinculado a rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e com as inst\u00e2ncias democr\u00e1ticas. Isso tem a ver com a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos e das lideran\u00e7as de organiza\u00e7\u00f5es populares. Esse \u00e9 o g\u00e9rmen protofascista, porque n\u00e3o querem s\u00f3 derrotar nossas pol\u00edticas, querem nos destruir\u201d, afirma Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres, do cap\u00edtulo Brasil da Alba Movimentos.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o ocorre em meio a uma leitura de que n\u00e3o h\u00e1 somente\u00a0um avan\u00e7o do projeto neoliberal, mas tamb\u00e9m um fim do ciclo de governos progressistas na Am\u00e9rica Latina, o que implica novos desafios para os movimentos populares, em especial, para a luta das mulheres. \u201cO que significa o avan\u00e7o da direita no continente \u00e9 que ela \u00e9 respons\u00e1vel pela feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza, e a viol\u00eancia que surge disto\u201d, aponta Daniela Inojosa, da Rede de Coletivos Aranha Feminista, do cap\u00edtulo Venezuela da Alba Movimentos.<\/p>\n<p>\u201cA mercantiliza\u00e7\u00e3o da mulher [dentro do capitalismo] \u00e9 t\u00e3o atroz que se faz necess\u00e1rio avan\u00e7ar com a luta pela soberania de nosso territ\u00f3rio, que \u00e9 nosso corpo. Nosso corpo n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda\u201d, declara Daniela.<\/p>\n<p>Sede do Encontro de Mulheres, a Col\u00f4mbia recebeu uma an\u00e1lise de conjuntura pr\u00f3pria no painel de abertura. De acordo com Sandra Solano, da organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica colombiana Congresso dos Povos (Congreso de los Pueblos, em espanhol), um ponto positivo dos Acordos de Paz no pa\u00eds \u00e9 o reconhecimento da viol\u00eancia de g\u00eanero no conflito. \u201cQue exista no acordo este enfoque \u00e9 um grande avan\u00e7o para o pa\u00eds\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ela ressalta que, apesar do Acordo entre o governo colombiano e as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC-EP), ainda falta avan\u00e7ar no acordo com o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN).<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a paz completa significa mudan\u00e7as. Que as comunidades, seus territ\u00f3rios e organiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m devem ter a possibilidades de apresentar suas agendas de luta e planos para seus territ\u00f3rios. Obviamente as mulheres est\u00e3o a\u00ed, com\u00a0diversas propostas\u00a0de assembleias, espa\u00e7os de mulheres, que podem incidir nos processos de paz\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Feminismo antissist\u00eamico<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um crescimento muito grande do feminismo por parte das jovens em muitos pa\u00edses. Se o feminismo cresce, cresce tamb\u00e9m as diferen\u00e7as e disputas, apesar da sororidade. Nosso feminismo tem projeto, \u00e9 anticapitalista e antirracista. Assim, temos que nos posicionar n\u00e3o s\u00f3 com palavras, mas tamb\u00e9m com a\u00e7\u00f5es, em um feminismo antissist\u00eamico. Esse feminismo ser\u00e1 constru\u00eddo pelas mulheres trabalhadoras, populares, negras, ind\u00edgenas\u201d, afirma Nalu Faria, do Brasil.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a militante da Marcha Mundial das Mulheres chama a aten\u00e7\u00e3o de como as ag\u00eancias multilaterais, como a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para as Mulheres e a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe\u00a0(Cepal), constr\u00f3em suas agendas e se utilizam de bandeiras do feminismo para a coopta\u00e7\u00e3o. \u201cTemos que estar atentas para que, por exemplo, a luta contra\u00a0 feminic\u00eddio n\u00e3o seja por si s\u00f3, mas que seja uma luta contra o sistema\u201d, defende.<\/p>\n<p>Para Daniela Inojosa, da\u00a0Venezuela, o feminismo deve ser visto a partir de uma perspectiva popular e aponta os perigos da luta hist\u00f3rica se transformar em uma mercadoria ou como um atenuante das contradi\u00e7\u00f5es do sistema. \u201cNos preocupa um feminismo corporativo que cresce no continente, pela direita, que acompanha o capitalismo, e disputa o espa\u00e7o que n\u00f3s criamos historicamente. O feminismo sempre foi com uma perspectiva socialista, porque se se enfrenta o patriarcado, se enfrenta com a estrutura do capitalismo\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n<p>O Encontro de Feminismos e Mulheres ocorre nas v\u00e9speras da II Assembleia Continental da Alba Movimentos, que ser\u00e1 realizado de 1 a 4 de dezembro, em Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia. Com a previs\u00e3o de reunir 300 militantes de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares de 27 pa\u00edses do continente, a assembleia \u00e9 um espa\u00e7o pol\u00edtico-organizativo dos Movimentos Populares da Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos de Nossa Am\u00e9rica (Alba).<\/p>\n<p>A Alba surgiu em 2004, a partir de uma articula\u00e7\u00e3o entre os presidentes Hugo Ch\u00e1vez, da Venezuela, e Fidel Castro, de Cuba. Al\u00e9m da alian\u00e7a entre governos, h\u00e1 a Articula\u00e7\u00e3o dos Movimentos Populares da Alba (Alba Movimentos), a qual come\u00e7ou a se articular a partir dos anos 2010, e foi oficialmente lan\u00e7ada em 2013, na I Assembleia Continental da Alba Movimentos, realizada no Brasil.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 Eduardo Bernardes<\/em><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: O Encontro de Feminismos e Mulheres ocorre pr\u00e9vio \u00e0 Assembleia Continental da Alba Movimentos \/ Sebasti\u00e1n Pi\u00f1eros<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.b r\/2016\/11\/30\/avanco-neoliberal-impoem-novos-desafios-para-a- luta-feminista-dizem-mulheres- da-alba\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Representantes de organiza\u00e7\u00f5es de 19 pa\u00edses se re\u00fanem em Bogot\u00e1 para o I Encontro de Feminismo dos movimentos populares Vivian Fernandes Brasil de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12796\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[],"class_list":["post-12796","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3ko","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12796\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}