{"id":12846,"date":"2016-12-05T15:50:15","date_gmt":"2016-12-05T18:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12846"},"modified":"2017-08-24T22:34:43","modified_gmt":"2017-08-25T01:34:43","slug":"o-filme-mais-triste-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12846","title":{"rendered":"O filme mais triste do mundo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.xinguvivo.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/xxx1-768x391.png\" alt=\"imagem\" \/>Document\u00e1rio do cineasta Todd Southgate, narrado pelo ator Marcos Palmeira, faz um retrato da desola\u00e7\u00e3o que restou em Altamira e no rio Xingu ap\u00f3s o enchimento do reservat\u00f3rio de Belo Monte<!--more--><\/p>\n<p>Publicado em 27 de novembro de 2016<\/p>\n<p><em>Por Verena Glass<\/em><\/p>\n<p>Quatro segundos, aos 16:26 minutos: \u00e9 o tempo que aparece a imagem acima. Um pescador, rosto apoiado sobre o punho fechado, em sua canoa paralisada em um Xingu em agonia. Entre a vegeta\u00e7\u00e3o boia lixo, e ao lado da embarca\u00e7\u00e3o, bolhas que apontam problemas de oxigena\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Estes quatro segundos d\u00e3o o tom do document\u00e1rio \u201cBelo Monte \u2013 depois da inunda\u00e7\u00e3o\u201d. Obviamente n\u00e3o \u00e9 o filme mais triste do mundo; s\u00f3 que sim. Produzido no in\u00edcio do ano de 2016 pelo cineasta Todd Southgate \u2013 e narrado pelo ator Marcos Palmeira -, parte da profunda desesperan\u00e7a que restou na regi\u00e3o afetada pela hidrel\u00e9trica de Belo Monte ap\u00f3s o enchimento do reservat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Durante os cerca de 50 minutos de dura\u00e7\u00e3o, este filme explicita a enormidade do crime cometido contra as pessoas e um dos rios mais majestosos da Amaz\u00f4nia, recuperando de forma did\u00e1tica uma linha do tempo de desmandos, viola\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o e desprezo absoluto pelos fatores que apontavam a absoluta insanidade, sob todos os pontos de vista, deste projeto hidrel\u00e9trico.<\/p>\n<p>Southgate focou seu olhar e sua c\u00e2mara prioritariamente nas pessoas. Do choque com o aumento da viol\u00eancia \u2013 e, neste \u00e2mbito, destacadamente o feminicidio \u2013 a uma Altamira ca\u00f3tica, enredada em arames pontiagudos e fechada em grades e cercas.<\/p>\n<p>Na monocultura de casinhas fr\u00e1geis constru\u00eddas pelo empreendedor da usina Norte Energia para estocar as centenas de fam\u00edlias arrancadas de seus territ\u00f3rios, a c\u00e2mara acompanha um morador por c\u00f4modos escuros. Todd pede pra que ascenda a luz, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque a energia havia sido cortada. O morador conta que j\u00e1 retirou as l\u00e2mpadas de v\u00e1rios soquetes para economizar, mas n\u00e3o adiantou. Mostra uma conta de luz de R$ 2.522,18 e explica: a renda familiar \u00e9 de R$ 1.200,00. Como quitar uma conta daquele valor? \u00c9 dar de comer aos filhos ou pagar a luz, e nem assim.<\/p>\n<p>Talvez uma das cenas mais forte, principalmente para quem conhece o processo da resist\u00eancia contra Belo Monte em Altamira, \u00e9 a que acompanha Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, enquanto guarda quadros da fam\u00edlia pouco antes da consuma\u00e7\u00e3o de seu despejo. A c\u00e2mara foca nas m\u00e3os que alisam um retrato, e o depositam numa caixa de papel\u00e3o. Antonia, 66 anos, s\u00edmbolo nacional e internacional de uma luta desesperada contra as viola\u00e7\u00f5es de um governo autorit\u00e1rio, foi a \u00faltima das moradoras de seu bairro <a href=\"http:\/\/www.xinguvivo.org.br\/2015\/02\/12\/belo-monte-vai-engolir-muito-mais-que-palafitas-em-altamira\/\">a ter que abandonar a casa<\/a> onde construiu sua vida e seus sonhos. Ele tenta falar. \u201cSair hoje daqui\u2026 sair daqui\u2026 ent\u00e3o\u2026\u201d. As palavras engasgam; os olho mareiam<\/p>\n<p>As falas de dor, den\u00fancia, revolta e indigna\u00e7\u00e3o se perfilam durante o document\u00e1rio, entrecortadas por imagens da natureza e de pessoas agonizantes, peixes mortos, o Xingu desfigurado. Ent\u00e3o aparece, como uma assombra\u00e7\u00e3o, a ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff em seu discurso de inaugura\u00e7\u00e3o de Belo Monte: \u201cGrandiosa! A melhor forma de descrever Belo Monte \u00e9 essa palavra: grandiosa! Eu quero dizer que esse empreendimento, Belo Monte, me orgulha muito pelo que produziu de ganhos sociais e ambientais\u201d. As imagens de Dilma se misturam a cenas fortes de abandono e desola\u00e7\u00e3o. Uma monstruosidade que nada tem de grandiosa, decreta Antonia Melo.<\/p>\n<p>\u201cBelo Monte \u2013 depois da inunda\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um filme triste. Mas, apesar, ao final reafirma a grandeza das lutas e a import\u00e2ncia das organiza\u00e7\u00f5es sociais que atuam, contra a corrente, na defesa da Amaz\u00f4nia, de seus rios e de seus povos, do Xingu ao Tapaj\u00f3s. \u00c9 um filme duro, cru. Mas essencial; e n\u00e3o de todo desesperan\u00e7oso.<\/p>\n<p><strong>Lan\u00e7amento<\/strong><br \/>\nO document\u00e1rio (<a href=\"https:\/\/vimeo.com\/180500655\">veja o trailer<\/a>), que j\u00e1 recebeu o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/BeloMonteAfterTheFlood\/\">Pr\u00eamio de Juri Popular<\/a> no Fest Cineamaz\u00f4nia, em Rond\u00f4nia, ser\u00e1 lan\u00e7ado oficialmente em Bras\u00edlia no dia 05 de dezembro, segunda feira, no Audit\u00f3rio<span class=\"text_exposed_show\"> Benedito Coutinho do Centro Universit\u00e1rio IESB, localizado na SGAN, Quadra 609 \u2013 M\u00f3dulo D, L2 Norte. O evento, que come\u00e7a \u00e0s 19:00hs, ter\u00e1 a seguinte programa\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><strong>19:00 hs<\/strong> \u2013 Abertura com o violeiro Victor Batista<br \/>\n<strong>19:15 hs<\/strong> \u2013 Lan\u00e7amento do livro \u201cImpactos econ\u00f4micos das constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s: uma an\u00e1lise do provimento de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d do Conservation Strategy Fund (apresentac\u00e3o: Camila Jeric\u00f3 Daminello \u2013 CSF)<br \/>\n<strong>19:30 hs \u2013 Exibi\u00e7\u00e3o do filme \u201cBelo Monte: Depois da Inunda\u00e7\u00e3o\u201d,<\/strong> com apresenta\u00e7\u00e3o por Todd Southgate (Diretor e Produtor) e Brent Millikan (International Rivers)<br \/>\n<strong>20:30 hs<\/strong> \u2013 Debate com a presen\u00e7a de Antonia Melo da Silva e Raimunda Silva, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, e outros convidados especiais<br \/>\n<strong>21:30hs<\/strong> \u2013 22:30hs Coquetel<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es na <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/1341103872567790\/\">pagina do Facebook<\/a><\/p>\n<p>Este evento marca tamb\u00e9m a abertura do semin\u00e1rio \u201cHidreletricas na Amaz\u00f4nia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos\u201d no dia 06, a partir das 9:00h, na plen\u00e1ria 8 do Anexo II da C\u00e2mara dos Deputados. Veja abaixo a programa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<blockquote data-secret=\"fkM7CZUDst\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"http:\/\/www.xinguvivo.org.br\/2016\/11\/27\/o-filme-mais-triste-do-mundo\/\">O filme mais triste do mundo<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.xinguvivo.org.br\/2016\/11\/27\/o-filme-mais-triste-do-mundo\/embed\/#?secret=fkM7CZUDst\" data-secret=\"fkM7CZUDst\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;O filme mais triste do mundo&#8221; &#8212; Xingu Vivo\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Document\u00e1rio do cineasta Todd Southgate, narrado pelo ator Marcos Palmeira, faz um retrato da desola\u00e7\u00e3o que restou em Altamira e no rio Xingu \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12846\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-12846","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3lc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12846\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}