{"id":12865,"date":"2016-12-08T18:51:18","date_gmt":"2016-12-08T21:51:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12865"},"modified":"2016-12-29T19:35:03","modified_gmt":"2016-12-29T22:35:03","slug":"como-o-sistema-financeiro-captura-a-humanidade-atraves-da-divida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12865","title":{"rendered":"Como o sistema financeiro captura a Humanidade atrav\u00e9s da d\u00edvida"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/xc318e52ff6b80c4bd64c89e8943d7e51_L.jpg.pagespeed.ic.2Bu6hT7Row.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->A d\u00edvida, ao tornar-se perp\u00e9tua constitui uma renda que alimenta o parasitismo capitalista. Quer seja aquela que subscrevemos, quer seja aquela que a classe pol\u00edtica nos endossa com o r\u00f3tulo de d\u00edvida p\u00fablica, por encomenda do sistema financeiro.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Da moeda at\u00e9 \u00e0 d\u00edvida e o papel do Estado<\/strong><\/p>\n<p>Houve uma longa \u00e9poca em que as d\u00edvidas faziam parte das naturais trocas entre gente que procurava satisfazer as suas necessidades, numa base de intera\u00e7\u00f5es entre membros de uma mesma comunidade e em que a usura n\u00e3o fazia parte das <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/11\/a-divida-como-troca.html\">mentalidades<\/a>. As d\u00edvidas faziam parte dos desequil\u00edbrios naturais dentro das comunidades e n\u00e3o como elementos de diferencia\u00e7\u00e3o e aut\u00f3nomos, de dom\u00ednio de credores sobre devedores; cr\u00e9ditos como <i>ativos <\/i>e d\u00e9bitos, como<i> passivos<\/i>.<\/p>\n<p>O surgimento do dinheiro, materializado em sal ou conchas, focou-se depois nos metais preciosos \u2013 ouro, sobretudo \u2013 que, dada a sua inalterabilidade, correspondia \u00e0 procura de bens est\u00e1veis e aceites, de f\u00e1cil transporte para troca com outros bens. A pr\u00f3pria materialidade do dinheiro impedia a sua movimenta\u00e7\u00e3o num com\u00e9rcio mais alargado e a seguran\u00e7a dos seus detentores face a roubos; era vulgar os reis nas suas desloca\u00e7\u00f5es guerreiras transportarem arcas com o tesouro real e, em caso de dificuldades financeiras procederem \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda substituindo parte do ouro por prata ou cobre.<\/p>\n<p>Na China, antes do s\u00e9culo X e, no s\u00e9culo XIII, na It\u00e1lia, onde a densidade das rela\u00e7\u00f5es comerciais long\u00ednquas era grande, generalizou-se a utiliza\u00e7\u00e3o de documentos que certificavam o dep\u00f3sito num banco de certa quantidade de ouro e que garantia o levantamento noutro banco por parte do portador, sendo portanto t\u00edtulos transmiss\u00edveis. Passado o per\u00edodo de abund\u00e2ncia de ouro, trazido do golfo da Guin\u00e9 pelos portugueses e saqueado pelos espanh\u00f3is no M\u00e9xico e com o enorme desenvolvimento do com\u00e9rcio long\u00ednquo inerente \u00e0 expans\u00e3o colonial europeia, chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o haveria ouro armazenado nos bancos que correspondesse ao valor das mercadorias transacionadas o que fragilizava a confian\u00e7a nos bancos por parte dos depositantes.<\/p>\n<p>Os Estados, no s\u00e9culo XIX, para dotar os sistemas monet\u00e1rios da confian\u00e7a generalizada por parte das popula\u00e7\u00f5es e dos neg\u00f3cios, impuseram o monop\u00f3lio da emiss\u00e3o de moeda-papel &#8211; as notas que se usam hoje &#8211; em bancos emissores, sem contudo poderem assegurar a convertibilidade dessas notas em ouro. Isto \u00e9, ao emitirem notas sem contrapartida outra que n\u00e3o a confian\u00e7a por parte da popula\u00e7\u00e3o, os bancos emissores e os Estados assumiam potencialmente uma <i>d\u00edvida <\/i>que jamais poderiam pagar; e para que ningu\u00e9m pudesse colocar em causa a confian\u00e7a no banco emissor\/Estado, exigindo a convers\u00e3o de notas em ouro, os Estados vieram a decretar a inconvertibilidade dessas notas em ouro, a assun\u00e7\u00e3o de devedores sem capacidade de pagar as suas d\u00edvidas, seja em ouro, seja no que fosse.<\/p>\n<p>A Inglaterra cancelou a convertibilidade da libra em ouro em 1931 pois o ouro estava em emigra\u00e7\u00e3o acelerada para os EUA, onde em 1934, todos os bancos foram obrigados a depositar o seu ouro no Tesouro em troca de certificados. Em 1944, em Bretton Woods, todas as moedas se referenciaram ao d\u00f3lar, a \u00fanica convert\u00edvel em ouro, ao pre\u00e7o de $ 35\/on\u00e7a (31,104 grs) refer\u00eancia que foi alterada por Nixon em 1968 para $42,22\/on\u00e7a, como resposta aos deficits externos corrosivos dos EUA, \u00e0 guerra do Vietnam e \u00e0 compra francesa de ouro contra a entrega de d\u00f3lares. Finalmente, em 1971, foi cancelada a convertibilidade do d\u00f3lar em ouro, ficando todas as moedas mundiais sem qualquer refer\u00eancia real que n\u00e3o a confian\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es na aceita\u00e7\u00e3o generalizada de notas como instrumentos de transa\u00e7\u00e3o, poupan\u00e7a e especula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo a fic\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o entre o ouro e o d\u00f3lar acabou por desaparecer em 1976, deixando \u00e0 Reserva Federal a total liberdade de imprimir notas de banco, sem qualquer valor que n\u00e3o a aceita\u00e7\u00e3o generalizada do seu poder aquisitivo. Isto quer dizer que um banco central ao emitir moeda, emite um t\u00edtulo de d\u00edvida que cede ao sistema banc\u00e1rio, para coloca\u00e7\u00e3o na sociedade, no \u00e2mbito deste mecanismo;<\/p>\n<p>a) o banco central cria um valor a partir do nada, tendo em conta que se for excessivo no contexto da moeda em circula\u00e7\u00e3o, esse valor conduz a infla\u00e7\u00e3o e que se for insuficiente promover\u00e1 subida das taxas de juro, dificultando neg\u00f3cios. H\u00e1 que ter em conta o valor da riqueza em circula\u00e7\u00e3o, a conjuntura e o ritmo das transa\u00e7\u00f5es numa sociedade;<\/p>\n<p>b) o banco central cede esse valor a um banco comum que entrega um documento de assun\u00e7\u00e3o de d\u00edvida, perante o banco central, cedente;<\/p>\n<p>c) o banco comercial vai ceder o valor equivalente a v\u00e1rios clientes no \u00e2mbito do que se chama multiplicador do cr\u00e9dito, como adiante se explicar\u00e1.<\/p>\n<p>Gera-se assim uma cascata de cr\u00e9ditos e de d\u00edvidas, sem qualquer ancoragem em poupan\u00e7a e totalmente dependente da confian\u00e7a existente nessa emiss\u00e3o monet\u00e1ria origin\u00e1ria. Nessa cascata t\u00eam um papel essencial os destinat\u00e1rios finais, particulares e empresas, que transformam os seus d\u00e9bitos em bens e que de facto, alicer\u00e7am toda a cadeia; na base, est\u00e1 portanto o trabalho, como \u00fanico e real criador de valor.<\/p>\n<p>\u00c9 esse mecanismo artificial e artificioso que est\u00e1 presente no <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2015\/01\/o-conta-gotas-de-draghi-gotas-de-soro_22.html\"><i>quantitative easing utilizado por Draghi no BCE<\/i><\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2015\/01\/o-conta-gotas-de-draghi-gotas-de-soro_22.html\">;<\/a> uma emiss\u00e3o monet\u00e1ria que ir\u00e1 triplicar o balan\u00e7o do banco central da Zona Euro, de um (em 2014) para tr\u00eas bili\u00f5es de euros em 2016, com a particularidade de que os bancos comerciais para deterem meios financeiros para os seus neg\u00f3cios entregam, frequentemente como garantia, t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica, financiando assim indiretamente, os estados emissores daqueles t\u00edtulos, mormente os da periferia sul da UE.<\/p>\n<p>Esta pol\u00edtica do BCE corresponde a uma bomba de rel\u00f3gio. Primeiro porque n\u00e3o est\u00e1 a gerar uma infla\u00e7\u00e3o desvalorizadora de d\u00edvidas, mormente p\u00fablicas; depois porque a emiss\u00e3o monet\u00e1ria agrava as d\u00edvidas p\u00fablicas, j\u00e1 por natureza, financeiramente <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/05\/divida-publica-divida-publica-cancro.html\">impag\u00e1veis e insustent\u00e1veis do ponto de vista social<\/a>, em pa\u00edses como Gr\u00e9cia ou Portugal; e, finalmente, porque essa massa monet\u00e1ria vai inchando a bolha especulativa dos chamados mercados financeiros, com rebentamento inevit\u00e1vel faltando saber apenas o momento.<\/p>\n<p>Passemos ao sum\u00e1rio relato de uma curiosidade portuguesa no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Em 27\/11\/1880 a revista inglesa <i>The Economist<\/i> referia a instabilidade dos mercados: &#8220;<i>Os mercados monet\u00e1rios da Europa est\u00e3o a ficar cansados, e n\u00e3o sem raz\u00e3o, da constante solicita\u00e7\u00e3o por Portugal de novos empr\u00e9stimos<\/i>&#8221; e cinco anos depois, apontava: &#8220;<i>No pr\u00f3prio interesse de Portugal era prefer\u00edvel que as suas facilidades de endividamento fossem, agora, restringidas<\/i>&#8220;. A Comiss\u00e3o Europeia e o Eurogrupo s\u00e3o os membros mais recentes da mesma linhagem financeira.<\/p>\n<p>Em 1890 sucedeu a fal\u00eancia do Baring Brothers (118 anos depois aconteceu o mesmo em outro neg\u00f3cio de fam\u00edlia, o dos manos Lehman), o principal parceiro do governo portugu\u00eas na City e que para fazer face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o transferiu \u00a3 1 milh\u00e3o em ouro do Banco de Portugal para Londres, reduzindo substancialmente as reservas portuguesas. A crise financeira subsequente junta-se ao Ultimato ingl\u00eas ambos a demonstrar o que tem valido a soberania portuguesa, cantada por nacionalistas e patriotas; a revolta republicana de 31 de janeiro de 1891 foi um aproveitamento oportuno da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em plena crise, a The Economist utilizou uma terminologia muito actual na sua edi\u00e7\u00e3o de 6\/2\/1892. <i>&#8220;Tem sido evidente de h\u00e1 bastante tempo que o pa\u00eds (Portugal) estava a viver acima dos seus meios\u2026 &#8220;\u00c9 inevit\u00e1vel uma redu\u00e7\u00e3o significativa do encargo com a d\u00edvida\u2026\u201d. \u201cOs detentores da d\u00edvida portuguesa t\u00eam de consentir num abatimento dos seus direitos,<a href=\"http:\/\/oplanetaquetemos.blogspot.pt\/2011\/08\/portugal-ja-esteve-varias-vezes-na.html\"> por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias&#8221;.<\/a><\/i><\/p>\n<p><i><\/i>Como \u00e9 f\u00e1cil de ver, a imperial Inglaterra tratava a sua semicol\u00f3nia portuguesa com a dignidade adequada; tal como hoje acontece com a oligarquia bruxelense. Passados tantos anos, as desigualdades entre as v\u00e1rias \u00e1reas na Europa mant\u00eam-se; mas, a admiss\u00e3o de uma anula\u00e7\u00e3o de parte substancial da d\u00edvida n\u00e3o est\u00e1 presente nos meios pol\u00edticos porque acarretaria um encolhimento da dimens\u00e3o do sistema financeiro e de altera\u00e7\u00f5es profundas no seu funcionamento. Embora essa anula\u00e7\u00e3o seja inevit\u00e1vel e justa, mesmo que silenciada \u2013 <i>eppur si muove<\/i>.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Como se constr\u00f3i a d\u00edvida e a sua mansa aceita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Na pol\u00edtica portuguesa (e n\u00e3o s\u00f3) prepondera um marcado conservadorismo (tamb\u00e9m) no cap\u00edtulo da d\u00edvida em geral e da p\u00fablica em particular; e essa atitude, de mentira, mansid\u00e3o ou ignor\u00e2ncia, configura uma cortina que oculta o profundo significado da d\u00edvida e que se consubstancia sob tr\u00eas formas;<\/p>\n<p>a) a n\u00e3o considera\u00e7\u00e3o da d\u00edvida \u2013 p\u00fablica ou privada \u2013 como <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/11\/a-divida-como-troca.html\">um instrumento de captura de povos e de vidas constru\u00eddo pelo capitalismo<\/a>; isso, nem sequer ro\u00e7a as meninges dos membros da classe pol\u00edtica, mormente do segmento que se arroga da defesa do povo trabalhador.<\/p>\n<p>b) s\u00e3o pouco vis\u00edveis as opini\u00f5es que colocam em causa a ilegitimidade da d\u00edvida uma vez que prepondera o orgulho de \u201cn\u00e3o ser caloteiro\u201d, um orgulho em total desarmonia com as pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o, vigentes no pa\u00eds europeu ocidental medalhado com o bronze nesse campeonato.<\/p>\n<p>c) a d\u00edvida \u00e9 observada com conformismo, de modo economicista[1], dividindo-se as opini\u00f5es na classe pol\u00edtica entre um \u201cpagamos obedientemente\u201d e um<a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/11\/reestruturar-divida-publica-nada.html\"> \u201cpagamos obedientemente mas, &#8220;a<\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/11\/reestruturar-divida-publica-nada.html\">gradecemos uma aten\u00e7\u00e3ozinha\u201d.<\/a><\/p>\n<p><strong>3 &#8211; O capitalismo existe, conv\u00e9m n\u00e3o esquecer<\/strong><\/p>\n<p>Para superar as suas dificuldades de acumula\u00e7\u00e3o, o capitalismo altamente globalizado, alicer\u00e7ado numa competi\u00e7\u00e3o acerba entre as multinacionais, provoca uma encarni\u00e7ada luta pelos recursos do planeta que transforma enormes \u00e1reas em cen\u00e1rios de guerra e devasta\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>A sua exist\u00eancia tem-se baseado na press\u00e3o sobre os custos de trabalho e na necessidade de investimento para a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, para vencer a concorr\u00eancia; como elementos para incrementar a acumula\u00e7\u00e3o de capital. Como se ver\u00e1 adiante, a financiariza\u00e7\u00e3o vem prosseguindo essa acumula\u00e7\u00e3o, com a cria\u00e7\u00e3o de capital-dinheiro de forma totalmente desregulada, como na f\u00e1bula do <i>golem<\/i>[2], enquanto monstro criado para produzir seguran\u00e7a e que, posto \u00e0 solta por descuido, amea\u00e7a toda a estrutura social do planeta.<\/p>\n<p>Para essa competi\u00e7\u00e3o na venda de bens e servi\u00e7os s\u00e3o essenciais pol\u00edticas de rebaixamento dos custos do trabalho, em termos de sal\u00e1rio efetivo, como ainda um prolongamento das jornadas de trabalho, em contradi\u00e7\u00e3o total com a produtividade que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico tem permitido. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o global dominada pelas multinacionais encontra-se segmentada, entre outras raz\u00f5es, para o aproveitamento das chamadas vantagens competitivas, onde se incluem os baixos pre\u00e7os do trabalho, as indignas condi\u00e7\u00f5es e os parcos direitos impostos a quem trabalha. Em suma, cada grau de compet\u00eancias laborais constitui um mercado pr\u00f3prio, no contexto de um globalizado \u201cmercado de trabalho\u201d. No gr\u00e1fico seguinte, a estagna\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na ind\u00fastria nos EUA mostra essa tend\u00eancia.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/images\/images_thumbs\/xe900fb81ed8bf44f57380b91bb12cb45.jpeg.pagespeed.ic.y2JCLKKn4v.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"gtdiv1\" \/><\/p>\n<p>O mesmo pode ser observado em Portugal, onde nos \u00faltimos 25 anos se verifica uma lenta e progressiva perda de import\u00e2ncia relativa das remunera\u00e7\u00f5es do trabalho face a outros rendimentos e reveladora da incapacidade reivindicativa dos trabalhadores, manietados por burocracias sindicais partidarizadas.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/images\/images_thumbs\/x82990d0f4f769e1e9b7dd8281580e9a0.jpeg.pagespeed.ic.KbSxVES4ci.jpg?w=747&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Criam-se assim bolsas enormes de desempregados e subempregados, trabalhadores sem-pap\u00e9is, pobres ou prec\u00e1rios, para al\u00e9m de reformados pressionados pelo assalto que se vem efetuando aos valores acumulados de descontos para os sistemas de seguran\u00e7a social. Constituem-se ainda enormes segmentos de trabalhadores em fun\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas estupidificantes e mal pagas, como \u00e9 norma geral na burocracia. Aqueles, preenchem aparelhos militares e policiais sem fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o a preven\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as ao poder do capital; sistemas judici\u00e1rios e fiscais atolados em casos de crime, conflitualidade comum, cobran\u00e7as, coimas e multas; gigantescos aparelhos administrativos, publicit\u00e1rios ou de vendas das multinacionais, replicados por pequenas e m\u00e9dias empresas; fun\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia em edif\u00edcios e locais p\u00fablicos; de tratamento de dados, etc. <a href=\"http:\/\/www.slideshare.net\/durgarrai\/o-novo-fascismo-que-est-em-marcha\">Para o capitalismo de hoje, existem claramente, demasiados seres humanos no planeta.<\/a><\/p>\n<p>Deste contexto de press\u00e3o sobre os rendimentos do trabalho, para garantia de baixos custos de produ\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os, n\u00e3o resulta sufici\u00eancia para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de reprodu\u00e7\u00e3o do capital investido, necess\u00e1rio para acompanhar a concorr\u00eancia, da\u00ed surgindo a conhecida tend\u00eancia para a baixa das taxas de lucro; nem t\u00e3o pouco se cria uma procura adequada \u00e0 compra daqueles bens ou servi\u00e7os, ainda que incitados por uma publicidade invasiva.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos elementos que se prendem com sal\u00e1rios e outros aspetos relacionados com o trabalho, h\u00e1 outro elemento essencial que bloqueia o capitalismo &#8211; a aus\u00eancia de investimento. Por um lado, a press\u00e3o sobre os pre\u00e7os do trabalho favorece a gera\u00e7\u00e3o de lucros mas, a concorr\u00eancia e a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica exigem aumentos de produtividade, exigem investimentos, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es entre empresas o que, contudo, n\u00e3o evita a tend\u00eancia para a baixa das taxas de lucro, mesmo que eliminando operadores. Na realidade, na grande maioria dos setores de atividade observa-se o dom\u00ednio de poucas empresas com a presen\u00e7a de outras, mais pequenas, onde os sal\u00e1rios e os lucros s\u00e3o menores, tal como as capacidades de investimento; s\u00e3o muito poucos os casos de livre concorr\u00eancia entre pequenas empresas, como considerado por Adam Smith.<\/p>\n<p>Antes do recente dom\u00ednio do neoliberalismo falava-se dos modelos alem\u00e3o e japon\u00eas (a que se poderia juntar o capitalismo de estado, sovi\u00e9tico), de integra\u00e7\u00e3o entre a grande ind\u00fastria e o capital banc\u00e1rio nacional, com a cria\u00e7\u00e3o do capital financeiro, uma designa\u00e7\u00e3o criada por Hilferding em 1910[3] e adoptada posteriormente por Lenin. Essa formula\u00e7\u00e3o era colocada em contraponto com o modelo de gest\u00e3o anglo-sax\u00f3nico[4], de separa\u00e7\u00e3o entre aqueles sectores, para que o capital banc\u00e1rio e as institui\u00e7\u00f5es financeiras em geral se libertassem das amarras do financiamento de sectores industriais e da sua gest\u00e3o, para uma dedica\u00e7\u00e3o muito flex\u00edvel como detentores de t\u00edtulos, intervindo nas empresas nomeadamente em opera\u00e7\u00f5es de aquisi\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o, a que se seguem actos de \u201cdownsizing\u201d, de redefini\u00e7\u00e3o e redimensionamento que, em regra, incorporam despedimentos. Como \u00e9 evidente, \u00e9 esta vers\u00e3o de origem anglo-sax\u00f3nica que vem sendo predominante como constituinte do neoliberalismo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 natural no capitalismo, os capitais tendem a dirigir-se para os neg\u00f3cios onde a sua rendabilidade possa ser maximizada na compara\u00e7\u00e3o com outras atividades. Em termos de rendabilidade, sobressai o sistema financeiro, atrav\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o financeira, imobili\u00e1ria ou sobre mercadorias (as \u201c<i>commodities<\/i>\u201d), da ind\u00fastria de armamento ou dos tr\u00e1ficos diversos, de emigrantes, de drogas, de \u00f3rg\u00e3os, de armas\u2026 desenvolvendo-se para o efeito f\u00f3rmulas de benevol\u00eancia fiscal, os conhecidos endere\u00e7os <i>offshore<\/i>, no seio da mais sagrada das liberdades nos tempos que correm \u2013 a da movimenta\u00e7\u00e3o de capitais.<\/p>\n<p>Sendo mais rent\u00e1vel o \u201cinvestimento\u201d financeiro do que o investimento na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, a maioria dos capitalistas prefere colocar os seus pec\u00falios nos ditos mercados financeiros, com aplica\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel, com contabiliza\u00e7\u00e3o de lucros mais r\u00e1pida, instant\u00e2nea at\u00e9, do que adquirir equipamentos modernos, tentar vencer a concorr\u00eancia, arriscar com o surgimento de mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, de h\u00e1bitos, modas, etc., antes da amortiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ou financeira do equipamento, sabendo-se que o comprometimento com esse equipamento n\u00e3o pode facilmente ser reconduzido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de capital-dinheiro. Isso, ao contr\u00e1rio das reconvers\u00f5es dos capitais aplicados em t\u00edtulos na roleta financeira, que s\u00e3o f\u00e1ceis, de realiza\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, decidida por algoritmos inform\u00e1ticos.<\/p>\n<p>No entrecruzar ca\u00f3tico de v\u00e1rias linhas de atua\u00e7\u00e3o, a satisfa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o das naturais necessidades humanas \u00e9 uma vari\u00e1vel aleat\u00f3ria que entret\u00e9m os institutos de previs\u00e3o[5], armados com poderosos computadores, d\u00fazias de pr\u00e9mios nobel, coortes de professores universit\u00e1rios <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/10\/economia-capitalismo-e-revolta-1.html\">e sobre cujos resultados j\u00e1 demos algu<\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/10\/economia-capitalismo-e-revolta-1.html\">ns exemplos<\/a>. Gente, s\u00f3 interessa se tiver empregabilidade, como se diz na novil\u00edngua neoliberal.<\/p>\n<p>Sendo escasso o rendimento corrente das popula\u00e7\u00f5es para a satisfa\u00e7\u00e3o das suas necessidades, mormente daqueles que vivem do trabalho, mais insuficiente ele se mostra se for preciso encontrar no \u201cmercado\u201d a satisfa\u00e7\u00e3o de direitos elementares como o da habita\u00e7\u00e3o; e ainda para corresponder aos apelativos consumos propagados pelos <i>media<\/i> \u2013 nomeadamente autom\u00f3veis, viagens, equipamentos dom\u00e9sticos de moda. Em consequ\u00eancia, o sistema financeiro facilita, em regra, o cr\u00e9dito e a sua express\u00e3o duradoura, a d\u00edvida, como mecanismo de capta\u00e7\u00e3o de rendimentos futuros, eventualmente por toda a vida; como no capitalismo as pr\u00f3prias pessoas s\u00e3o tomadas como mercadorias, o mecanismo da d\u00edvida torna a pr\u00f3pria vida de cada um como propriedade capitalista.<\/p>\n<p>Nessa endogeneiza\u00e7\u00e3o da divida como uma necessidade trivial inserem-se v\u00e1rios elementos. Um, s\u00e3o<a href=\"http:\/\/www.slideshare.net\/durgarrai\/a-dvida-dvida-de-pessoas-e-empresasa-dvida-de-pessoas-e-empresas-a-dependncia-eterna-a-dependncia-eternaa-de-pessoas-e-empresas-a-dependncia-eterna\"> as d\u00edvidas para a compra de habita\u00e7\u00e3o<\/a>, uma vez que os estados neoliberais entregaram a satisfa\u00e7\u00e3o dessa necessidade elementar ao ditoso mercado, para alegria dos bancos e da corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica envolvida no processo; e para suprema desdita de quantos, ca\u00eddos no desemprego, ficaram sem as casas mas com parte da d\u00edvida.<\/p>\n<p>O outro elemento \u00e9 constitu\u00eddo pelas d\u00edvidas para a satisfa\u00e7\u00e3o de consumos com taxas de juro elevad\u00edssimas, as d\u00edvidas de curto prazo no seio da utiliza\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es de cr\u00e9dito, para al\u00e9m de comiss\u00f5es e ainda taxas v\u00e1rias que s\u00e3o permitidas aos bancos, mesmo que a deten\u00e7\u00e3o de uma conta banc\u00e1ria com cart\u00f5es associados, seja, de facto, uma imposi\u00e7\u00e3o estatal. A aceita\u00e7\u00e3o da divida como normalidade \u00e9 uma forma de captura ideol\u00f3gica por parte do capital.<\/p>\n<p>Como a d\u00edvida privada fica restrita a um indiv\u00edduo, uma fam\u00edlia, uma empresa, mesmo com garantias, o risco \u00e9 relativamente elevado, porque de pouco serve ao sistema financeiro apoderar-se, em caso de incumprimento, de casas e empresas, uma vez que n\u00e3o \u00e9 do seu interesse a gest\u00e3o de imobili\u00e1rio desvalorizado, nem a recupera\u00e7\u00e3o de empresas mais ou menos falidas. Essas garantias constituem, principalmente, um garrote para o devedor pois, em caso de incumprimento, promovem a sua ruina.<\/p>\n<p>Em Portugal, nos anos 90, os bancos detinham direitos credit\u00edcios sobre muitos terrenos e f\u00e1bricas de empresas falidas e, encaminharam-nos para projetos imobili\u00e1rios transformando algumas perdas em novos cr\u00e9ditos, com altas taxas de lucro; e jamais para a sua recupera\u00e7\u00e3o como empresas industriais. Simultaneamente, <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2012\/12\/a-nao-politica-de-habitacao-e-o-imi-1.html%20\">estimularam o <\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2012\/12\/a-nao-politica-de-habitacao-e-o-imi-1.html%20\"><i>boom <\/i>da <\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2012\/12\/a-nao-politica-de-habitacao-e-o-imi-1.html%20\">habita\u00e7\u00e3o<\/a> que o Estado e a classe pol\u00edtica nunca cuidaram, bem como a deriva do investimento p\u00fablico e p\u00fablico-privado, em autoestradas e eventos fara\u00f3nicos, como a Expo-98 e os est\u00e1dios de futebol.<\/p>\n<p><strong>4 \u2013 Os Estados engordam o sistema financeiro<\/strong><\/p>\n<p>Durante os anos 80, o sistema financeiro global, com o FMI\/Banco Mundial \u00e0 cabe\u00e7a, for\u00e7ou os pa\u00edses do chamado Terceiro Mundo a endividarem-se, como processo de rapina, de privatiza\u00e7\u00f5es, de integra\u00e7\u00e3o desses pa\u00edses no mercado global, em detrimento de qualquer l\u00f3gica de bem-estar dos povos e aliciando as classes pol\u00edticas locais para o efeito, com o recurso a brutais ditaduras, se necess\u00e1rio (Chile, Brasil, Argentina\u2026). Como em muitos desses pa\u00edses a grande pobreza era a regra e as classes m\u00e9dias pouco numerosas (ou em processo acelerado de perda de poder de compra), n\u00e3o era vi\u00e1vel um endividamento significativo das fam\u00edlias; e as grandes empresas, no padr\u00e3o terceiro-mundista, eram p\u00fablicas ou de capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Resulta daqui a import\u00e2ncia da captura dos povos atrav\u00e9s do Estado e das suas oligarquias, civis ou militares, <a href=\"http:\/\/jubileedebt.org.uk\/reports-briefings\/report\/fall-rise-ghanas-debt-new-debt-trap-set\">com a constitui\u00e7\u00e3o de enormes <\/a><a href=\"http:\/\/jubileedebt.org.uk\/reports-briefings\/report\/fall-rise-ghanas-debt-new-debt-trap-set\">d\u00edvidas p\u00fablicas<\/a>. Neste contexto, o Estado, atrav\u00e9s da pun\u00e7\u00e3o fiscal transfere rendimento dos pobres \u2013 sem qualquer capacidade de acesso a cr\u00e9dito banc\u00e1rio \u2013 para o sistema financeiro\u2026 atrav\u00e9s da d\u00edvida p\u00fablica. Nas sociedades europeias, envelhecidas, os reformados, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o um segmento de popula\u00e7\u00e3o com capacidade para um (maior) endividamento mas, todos atrav\u00e9s da carga fiscal veem uma parte dos seus rendimentos capturados como contributo para pagamento de encargos com a d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Contrariamente ao que se diz, os estados-na\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 fal\u00eancia, pois t\u00eam sempre uma popula\u00e7\u00e3o compelida a financiar a armadilha da d\u00edvida, porque n\u00e3o pode fugir em massa e porque h\u00e1 um aparelho de repress\u00e3o fiscal e judicial para obrigar ao pagamento; em casos extremos, os credores aceitam perdas, como no caso da Gr\u00e9cia em 2012 ou reescalonam as d\u00edvidas, aliviando as presta\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas e onerando-as a m\u00e9dio prazo. Assim, \u00e9 muito mais aliciante para o sistema financeiro aceitar t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica, sem se envolver diretamente no endividamento ou na cobran\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es em dificuldades, utilizando portanto, os Estados e as classes pol\u00edticos nessa intermedia\u00e7\u00e3o. Dito de outro modo, o sistema financeiro desenvolve mecanismos de cria\u00e7\u00e3o de rendas, perp\u00e9tuas, a seu favor atrav\u00e9s da gera\u00e7\u00e3o de d\u00edvida p\u00fablica e cada classe pol\u00edtica cumpre o seu papel de distribui\u00e7\u00e3o pela popula\u00e7\u00e3o, a tarefa de mutualizar a d\u00edvida internamente e de modo desigual, claro est\u00e1.<\/p>\n<p>Na Europa, em caso de desmantelamento da UE ou da Zona Euro, bem como de sa\u00eddas solit\u00e1rias daquelas institui\u00e7\u00f5es, o isolacionismo identit\u00e1rio facilitaria o desiderato do sistema financeiro de cria\u00e7\u00e3o de rendas perp\u00e9tuas sob a forma de d\u00edvida. Se n\u00e3o tem sido poss\u00edvel at\u00e9 agora constituir plataformas para a constru\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o solid\u00e1ria dos povos europeus, cada estado na\u00e7\u00e3o barricado nas suas fronteiras, <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2014\/07\/portugal-deve-sair-do-euro-sim-ou-nao-1.html\">com a sua bandeira na torre de menagem e moeda pr\u00f3pria a circular<\/a>, tornar-se-ia uma mais f\u00e1cil presa do capital financeiro globalizado, dos seus boicotes e das suas chantagens.<\/p>\n<p>Conscientemente ou n\u00e3o, as derivas patrioteiras, defendidas por LePen e suas met\u00e1stases espalhadas pela Europa, se vingarem, promover\u00e3o largos sorrisos no capital financeiro global e os seus protagonistas aceitar\u00e3o o papel de carrascos dos povos, com uma ferocidade que os gangs inscritos no PPE ou S&amp;D at\u00e9 agora n\u00e3o t\u00eam utilizado. Conv\u00e9m recordar que a Rep\u00fablica de Weimar mesmo tendo assassinado Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht se situou muito aqu\u00e9m da barbaridade assassina do III Reich.<\/p>\n<p><strong>4.1 \u2013 Bill Clinton colocou o monstro \u00e0 solta<\/strong><\/p>\n<p>A deriva do sistema financeiro para a autonomia face \u00e0 atividade produtiva beneficiou enormemente com a revoga\u00e7\u00e3o, por Bill Clinton em 1999, da Lei Glass-Stegall promulgada por Roosevelt em 1933 para garantir uma liga\u00e7\u00e3o est\u00e1vel entre poupan\u00e7a e investimento e evitar o cont\u00e1gio sist\u00e9mico da atividade especulativa. N\u00e3o havendo separa\u00e7\u00e3o entre bancos comerciais e de investimento (leia-se especulativos), o dinheiro poderia crescer de forma inaudita, sem limites, com os bancos comerciais a poderem tamb\u00e9m entrar na especula\u00e7\u00e3o, comprometendo n\u00e3o s\u00f3 o seu papel no financiamento das empresas mas, tamb\u00e9m os dep\u00f3sitos dos particulares e, portanto toda a atividade econ\u00f3mica no planeta, uma vez que deixou de haver verdadeiros sistemas nacionais[6]. Por exemplo, em 2013,<a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/07\/bail-in-ou-bail-out-o-mesmo-baile-outra.html\"> as responsabilidades face a derivados do <\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/07\/bail-in-ou-bail-out-o-mesmo-baile-outra.html\">Deutsche Bank<\/a>, correspondiam a 16 vezes o PIB alem\u00e3o tornando este banco <i>too big to fail<\/i> e sob a carinhosa prote\u00e7\u00e3o de Merkel e Schauble. A d\u00edvida global, p\u00fablica ou privada, era calculada pelo FMI em $ 152 bili\u00f5es &#8211; dos quais $ 50 bili\u00f5es s\u00e3o da responsabilidade dos estados &#8211; correspondentes a 225% do PIB mundial (comparar com nota 5). Assim, o total das d\u00edvidas p\u00fablicas correspondia a 75% do PIB global mas, correspondendo a 133.7% no caso portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Por outro lado, empresas e particulares encontraram tamb\u00e9m, na vol\u00fapia especulativa, formas de aumentarem os seus capitais e poupan\u00e7as, beneficiando das maiores taxas de lucro dispon\u00edveis na \u00e1rea financeira e ainda da facilidade da muta\u00e7\u00e3o dos seus t\u00edtulos em dinheiro e vice-versa. Assim, a economia \u201cnormal\u201d, produtora de bens e servi\u00e7os, inseriu-se na l\u00f3gica dos capitais financeiros, procurando apresentar lucros avultados para obter cr\u00e9dito com taxas de juro interessantes, para manter em constante valoriza\u00e7\u00e3o os seus t\u00edtulos cotados na bolsa, pagando principescamente aos seus gestores com \u201c<i>stock options<\/i>\u201d, para que aqueles se mostrem empenhados na valoriza\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Suponhamos que um banco acolhe um dep\u00f3sito a prazo no valor de 1000, sabendo-se que, durante esse per\u00edodo poder\u00e1 utilizar esse dinheiro excepto uma parte, digamos de 10%, por exig\u00eancia do banco central. Assim, o banco poder\u00e1 emprestar 900 a um cliente, o qual ir\u00e1 utilizar, por hip\u00f3tese, o dinheiro numa compra pagando atrav\u00e9s do multibanco e recaindo esse valor na conta do vendedor. Os 1000 iniciais resultaram em dep\u00f3sitos totais de 1900 e um cr\u00e9dito concedido de 900 sucedendo-se o exerc\u00edcio tantas vezes quantas as necess\u00e1rias, podendo o segundo dep\u00f3sito alicer\u00e7ar um empr\u00e9stimo de 810, etc. Daqui o interesse dos bancos em se situarem em todas as transa\u00e7\u00f5es de pessoas e empresas, para captar um volume maximizado de dep\u00f3sitos a multiplicar como cr\u00e9ditos, sabendo que s\u00f3 uma parte marginal do volume global dos dep\u00f3sitos volta diariamente aos bolsos dos particulares. Este mecanismo \u00e9 designado por multiplicador do cr\u00e9dito e constitui um privil\u00e9gio dos bancos, n\u00e3o podendo um indiv\u00edduo proceder de igual modo.<\/p>\n<p>O esquema funciona sempre que os depositantes acreditarem no banco ou no conjunto deles, como guardi\u00e3es do seu dinheiro pois quando isso deixa de acontecer pode haver uma corrida aos dep\u00f3sitos, com os bancos insolventes de portas fechadas guardados pela pol\u00edcia (Argentina) ou essa corrida originar uma limita\u00e7\u00e3o aos levantamentos de dinheiro como aconteceu na Gr\u00e9cia, em 2015, sucedendo ali algo de invulgar que \u00e9 haver mais dinheiro nas m\u00e3os do p\u00fablico do que nas contas dos bancos. O receio de inesperadas crises financeiras faz os Estados, em conluio com o sistema financeiro, procurar reduzir ao m\u00e1ximo a posse de dinheiro f\u00edsico junto das pessoas, <a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/economia\/suecia-decide-nos-proximos-dois-anos-se-lanca-moeda-digital\/\">pensando-se mesmo em tornar todo o <\/a><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/economia\/suecia-decide-nos-proximos-dois-anos-se-lanca-moeda-digital\/\">dinheiro virtual.<\/a><\/p>\n<p>Posteriormente a opera\u00e7\u00f5es de concess\u00e3o de cr\u00e9dito como as atr\u00e1s exemplificadas, um banco pode tomar um conjunto desses cr\u00e9ditos repartindo o valor da sua soma, em v\u00e1rios t\u00edtulos que s\u00e3o colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do mercado, sendo adquiridos por elementos do pr\u00f3prio sistema financeiro \u2013 \u00e9 a titulariza\u00e7\u00e3o. O credor original prescinde de uma parte dos juros que cobra aos devedores efetivos para recuperar grande parte do capital emprestado e poder utiliz\u00e1-lo de novo, iniciando assim uma nova cadeia de cr\u00e9ditos. Por sua vez, os compradores desses t\u00edtulos, ir\u00e3o utilizar esses e outros com distintas proveni\u00eancias e proceder a outras titulariza\u00e7\u00f5es; essa multiplica\u00e7\u00e3o enforma as pir\u00e2mides de Ponzi, do nome de um burl\u00e3o que, nos anos oitenta do s\u00e9culo passado teve uma r\u00e9plica em Portugal, a D. Branca. Como se compreende, esta f\u00f3rmula incrementa de modo inaudito o volume de obriga\u00e7\u00f5es, gera um emaranhado de d\u00edvidas articuladas como um castelo de cartas que, quando desaba, atinge os povos, atrav\u00e9s da perda de poupan\u00e7as, de empregos e de planos de austeridade impostos pelas classes pol\u00edticas como procuradores do sistema financeiro, dispostos a usar fundos p\u00fablicos para minorar as perdas daquele. <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/07\/bail-in-ou-bail-out-o-mesmo-baile-outra.html\">Nesse caso a salva\u00e7\u00e3o dos bancos passa pelos <\/a><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2016\/07\/bail-in-ou-bail-out-o-mesmo-baile-outra.html\"><i>bail-ins ou pelos bail-outs<\/i><\/a>, cujas designa\u00e7\u00f5es representam, respetivamente, o sacrif\u00edcio dos acionistas ou da popula\u00e7\u00e3o em geral, obrigada a participar na recapitaliza\u00e7\u00e3o, pelo Estado, pelo vetor de servi\u00e7o da classe pol\u00edtica que, naturalmente, n\u00e3o pergunta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o se pretende ajudar um banco em dificuldades.<\/p>\n<p>Depreende-se tamb\u00e9m que a partir dos primeiros elos da cadeia de t\u00edtulos emitidos em opera\u00e7\u00f5es de titulariza\u00e7\u00e3o, cada tomador sabe a quem os comprou mas nada sabe das opera\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas nas fases anteriores; e, menos ainda sobre a identidade ou a solvabilidade do devedor origin\u00e1rio. Se existir um ou outro caso de incumprimento daqueles \u00faltimos, o banco credor origin\u00e1rio acarretar\u00e1 com o preju\u00edzo, sem afetar a cascata. O problema surge em caso de crise, se muitos devedores caem na fal\u00eancia ou no desemprego, deixando de pagar e se as garantias se desvalorizam, impedindo o banco de recuperar o valor ainda em d\u00edvida; foi o que aconteceu com os c\u00e9lebres <i>subprimes,<\/i> em finais de 2007, empr\u00e9stimos de muito alto risco, concedidos a fam\u00edlias pobres aliciadas pela insinua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras de que as suas casas se estavam a valorizar e que poderiam, aumentar o seu endividamento usando-as como garantia. At\u00e9 que\u2026<\/p>\n<p>No seguimento da crise financeira de 2007\/08 e apesar da sua viol\u00eancia os Estados e o sistema financeiro n\u00e3o levaram a cabo as medidas anunciadas de redu\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o dos bancos e do volume de d\u00edvida, maior regula\u00e7\u00e3o, produtos derivados menos complexos, etc. O susto entrou em choque com a sobreviv\u00eancia da m\u00e1quina especulativa que sustenta o capitalismo neoliberal de hoje, foi-se embora mas, olha apreensivo a pl\u00fambea cor do c\u00e9u.<\/p>\n<p>O referido esp\u00edrito de sobreviv\u00eancia associado \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o das classes pol\u00edticas e \u00e0 aus\u00eancia de contesta\u00e7\u00e3o social significativa conduziram a que, pelo contr\u00e1rio, o<a href=\"http:\/\/www.dn.pt\/dinheiro\/interior\/ha-situacoes-preocupantemente-paralelas-as-que-precederam-2008-5495039.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+%28DN+-+Economia%29\"> sistema banc\u00e1rio e o endividamento tenham crescido, as fus\u00f5es e a concentra\u00e7\u00e3o de capitais n\u00e3o tenham abrandado, ultrapassando mesmo as registadas antes da crise e que 45% das transa\u00e7\u00f5es passem longe do nariz dos <\/a><a href=\"http:\/\/www.dn.pt\/dinheiro\/interior\/ha-situacoes-preocupantemente-paralelas-as-que-precederam-2008-5495039.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+%28DN+-+Economia%29\">majest\u00e1ticos reguladores<\/a> que, por essa raz\u00e3o, melhor receberiam o ep\u00edteto de passadores[7]. Segundo a mesma fonte o endividamento global atinge 285% do PIB e os pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es crescem sem correspond\u00eancia com o desempenho das empresas, na sequ\u00eancia da emiss\u00e3o descuidada de meios financeiros pelos bancos centrais e &#8220;cujo desenlace \u00e9 tipicamente o rebentamento\u201d. Afirma-se ainda que \u00e9 enorme o risco para os supervisores Fed e BCE que det\u00eam em obriga\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas o correspondente a 13% e 9% do PIB dos EUA e da Zona Euro, respetivamente. Para o efeito considera-se no mesmo artigo que \u00e9 preciso sair da conjuntura de baix\u00edssimas taxas de juro mas que isso ser\u00e1 dram\u00e1tico se n\u00e3o acompanhado por crescimentos assinal\u00e1veis no rendimento das fam\u00edlias e das empresas; o que se afigura muito dif\u00edcil de acontecer pois a eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juro, associadas a uma menor emiss\u00e3o monet\u00e1ria provoca acrescidas dificuldades a empresas e maiores encargos estatais com a d\u00edvida.<\/p>\n<p>(continua)<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] Esse economicismo em total sintonia com os comp\u00eandios de desenvolvimento capitalista, na sua actual vers\u00e3o neoliberal encontra uma liminar afirma\u00e7\u00e3o no Projeto de resolu\u00e7\u00e3o 456\/XII (2\u00aa) de 19\/9\/2012 apresentado pelo PCP \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica, visando a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e do qual extra\u00edmos as preciosas afirma\u00e7\u00f5es seguintes:<\/p>\n<p>\u00b7 \u201c\u2026 tal como o PCP sempre afirmou, a consolida\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas e a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica tem de ser obtida com o crescimento econ\u00f3mico\u2026\u201d (pag. 2) o que significa que em Portugal, se ter\u00e1 de trabalhar mais e mais, sem que se considere qualquer altera\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o capital\/trabalho, formas de redistribui\u00e7\u00e3o de rendimentos, etc;<\/p>\n<p>\u00b7 \u201cRenegociar a d\u00edvida \u00e9 garantir afinal o seu pagamento que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem a cria\u00e7\u00e3o de riqueza\u201d (pag. 3); isto \u00e9, se forem bonzinhos pagaremos para todo o sempre a d\u00edvida que nos obrigarem a assumir, tornar-nos-emos vossos dedicados rendeiros. Na realidade, n\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o de riqueza que n\u00e3o seja constitu\u00edda como renda a favor do sistema financeiro, sendo a reestrutura\u00e7\u00e3o a efetivar-se, um mero brinde de supermercado;<\/p>\n<p>\u00b7 A \u201cdetermina\u00e7\u00e3o completa e rigorosa da dimens\u00e3o da d\u00edvida\u2026 a levar a efeito pelo Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as e o BdP\u201d; na realidade, confia-se na isen\u00e7\u00e3o, no amor ao povo da coliga\u00e7\u00e3o PSD\/CDS, liderada pelo psicopata Passos, para avalia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, como se ela resultasse apenas de contratos mal feitos e n\u00e3o da montagem pelo sistema financeiro de uma engrenagem de captura dos povos perif\u00e9ricos da Europa. Recorde-se que antes das elei\u00e7\u00f5es ganhas pelo PSD, o seu chefe Passos Coelho referiu, junto de Angela Merkel, numa viagem para a sua apresenta\u00e7\u00e3o pela Europa que iria fazer uma auditoria \u00e0 d\u00edvida, ideia que foi desde logo rebatida pela chanceler.<\/p>\n<p>\u00b7 Em finais de 2011, surge a IAC \u2013 Iniciativa para uma Auditoria Cidad\u00e3, sob os ausp\u00edcios do BE, lan\u00e7ada com pompa e circunst\u00e2ncia com a presen\u00e7a de altos t\u00e9cnicos estrangeiros e os habituais monos da <i>intelligentsia<\/i> unit\u00e1ria lusa. Em maio de 2013, a IAC declara a sua total fal\u00eancia com uma proposta hilariante, se n\u00e3o fosse absolutamente reacion\u00e1ria.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/democraciaedivida.wordpress.com\/2013\/05\/29\/iac-promove-pobreza-nao-paga-a-divida-renegociacao-ja\/\">https:\/\/democraciaedivida.wordpress.com\/2013\/05\/29\/iac-promove-pobreza-nao-paga-a-divida-renegociacao-ja\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2013\/05\/a-iac-mandou-toalha-ao-chao.html\">http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2013\/05\/a-iac-mandou-toalha-ao-chao.html<\/a><\/p>\n<p>[2] O golem, na interpreta\u00e7\u00e3o dada por Ant\u00f3nio Negri e Michael Hardt em \u201cMultid\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>[3] N\u00e3o utilizamos esta acep\u00e7\u00e3o de capital financeiro que nos parece ultrapassada pela realidade. Preferimos considera-lo como o conjunto de a\u00e7\u00f5es, obriga\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos de d\u00edvida, posi\u00e7\u00f5es acionistas, derivados e outros, transacionados dentro ou fora das bolsas, detidos por um opaco e vol\u00favel conjunto de empresas, fundos, meras siglas de registos offshore, que tomam empresas produtoras de bens ou servi\u00e7os, simples mercadorias (as commodities) e contratos de seguro ou transporte, como instrumentos de especula\u00e7\u00e3o, sempre numa l\u00f3gica rentista de gera\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de capitais.<\/p>\n<p>[4] Sobre esta dicotomia entre arranjos do capital ver \u201cCapitalismo contra Capitalismo\u201d de Michel Albert (1992)<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=6769995173683386597#_ftnref5\">[5]<\/a> Mesmo elementos de grande relev\u00e2ncia para o conhecimento da realidade s\u00e3o objeto de grandes discrep\u00e2ncias reveladoras da incapacidade de aferi\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es dos problemas. A revista \u201cEmerging Markets\u201d media, recentemente, a d\u00edvida p\u00fablica e privada, n\u00e3o financeira, em $ 162 bili\u00f5es contra $ 152 bili\u00f5es apontados pelo FMI. Por\u00e9m, a revista acrescentava ainda a d\u00edvida das entidades financeiras ($ 54 bili\u00f5es) \u2013 que o FMI n\u00e3o considera &#8211; o que coloca a d\u00edvida global na fasquia dos $ 216 bili\u00f5es, o correspondente a 327% do PIB mundial; isto \u00e9, mais de tr\u00eas anos de rendimentos gerados pela popula\u00e7\u00e3o mundial!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/expresso.sapo.pt\/economia\/2016-10-06-Divida-global-vale-mais-de-tres-vezes-a-economia-mundial\">http:\/\/expresso.sapo.pt\/economia\/2016-10-06-Divida-global-vale-mais-de-tres-vezes-a-economia-mundial<\/a><\/p>\n<p>[6] No entanto, sempre que algum banco entra em colapso \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds onde se sedia que \u00e9 chamada a contribuir para cobrir os cr\u00e9ditos incobr\u00e1veis transformados em preju\u00edzos e estes, a obrigarem a recapitaliza\u00e7\u00e3o ou fal\u00eancia, como exemplarmente se observou nos casos BPN, Banif ou BES, em Portugal e, de modo mais extensivo, em Espanha, entre outros. Dito de outro modo, os lucros s\u00e3o alegremente transferidos para os offshores; os preju\u00edzos, esses ficam em casa. <a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=6769995173683386597#_ftnref7\">[7]<\/a> Carlos Costa brilhou no casos BES e Banif como V\u00edtor Const\u00e2ncio havia ganho, no \u00e2mbito do BPN, o prest\u00edgio suficiente para se sentar numa vice-presid\u00eancia do BCE<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2014\/07\/hecatombe-bes.html\">http:\/\/grazia-tanta.blogspot.pt\/2014\/07\/hecatombe-bes.html <\/a><\/p>\n<p><em>Primeiro gr\u00e1fico: <a href=\"https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/c318e52ff6b80c4bd64c89e8943d7e51_XL.jpg\">Estagna\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios (linha azul) no setor industrial nos EUA desde 2002.<\/a><\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/grazia-tanta.blogspot.com\" target=\"blank\">Grazia Tanta<\/a><\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/102711-como-o-sistema-financeiro-captura-a-humanidade-atraves-da-divida.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12865\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3lv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12865"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12865\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}