{"id":12869,"date":"2016-12-08T19:00:54","date_gmt":"2016-12-08T22:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12869"},"modified":"2016-12-29T19:35:09","modified_gmt":"2016-12-29T22:35:09","slug":"imperialismo-fase-superior-do-capitalismo-um-livro-de-lenine-que-fala-de-hoje-e-de-amanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12869","title":{"rendered":"&#8220;Imperialismo, fase superior do capitalismo&#8221;: Um livro de Lenine que fala de hoje\u2026 e de amanh\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/e1367fd4ff0e03ae8ce01f492d13ae81_L.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><i><b>[Georges Gastaud]\u00a0<\/b><\/i><\/p>\n<p>Escrito em 1916, h\u00e1 cerca de cem anos, o estudo magistral de Lenine intitulado O Imperialismo, estado superior do capitalismo, continua de uma actualidade extraordin\u00e1ria.<!--more--><\/p>\n<p>O imperialismo tornou-se t\u00e3o reaccion\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 no plano militar, como nos planos econ\u00f3mico, pol\u00edtico, ambiental, cultural que \u00e9 incompat\u00edvel a m\u00e9dio, ou mesmo a curto prazo, com a sobreviv\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 com a sobreviv\u00eancia da humanidade.<\/p>\n<p>1. Ver claro os carteis hiper-imperialistas<\/p>\n<p>Ao rel\u00ea-lo ficamos siderados pela vis\u00e3o superior do autor que, unindo a teoria \u00e0 pr\u00e1tica, levaria em breve ao sucesso a primeira Revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria da hist\u00f3ria \u00e0 escala de um grande pa\u00eds. Nesta brochura surgida em plena guerra mundial, Lenine n\u00e3o se contenta em refutar as concep\u00e7\u00f5es ditas \u00abhiper-imperialistas\u00bb caras aos tenores da Segunda Internacional (os Kautsky e outros Hilferding vaticinavam sem rir a extin\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima das guerras imperialistas&#8230; enquanto os oper\u00e1rios socialistas, russos, alem\u00e3es, ingleses, se matavam nas trincheiras ao apelo dos respectivos partidos!). Esses te\u00f3ricos falhados mascaravam assim nos seus \u00abdiscursos sapient\u00edssimos\u00bb as contradi\u00e7\u00f5es explosivas inerentes \u00e0s quais o estado monopolista do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista tinha chegado desde o fim do s\u00e9culo 19. Lenine provou o inverso: o capitalismo moderno n\u00e3o marcha para a ultrapassagem espont\u00e2nea das suas contradi\u00e7\u00f5es pela coloca\u00e7\u00e3o de um dos v\u00e1rios Estados capitalistas mundiais ou continentais que sem cessar de explorar os trabalhadores, se tornava pelo menos em factor de paz e equil\u00edbrio geopol\u00edtico. Pelo contr\u00e1rio, afirma Lenine, as contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas s\u00f3 podem agudizar-se: nesse ponto, Lenine concordava com Jean Jaur\u00e9s quando este \u00faltimo, assassinado dois anos mais tarde por um partid\u00e1rio da guerra imperialista, declarou que \u00abo capitalismo traz em si a guerra como a nuvem de tempestade traz o raio\u00bb.<\/p>\n<p>Com efeito, os acordos do g\u00e9nero \u00abhiper-imperialista\u00bb pelos quais os Estados capitalistas podem transitoriamente associar-se s\u00f3 podem ser muito inst\u00e1veis. O capitalismo \u00e9 efectivamente marcado por um desenvolvimento desigual, profundamente dissonante e desequilibrado, pretensos \u00abEstados associados\u00bb; pela sua natureza exploradora, estes n\u00e3o podem ter como fim a paz e a coopera\u00e7\u00e3o internacional mas apenas a preda\u00e7\u00e3o no interior e no exterior das suas pr\u00f3prias fronteiras; agravamento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pelas burguesias coligadas de pa\u00edses diversos, pilhagem dos Estados mais fracos pelos Estados mais fortes (ing\u00e9nuos partid\u00e1rios da \u00abEuropa social\u00bb, n\u00e3o vos lembra nada?), amea\u00e7as militares, inger\u00eancia e invas\u00e3o (bem entendido claro est\u00e1 em nome da \u00abciviliza\u00e7\u00e3o\u00bb) contra os Estados que n\u00e3o fazem parte do cartel&#8230;<\/p>\n<p>Pois o fim incessante desses acordos inter-estados transit\u00f3rios entre m\u00e1fias capitalistas \u00e9 a partilha incessante do mundo no quadro da ca\u00e7a ao lucro m\u00e1ximo, da exporta\u00e7\u00e3o dos capitais e da extors\u00e3o colonial (que se tornou hoje, essencialmente, neocolonial) do surplus arrancado aos trabalhadores do \u00abOriente\u00bb sobre-explorados hoje, do Sul e do Leste, enquanto as for\u00e7as produtivas dos pa\u00edses dominadores s\u00e3o desmanteladas e\/ou desviadas para o \u00abparasitismo econ\u00f3mico\u00bb. Passando assim tanto por tais carteis \u00abhiper-imperialistas\u00bb como pelas fases de confronta\u00e7\u00e3o inter-estados directa, o objectivo de classe dos oligarcas imperialistas \u00e9 sempre aumentar a rentabilidade dos investimentos capitalistas e tamb\u00e9m o beneficio secund\u00e1rio n\u00e3o negligenci\u00e1vel para as burguesias dominantes terem meios de \u00abcomprar\u00bb e \u00abcorromper\u00bb as camadas superiores do sal\u00e1rio, \u00abinstitucionaliz\u00e1-las\u00bb como dir\u00edamos hoje. Em particular, o sobrelucro imperialista arrancado aos trabalhadores dos pa\u00edses dominados serve para comprar (muitas vezes de maneira indirecta&#8230;) uma parte dos dirigentes sindicais e dos eleitos \u00absocialistas\u00bb dos pa\u00edses dominantes. Assim, a oligarquia e o Estado imperialista que a serve asseguram-se de neutralizar o movimento oper\u00e1rio organizado: uma parte do \u00abtributo\u00bb imperialista \u00e9 assim prevalente pelos capitalistas sobre o seu saque neocolonial serve para \u00abirrigar\u00bb de mil maneiras o que Lenine chama sarcasticamente os \u00abtenentes trabalhadores da classe capitalista\u00bb, o mesmo acontecendo mais do que nunca nos nossos dias, tal \u00e9 a base material, \u00absocial-imperialista\u00bb (ou seja \u00absocialista em palavras, imperialista na pratica\u00bb) e contra-revolucionaria de uma social democracia que passa normalmente do vermelho ao amarelo passando pelo rosa vivo: \u00e9 hoje a grande tenta\u00e7\u00e3o de muitos dos \u00abc\u00e3es de Berger\u00bb do capital que se ajoelham perante os pormenores do MEDEF e da CES pr\u00f3-Maastricht.<\/p>\n<p>Consequentemente, Lenine mostra que a luta anti-imperialista coincide com a luta anti-oportunista e anti-revisionista j\u00e1 que essa gangrena do movimento prolet\u00e1rio se ancorava nas prebendas imperialistas aceites em certos estados-maiores cuja miss\u00e3o pouco e pseudo-\u00abinternacionalista\u00bb \u00e9 de paralisar as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias mantendo os carteis imperialistas apresentados como potencialmente \u00absociais, democr\u00e1ticos e pac\u00edficos\u00bb.<\/p>\n<p>II Desmascarar a palavra de ordem dos Estados unidos \u00absocialistas\u00bb da Europa<\/p>\n<p>N\u00e3o nos admiramos que nestas condi\u00e7\u00f5es, Lenine tenha visto na mesma \u00e9poca o significado de classe real dos \u00abEstados Unidos da Europa\u00bb, ou da sua variante trotskista, os Estados Unidos \u00absocialistas\u00bb da Europa. Tratando-se dessa palavra de ordem, no verdadeiro sentido de hiper-imperialista, Lenine afirmava ent\u00e3o que era tanto in\u00fatil como de uso duplo com a ideia da revolu\u00e7\u00e3o socialista (do entendimento entre os pa\u00edses j\u00e1 tornados socialistas ou em transi\u00e7\u00e3o para o socialismo), seja utopicamente (a paz, ou seja o acordo cordial dur\u00e1vel e imposs\u00edvel entre pa\u00edses capitalistas, cada um procura necessariamente devorar o outro), seja francamente reaccion\u00e1rio pois voltado contra o conjunto das classes trabalhadoras e tamb\u00e9m contra as na\u00e7\u00f5es mais fracas. Na mesma \u00e9poca Lenine, pol\u00e9mico de resto contra Rosa Luxemburg &#8211; que na realidade se situa do mesmo lado que os bolcheviques russos no ataque aos tenentes da guerra imperialista a decorrer, mas que recusava o direito das na\u00e7\u00f5es (nomeadamente da sua Pol\u00f3nia natal) a dispor de si mesmas: pelo contr\u00e1rio, na \u00e9poca imperialista onde o desenvolvimento dos pa\u00edses \u00e9 cada vez mais desigual e selvagem, \u00e9 necess\u00e1rio defender o direito das na\u00e7\u00f5es a formar o seu pr\u00f3prio Estado, a falar a sua pr\u00f3pria l\u00edngua (ou seja separar-se da R\u00fassia dos sovietes para formar a sua pr\u00f3pria Rep\u00fablica, sair para se federar depois da R\u00fassia vermelha no quadro de uma Federa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica&#8230;) Embora seja necess\u00e1rio alargar a palavra de ordem de Marx\/Engels \u00abProlet\u00e1rios de todos os pa\u00edses uni-vos\u00bb associando a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e0 luta para a emancipa\u00e7\u00e3o nacional dos povos dependentes: \u00abProlet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, povos oprimidos do mundo uni-vos\u00bb tornar-se-ia a palavra de ordem da internacional comunista nascente (o Komintern\u00bb, para retomar o acr\u00f3nimo russo).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ser cego at\u00e9 ao limite, como acontece hoje, n\u00e3o apenas aos sociais-democratas do PS europeu, mas aos dirigentes \u00abeurocomunistas\u00bb \u00e0 Pierre Laurent (presidente do Partido da Esquerda Europeia), da Confedera\u00e7\u00e3o Europeia dos Sindicatos, os partidos euro-trotskistas (Luta oper\u00e1ria e o NPA principalmente) e at\u00e9 alguns pseudo-\u00abML\u00bb que confundem nacionalismo e soberania nacional, para n\u00e3o ver que as previs\u00f5es de Lenine, total e sinistramente, se concretizaram: consequentemente a subordina\u00e7\u00e3o ao principio, sen\u00e3o \u00e0s modalidades da \u00abconstru\u00e7\u00e3o\u00bb europeia s\u00f3 poderiam levar \u00e0 vassaliza\u00e7\u00e3o total do movimento oper\u00e1rio pela grande burguesia \u00abeuropeia\u00bb. J\u00e1 a pretensa \u00abSociedade das Na\u00e7\u00f5es\u00bb posterior \u00e0 Primeira Guerra Mundial n\u00e3o fez mais que organizar a reparti\u00e7\u00e3o do mundo entre Estados imperialistas vencedores (cf. Acordos Skyes-Picot que explodem hoje no rosto dos habitantes do Pr\u00f3ximo Oriente), mas tamb\u00e9m ela implodiu quando a corda ficou novamente tensa entre o imperialismo alem\u00e3o e o bloco anglo-americano. Quanto \u00e0 \u00abconstru\u00e7\u00e3o\u00bb europeia concebida inicialmente por Monnet e Schumann como uma rampa anti-sovi\u00e9tica arrimada \u00e0 NATO (esta \u00abconstru\u00e7\u00e3o\u00bb foi fortemente acelerada pela contra-revolu\u00e7\u00e3o no Leste) \u00e9 cada vez mais identificada pelos TRABALHADORES da Europa como o que verdadeiramente \u00e9: uma pris\u00e3o de povos triturando as aquisi\u00e7\u00f5es sociais, esmagando as soberanias nacionais, armando a Europa atl\u00e2ntica contra a R\u00fassia, associada aos Estados Unidos para submeter os povos do leste e do sul, restaurando o seu negro esplendor ao imperialismo alem\u00e3o. Enquanto os Estados Unidos constru\u00edam o acordo \u00abtrans-pac\u00edfico\u00bb com o Jap\u00e3o revanchista e com a ditadura sul-coreana para cercar os BRICS, principalmente a China e a R\u00fassia, desestabilizar a alternativa bolivariana das Am\u00e9ricas, marginalizar as l\u00ednguas e as culturas nacionais que obstruem o \u00ablivre\u00bb com\u00e9rcio tal como o Tio Sam o entende, e preparando a terceira reparti\u00e7\u00e3o mundial dos p\u00f3los imperialistas \u00abtransatl\u00e2nticos\u00bb e \u00abtrans-pac\u00edficos\u00bb. Ver na constru\u00e7\u00e3o europeia um espa\u00e7o poss\u00edvel para a \u00abEuropa social, democr\u00e1tica e pac\u00edfica\u00bb, como o fazem o PS europeu e os seus sat\u00e9lites eurocomunistas\u00bb e euro-trotskistas, negar a possibilidade de cada pa\u00eds tentar sair da UE\/NATO sem esperar pelos outros a fim de empreender a constru\u00e7\u00e3o do socialismo, isso s\u00f3 pode ser um logro social-maastrichtiano, mesmo que tais slogans adocicados se dissimulem normalmente por detr\u00e1s de tiradas \u00abantinacionalistas\u00bb. Como a UE\/NATO se encontra numa escalada militar anti-russa que pode derrapar a qualquer instante para a guerra mundial, os camaradas, incluindo os que militam no seio do PCF-PGE, devem ver a tempo que o aparelho deste partido n\u00e3o \u00e9 apenas, aquilo em que se tornou depois quarenta anos de revisionismo (o abandono da ditadura do proletariado data j\u00e1 de 1976!), um \u00abpartido reformista\u00bb, mas &#8211; n\u00e3o obstante a sua pequena envergadura eleitoral \u2014 uma pe\u00e7a importante do social-imperialismo no movimento oper\u00e1rio politico-sindical.<\/p>\n<p>III Tend\u00eancias exterministas do imperialismo contempor\u00e2neo<\/p>\n<p>Mas para l\u00e1 dos aspectos estrat\u00e9gicos do texto de L\u00e9nine, \u00e9 preciso apreender a sua import\u00e2ncia hist\u00f3rico-antropol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Pois Lenine n\u00e3o se contenta em analisar o \u00abmomento actual\u00bb; tal como Hegel, Marx ou Engels o fizeram antes dele, Lenine situa sempre as grandes etapas da conjuntura na hist\u00f3ria geral da humanidade. E com efeito, se lermos bem esta brochura, constatamos a alta consci\u00eancia que Lenine tem do perigo maior, que o est\u00e1dio imperialista do capitalismo se torne uma amea\u00e7a terr\u00edvel de regress\u00e3o absoluta, mesmo de destrui\u00e7\u00e3o para a humanidade. Enquanto a primeira fase do capitalismo analisada por Marx\/Engels era ainda parcial e momentaneamente progressista (como demonstra abertamente o Manifesto do Partido comunista), o capitalismo \u00abmonopolista, agonizante e apodrecido\u00bb que \u00e9 o imperialismo caracteriza-se com efeito pela \u00abreac\u00e7\u00e3o em toda a linha\u00bb. Lenine tinha j\u00e1 sob o olhar as terrificas devasta\u00e7\u00f5es da Primeira Grande Guerra Mundial, que esmagou literalmente uma gera\u00e7\u00e3o de seres humanos. A Segunda Guerra mundial provocou, como se sabe, a morte de cinquenta milh\u00f5es de pessoas e concluiu-se com a promessa de fazer ainda pior no futuro, porque \u00e9 esse o significado de facto da destrui\u00e7\u00e3o gratuita de cidades alem\u00e3s desarmadas como Dresden ou o esmagamento nuclear, sem a menor necessidade militar, sen\u00e3o a de amea\u00e7ar a URSS, de Hiroxima e Nagasaki. Em resultado houve uma vertiginosa corrida aos armamentos em que todas as etapas foram iniciadas pelos Estados Unidos (a URSS n\u00e3o parou de propor a destrui\u00e7\u00e3o de TODO o arsenal nuclear e de anunciar que, pelo seu lado, renunciava a jamais usar a arma at\u00f3mica em primeiro lugar, o que os Estados Unidos nunca aceitaram assumir). Esta corrida aos armamentos imposta e levada \u00ab\u00e0 beira do abismo\u00bb tolheu largamente a constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS (mal sa\u00edda da invas\u00e3o hitleriana que a privou de 30 milh\u00f5es de cidad\u00e3os e da maioria masculina da gera\u00e7\u00e3o jovem, a URSS teve de consagrar uma parte maior dos seus recursos a conter militarmente os Estados Unidos muito mais ricos, que sa\u00edram economicamente mais fortes da guerra). Nos anos 80, \u00e9 verdadeiramente a humanidade que os imperialistas ocidentais conduzidos por Reagan e Thatcher, seguidos por Mitterrand, justificados pelos pseudo-filosofos BHL e A. Gklucksmann, tomaram por ref\u00e9m na sua chantagem nuclear anti-sovi\u00e9tica. \u00abOs dirigentes sovi\u00e9ticos devem saber, explicava cruamente Nixon no Mito da paz, que ter\u00e3o a guerra se n\u00e3o mudarem o seu sistema comunista\u00bb. A reac\u00e7\u00e3o alem\u00e3 refor\u00e7a: lieber tot, als rot! (antes mortos que vermelhos) ao mesmo tempo que Reagan vaticinava reiteradamente em publico a imin\u00eancia do Armagedon (A batalha b\u00edblica que precede o Ju\u00edzo final e onde o \u00abImp\u00e9rio do Mal\u00bb e os \u00abdescrentes\u00bb s\u00e3o vencidos pelos amigos de Deus). Quanto a Glucksmann, foi ao ponto de escrever em plena crise dos eurom\u00edsseis (1984): \u00abprefiro sucumbir com o meu filho que eu amo numa troca de tiros nucleares a imagin\u00e1-lo numa Sib\u00e9ria planet\u00e1ria\u00bb. \u00c9 espantoso como tantos analistas e mesmo marxistas n\u00e3o digam, sobre o processo contra-revolucion\u00e1rio de Leste, uma palavra sobre a enorme chantagem exterminista que pesou de um modo terr\u00edvel sobre a R\u00fassia p\u00f3s-Brejnev (em dificuldades, ningu\u00e9m nega) e que muito auxiliou o social-pacifista, ou melhor, o neo-munique e super-capitulacionista Gorbatchev, a tomar o comando no seio do PCUS tetanizado pelo espectro da guerra nuclear mundial. Como \u00e9 escandaloso que tantos \u00abte\u00f3ricos\u00bb actuais, mesmo alguns que se dizem marxistas, e mesmo leninistas, n\u00e3o tomem em linha de conta este car\u00e1cter exterminista do capitalismo imperialista contempor\u00e2neo. Este tornou-se t\u00e3o reaccion\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 no plano militar, como nos planos econ\u00f3mico, pol\u00edtico (fasciza\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o da democracia burguesa a uma pura mascarada de \u00abescolhas\u00bb fraudulentas) ambiental, cultural (mercantiliza\u00e7\u00e3o galopante de todos os aspectos da vida social) que \u00e9 incompat\u00edvel a m\u00e9dio, ou mesmo a curto prazo, com a sobreviv\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 com a sobreviv\u00eancia da humanidade. Tudo isso Fidel j\u00e1 tinha visto e transparece no ultimo discurso do velho s\u00e1bio da revolu\u00e7\u00e3o perante o congresso do PC de Cuba. Tudo isto j\u00e1 Engels, e depois Rosa, tinham anunciado quando colocaram o problema \u00absocialismo ou barb\u00e1rie\u00bb no decurso dos s\u00e9culos XIX e XX.<\/p>\n<p>Consequentemente a presente critica de exterminismo imperialista justifica mais do que nunca um slogan cubano, que para al\u00e9m do seu apelo entusiasta ao hero\u00edsmo revolucion\u00e1rio comporta um significado simultaneamente patri\u00f3tico e anti-exterminista. \u00abP\u00e1tria ou morte, socialismo ou morrer\u00bb Pois se a humanidade n\u00e3o conseguir liquidar o capitalismo e construir o socialismo no s\u00e9culo XXI, ent\u00e3o sim, tendo o capitalismo h\u00e1 muito tempo atingido a sua fase supremamente senil, o imperialismo, e sendo o exterminismo a quinta-ess\u00eancia deste \u00faltimo (num imenso \u00abapr\u00e9s moi le d\u00e9luge\u00bb, depois de mim o dil\u00favio\u00bb, o lucro total m\u00e1ximo \u00fcber alles!), o capitalismo ter\u00e1 feito tudo para eliminar a humanidade, e talvez mesmo a vida, da superf\u00edcie do globo.<\/p>\n<p>IV Combater o parasitismo financeiro, defender as for\u00e7as produtivas<\/p>\n<p>Uma ultima palavra para sublinhar a modernidade econ\u00f3mica fulgurante do texto de Lenine que faz parecer muito \u00abpetit-bras\u00bb uma quantidade de obras \u00abmodernas\u00bb deplorando sem explica\u00e7\u00f5es o \u00abdecl\u00ednio\u00bb dos pa\u00edses \u00abindustrializados\u00bb, com a Fran\u00e7a \u00e0 cabe\u00e7a. Apoiando-se principalmente nos estudos do economista ingl\u00eas Hobson, Lenine mostrava que para a maioria dos pa\u00edses ocidentais, a economia produtiva \u2014 industria, agricultura&#8230; \u2014 seria cada vez mais eliminada em proveito de actividades parasit\u00e1rias, financeiras. Al\u00e9m disso, como Hobson afirmava, \u00abgrandes partes da Europa ocidental assemelhar-se-iam \u00e0 Su\u00ed\u00e7a ou \u00e0 Riviera\u00bb de modo que os \u00abprincipais ramos de produ\u00e7\u00e3o desapareceriam\u00bb, que a \u00abprodu\u00e7\u00e3o material fluiria do Oriente como um tributo\u00bb, que apenas seriam mantidas no Ocidente as actividades industriais estrat\u00e9gicas que permitem o dom\u00ednio neocolonial e que emergiria finalmente um \u00abenorme perigo de parasitismo ocidental\u00bb. Os habitantes dos pa\u00edses imperialistas e uma massa de propriet\u00e1rios desclassificados e transformados em plebe arriscam ent\u00e3o embater duramente contra a humanidade produtiva mas escravizada: esse isolamento crescente do \u00abOcidente\u00bb s\u00f3 poder\u00e1 tornar cada vez mais agressivos esses pa\u00edses automarginalizados pois cortados do Esfor\u00e7o mundial para produzir os seus meios de subsist\u00eancia que s\u00e3o, at\u00e9 nova ordem, a base da vida humana. Por isso quando os militantes verdadeiramente comunistas do PRCF foram os primeiros a relan\u00e7ar a batalha de \u00abproduzir em Fran\u00e7a\u00bb que o PCF euro-entontecido de R. Hue tinha abandonado, quando denunciaram a transforma\u00e7\u00e3o programada da Fran\u00e7a numa plataforma log\u00edstica desindustrializada completamente entregue \u00e0 finan\u00e7a e ao turismo cumpriram o seu triplo dever de patriotas (n\u00e3o numa \u00abuni\u00e3o sagrada\u00bb com a sua burguesia, como tristemente o fez Guesde em 14, mas contra o patronato \u00abfranc\u00eas\u00bb deslocalizador), de defensores dos trabalhadores assalariados produtivos e de amigos inquebrant\u00e1veis do direito \u00e0 vida.<\/p>\n<p>V A analise leninista do imperialismo, um ant\u00eddoto contra o sectarismo e o oportunismo<\/p>\n<p>Mas O imperialismo, estado supremo do capitalismo n\u00e3o se contenta em acumular m\u00e1s not\u00edcias. Lenine insiste no facto de que o \u00abcapitalismo monopolista \u00e9 a antec\u00e2mara do socialismo\u00bb j\u00e1 que socializa, concentra e organiza a produ\u00e7\u00e3o, privatizando ao m\u00e1ximo a concentra\u00e7\u00e3o das riquezas: um antagonismo not\u00f3rio que s\u00f3 pode ter como consequ\u00eancia a alternativa: revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria ou&#8230; repetidas guerras mundiais.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que a partir da\u00ed os comunistas n\u00e3o tivessem sen\u00e3o que aguardar febrilmente a \u00abluta final\u00bb: pelo contr\u00e1rio, devem estar \u00e0 cabe\u00e7a de todas as lutas, de todas as frentes populares, pela independ\u00eancia nacional, pela paz, pela igualdade homem-mulher, pela democracia (na nossa \u00e9poca acrescentemos: pelo ambiente!) de maneira a orientar essas lutas contra a oligarquia parasit\u00e1ria, a isolar ao m\u00e1ximo esta \u00faltima e a abrir assim na pratica o caminho \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista. Na nossa \u00e9poca, n\u00e3o poder\u00e3o existir longas etapas entre capitalismo e socialismo e esta constata\u00e7\u00e3o desagua politicamente na conclus\u00e3o, n\u00e3o de que os comunistas se deveriam desdenhosamente retirar dos combates considerados \u00absectoriais\u00bb que respeitam \u00e0 sobreviv\u00eancia quotidiana da classe trabalhadora, das na\u00e7\u00f5es atabafadas, das liberdades democr\u00e1ticas e da paz. O leninismo n\u00e3o \u00e9 nem a converg\u00eancia amorfa a reboque da social-democracia, tipo \u00abuni\u00e3o das duas esquerdas\u00bb (como desejava ardentemente o europe\u00edsta Chassagne), nem o inverso: a proposta trotskizante do \u00abpoder oper\u00e1rio j\u00e1, sen\u00e3o nada!\u00bb, que s\u00f3 pode isolar o proletariado enviando-o para o matadouro.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a alian\u00e7a de trabalhadores e camponeses pela paz, pela democracia sovi\u00e9tica e pela nacionaliza\u00e7\u00e3o das terras, permitiu a vit\u00f3ria dos bolcheviques sobre a reac\u00e7\u00e3o mundial coligada arrastando milh\u00f5es de cidad\u00e3os russos na luta pelo socialismo. Nem isoladamente sect\u00e1rio e dogm\u00e1tico, nem dissolu\u00e7\u00e3o num bloco pequeno-burgu\u00eas, o leninismo mostra o caminho para uma grande alian\u00e7a antimonopolista conduzida pela classe oper\u00e1ria.<br \/>\nUma alian\u00e7a cujo termo progressista s\u00f3 pode ser a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria realizada sobre as bases mais vastas poss\u00edveis. Pois a derrota do imperialismo \u00e9 necess\u00e1ria n\u00e3o apenas para emancipar a nossa classe, mas para que, sob a \u00e9gide da classe oper\u00e1ria na ofensiva, a humanidade possa continuar a sua rota dif\u00edcil para o progresso obstru\u00edda nos nossos dias. Uma estrada provisoriamente obstru\u00edda por um capitalismo cada vez mais b\u00e1rbaro, fascizante e desumanizante.<\/p>\n<p>12 Outubro de 2016<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Manuela Antunes<\/p>\n<p>Fonte: Di\u00e1rio Liberdade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"[Georges Gastaud]\u00a0 Escrito em 1916, h\u00e1 cerca de cem anos, o estudo magistral de Lenine intitulado O Imperialismo, estado superior do capitalismo, continua \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12869\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[74],"tags":[],"class_list":["post-12869","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c87-revolucao-russa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3lz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12869\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}