{"id":12877,"date":"2016-12-09T19:40:28","date_gmt":"2016-12-09T22:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12877"},"modified":"2016-12-29T19:35:27","modified_gmt":"2016-12-29T22:35:27","slug":"rio-ultima-vez-que-a-policia-invadiu-uma-igreja-no-brasil-foi-na-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12877","title":{"rendered":"Rio: \u00daltima vez que a pol\u00edcia invadiu uma igreja no Brasil foi na ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm6.staticflickr.com\/5638\/30645736934_232a2c39ca_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>PM do Rio usou sacadas da Igreja S\u00e3o Jos\u00e9 como trincheira para alvejar servidores p\u00fablicos com bala de borracha<\/p>\n<p>Fania Rodrigues<!--more--><\/p>\n<p>Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) , 07 de Dezembro de 2016 \u00e0s 15:38<\/p>\n<p>Em meio ao protesto contra o &#8220;pacote de maldades&#8221; do governo\u00a0Luiz Fernando Pez\u00e3o (PMDB)\u00a0uma imagem chamou a aten\u00e7\u00e3o. Policiais militares estavam dentro da Igreja S\u00e3o Jos\u00e9, no Centro do Rio, posicionados nas janelas, atirando contra manifestantes que protestavam em frente \u00e0 Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A cena, ocorrida na \u00faltima ter\u00e7a-feira (6),\u00a0chocou tanto pela viol\u00eancia da Pol\u00edcia Militar (PM) contra a popula\u00e7\u00e3o quanto pelo lugar onde se encontravam os atiradores. A igreja\u00a0virou trincheira militar para os policiais.<\/p>\n<p>\u201cA tropa da PM invadiu a igreja pela porta dos fundos, de acesso dos empregados e, subindo \u00e0s sacadas, no 2\u00ba andar, de l\u00e1 de cima jogavam bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eanio e de efeito moral e g\u00e1s de pimenta. Os manifestantes se revoltaram e come\u00e7aram a apedrejar o nosso santu\u00e1rio de 410 anos\u201d, informou a Irmandade do Glorioso Patriarca S\u00e3o Jos\u00e9, atrav\u00e9s de uma nota.<\/p>\n<p>O jornal <strong>Brasil de Fato<\/strong> ouviu a Arquidiocese do Rio de Janeiro, mas tamb\u00e9m outros religiosos, como o monge beneditino, Marcelo Barros, escritor e te\u00f3logo, assim como o historiador Andr\u00e9 Leonardo Chevitarese, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos mais respeitados pesquisadores em religi\u00e3o. O objetivo \u00e9 entender o que representa a a\u00e7\u00e3o da PM.<\/p>\n<p>Segundo o monge Marcelo Barros, a \u00faltima vez que uma igreja foi invadida por for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado aconteceu em 1968, em Salvador. \u201cIsso ocorreu quando um grupo de jovens manifestantes se refugiou dentro do Mosteiro de S\u00e3o Bento, correndo da repress\u00e3o, e os policiais invadiram o local na inten\u00e7\u00e3o de atirar ou capturar os jovens que protestavam contra o regime\u201d, afirma o\u00a0te\u00f3logo.<\/p>\n<p>No entanto, de acordo com informa\u00e7\u00f5es do assessor de imprensa da Arquidiocese, Adionel Carlos da Cunha, no estado do Rio de Janeiro n\u00e3o se tem not\u00edcia de ataques ou uso da igreja como aparato militar, nem na \u00e9poca da ditadura. \u201cEsse fato, pelos anos que estou aqui (desde 1967), foi \u00fanico na Arquidiocese\u201d, garante o assessor.<\/p>\n<p>O padre Lu\u00eds Corr\u00eaa Lima, professor de Teologia da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio (PUC-Rio), afirma que os templos religiosos s\u00e3o lugares de anistia pol\u00edtica e militar. Mesmo nos anos duros da ditadura, na d\u00e9cada de 1970, em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 epis\u00f3dios em que o regime n\u00e3o atacava dentro das igrejas. \u201cH\u00e1 um caso que ocorreu em 1978. Dom Mauro Morelli, bispo auxiliar de S\u00e3o Paulo, substitu\u00eda\u00a0 dom Paulo Evaristo (Arcebispo de S\u00e3o Paulo), que estava viajando. Houve, na Pra\u00e7a da S\u00e9, um protesto de donas de casa do movimento contra a alta do custo de vida. A pol\u00edcia reprimiu com viol\u00eancia, e dom Mauro abriuas portas da catedral para receber as manifestantes. E a\u00a0pol\u00edcia n\u00e3o invadiu\u201d, relata\u00a0o padre Lu\u00eds Corr\u00eaa Lima.<\/p>\n<p>Em tempos democr\u00e1ticos, essa \u00e9 a primeira vez que algo assim ocorre no Brasil, segundo o historiador da UFRJ, Andre Leonardo Chevitarese. \u201cNunca vi nada parecido. Estamos vivendo um estado de repress\u00e3o. Isso \u00e9 um esc\u00e2ndalo. A igreja demorou muito a reagir, o p\u00e1roco deveria ter exigido ao comandante da opera\u00e7\u00e3o da PM que os policiais se retirassem da igreja\u201d, argumento o historiador.<\/p>\n<p>Segundo relatos de manifestantes os PM teriam permanecido longas horas dentro da igreja, usando as janelas como trincheira e posi\u00e7\u00e3o militar. \u201cDesde as 12h30 a gente j\u00e1 via policiais na janela da igreja, n\u00e3o me lembro at\u00e9 que horas ficaram, mas foi muito tempo\u201d, revela um integrante da <em>M\u00eddia Ninja<\/em>, que acompanhou todo o protesto. No total foram mais de 6h de confronto entre a PM e os manifestantes, que se espalhou por v\u00e1rias ruas do centro do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O monge Marcelo Barros argumentou que a a\u00e7\u00e3o da PM dentro da igreja representa um sinal dos tempos atuais. \u201cEstamos em uma \u00e9poca que j\u00e1 n\u00e3o\u00a0respeitam mais\u00a0as institui\u00e7\u00f5es. Uma presidente eleita democraticamente sofreu <em>impeachment<\/em> sem crime. E o presidente do Senado\u00a0n\u00e3o cumpre uma ordem judicial. Para que servem ent\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es?\u201d, questiona. O religioso ainda\u00a0ressalta que condena a invas\u00e3o militar de qualquer templo religioso. \u201cExistem conven\u00e7\u00f5es internacionais que resguardam os templos religiosos como lugar de paz. Al\u00e9m disso, no mundo essa diretriz\u00a0se respeita desde a Idade M\u00e9dia. Mas pior que violar uma igreja, \u00e9 atacar a pessoa uma humana, manifestantes que est\u00e3o protestando por seus direitos\u201d, ressalta o religioso.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia extrema<\/strong><\/p>\n<p>O forte\u00a0aparato militar usado pela PM para reprimir o ato impressionou os trabalhadores. \u201cUsaram cavalaria, motos de diversos tipos, carros do choque com homens na ca\u00e7amba atirando, pelo menos um caveir\u00e3o (blindado), muitas bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, de g\u00e1s de pimenta, de efeito moral, com fragmentos que queimam a pele, inclusive fui queimado levemente no bra\u00e7o\u201d, contou o integrante da <em>M\u00eddia Ninja<\/em> entrevistado pelo <strong>Brasil de Fato.\u00a0<\/strong>O professor Leon Diniz diz que tamb\u00e9m ficou impressionado com o grau de viol\u00eancia da PM. \u201cO grau de viol\u00eancia que vimos ontem\u00a0s\u00f3 se iguala \u00e0s repress\u00f5es de 2013\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<p><strong>Resposta da PM e da Arquidiocese<\/strong><\/p>\n<p>Em uma primeira vers\u00e3o sobre o epis\u00f3dio, o comando da PM do Rio de Janeiro informou atrav\u00e9s de suas redes sociais que \u201cfoi necess\u00e1rio que o policiais do Choque entrassem na igreja vizinha \u00e0 Alerj para coibir a\u00e7\u00f5es violentas no interior e no entorno\u201d. Entretanto n\u00e3o h\u00e1 relatos, imagens ou v\u00eddeos de manifestantes dentro da igreja, que estava com as portas fechadas.<\/p>\n<p>No entanto, segundo nota da Arquediocese do Rio de Janeiro, na manh\u00e3 desta quarta-feira (7), o Cel. Wolney Dias Ferreira, comandante geral da PMERJ, se reuniu com o cardeal arcebispo Dom Orani Tempesta que pediu desculpas e se comprometeu a garantir que esta conduta n\u00e3o volte a acontecer. \u201cO comandante geral da PMERJ, com os seus assessores, que vieram apresentar esclarecimentos e pedir desculpas formais pelo lament\u00e1vel ocorrido ontem\u201d, informou a Arquidiocese, que considera que tema superado e encerrado.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m repudiou o uso da viol\u00eancia aplicada pela PM. \u201cO recurso \u00e0 viol\u00eancia nunca \u00e9 solu\u00e7\u00e3o. As efetivas solu\u00e7\u00f5es brotam da solidariedade, do di\u00e1logo e do sacrif\u00edcio. Se grandes s\u00e3o os problemas, maiores devem ser nossa capacidade de incansavelmente dialogar, a for\u00e7a de nossa solidariedade e o cuidado para que os mais pobres n\u00e3o venham a ser ainda mais onerados com uma dose desproporcional de sacrif\u00edcio\u201d, dizia a nota da Arquidiocese, comandada pelo arcebispo Dom Orani Tempesta.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Protesto no Rio, contra medidas do governo Pez\u00e3o que prev\u00ea cortes de direitos, \u00e9 fortemente reprimido pela PM. Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Virissimo<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/12\/07\/rio-ultima-vez-que-a-policia-invadiu-uma-igreja-foi-na-ditadura\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"PM do Rio usou sacadas da Igreja S\u00e3o Jos\u00e9 como trincheira para alvejar servidores p\u00fablicos com bala de borracha Fania Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12877\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-12877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3lH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12877\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}