{"id":12931,"date":"2016-12-15T00:18:42","date_gmt":"2016-12-15T03:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12931"},"modified":"2017-08-24T22:34:32","modified_gmt":"2017-08-25T01:34:32","slug":"e-querem-impedir-o-povo-trabalhador-de-se-aposentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12931","title":{"rendered":"E querem impedir o povo trabalhador de se aposentar"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sisjern.org.br\/novo\/images\/noticias\/2570.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A atual conjuntura mundial e brasileira sinaliza que o regime do capital nada mais tem a apresentar como possibilidade de avan\u00e7os civilizat\u00f3rios. O que se anuncia n\u00e3o \u00e9 outra coisa a n\u00e3o ser a barb\u00e1rie. \u00c9 justamente, nessa linha, que o avan\u00e7o contra os direitos dos trabalhadores, em todo o mundo, se faz extremamente fundamental para ordem burguesa.<!--more--><\/p>\n<p>Por isso, nada de estranho que o governo Temer e seus ministros elaborem, em poucos meses de governo, um conjunto de ataques \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O grande exemplo desse ataque \u00e9 a PEC 241\/55 que sintetiza, em um \u00fanico projeto,\u00a0 m\u00faltiplas investidas que caracterizam uma verdadeira reforma estrutural no pa\u00eds, congelando investimentos p\u00fablicos por 20 anos, num conjunto de pol\u00edticas que afetam \u00e1reas, como: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, transportes etc. Seguindo a mesma l\u00f3gica de intensifica\u00e7\u00e3o do processo de privatiza\u00e7\u00f5es e desmonte do Estado, at\u00e9 o monop\u00f3lio de fabrica\u00e7\u00e3o de dinheiro, por parte da Casa da Moeda, foi atacado por medida provis\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio que conjuga ataques aos direitos trabalhistas e sociais, duramente garantidos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o atual governo gera incertezas \u00e0 classe trabalhadora e ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o. Num quadro sombrio onde uma reforma pol\u00edtica, j\u00e1 desenhada nos \u00faltimos momentos do governo Dilma, visa limitar a a\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos, principalmente os da esquerda ideol\u00f3gica, busca-se resumir o cen\u00e1rio pol\u00edtico institucional nacional a poucos partidos. Nesse novo desenho proposto, o objetivo \u00e9 garantir o poder exclusivo da classe economicamente dominante, cujos partidos s\u00e3o hegem\u00f4nicos no congresso federal.<\/p>\n<p>O debate pol\u00edtico se esvazia. A despolitiza\u00e7\u00e3o do campo pol\u00edtico, substituindo o discurso de disputa de projetos de sociedade pelo discurso da gest\u00e3o, se consolida a cada elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As incertezas pairam no ar. A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora agrava-se a cada dia, quando v\u00e1rios governos estaduais assumem o quadro de crise, alguns, inclusive, de calamidade, como forma de legitimar mais ataques a direitos hist\u00f3ricos conquistados pelo movimento sindical.<\/p>\n<p>Aproveitando de suas caracter\u00edsticas de governo tamp\u00e3o, e pouco se importando para sua baixa popularidade, Temer e aliados aproveitam para intensificar, numa pol\u00edtica de choque, o maior n\u00famero de reformas poss\u00edveis, preparando, assim, o terreno para uma nova hegemonia neoliberal no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse contexto, foi apresentada a reforma da previd\u00eancia. Um claro ataque contra a classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p>Na proposta apresentada ao congresso, o governo Temer cria cada vez mais dificuldades para o uso da previd\u00eancia p\u00fablica, afastando o trabalhador de seu leg\u00edtimo direito: a aposentadoria.<\/p>\n<p>Regras cada vez mais complicadas, assim como dif\u00edceis de serem cumpridas, objetivam obrigar a popula\u00e7\u00e3o a adotar a previd\u00eancia privada. Uma forma \u201csuave\u201d de privatizar a previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de estipular uma idade m\u00ednima de aposentadoria, 65 anos, dificulta o acesso a integralidade de seus vencimentos. Os trabalhadores, diante disso, ficam obrigados a contribuir por 49 anos para ter acesso \u00e0 soma total de seus vencimentos ao se aposentar.<\/p>\n<p>Esse quadro, por si s\u00f3, \u00e9 uma viol\u00eancia contra o povo trabalhador brasileiro, mas os requintes de crueldade de um projeto de classe se evidenciam ainda mais quando problematizamos elementos dessa reforma.<\/p>\n<p>Sob a justificativa de que a expectativa m\u00e9dia de vida do brasileiro aumentou, se legitima a implanta\u00e7\u00e3o de uma idade m\u00ednima de aposentadoria. Contudo, \u00e9 preciso problematizar ainda mais esses n\u00fameros, pois, al\u00e9m das estat\u00edsticas, existem pessoas reais.<\/p>\n<p>Ilustrando essa discuss\u00e3o com dados da cidade do Rio de Janeiro, lugar onde a expectativa m\u00e9dia de vida aumentou para o entorno dos 75 anos, a realidade dos bairros se diferencia, o que refor\u00e7a o car\u00e1ter de classe desse projeto. Se em bairros como G\u00e1vea e Leblon a expectativa m\u00e9dia de vida \u00e9 de 80 anos, em bairros como Acari, Costa Barros n\u00e3o chega a 64 anos. Ou seja, a classe trabalhadora, detentora dos piores \u00edndices de expectativa de vida, moradora das \u00e1reas populares da cidade, e, em geral, que possui o cotidiano mais estafante, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho precarizadas e extenuantes n\u00e3o ter\u00e1 o direito de aposentadoria.<\/p>\n<p>Para os que afirmam que a luta de classes \u00e9 secundaria, ou que n\u00e3o existe mais, o governo golpista brasileiro lhes demonstra, de maneira sem maquiagem, que vivemos num mundo dividido em classes antag\u00f4nicas, e o governo est\u00e1 finamente em sintonia com os interesses e as necessidades do regime do grande capital.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso mais do que nunca a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora; sua identifica\u00e7\u00e3o enquanto classe \u00e9 fundamental nesse momento da luta. Somente a classe trabalhadora poder\u00e1 barrar a ofensiva da direita e construir a resist\u00eancia aos ataques desferidos pela elite econ\u00f4mica capitalista. Torna-se cada vez mais urgente a necess\u00e1ria a rearticula\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para os enfrentamentos dessa conjuntura.<\/p>\n<p>Heitor Cesar Oliveira e Hiran Roedel<\/p>\n<p>Membros do Comit\u00ea Central do PCB e<br \/>\nMilitantes da c\u00e9lula dos professores (SEPE e SinPro) do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A atual conjuntura mundial e brasileira sinaliza que o regime do capital nada mais tem a apresentar como possibilidade de avan\u00e7os civilizat\u00f3rios. 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