{"id":12933,"date":"2016-12-15T20:39:48","date_gmt":"2016-12-15T23:39:48","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12933"},"modified":"2016-12-29T19:39:08","modified_gmt":"2016-12-29T22:39:08","slug":"a-violencia-contra-as-mulheres-golpeou-duramente-a-argentina-em-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12933","title":{"rendered":"A viol\u00eancia contra as mulheres golpeou duramente a Argentina em 2016"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.prensalatina.com.br\/images\/2016\/diciembre\/09\/Femenicidio.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Mayl\u00edn Vidal*<\/p>\n<p>Buenos Aires (Prensa Latina) Argentina passou o ano que rec\u00e9m conclui por uma das etapas de maior viol\u00eancia contra as mulheres, com cifras realmente preocupantes: mais de 235 v\u00edtimas fatais, sem contar den\u00fancias por maus-tratos e agress\u00f5es.<!--more--><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno dos feminic\u00eddios e de todo tipo de viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 uma realidade que impera hoje na regi\u00e3o e neste pa\u00eds austral a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante. Apesar das marchas, mobiliza\u00e7\u00f5es e leis longe de parar, este flagelo tem aumentado. Aqui conta-se um assassinato deste tipo a cada 30 horas.<\/p>\n<p>A cada dia nestes \u00faltimos 12 meses apareceram em manchetes tristes not\u00edcias de mulheres assassinadas, a maioria jovens, casos realmente cru\u00e9is de meninas e adolescentes violadas, e outras maltratadas, golpeadas e humilhadas.<\/p>\n<p>Dos mais impactantes que estremeceu n\u00e3o s\u00f3 o pa\u00eds mas o mundo inteiro ressoa ainda o da jovem de 16 anos Luzia P\u00e9rez, em Mar del Plata.<\/p>\n<p>\u00c0 adolescente foi levada sem vida ao hospital. Segundo vers\u00f5es jornal\u00edsticas, tudo apontava para uma overdose, j\u00e1 que antes de pedir ajuda, os supostos autores do fato tinham lavado e vestido o corpo para dissimular as graves les\u00f5es genitais.<\/p>\n<p>Os dados da aut\u00f3psia foram assustadores. A viola\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o brutal que a promotora do caso, Mar\u00eda Isabel S\u00e1nchez, disse n\u00e3o ter visto &#8216;uma conjun\u00e7\u00e3o de fatos t\u00e3o aberrantes&#8217; em toda sua carreira.<\/p>\n<p>Obrigaram Luzia a consumir coca\u00edna e maconha em excesso e em estado de indefesa submeteram-na a um brutal abuso por via vaginal e anal, provocando-lhe les\u00f5es internas por empalamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter sido violada, os agressores atravessaram suas partes genitais com uma estaca.&#8217;Introduziram-lhe um objeto via anal que resultou em um reflexo vagal (desmaio) e em uma parada cardiorrespirat\u00f3ria. Foi uma agress\u00e3o sexual desumana&#8217;, afirmou a promotora.<\/p>\n<p>O caso causou uma como\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que milhares de pessoas em todo o pa\u00eds sa\u00edram \u00e0s ruas para pedir justi\u00e7a e a convoca\u00e7\u00e3o foi gigantesca com r\u00e9plicas no Chile, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Espanha, entre outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Vestidas de preto em mem\u00f3ria daquelas que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o aqui, milhares de mulheres argentinas unidas por uma mesma dor marcharam na na\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes durante 2016 sob a convoca\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o Ni una menos.<\/p>\n<p>Por Luzia P\u00e9rez, por Marcela, Beatriz, Silvia, Natalia, Samantha, Milagros, Marilyn, D\u00e9bora, por todos esses rostos que j\u00e1 n\u00e3o vivem, se uniram em uma mesma revolta e impot\u00eancia contida para pedir urgentemente ao Estado que tome alguma atitude.<\/p>\n<p>&#8216;Somos o grito das que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam voz&#8217;, podia ser lido em um dos tantos cartazes que ergueram no Obelisco portenho na marcha de 19 de outubro passado, repleta, apesar das chuvas e do frio cortante em um dia que batizaram como &#8216;quarta-feira sombria&#8217;.<\/p>\n<p>Mas apesar de tudo isso a situa\u00e7\u00e3o continua. S\u00f3 para citar um exemplo, ap\u00f3s essa mobiliza\u00e7\u00e3o ocorreram mais assassinatos de mulheres como o triplo homic\u00eddio registrado na prov\u00edncia de Mendoza.<\/p>\n<p>No bairro Trapiche, no departamento de Godoy Cruz, um professor de artes marciais de 30 anos matou sua esposa, sua sogra e a tia de sua mulher e feriu gravemente sua filha de sete meses e seu enteado de 11 anos.<\/p>\n<p>E o que dizer do caso h\u00e1 somente um m\u00eas em Chimbas, na prov\u00edncia de San Juan, de uma menina de quatro anos violada e asfixiada at\u00e9 a morte, em cujo assassinato est\u00e3o envolvidos seu tio e uma av\u00f3.<\/p>\n<p>SOLU\u00c3\u2021\u00d5ES URGENTES<\/p>\n<p>Os familiares das v\u00edtimas que t\u00eam sentido na pr\u00f3pria carne a dor dilacerante de perder um ente querido por este fen\u00f4meno pedem hoje justi\u00e7a e para al\u00e9m de tudo clamam pela urgente necessidade de pol\u00edticas governamentais efetivas.<\/p>\n<p>Em um recente relat\u00f3rio do observat\u00f3rio de feminic\u00eddios, Adriana Marisel Zamabro, da associa\u00e7\u00e3o A casa do Encontro, apontou que entre 1 de janeiro e 31 de outubro deste ano as estat\u00edsticas s\u00e3o preocupantes: um feminic\u00eddio a cada 30 horas, 235 v\u00edtimas fatais, 294 filhos e filhas que perderam sua m\u00e3e, 173 deles menores de idade.<\/p>\n<p>Em 65% dos casos as v\u00edtimas foram assassinadas por conjugues ou ex-conjugues, 67% tinha entre 19 e 50 anos, 41 feminicidas se suicidaram ap\u00f3s cometer o crime e desde 2008 at\u00e9 2015 registram-se ao todo 2.094 mil mulheres assassinadas.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas algumas semanas, a Relatora Especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a viol\u00eancia contra as mulheres, suas causas e consequ\u00eancias, Dubravka Simonovic, visitou o pa\u00eds e percorreu outras duas prov\u00edncias onde teve a oportunidade de conhecer de perto as v\u00edtimas deste flagelo.<\/p>\n<p>Ao fazer um balan\u00e7o, Simonovic apontou \u00e0 imprensa que as assassinadas n\u00e3o s\u00e3o somente n\u00fameros e convocou a a\u00e7\u00f5es efetivas para combater este triste fen\u00f4meno que a\u00e7oita o pa\u00eds e outras na\u00e7\u00f5es no mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pediu \u00e0s autoridades argentinas para aumentar a prote\u00e7\u00e3o das mulheres ante um &#8216;sistema com defici\u00eancias consider\u00e1veis&#8217;, afirmou.<\/p>\n<p>A especialista das Na\u00e7\u00f5es Unidas considerou que nesta na\u00e7\u00e3o austral h\u00e1 muito trabalho por fazer para conseguir cumprir com as obriga\u00e7\u00f5es internacionais e desarraigar atitudes patriarcais enraizadas e estere\u00f3tipos de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio, exortou ao Executivo sobre a necessidade de intensificar suas a\u00e7\u00f5es para prevenir e combater os feminic\u00eddios, assim como outras formas de viol\u00eancia de g\u00eanero com o fim de garantir os direitos das meninas e mulheres.<\/p>\n<p>&#8216;As v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero enfrentam a aus\u00eancia de uma implementa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, coerente e efetiva de leis internacionais e federais em todo o pa\u00eds e isto resulta em diferen\u00e7as significativas entre as prov\u00edncias e em diferentes n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o&#8217;, considerou.<\/p>\n<p>Ao se referir ao C\u00f3digo Processual Penal federal, a especialista apontou que estabelece que o processo contra crimes sexuais n\u00e3o seja conduzido de of\u00edcio, o que implica ver a viol\u00eancia sexual como algo privado.<\/p>\n<p>Este tipo de regula\u00e7\u00e3o envia uma mensagem equivocada que nos leva a pensar que as viola\u00e7\u00f5es e a viol\u00eancia sexual s\u00e3o um assunto privado e n\u00e3o p\u00fablico, assinalou.<\/p>\n<p>A Relatora solicitou \u00e0s autoridades a tomar medidas concretas que incluam a implementa\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o recentemente adotada sobre prote\u00e7\u00e3o integral para as mulheres e destacou a necessidade de construir ref\u00fagios adicionais e a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os completos de apoio \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Em vias de tentar p\u00f4r fim a esta triste realidade, as autoridades argentinas realizam hoje uma forte campanha em diversas partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Buenos Aires, por exemplo, nas esta\u00e7\u00f5es do subte, como \u00e9 conhecido aqui o metr\u00f4, h\u00e1 v\u00e1rios cartazes nos quais chamam a popula\u00e7\u00e3o a se conscientizar sobre este problema.<\/p>\n<p>&#8216;Quando as mulheres viajam no metr\u00f4 em hor\u00e1rio de pico, est\u00e3o pendentes de n\u00e3o ser abusadas sexualmente&#8217;, pode ser lido em um dos tantos cartazes colados na esta\u00e7\u00e3o Carlos Pellegrini.<\/p>\n<p>Entre as 300 chamadas telef\u00f4nicas que recebe a linha 144 que oferece conten\u00e7\u00e3o e assessoramento para casos de viol\u00eancia de g\u00eanero se conheceu que a cada dia, no \u00faltimo quadrimestre, as chamadas aumentaram em at\u00e9 70%.<\/p>\n<p>No Dia Internacional da Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres, no \u00faltimo dia 25 de novembro, o presidente Mauricio Macri se reuniu com familiares de v\u00edtimas de feminic\u00eddios no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em posterior coletiva de imprensa, a ministra de Desenvolvimento Social, Carolina Stanley, apontou que a luta contra este flagelo \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado na Argentina e se referiu ao Plano Nacional para a Preven\u00e7\u00e3o, Assist\u00eancia e Erradica\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as mulheres, do qual fazem parte 50 organismos do Estado e da sociedade.<\/p>\n<p>Iniciativas para combater este flagelo n\u00e3o faltam, mas o fato \u00e9 que as pol\u00edticas, para muitos, n\u00e3o chegam a ser suficientemente efetivas e os assassinatos e a viol\u00eancia seguem latentes.<\/p>\n<p>*Correspondente da Prensa Latina na Argentina.<\/p>\n<p>arb\/may\/mm<\/p>\n<p>http:\/\/www.prensalatina.com.br\/index.php?o=rn&#038;id=3835&#038;SEO=a-violencia-contra-as-mulheres-golpeou-duramente-a-argentina-em-2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Mayl\u00edn Vidal* Buenos Aires (Prensa Latina) Argentina passou o ano que rec\u00e9m conclui por uma das etapas de maior viol\u00eancia contra as \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12933\"> 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