{"id":12943,"date":"2016-12-15T22:25:21","date_gmt":"2016-12-16T01:25:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12943"},"modified":"2016-12-29T19:39:34","modified_gmt":"2016-12-29T22:39:34","slug":"emanuel-melato-a-classe-trabalhadora-do-mesmo-jeito-que-ja-construiu-grandes-organizacoes-vai-saber-superar-esse-momento-tambem-pra-gente-poder-retomar-a-discussao-da-questao-do-estado-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12943","title":{"rendered":"Emanuel Melato: A classe trabalhadora, do mesmo jeito que j\u00e1 construiu grandes organiza\u00e7\u00f5es, vai saber superar esse momento tamb\u00e9m, pra gente poder retomar a discuss\u00e3o da quest\u00e3o do Estado capitalista, pra quem ele serve"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/centrovictormeyer.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Emanoel-Melato.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>Entrevista de Emanuel Melato, dirigente sindical dos metal\u00fargicos de Campinas e membro da coordena\u00e7\u00e3o da Intersindical \u2013 Instrumento de Luta e Organiza\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora para <a href=\"http:\/\/www.medicinapetropolis.com.br\/InterVozes\/Content\/pdf\/OutrasVozes\/OutrasVozes_02_01.pdf\" target=\"_blank\">Intervozes<\/a>.<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Na sua vis\u00e3o, qual a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a situa\u00e7\u00e3o material por assim dizer, em que se encontram os trabalhadores? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato &#8211;<\/strong> Primeiro que, em termos de situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00f3s podemos dizer que hoje a gente est\u00e1 um pouco pior do que estava h\u00e1 tr\u00eas anos. Existe uma situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds na qual os trabalhadores, no \u00faltimo per\u00edodo, se endividaram ao extremo por conta da pol\u00edtica de consumo a que fomos submetidos. E esse endividamento extremo leva ao fato de que uma boa parte da classe trabalhadora hoje esteja pagando ou um carro, ou uma casa, ou alguns gastos, ou at\u00e9 pagando a comida no cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Ent\u00e3o existe um endividamento muito grande, e isso somado \u00e0 quest\u00e3o de desemprego alt\u00edssimo faz com que os trabalhadores estejam mais ou menos nesse momento, de certa forma, recuados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es. Assim como quando os antigos colonos ficavam devendo para o dono da fazenda e todos os seus ganhos, sal\u00e1rios, n\u00e3o fossem suficientes para chegar ao final do m\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 E, nesse sentido, qual \u00e9 o balan\u00e7o que voc\u00ea faz das campanhas salariais at\u00e9 o momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato &#8211;<\/strong> O problema das campanhas salariais que est\u00e3o ocorrendo nos \u00faltimos anos \u00e9 que, por conta desse endividamento que foi provocado por pol\u00edticas do Estado no sentido de produzir mais apostando num consumo interno, tais campanhas hoje t\u00eam agradado aos patr\u00f5es do pa\u00eds. Primeiro, porque uma boa parte das campanhas n\u00e3o rep\u00f5e nem as perdas inflacion\u00e1rias, e voc\u00ea n\u00e3o consegue ter um aumento real de sal\u00e1rio que supere o INPC, que \u00e9 o menor \u00edndice para a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o que existe no pa\u00eds. E ao mesmo tempo atendem a uma coisa que os empres\u00e1rios buscam h\u00e1 muito tempo, que \u00e9 voc\u00ea ter um sal\u00e1rio vari\u00e1vel e n\u00e3o um sal\u00e1rio fixo e, nesse sentido, as campanhas acabam se inserindo nessa l\u00f3gica, na discuss\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o no lucro, onde os trabalhadores se mobilizam porque acaba entrando um dinheirinho mais r\u00e1pido, que n\u00e3o \u00e9 dividido m\u00eas a m\u00eas, e vai direto cobrir o rombo nas contas banc\u00e1rias, cobrir empr\u00e9stimos. Mas se esquecendo de que todas as vezes que voc\u00ea n\u00e3o tem uma reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e n\u00e3o consegue um aumento real de sal\u00e1rio, essa \u201cParticipa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados\u201d (PLR) desaparece no 13\u00ba, nas f\u00e9rias, na aposentadoria. Ent\u00e3o est\u00e1 se criando, nesse momento, uma situa\u00e7\u00e3o que no futuro levar\u00e1 esses trabalhadores a ter uma situa\u00e7\u00e3o ainda pior.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Isso significa tamb\u00e9m que o piso salarial dos trabalhadores est\u00e1 se mantendo em baixa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato &#8211;<\/strong> Olha, por exemplo, se voc\u00ea pegar agora os metal\u00fargicos que est\u00e3o numa discuss\u00e3o de campanha salarial, ao mesmo tempo em que tem uma pauta de reinvindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, vem outra pauta dos empres\u00e1rios; e a pauta dos empres\u00e1rios prev\u00ea o qu\u00ea? Que n\u00e3o haja uma recomposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o total, que haja um congelamento do piso salarial. Voc\u00ea tem uma crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica, uma alimentando a outra, e mesmo sem a gente ter uma crise internacional, no sentido da crise c\u00edclica do capital, voc\u00ea tem uma crise no pa\u00eds que est\u00e1 perdurando por algum tempo. Ent\u00e3o, nesse aspecto, a reivindica\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios \u00e9 que haja congelamento e rebaixamento do piso. Al\u00e9m de tudo isso, existe muito desemprego crescente por conta dessa situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 culpa dos trabalhadores, mas uma situa\u00e7\u00e3o colocada no pa\u00eds. Da\u00ed que, mesmo sem essa reivindica\u00e7\u00e3o deles, isso \u00e9 uma coisa que j\u00e1 acontece h\u00e1 anos. Voc\u00ea tem um reajuste salarial durante a campanha, e mesmo que se consiga um aumento real de sal\u00e1rio, por rotatividade eles conseguem demitir aqueles que ganham mais e contratar pessoas que ganham menos. E, depois, todos os demitidos s\u00e3o recontratados com sal\u00e1rios menores. O n\u00edvel de rotatividade nas principais empresas do pa\u00eds chega a 20%; \u00e9 muito grande. Isso vem acontecendo em nosso pa\u00eds a longa data.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Nesse caso ent\u00e3o a gente pode dizer que, mesmo havendo um processo de retomada da economia, a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores vai continuar bastante desfavor\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato &#8211;<\/strong> A gente tem analisado o processo de retomada da economia e n\u00f3s estamos numa situa\u00e7\u00e3o assim\u2026 um pouco complicada. Por exemplo, se voc\u00ea tem uma crise perdurando e, de repente, voc\u00ea tem uma crise internacional nos moldes da crise de 2008, com o pa\u00eds na situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e1, a coisa tenderia a piorar muito. Mas, os trabalhadores t\u00eam se movimentado. O problema \u00e9 que as mobiliza\u00e7\u00f5es e greves ainda s\u00e3o muito isoladas. Greves de resist\u00eancia contra demiss\u00f5es, contra desemprego\u2026 E a gente tem visto que o Estado, enquanto defensor desse capital, enquanto representante dos patr\u00f5es, tem feito com que at\u00e9 o judici\u00e1rio tire algumas senten\u00e7as, onde, nas campanhas salariais, n\u00e3o h\u00e1 reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. Estou dizendo que mesmo naqueles lugares onde os trabalhadores n\u00e3o conseguem se mobilizar e pedir uma garantia, e se esperaria que da Justi\u00e7a do Trabalho sairia alguma coisa, hoje o pr\u00f3prio Estado tem atuado no sentido de dizer que a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, que a redu\u00e7\u00e3o de direitos \u00e9 uma forma de garantir emprego. E n\u00f3s temos um problema hoje, pois uma boa parte dos sindicatos do pa\u00eds tem entrado nessa l\u00f3gica, que n\u00e3o \u00e9 uma l\u00f3gica de agora, \u00e9 uma l\u00f3gica que come\u00e7ou no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 quando uma boa parte dos sindicatos come\u00e7ou a discutir nas c\u00e2meras setoriais uma s\u00e9rie de coisas como se fosse fun\u00e7\u00e3o dos trabalhadores resolver os problemas criados pelo capital. E a\u00ed, s\u00f3 pra deixar claro que nesse aspecto uma boa parte dos sindicatos, na l\u00f3gica daquele ditado popular de que \u201c\u00e9 melhor perder o anel para n\u00e3o perder os dedos\u201d, tem feito acordos no sentido da redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 \u00c9 o caso de prote\u00e7\u00e3o ao emprego, por exemplo, quando \u00e9 implantado? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato &#8211;<\/strong> O programa de prote\u00e7\u00e3o ao emprego \u00e9 um dos casos, mas j\u00e1 tivemos outros, que vai de Lay-off [<em>Suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do contrato de trabalho<\/em>] a banco de horas. No come\u00e7o da d\u00e9cada de 90, dentro do movimento sindical, isso saiu de um setor na Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), que come\u00e7ou a tentar discutir a necessidade de uma \u201canualiza\u00e7\u00e3o\u201d de jornada. Na \u201canualiza\u00e7\u00e3o\u201d voc\u00ea acabaria com a jornada semanal e passaria a ter uma jornada anual de trabalho, onde quando eu tenho mais trabalho, eu trabalho 70 horas por semana ou 80 \u2013 como falou o presidente da CNI recentemente \u2013, e quando n\u00e3o tenho trabalho, eu fico em casa sem ganhar hora-extra. E nesse processo do programa de prote\u00e7\u00e3o ao emprego que foi implementado em v\u00e1rios locais houve uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 30% do sal\u00e1rio, com o governo pagando 15% e os trabalhadores perdendo 15%. S\u00f3 que, para efeito de c\u00e1lculo da aposentadoria, ele [o trabalhador] perdeu 30%, porque \u00e9 o que vai para efeito de c\u00e1lculo da aposentadoria. Mesmo onde foi implementado, como \u00e9 o caso da Regi\u00e3o do ABC, o sindicato l\u00e1 est\u00e1 dizendo que \u00e9 necess\u00e1rio aprofundar isso e poder reduzir em at\u00e9 40% o sal\u00e1rio, porque 30% n\u00e3o foi suficiente. E n\u00e3o \u00e9 suficiente porque n\u00e3o \u00e9 dessa maneira que se resolve. A gente costuma dizer o seguinte: \u201cSe n\u00e3o tiver produ\u00e7\u00e3o na empresa, os trabalhadores podem aceitar at\u00e9 a voltar aos tempos da escravid\u00e3o, trabalhar s\u00f3 em troca da comida que o empres\u00e1rio n\u00e3o vai querer que fique l\u00e1 dentro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Mas voc\u00ea acha que, nesse momento, nas empresas, est\u00e1 acontecendo alguma mudan\u00e7a do ponto de vista tecnol\u00f3gico, da organiza\u00e7\u00e3o do processo de trabalho e nos postos de trabalho? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato \u2013<\/strong> Olha, as grandes inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas dentro do mercado de trabalho j\u00e1 se sucederam; \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de uma tecnologia nova que surge aqui ou ali. Mas para al\u00e9m das 14 Suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do contrato de trabalho. tecnologias que foram implantadas, principalmente a partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, tem uma outra quest\u00e3o dentro do local de trabalho, que \u00e9 o processo que deixou de ter aquilo que existia anteriormente, um chefe com chicote na m\u00e3o mandando nos trabalhadores; e agora tem um processo de convencimento dos trabalhadores muito grande, que \u00e9 todo mundo dizer que somos todos uma grande fam\u00edlia e tal. Esse processo vem junto com algumas discuss\u00f5es, como a quest\u00e3o da requalifica\u00e7\u00e3o profissional. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, convenceram os trabalhadores que o desemprego naquele per\u00edodo era por conta de que a for\u00e7a de trabalho n\u00e3o era qualificada. E a\u00ed os sindicatos, incentivados pelo governo, embarcaram nessa. As centrais sindicais embarcaram nessa, no sentido de pegar muitos recursos do Estado para fazer curso de qualifica\u00e7\u00e3o profissional. Eram cursos que podiam qualificar um pouco aqui ou ali, por\u00e9m n\u00e3o enfrentavam a nova fase do desemprego. Essa situa\u00e7\u00e3o mostrou tamb\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 dessa maneira que se resolve essa quest\u00e3o. \u00c9 \u00f3bvio que a qualifica\u00e7\u00e3o \u00e9 important\u00edssima, a educa\u00e7\u00e3o formal \u00e9 important\u00edssima. Mas, no Brasil acontece uma coisa: podemos dizer que existem dois Brasis, n\u00e3o tem um s\u00f3. Porque n\u00e3o existe mais disputa de entre o Brasil e a China, o Brasil e os Estados Unidos, a China e a Europa, n\u00e3o existe mais essa disputa. Voc\u00ea tem hoje de 150 a 200 empresas multinacionais que est\u00e3o instaladas no mundo todo, e a disputa \u00e9 entre plantas dessas empresas, para saber onde eles conseguem produzir mais barato. Como agora, por exemplo, o setor de autope\u00e7as, que reclama muito da produ\u00e7\u00e3o de carros no Brasil, aumentou muito a sua exporta\u00e7\u00e3o, mas aumentou n\u00e3o porque algu\u00e9m saiu vendendo l\u00e1 fora, aumentou porque as matrizes ficam analisando onde est\u00e1 mais barato para produzir e transferem a produ\u00e7\u00e3o de um lado para outro. Ent\u00e3o esse \u00e9 o motivo do aumento agora da exporta\u00e7\u00e3o. Eles seguram um pouco agora essa quest\u00e3o das demiss\u00f5es e voc\u00ea tem uma produtividade nessas ind\u00fastrias multinacionais que n\u00e3o tem nada a ver com a discuss\u00e3o que fazem os empres\u00e1rios de que a produtividade da for\u00e7a de trabalho no Brasil \u00e9 muito baixa, que precisa de cinco brasileiros para se comparar com um norte-americano ou um europeu. Isso n\u00e3o \u00e9 real; isso s\u00f3 \u00e9 real naquelas empresas terceirizadas, porque elas ficam com o trabalho que n\u00e3o interessa para as multinacionais fazerem. Por exemplo: s\u00f3 eu tenho um cliente pra quem eu fabrico um milh\u00e3o de pe\u00e7as, e eu tenho interesse de manter esse cliente. De repente, ele me pede cinquenta pe\u00e7as de um determinado tipo; essas cinquenta pe\u00e7as n\u00e3o me compensa fazer; eu fa\u00e7o ent\u00e3o nessas terceirizadas. S\u00e3o empresinhas que a gente pode chamar de \u201cboca de porco\u201d, empresinhas que n\u00e3o tem nenhuma estrutura e seguran\u00e7a no trabalho, n\u00e3o tem nada e tamb\u00e9m fabricam para essas multinacionais. A produtividade \u00e9 muito mais baixa. Agora, nas multinacionais, montadoras de ve\u00edculos e em todos os setores mais avan\u00e7ados da economia, a produtividade no Brasil n\u00e3o deixa nada a desejar a nenhum outro pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Isso significa dizer que essa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na qual o trabalhador se encontra hoje, desemprego, sal\u00e1rios baixos e, ao mesmo tempo, alta produtividade, significa dizer que para o capital internacional o Brasil \u00e9 um pa\u00eds interessante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato \u2013<\/strong> O Brasil sempre foi interessante para o capital internacional e para o capital nacional tamb\u00e9m. Pra discutir esse momento do capitalismo do Brasil j\u00e1 se tem v\u00e1rios livros escritos e nenhum concorda com o outro. O problema \u00e9 que aqui, desde o final da Segunda Guerra Mundial, passando por v\u00e1rios momentos at\u00e9 o golpe militar, toda a tarefa de constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura do pa\u00eds coube ao Estado, e, ap\u00f3s o final da ditadura militar, passou-se para o processo de privatiza\u00e7\u00e3o, de passar isso para a m\u00e3o do capital privado. Esse processo todo faz com que o Estado gaste muito nessa quest\u00e3o da infraestrutura e depois repasse a conta para o capital privado. Ent\u00e3o, quando as multinacionais v\u00eam para o Brasil, elas v\u00eam j\u00e1 com uma infraestrutura garantida na quest\u00e3o de energia, de transporte \u201ce tal\u201d, e tudo isso depois vai sendo passado pra m\u00e3o desse mesmo capital. Qual \u00e9 o \u201cabacaxi\u201d que n\u00f3s temos? A discuss\u00e3o hoje \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio ter investimento e o pa\u00eds n\u00e3o tem dinheiro pra investimento, e n\u00e3o tem como ter investimento num pa\u00eds que gasta 400 bilh\u00f5es por ano pagando juros de d\u00edvida interna. Ent\u00e3o, a grande solu\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos antigamente, que era o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa para que sobrasse dinheiro para investimento interno na \u00e1rea de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria infraestrutura, hoje estamos pagando muito mais s\u00f3 de juros, por conta dos juros alt\u00edssimos que est\u00e3o colocados aqui. Ent\u00e3o aqui \u00e9 um pa\u00eds onde tanto o capital nacional quanto o internacional t\u00eam muitas benesses, como, por exemplo, na quest\u00e3o dos dividendos, que eles n\u00e3o pagam imposto de renda sobre dividendos. Ent\u00e3o voc\u00ea tem dois pa\u00edses hoje que n\u00e3o cobram imposto sobre dividendos: o Brasil e a Est\u00f4nia, e isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma discuss\u00e3o de ser socialista ou n\u00e3o. Os Estados Unidos cobram, a Europa cobra e aqui, se cobrasse os dividendos dos acionistas, imposto sobre os dividendos, se cobrasse a mesma coisa que \u00e9 descontada da folha de pagamento dos trabalhadores, o governo arrecadaria 50 bilh\u00f5es de reais por ano. E n\u00e3o cobra por qu\u00ea? Recentemente foram divulgados dados do Minist\u00e9rio da Fazenda que levaram \u00e0 demiss\u00e3o ou \u00e0 ren\u00fancia de um dos diretores da FIESP de S\u00e3o Paulo \u2013 o qual \u00e9 pessoa f\u00edsica que deve nove bilh\u00f5es para o governo, e tem outras 13.500 pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas no pa\u00eds que devem juntas 812 bilh\u00f5es de reais pro governo. Ent\u00e3o n\u00f3s temos um governo que privatiza tudo, que garante benesses para o capital, e que tamb\u00e9m n\u00e3o cobra as d\u00edvidas.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 E no tocante \u00e0s reformas dos direitos trabalhistas em pauta no Congresso Nacional, como \u00e9 que voc\u00ea avalia isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato \u2013<\/strong> Olha, todo o problema \u00e9 que se chama isso de reforma e, na verdade, n\u00e3o \u00e9 reforma, \u00e9 \u201cretirar direitos\u201d. Se a gente for discutir a quest\u00e3o da idade m\u00ednima para a aposentadoria, \u00e9 real que, na Europa, na maior parte dos pa\u00edses, j\u00e1 est\u00e3o com idade m\u00ednima de 65? \u00c9 real! O problema \u00e9: o tempo curto que n\u00f3s vivemos no Brasil, n\u00f3s n\u00e3o chegamos no n\u00edvel do Estado de Bem-estar Social que os trabalhadores europeus chegaram. E tamb\u00e9m n\u00e3o entro na discuss\u00e3o aqui de que a juventude europeia entra no mercado de trabalho j\u00e1 com uma idade bem mais avan\u00e7ada. A maior parte primeiro sai da universidade antes de entrar no mercado de trabalho. E as condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o completamente diferentes. Eu n\u00e3o posso estabelecer essa compara\u00e7\u00e3o: uma pessoa no interior do Nordeste com condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias com a pessoa que vive nas melhores cidades europeias, em termos de expectativa de vida. A expectativa de vida \u00e9 uma m\u00e9trica, esse \u00e9 o grande problema. E como as reformas j\u00e1 est\u00e3o no sentido de falar em at\u00e9 70 anos de idade, significa que o projeto do governo, o projeto do capital do Brasil, \u00e9 de n\u00e3o pagar mais aposentadoria pra mais ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser um sal\u00e1rio m\u00ednimo, daquele em que voc\u00ea se aposenta por idade. E n\u00e3o existem possibilidades, no Brasil, de a maioria dos trabalhadores ter emprego ap\u00f3s os 60 anos de idade. Quando \u00e9 demitido com 50 anos, j\u00e1 \u201ct\u00e1\u201d velho pro capital, e \u201ct\u00e1\u201d velho por qu\u00ea? J\u00e1 tem algumas doen\u00e7as, algumas adquiridas com o processo de trabalho, e t\u00eam outras da pr\u00f3pria idade. Ent\u00e3o, numa situa\u00e7\u00e3o como essa, eles (o governo) entram com uma outra discuss\u00e3o, no sentido de dizer que \u00e9 para fortalecer a negocia\u00e7\u00e3o entre sindicatos e empres\u00e1rios: \u00e9 a quest\u00e3o do valor, da vantagem do \u201cnegociado\u201d sobre o \u201clegislado\u201d. Isso \u00e9 a maior \u201cpatifaria\u201d que existe, porque ningu\u00e9m mais conhece tanto os sindicatos como os empres\u00e1rios do Brasil. N\u00f3s temos uma quantidade infinita de sindicatos no pa\u00eds, que s\u00e3o os \u201csindicatos de cart\u00f3rios\u201d, que assinam qualquer acordo sem ter discutido com os trabalhadores, e podem aceitar a redu\u00e7\u00e3o dos direitos. \u00c9 \u00f3bvio que tem sindicatos que n\u00e3o v\u00e3o aceitar de maneira nenhuma, e n\u00e3o tendo acordo, n\u00e3o valeria. Mas imagine a press\u00e3o! Vou dar um exemplo: aqui na regi\u00e3o de Campinas n\u00f3s temos a Samsung, que fabrica celulares, computadores. Do lado de Campinas, a 20 km, em Jaguari\u00fana, tem a Motorola. O adicional noturno pra quem trabalha na Samsung em Campinas \u00e9 de 50%. Em Jaguari\u00fana, tamb\u00e9m era de 50%, mas abriram m\u00e3o e baixaram para 35%. Ent\u00e3o todo ano a Samsung come\u00e7a a amea\u00e7ar, dizendo que \u00e9 mais barato produzir em Jaguari\u00fana. E \u00e9 verdade\u2026 mas \u00e9 mais barato por qu\u00ea? O sindicato de l\u00e1 abriu m\u00e3o de uma coisa que tinha. Mas tem outros direitos, que tem em algumas regi\u00f5es e n\u00e3o tem em outras. Se no pa\u00eds inteiro voc\u00ea come\u00e7a a ter sindicatos fazendo acordo, naqueles sindicatos onde n\u00e3o se aceita o acordo, como \u00e9 o caso daqui de Campinas, de Limeira e de v\u00e1rios outros sindicatos, eu poderia citar um monte aqui, voc\u00ea vai ter uma press\u00e3o intensa dos empres\u00e1rios, no sentido de que n\u00f3s tamb\u00e9m ter\u00edamos que aceitar. E a press\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 sobre o sindicato; \u00e9 uma propaganda em cima dos trabalhadores, de que a \u00fanica maneira de garantir emprego \u00e9 abrindo m\u00e3o dos direitos. E o ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira, essa semana, teve a cara de pau de dizer que \u00e9 mentira. E que n\u00e3o vai mexer em direitos como 13\u00ba, como fundo de garantia. Que o negociado s\u00f3 valer\u00e1 para jornada de trabalho e sal\u00e1rio. Bom, jornada de trabalho e sal\u00e1rio s\u00e3o exatamente o que garantem taxa de lucro dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Isso significa tamb\u00e9m dizer que o desafio que est\u00e1 colocado \u00e9 tamb\u00e9m pra dentro do movimento sindical, quer dizer, como superar essa posi\u00e7\u00e3o que capitula diante das press\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato \u2013<\/strong> \u00c9. Ent\u00e3o, eu estava dizendo que essa capitula\u00e7\u00e3o diante das press\u00f5es dos empres\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 simplesmente por trai\u00e7\u00e3o. Ela faz parte de um projeto. Se eu pegar a CUT [Central \u00danica dos Trabalhadores] como principal organiza\u00e7\u00e3o que os trabalhadores conseguiram construir no pa\u00eds, hoje tem v\u00e1rios sindicatos contr\u00e1rios que romperam com a CUT, inclusive o nosso, por uma quest\u00e3o concreta: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 agora a press\u00e3o dos empres\u00e1rios e a press\u00e3o por parte do governo; ela foi gestada dentro da CUT, isso no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, que \u00e9 essa hist\u00f3ria do sindicato propositivo. Ent\u00e3o tem gente que erra ao dizer que isso aconteceu com a CUT, porque a CUT, depois da elei\u00e7\u00e3o do Lula, mudou de posi\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o! Isso foi gestado ao longo do tempo, numa discuss\u00e3o que tinha a ver com a quest\u00e3o dos sindicatos na Europa, principalmente na Alemanha, ou em algumas centrais sindicais na It\u00e1lia, que levou a essa l\u00f3gica de cria\u00e7\u00e3o de sindicato propositivo. N\u00f3s ficamos dentro da CUT at\u00e9 o momento que deu, dentro desse debate incessante. Mas n\u00f3s temos que lembrar que a discuss\u00e3o de eventuais pactos sociais come\u00e7a com a elei\u00e7\u00e3o do Collor de Melo, com a Z\u00e9lia Cardozo, que chamou a CUT para uma negocia\u00e7\u00e3o e a CUT aceitou; acabou sentando com a Z\u00e9lia pra discutir. Isso s\u00f3 n\u00e3o teve consequ\u00eancia naquela \u00e9poca porque o Collor acabou caindo. Mas naquele momento a CUT deu uma vacilada, aceitou que era necess\u00e1rio discutir um pacto social. Ent\u00e3o, na nossa opini\u00e3o, n\u00e3o tem pacto social poss\u00edvel numa sociedade extremamente desigual como \u00e9 a brasileira. E o problema no Brasil, em termos de produ\u00e7\u00e3o, de competitividade e tal, n\u00e3o tem nada a ver com o sal\u00e1rio dos trabalhadores, que \u00e9 um dos mais baixos do mundo. Se eu pegar as multinacionais aqui, se eu pegar o valor em d\u00f3lar, aqui no Brasil em muitos casos, a gente ganha 1\/5 do que ganha o trabalhador l\u00e1 fora. Isso pegando valores em d\u00f3lar. Ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 para culpar o sal\u00e1rio como um elemento que leva \u00e0 crise. Portanto, n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de reduzir sal\u00e1rio. Esse processo do movimento sindical do Brasil passa, nesse momento, por uma discuss\u00e3o sobre sua reorganiza\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 o problema? Da mesma forma que, se eu estou num partido pol\u00edtico que d\u00ea problema, n\u00e3o adianta sair dele e decretar que amanh\u00e3 existe outro; n\u00e3o adianta romper com uma central sindical e decretar que amanh\u00e3 j\u00e1 existe outra. A CUT foi constru\u00edda no Brasil durante um processo de ascens\u00e3o muito grande, onde os trabalhadores se mobilizaram ao extremo. Eram greves em todo o pa\u00eds e essa mobiliza\u00e7\u00e3o gerou essa central sindical. Hoje o processo de reorganiza\u00e7\u00e3o \u201ct\u00e1\u201d sendo quente, mas ainda com lutas isoladas, n\u00e3o \u00e9 uma luta generalizada. Ent\u00e3o, na nossa opini\u00e3o, \u00e9 preciso reorganizar a classe trabalhadora, reconstruir as organiza\u00e7\u00f5es que se viraram, deixaram de ser o que eram e viraram o contr\u00e1rio do porqu\u00ea nasceram. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 por decreto, e a gente v\u00ea muito decreto. E a gente v\u00ea pessoas que rompem com a CUT e fundam no dia seguinte uma central sindical sem nenhuma base na realidade. Ent\u00e3o n\u00f3s, dos metal\u00fargicos de Campinas, n\u00f3s estamos h\u00e1 dez anos andando o pa\u00eds inteiro, seguindo aqueles que est\u00e3o dispostos a continuar na luta e a n\u00e3o aceitar a retirada de direitos. E, nesse momento, eles podem estar filiados \u00e0 CUT, podem ter se desfiliado da CUT, podem nunca ter tido rela\u00e7\u00e3o com central sindical nenhuma. N\u00e3o importa. Porque, ao mesmo tempo em que h\u00e1 uma boa parte dos sindicatos dispostos a entregar direitos, n\u00f3s achamos que ainda tem muitos sindicatos que est\u00e3o mantendo uma luta de resist\u00eancia, e a gente precisa unificar essa luta de resist\u00eancia pra, no momento em que se retomar as lutas mais gerais da classe trabalhadora, a gente possa, a\u00ed sim, reconstruir aquilo que n\u00f3s perdemos, que s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es que constru\u00edmos a partir da d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Stotz\/Intervozes \u2013 Muito bom! Eu gostaria de agradecer a entrevista que voc\u00ea est\u00e1 concedendo \u00e0 Revista Intervozes e, antes de concluir, me diga como voc\u00ea gostaria de ser apresentado aos leitores desta revista, que \u00e9 composta por um p\u00fablico acad\u00eamico, estudantes e professores de \u00e1reas como administra\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e cultura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emanuel Melato \u2013<\/strong> Sou Emanuel Melato, diretor do sindicato dos metal\u00fargicos de Campinas, e membro da coordena\u00e7\u00e3o da Intersindical \u2013 instrumento de luta e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. J\u00e1 vou pra 62 anos, portanto, participei das greves desde 79, e quando eu falo que n\u00f3s estamos vivendo um novo ciclo das organiza\u00e7\u00f5es que n\u00f3s constru\u00edmos, eu n\u00e3o estou falando a partir de livros acad\u00eamicos e livros de hist\u00f3ria; \u00e9 um processo que n\u00f3s vivemos enquanto classe, e que infelizmente o que aconteceu com o Brasil, aconteceu em outras partes do mundo. Ent\u00e3o voc\u00ea pode me apresentar como um militante, que continua acreditando no socialismo, e acho que a classe trabalhadora, do mesmo jeito que j\u00e1 construiu grandes organiza\u00e7\u00f5es, vai saber superar esse momento tamb\u00e9m, pra gente poder retomar a discuss\u00e3o da quest\u00e3o do Estado capitalista, pra quem ele serve.<\/p>\n<p>http:\/\/centrovictormeyer.org.br\/emanuel-melato-classe-trabalhadora-jeito-ja-construiu-grandes-organizacoes-superar-momento-tambem-pra-gente-retomar-discussao-questao-capitalista\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entrevista de Emanuel Melato, dirigente sindical dos metal\u00fargicos de Campinas e membro da coordena\u00e7\u00e3o da Intersindical \u2013 Instrumento de Luta e Organiza\u00e7\u00e3o da \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12943\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-12943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s18-sindical"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3mL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}