{"id":12994,"date":"2016-12-21T23:49:03","date_gmt":"2016-12-22T02:49:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=12994"},"modified":"2017-01-05T09:40:12","modified_gmt":"2017-01-05T12:40:12","slug":"quem-sao-os-rebeldes-de-alepo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12994","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os rebeldes de Alepo?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/nataliasancha.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Natalia Sancha<\/p>\n<p>Este artigo cont\u00e9m muita informa\u00e7\u00e3o interessante, e isso \u00e9 tanto mais de registar quanto que a sua fonte \u00e9 o insuspeito \u201cEl Pa\u00eds\u201d (o que o pr\u00f3prio artigo n\u00e3o deixa tamb\u00e9m de revelar, em qualquer caso). S\u00f3 o mais cavern\u00edcola e desonesto jornalismo \u00e9 ainda capaz de ocultar que os \u201crebeldes s\u00edrios\u201d s\u00e3o um bando de fac\u00ednoras, capazes de todos os crimes. E que, como as \u00faltimas informa\u00e7\u00f5es v\u00eam confirmando, em boa parte s\u00e3o tudo menos s\u00edrios.<!--more--><\/p>\n<p>O fr\u00e1gil pacto, alcan\u00e7ado a contra-rel\u00f3gio e negociado entre pot\u00eancias internacionais, Moscou-Ancara, esteve a ponto de descarrilar nesta quarta-feira quando se deparou com as exig\u00eancias particulares dos atores locais que desde h\u00e1 mais de um lustro combatem na frente: insurretos e Ex\u00e9rcito s\u00edrio. Longe de compor uma frente homog\u00eanea e comum, o bando rebelde de Alepo conta com mais de 40 fac\u00e7\u00f5es armadas de entre 100 a 1.500 combatentes cada uma. Pressionados pela necessidade b\u00e9lica em Alepo, estas fac\u00e7\u00f5es agruparam-se em duas coliga\u00e7\u00f5es principais: <em>Jeish el Fat\u00e1 <\/em>(Ex\u00e9rcito da Conquista) e Fat\u00e1 Haleb (Conquista de Alepo). Em ambas imp\u00f5e-se a ala conservadora salafista. Varias delas t\u00eam sido acusadas de cometer crimes de guerra durante os quatro anos que controlaram o hemisf\u00e9rio ocidental da cidade.<\/p>\n<p>O n\u00famero tanto de civis como de combatentes em Alepo \u00e9 objeto de controv\u00e9rsia. Os c\u00e1lculos iniciais da ONU quantificaram em 250.000 o n\u00famero de civis, 80.000 dos quais teriam sa\u00eddo na \u00faltima semana, e em 8.000 o de combatentes rebeldes. Entretanto, a televis\u00e3o estatal s\u00edria quantificou esta quinta-feira em 9.000 o remanescente de moradores em el Alepo oriental e em 4.000 o de opositores armados.<\/p>\n<p>Segundo o c\u00e1lculo do enviado especial da ONU para S\u00edria, Staffan de Mistura, uns 12% dos insurretos seriam jihadistas de<em> Fat\u00e1 al Sham. <\/em>Esta antiga filial de Al Qaeda que, apesar de mudar de r\u00f3tulo, continua presente na lista de grupos terroristas da Europa e Estados Unidos. Duas organiza\u00e7\u00f5es chap\u00e9u-de-chuva, <em>Jeish el Fat\u00e1 e Fat\u00e1 Haleb, <\/em>aglutinam estas fac\u00e7\u00f5es em Alepo este, e contariam com entre 4.000 e 8.000 combatentes.<\/p>\n<p><strong>Frente Fat\u00e1 al Sham:<\/strong> Os especialistas estimam que este grupo jihadista conta com uns 1.000 homens em Alepo, que respondem ao l\u00edder Abu Mohamed el Jolani. Entre 10.000 e 20.000 combatem em toda a S\u00edria, 30% dos quais estrangeiros. A Al Qaeda na S\u00edria mudou de nome, primeiro para Frente Al Nusra, para mais tarde passar a chamar-se Fat\u00e1 al Sham numa tentativa de limpar a sua imagem. Em maio de 2012, a filial terrorista levou a cabo os primeiros atentados suicidas na S\u00edria, nos quais matou 55 pessoas e feriu outras 400 na capital. Inicialmente fortes no nordeste do pa\u00eds, em 2014 perderam Raqa para o Estado Isl\u00e2mico (ISIS, na sigla em ingl\u00eas), cis\u00e3o da Al Qaeda e competidor ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Ahrar al Sham:<\/strong> Coliga\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios grupos de perfil islamista e salafista lideradas por Abu Ammar al Omar e uma das principais for\u00e7as armadas insurretas em Idlib. Entre 10.000 e 20.000 milicianos lutam nas suas fileiras, entre 800 e 1.000 em Alepo em alian\u00e7a com Al Qaeda.<\/p>\n<p><strong>Fat\u00e1 Haleb<\/strong> (Conquista de Alepo) \u00e9 a segunda coliga\u00e7\u00e3o, com uma trintena de grupos armados que inclui moderados do Ex\u00e9rcito Livre S\u00edrio (ELS) como a<em> Divis\u00e3o de Infantar\u00eda <\/em>101, mas onde predomina a lideran\u00e7a armada de islamistas e salafistas como <em>Nour al Din al Zinki, a Frente al Shamia, ou Jeish el Islam <\/em>(Ex\u00e9rcito do Isl\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Divis\u00e3o de Infantar\u00eda 101:<\/strong> fac\u00e7\u00e3o que pertence ao Ex\u00e9rcito Livre S\u00edrio, nascido no principio da contenda quando v\u00e1rios generais desertaram do Ex\u00e9rcito regular. Contaria com escassas centenas de homens em Alepo. Composto por s\u00edrios, pertence ao espectro mais moderado da oposi\u00e7\u00e3o, embora mantenha rela\u00e7\u00f5es com fac\u00e7\u00f5es radicais com as quais combate contra as tropas regulares em Alepo.<\/p>\n<p><strong>Nour al Din al Zinki:<\/strong> contam com entre 1.000 e 1.200 homens em Alepo, onde o grupo surgiu em finais de 2011 sob a lideran\u00e7a do xeque Taufik Shahabud\u00edn. Fac\u00e7\u00e3o de perfil islamista, estaria financiada por Ancara e composta por locais s\u00edrios.<\/p>\n<p><strong>Jeish el Islam: <\/strong>contaria com uns 500 homens em Alepo. \u00c9 o agrupamento guarda-chuva de v\u00e1rios grupos de perfil islamista e salafista. Constitui a principal for\u00e7a de oposi\u00e7\u00e3o na periferia de Damasco. Ap\u00f3s o assass\u00ednio de seu l\u00edder, Zahran Alloush, este foi substitu\u00eddo por Mohamed Alloush. T\u00eam entre 20.000 e 25.000 combatentes. Entre os seus basti\u00f5es est\u00e3o Duma e Guta Oriental, na periferia de Damasco.<\/p>\n<p><strong>Frente Shamia<\/strong>: surge em finais de 2014 em Alepo, onde contaria com uns 800 homens. Trata-se de uma alian\u00e7a de v\u00e1rios grupos de perfil salafista sob as ordens de Abu Amer, nome de guerra. Combatem contra as tropas regulares s\u00edrias e contra as mil\u00edcias curdas em Alepo.<\/p>\n<p><strong>Financiamento de actores regionais<\/strong><\/p>\n<p>A \u201cTurquia apoia Nour al Dine Zinki e Ahrar al Sham. Ambos disp\u00f5em de misseis antitanques BGM-71 TOW teleguiados e de fabrica\u00e7\u00e3o estadunidense, o que induz a que tamb\u00e9m tenham recebido apoio dos norte-americanos\u201d, explica em correio electr\u00f4nico o analista militar s\u00edrio Mohammed S. Alftayeh. \u201cEnquanto ningu\u00e9m se reclama de apoiar a Fat\u00e1 al Sham, a maioria dos analistas est\u00e3o de acordo em que o seu principal apoiante \u00e9 o Qatar, o mesmo que os animou a desvincular-se da marca Al Qaeda\u201d, acrescenta. Segundo Alftayeh, Jeish al Islam, o grupo mais importante na periferia de Damasco embora residual em Alepo, recebe apoio de Riad. Quanto \u00e0 presen\u00e7a de rebeldes moderados do ELS, o perito s\u00edrio assegura que \u201c\u00e9 muito reduzida e limitada em Alepo\u201d.<\/p>\n<p>A radiografia atual do bando opositor em Alepo corresponde \u00e0 progressiva absor\u00e7\u00e3o dos combatentes do ELS, que viram esvaziar-se as fileiras dos antigos moderados, hoje procurando por um lado vingar-se dos bombardeamentos indiscriminados sobre civis da avia\u00e7\u00e3o s\u00edria e russa e, por outro lado, atra\u00eddos pelo fluxo de recursos oriundos das monarquias do Golfo e da Turquia. Recursos limitados que provocaram tamb\u00e9m confrontos armados entre as diferentes fac\u00e7\u00f5es, como os que em Novembro passado enfrentaram milicianos do grupo Fastaqin, filiado no ELS, contra os mais conservadores de Nour al Din al Zinki.<\/p>\n<p>No quebra-cabe\u00e7as &#8220;rebelde&#8221;, uns 130.000 a 250.000 civis, conforme as fontes, permaneceram cercados pelas tropas regulares s\u00edrias durante mais de quatro meses. Um cerco em que os grupos rebeldes mais radicais participaram proibindo a fuga a civis, que usaram como escudos humanos. Testemunhos confirmados por v\u00e1rios dos 80.000 moradores que conseguiram fugir para a zona sob controle do Governo na \u00faltima semana, e tamb\u00e9m como denuncia a ONU, que os acusou de abrir fogo contra fam\u00edlias que tentavam escapar dos combates. E ainda assim, parte da popula\u00e7\u00e3o civil apoia os que consideram como seus \u201cirm\u00e3os s\u00edrios que lutam por uma S\u00edria melhor e pela queda de El Assad\u201d. Em contrapartida, centenas de ativistas, trabalhadores sociais, equipes de resgate e pessoal m\u00e9dico que configuraram a magra espinha dorsal de uma popula\u00e7\u00e3o desprovida de tudo, temem hoje ser encarcerados, ou executados, se atravessam os controles do Ex\u00e9rcito s\u00edrio.<\/p>\n<p><strong>N.S- BEIRUT<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s quase seis anos a guerra s\u00edria custou ja mais de 312.000 vidas, cerca de metade das quais civis, segundo dados proporcionados pelo Observat\u00f3rio S\u00edrio para os Direitos Humanos. A resolu\u00e7\u00e3o 2139 adoptada pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU em 22 de Fevereiro de 2014 insta todas as partes do conflito s\u00edrio a respeitar as leis humanit\u00e1rias internacionais e por consequ\u00eancia a prote\u00e7\u00e3o dos civis que n\u00e3o participam nas hostilidades.<\/p>\n<p>Partida em dois desde 2012, a popula\u00e7\u00e3o de Alepo oriental ficou sob as leis, nem sempre un\u00e2nimes, dos diferentes grupos opositores. A Anistia Internacional denunciou num relat\u00f3rio do passado m\u00eas de julho os crimes de guerra cometidos por v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es rebeldes. \u201cHoje, em Alepo e Idlib, os grupos armados t\u00eam carta branca para cometer com impunidade crimes de guerra e outras viola\u00e7\u00f5es da lei humanit\u00e1ria internacional. Surpreendentemente, temos documentado o uso por parte de grupos armados dos mesmos m\u00e9todos e torturas que s\u00e3o habitualmente empregados pelo Governo s\u00edrio\u201d, reza o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os testemunhos de v\u00edtimas denunciam fac\u00e7\u00f5es como <em>Nour al Din al Zinki, Frente al Shamia, Divis\u00e3o 16, Fat\u00e1 al Sham e Ahrar al Sham.<\/em> Para al\u00e9m de execu\u00e7\u00f5es por adult\u00e9rio ou ataques a homossexuais, encontram-se outros casos mais mediatizados como o do jovem Abdul\u00e1 Issa. Com apenas 12 anos, o menor foi acusado de espi\u00e3o e publicamente decapitado por milicianos de <em>Nour al Din al Zinki.<\/em> \u00c0s execu\u00e7\u00f5es dentro do per\u00edmetro rebelde soma-se a chuva de morteiros que no \u00faltimo m\u00eas matou mais de 140 civis nos bairros residenciais da Alepo ocidental sob controlo do regime.<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/quem-sao-os-rebeldes-de-alepo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Natalia Sancha Este artigo cont\u00e9m muita informa\u00e7\u00e3o interessante, e isso \u00e9 tanto mais de registar quanto que a sua fonte \u00e9 o insuspeito \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/12994\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12994","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3nA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12994","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12994"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12994\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}