{"id":1304,"date":"2011-03-22T04:14:51","date_gmt":"2011-03-22T04:14:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1304"},"modified":"2011-03-22T04:14:51","modified_gmt":"2011-03-22T04:14:51","slug":"manoel-alves-ribeiro-mimo-108-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1304","title":{"rendered":"MANOEL ALVES RIBEIRO \u2013 MIMO \u2013 108 ANOS"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 108 anos atr\u00e1s, em 13 de mar\u00e7o de 1903, nascia em Imaru\u00ed, pequena cidade do sul do estado de Santa Catarina, o camarada Manoel Alves Ribeiro, o Mimo, como era conhecido, militante comunista desde os anos 30 do s\u00e9culo passado at\u00e9 o seu falecimento em 29 de setembro de 1994. Foram d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 luta do nosso povo.<\/p>\n<p>Autodidata, n\u00e3o cursou mais que os primeiros anos de escola, Mimo era dotado de uma intelig\u00eancia, habilidade e perspic\u00e1cia incomuns. Quem o conheceu, quem o viu falar em p\u00fablico foi testemunha de verdadeiras aulas de orat\u00f3ria. Tinha uma capacidade toda pr\u00f3pria de se dirigir ao p\u00fablico. Cativava e entretinha a plat\u00e9ia com um misto de coer\u00eancia, convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e bom humor.<\/p>\n<p>Desde muito cedo, Mimo, teve que se virar para ganhar a vida. Trabalhou em mina de carv\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o da ponte Herc\u00edlio Luz, s\u00edmbolo da cidade de Florian\u00f3polis. Nessa cidade viveu a maioria de sua vida. Nessa cidade se elegeu vereador. Mimo foi militante do PCB \u2013 Partido Comunista Brasileiro, desde os anos 30 do s\u00e9culo passado at\u00e9 o rompimento com a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o do partido liderada por Luiz Carlos Prestes. Seus \u00faltimos anos de milit\u00e2ncia foram dedicados ao embri\u00e3o do que hoje se chama CCLCP (Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes) e tamb\u00e9m dedicados ao ICASP (Instituto Cultural de Amizade e Solidariedade aos Povos), fundado em 1985, entidade da qual era presidente de honra e que desenvolvia um trabalho de solidariedade aos povos da Am\u00e9rica Central e Caribe. Mimo se orgulhava muito da profiss\u00e3o que abra\u00e7ou, e quando perguntavam qual era sua profiss\u00e3o, dizia com orgulho: \u201csou oper\u00e1rio eletricista\u201d. Um dos seus ensinamentos \u00e9 que n\u00f3s temos que buscar ser os melhores no que fazemos, fazer as coisas da melhor forma, com conhecimento cient\u00edfico e garra.<\/p>\n<p>Entre muitas de suas qualidades, pude testemunhar sua disciplina f\u00e9rrea, sua convic\u00e7\u00e3o profunda na causa do socialismo, sua intransig\u00eancia na defesa do campo socialista liderado pela URSS (Uni\u00e3o da Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas), sua ternura no trato com os amigos e camaradas.<\/p>\n<p>Mimo visitou a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, como militante do PCB, a convite do PCUS (Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica). Testemunhou a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista sovi\u00e9tica, sua ascens\u00e3o e nos \u00faltimos anos de sua vida a desintegra\u00e7\u00e3o do campo socialista do leste europeu e da URSS. Queda esta testemunhada com muito pesar. Ao contr\u00e1rio de alguns que renegaram o exemplo da URSS e dos demais pa\u00edses socialistas, e renegaram inclusive a luta pelo socialismo, Mimo at\u00e9 os \u00faltimos dias de sua vida manteve firme sua convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos ideais pelos quais lutou quanto na convic\u00e7\u00e3o de que um dia a URSS retomar\u00e1 seu caminho socialista. Jamais proferiu qualquer palavra contra esta grande experi\u00eancia revolucion\u00e1ria levada a cabo pelo povo sovi\u00e9tico. Ao contr\u00e1rio sempre fez quest\u00e3o de citar a imensa contribui\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica para com a luta dos povos em todos os continentes, notadamente na Europa onde liderou a luta contra o nazismo e venceu, na contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas dos povos da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina \u2013 Cor\u00e9ia, Vietnam, Guin\u00e9 Bissau, Mo\u00e7ambique, Angola, Eti\u00f3pia, Cuba, etc.<\/p>\n<p>Mimo deixou para n\u00f3s, al\u00e9m de seu exemplo de vida e de milit\u00e2ncia, um relato autobiogr\u00e1fico intitulado \u201cCaminho\u201d, livro publicado em meados dos anos 80, repleto de hist\u00f3rias, pleno de sua experi\u00eancia de vida. Em parte deste depoimento, Mimo teve que omitir nomes, pois eram pessoas ainda vivas e, como manda a boa tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode dar informa\u00e7\u00f5es para n\u00e3o comprometer pessoas e estruturas. Este livro \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria para todos que querem conhecer um per\u00edodo muito importante da hist\u00f3ria brasileira. Leitura t\u00e3o necess\u00e1ria quanto os cl\u00e1ssicos da literatura revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Apesar de uma vida repleta de agruras e dificuldades, devido \u00e0 sua milit\u00e2ncia, \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es e sua conduta, jamais escutei dele qualquer queixa, amargura ou ressentimento. Muito pelo contr\u00e1rio, dele s\u00f3 escutava palavras de incentivo, de firmeza, de convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, de coer\u00eancia, de carinho e de necessidade de caminharmos sempre adiante na luta pelo progresso social e pelo socialismo.<\/p>\n<p>Mimo, tamb\u00e9m, deixou 03 filhos \u2013 Glorinha, Telmo e Luiz Carlos, este em nome em homenagem a um dos maiores revolucion\u00e1rios brasileiros, Luiz Carlos Prestes.<\/p>\n<p>Mimo foi um dirigente ativo do PCB. Participou de congressos do partido. Conheceu dirigentes do quilate de Luiz Carlos Prestes, Greg\u00f3rio Bezerra e Carlos Marighella. Admirava profundamente estas tr\u00eas grandes figuras de nossa hist\u00f3ria, como tamb\u00e9m admirava gente da estirpe de Carlos Lamarca. Ao contr\u00e1rio de alguns militantes do PCB da \u00e9poca valorizava profundamente os militantes comunistas que pegaram em armas nos anos 60 e 70 para lutar contra a ditadura militar. Sobre Marighella, Mimo ressaltava a sua coer\u00eancia, devo\u00e7\u00e3o e entrega \u00e0 causa. Admirava profundamente sua figura sempre consonante o seu discurso com a sua pr\u00e1tica, as suas id\u00e9ias com suas a\u00e7\u00f5es, apesar de que dentro do PCB, Mimo sempre seguiu as posi\u00e7\u00f5es de Prestes.<\/p>\n<p>Guardo um grande orgulho e agrade\u00e7o muito por ter convivido com o Velho Mimo, na \u00faltima d\u00e9cada de sua vida. Lhe agrade\u00e7o muito pelas palavras e pelo seu carinho, pelo exemplo de vida, por sua conduta, disciplina e firmeza. As pequenas atitudes formam parte de um todo e, dele sempre vi atitudes positivas, de confian\u00e7a no futuro, de confian\u00e7a na luta dos povos, de certeza que a humanidade se libertar\u00e1 do jugo imperialista e da explora\u00e7\u00e3o capitalista, e que n\u00f3s temos que contribuir para isso e n\u00e3o esperar que isso caia do c\u00e9u ou que os outros fa\u00e7am.<\/p>\n<p>Jamais esquecerei as palavras da escritora catarinense Zuleika Lenzi durante o vel\u00f3rio do seu Mimo, que disse mais ou menos o seguinte: \u201cVoc\u00eas que n\u00e3o viram este homem discursar em pra\u00e7a p\u00fablica, perderam a oportunidade de se encantar, como eu me encantei quando via o Mimo pegar um engradado, subir encima dele e se dirigir ao povo com uma singeleza e uma ternura muito pr\u00f3prias, com palavras justas, s\u00e1bias e de confian\u00e7a no nosso povo e na necessidade de lutarmos\u201d.<\/p>\n<p>O exemplo do Velho Mimo segue presente. Manoel Alves Ribeiro, presente!<\/p>\n<p>Florian\u00f3polis, 17 de mar\u00e7o de 2011.<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><strong> *Maur\u00edcio Tomasoni \u00e9 <\/strong><strong>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Jos\u00e9 Mart\u00ed de Santa Catarina e dirigente estadual da Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: YouTube\n\n\n\n\n\n\n\n\nMaur\u00edcio Tomasoni*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1304\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1304","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-l2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1304\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}