{"id":13051,"date":"2016-12-27T23:37:33","date_gmt":"2016-12-28T02:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13051"},"modified":"2017-09-20T23:57:11","modified_gmt":"2017-09-21T02:57:11","slug":"histeria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13051","title":{"rendered":"Histeria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESJORGECADIMA1_05.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Jorge Cadima<\/p>\n<p>A hist\u00e9rica campanha em torno da liberta\u00e7\u00e3o de Alepo \u00e9 elucidativa. Longe de celebrar o fim de quatro anos de guerra nessa grande cidade s\u00edria, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, governos e parlamentos das pot\u00eancias imperialistas ficaram hist\u00e9ricos com a derrota daqueles a quem o ex-chefe das tropas da OTAN na guerra contra a Iugosl\u00e1via, general Wesley Clark, chamou (literalmente) \u00abos jihadistas \u2018bons\u2019 financiados pelos nossos aliados\u00bb (USA Today, 11.2.16).<!--more--> Os \u2018jihadistas bons\u2019 de Wesley Clark s\u00e3o aqueles que decapitam crian\u00e7as, ao mesmo tempo que recebem apoio militar dos EUA (BBC, 21.7.16). S\u00e3o os que comem as entranhas de soldados s\u00edrios que acabaram de matar, naquilo que a BBC apelidou de \u2018canibalismo ritual\u2019 (BBC, 5.7.13), e s\u00e3o depois entrevistados pela comunica\u00e7\u00e3o social inglesa para se \u00abexplicarem\u00bb (Telegraph, 19.5.13). S\u00e3o os que diariamente bombardeavam com morteiros alvos civis na Alepo n\u00e3o ocupada e chacinam a comunidade crist\u00e3 s\u00edria (como relata a mission\u00e1ria cat\u00f3lica argentina Ma. Guadalupe, que viveu estes quatro anos em Alepo; <a href=\"http:\/\/observador.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/observador.pt&amp;source=gmail&amp;ust=1482977386007000&amp;usg=AFQjCNGPRt70cEKjpmrNe6CDBZEjgShSxA\">observador.pt<\/a>, 25.2.16). S\u00e3o os mercen\u00e1rios cujos sal\u00e1rios s\u00e3o pagos pelas petro-ditaduras do Golfo (<i>ABC News ou Times of Israel<\/i>, 1.4.12), conhecidas e intransigentes defensoras da democracia e dos direitos dos povos\u2026 E pelo Pent\u00e1gono (<i>NY Times,<\/i> 18.9.14 ou Reuters, 22.6.15).<\/p>\n<p>O sofrimento do povo de Alepo foi real. Nos dois lados da cidade, e n\u00e3o apenas a Leste. Foi porque o imperialismo (dos EUA e da UE) optou desde o in\u00edcio pela militariza\u00e7\u00e3o dos protestos de 2011, armando e financiando bandos terroristas para efetuar a \u2018mudan\u00e7a de regime\u2019 tantas vezes exigida publicamente pelos Obama\/Clinton, Hollande, Cameron e companhia. A guerra na S\u00edria n\u00e3o \u00e9 \u2018civil\u2019. \u00c9 uma guerra de agress\u00e3o externa, que visa destruir e fragmentar o pa\u00eds, para melhor controlar os enormes recursos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada disto \u00e9 novo. Em 1957<i> \u00abHarold MacMillan [PM ingl\u00eas] e o presidente [dos EUA] Dwight Eisenhower aprovaram um plano [dos seus servi\u00e7os secretos] CIA-MI6 para encenar falsos incidentes, como pretexto para uma invas\u00e3o da S\u00edria pelos seus vizinhos pr\u00f3-ocidentais\u00bb, <\/i>conforme documentos oficiais descobertos em 2003 (Guardian, 27.9.03). At\u00e9 a linguagem parece actual: \u00ab<i>O plano prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o dum \u2018Comit\u00e9 da S\u00edria Livre\u2019 e o armamento de \u2018fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com capacidades paramilitares [\u2026] \u2018 dentro da S\u00edria. A CIA e o MI6 instigariam levantamentos internos\u00bb<\/i>. O imperialismo nunca aceitou de bom grado a liberta\u00e7\u00e3o dos povos. Em maio de 1945, no preciso m\u00eas em que terminava a II Guerra Mundial,<i> \u00abtropas francesas ocuparam o edif\u00edcio do Parlamento s\u00edrio em Damasco, no qual entraram ap\u00f3s rebentar com o port\u00e3o a tiros de artilharia, de acordo com o correspondente da British United Press. [\u2026] avi\u00f5es franceses deixaram cair v\u00e1rias bombas sobre Damasco e tropas francesas metralharam v\u00e1rias ruas [da cidade]\u00bb (Sydney Morning Herald, <\/i>31.5.45). Tudo isto para impedir que, ap\u00f3s 400 anos de domina\u00e7\u00e3o turco-otomana e um quarto de s\u00e9culo de coloniza\u00e7\u00e3o francesa, o povo s\u00edrio alcan\u00e7asse a sua independ\u00eancia. Tudo isto, poucos meses ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o de Paris da ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3.<br \/>\nA histeria \u00e9 grande, porque a derrota do imperialismo em Alepo \u00e9 pesada. O Embaixador s\u00edrio na ONU diz que agentes dos servi\u00e7os secretos dos EUA, Israel, Ar\u00e1bia Saudita, Catar, Turquia, Marrocos e Jord\u00e2nia est\u00e3o cercados em Alepo. A histeria \u00e9 tamb\u00e9m porque os dirigentes imperialistas sabem que, cada vez mais, est\u00e3o a perder o controle ideol\u00f3gico sobre os povos. Como ainda h\u00e1 poucos dias ficou patente na sua derrota (mais uma) no referendo que visava alterar a Constitui\u00e7\u00e3o italiana. O que torna leg\u00edtima a pergunta: o que fazem o BE e outras for\u00e7as que se proclamam de esquerda, levando \u00e1gua ao moinho das campanhas propagand\u00edsticas que tentam \u2018legitimar\u2019 as guerras imperialistas? J\u00e1 foi assim aquando da guerra \u00e0 L\u00edbia. N\u00e3o aprendem? Ou n\u00e3o querem aprender?<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado no \u201cAvante!\u201d n\u00ba 2247, 22.12.2016<\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/histeria\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jorge Cadima A hist\u00e9rica campanha em torno da liberta\u00e7\u00e3o de Alepo \u00e9 elucidativa. 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