{"id":13079,"date":"2021-07-31T12:00:36","date_gmt":"2021-07-31T15:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13079"},"modified":"2021-07-31T22:50:04","modified_gmt":"2021-08-01T01:50:04","slug":"monumentos-apagamento-da-memoria-e-resgate-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13079","title":{"rendered":"Monumentos, apagamento da mem\u00f3ria e resgate da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pbs.twimg.com\/media\/E7Oj3N4XsAEXNDL.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Luis Barbosa e Rafael Ayres &#8211; Coletivo Cultural Vianinha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>A est\u00e1tua de Borba Gato, localizada na zona sul de S\u00e3o Paulo, foi queimada em uma a\u00e7\u00e3o do movimento Revolu\u00e7\u00e3o Perif\u00e9rica. E com essa a\u00e7\u00e3o, mais uma vez se reabre a discuss\u00e3o sobre a presen\u00e7a desses monumentos nos espa\u00e7os p\u00fablicos. E exigem que n\u00f3s, comunistas, reflitamos e nos posicionemos sobre o assunto. Afinal, tamb\u00e9m os espa\u00e7os p\u00fablicos brasileiros est\u00e3o repletos de est\u00e1tuas e monumentos que homenageiam escravistas, genocidas e ditadores. Assim, propomos aqui uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia desses monumentos \u2013 e sobre a necessidade de derrub\u00e1-los.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da constru\u00e7\u00e3o de monumentos \u00e9 antiqu\u00edssima, remonta aos prim\u00f3rdios da hist\u00f3ria humana. Um monumento \u00e9, via de regra, uma homenagem, por meio de objetos e\/ou constru\u00e7\u00f5es dispostos em espa\u00e7os p\u00fablicos &#8211; bustos, est\u00e1tuas, memoriais, obeliscos etc. &#8211; a determinadas personagens hist\u00f3ricas (sejam elas personalidades ou representa\u00e7\u00f5es de um povo em um determinado acontecimento hist\u00f3rico). Impl\u00edcita ou explicitamente, essas homenagens existem para criar, fortalecer e\/ou substituir a mem\u00f3ria coletiva de uma determinada popula\u00e7\u00e3o. Mem\u00f3ria essa que serve como um dos alicerces da cria\u00e7\u00e3o da cultura de uma regi\u00e3o ou povo, integrada com suas outras manifesta\u00e7\u00f5es imateriais (como a produ\u00e7\u00e3o intelectual e art\u00edstica).<\/p>\n<p>No caso brasileiro, a constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas e monumentos come\u00e7a a intensificar-se com a Rep\u00fablica Velha, seguindo os passos de Paris da Terceira Rep\u00fablica Francesa, na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Na capital Rio de Janeiro, foram erigidos monumentos para homenagear os articuladores do novo regime republicano (Benjamin Constant, Marechal Deodoro, entre outros). J\u00e1 em S\u00e3o Paulo \u2013 onde iremos focar nossa an\u00e1lise \u2013 a constru\u00e7\u00e3o foi um pouco diferente, considerando outros elementos formadores da mem\u00f3ria coletiva e de uma identidade paulista.<\/p>\n<p>Curiosamente, os dois maiores monumentos em S\u00e3o Paulo durante a Rep\u00fablica Velha (que contou com tr\u00eas presidentes paulistas) n\u00e3o faziam alus\u00e3o ao regime republicano. Gl\u00f3ria Imortal aos fundadores de S\u00e3o Paulo (concebido em 1913 e erguido em 1925), hoje situada no P\u00e1tio do Col\u00e9gio (marco zero da cidade) homenageia os fundadores (leia-se, os jesu\u00edtas) da vila de S\u00e3o Paulo de Piratininga. O outro monumento \u00e9 o Monumento \u00e0 Independ\u00eancia (1893), nas margens do riacho Ipiranga. A elite paulista, majoritariamente cafeeira na virada do s\u00e9culo XX, entendia que era necess\u00e1rio ressaltar o papel da cidade no desenvolvimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico do pa\u00eds. A figura ideal para transmitir a imagem desejada pela elite foi ent\u00e3o escolhida: o bandeirante.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que a elite se apressava em destruir as antigas constru\u00e7\u00f5es de taipa da cidade, para substituir por uma nova modernidade compat\u00edvel com a \u201clocomotiva do pa\u00eds\u201d, foi-se buscando uma genealogia que demonstrasse que a ancestralidade da elite estava ligada \u00e0 miscigena\u00e7\u00e3o dos bravos bandeirantes e os ind\u00edgenas (principalmente os tapuias) dos s\u00e9culos XVI, XVII e XVIII. Ali\u00e1s, essa dualidade entre modernidade e tradicionalidade \u00e9 bem forte na elite paulista. Basta pensarmos na celebra\u00e7\u00e3o dos 400 anos da cidade, em 1954.<\/p>\n<p>Mas voltaremos a isso depois. Essa ancestralidade, que ignorava a popula\u00e7\u00e3o negra, tamb\u00e9m come\u00e7a a incorporar o elemento da imigra\u00e7\u00e3o branca, principalmente italiana (a fam\u00edlia Matarazzo, por exemplo). Os italianos tiveram papel fundamental na cria\u00e7\u00e3o destes monumentos para enaltecer o ideal paulista: foi um italiano que fez o j\u00e1 mencionado Gl\u00f3ria Imortal aos fundadores de S\u00e3o Paulo, e foi outro escultor que realizou a est\u00e1tua de Anhanguera, hoje situada na Avenida Paulista, na frente do parque Trianon, e por fim, temos Victor Brecheret. Bom lembrar que, se da imigra\u00e7\u00e3o italiana veio mais tradicionalismo alinhado com a elite (italianos que enriqueceram no Brasil, com est\u00edmulo do governo \u2013 e que dialogavam com o fascismo italiano), ela tamb\u00e9m trouxe o pensamento anarquista que desembocou na greve de 1917 e na posterior funda\u00e7\u00e3o do PCB, em 1922.<\/p>\n<p>O \u00e1pice do movimento duplo entre a gl\u00f3ria bandeirante e a modernidade econ\u00f4mica (gradualmente substitu\u00edda do caf\u00e9 para o com\u00e9rcio e a produ\u00e7\u00e3o fabril) chega com a cria\u00e7\u00e3o do complexo do Ibirapuera (1954) \u2013 parte das celebra\u00e7\u00f5es dos 400 anos da funda\u00e7\u00e3o da cidade &#8211; s\u00edntese dessa concilia\u00e7\u00e3o de aparentes contradi\u00e7\u00f5es. Temos o Monumento \u00e0s Bandeiras, de Victor Brecheret, ao lado do Parque do Ibirapuera, de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, que demonstrava o mais moderno desenho urbano e arquitet\u00f4nico da d\u00e9cada de 50. A partir deste momento, grande parte da monumentalidade da cidade est\u00e1 consolidada (principalmente na sua \u00e1rea central), assim como a mem\u00f3ria coletiva idealizada pela burguesia local.<\/p>\n<p>O historiador Jacques Le Goff coloca, em seu livro Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria (1990) que a mem\u00f3ria coletiva \u00e9 n\u00e3o somente uma conquista, \u00e9 tamb\u00e9m um objeto de poder. Ou seja, a consolida\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva pela elite paulista \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de seu projeto de poder, projeto de poder de uma burguesia dependente do capital externo. A ideologia trazida pela elite, atrav\u00e9s de seus monumentos, nos revelam que cultura e qual vers\u00e3o da hist\u00f3ria est\u00e3o sendo preservadas e cultuadas: a hist\u00f3ria dos colonizadores e de seus sucessores, uma cultura racista, elitista e antipopular. Essas defer\u00eancias estiveram quase sempre ligadas a pretextos de constru\u00e7\u00e3o de uma ideia de na\u00e7\u00e3o brasileira. Exaltando figuras importantes do nosso passado colonial, de nossa longa hist\u00f3ria escravagista ou de nossas experi\u00eancias de opress\u00e3o e ditadura, o que se pretende, h\u00e1 muito, \u00e9 construir uma narrativa de unidade que exclui os oprimidos \u2013 mulheres, ind\u00edgenas, negros -, alijados do poder de reverenciar sua hist\u00f3ria e personagens \u2013 basta ver o que vem acontecendo nos \u00faltimos anos com a Funda\u00e7\u00e3o Palmares[1].<\/p>\n<p>J\u00e1 houve quem viesse a p\u00fablico defender as est\u00e1tuas, sob o argumento de que colocar abaixo as est\u00e1tuas n\u00e3o combinaria com a era de toler\u00e2ncia e fim de discrimina\u00e7\u00f5es pela qual lutam os manifestantes. No entanto, como bem disse Walter Benjamin em suas \u201cTeses sobre o Conceito de Hist\u00f3ria\u201d: Nunca h\u00e1 um documento da cultura que n\u00e3o seja, ao mesmo tempo, um documento da barb\u00e1rie. Estes monumentos trazem consigo justamente a mem\u00f3ria das barb\u00e1ries por eles cometidas. O monumento, na sua tentativa de glorificar e criar um her\u00f3i, esconde a barb\u00e1rie que foi cometida. Ora, como glorificar como \u201cher\u00f3i\u201d algu\u00e9m que que passou a vida a escravizar e assassinar ind\u00edgenas, como o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o Anhanguera, assim chamado pelos ind\u00edgenas por sua fama de assassino (apelido herdado do pai, Anhanguera, em tupi, significa, diabo velho)? Devemos continuar coniventes com os desejos est\u00e9tico-culturais de uma elite que evoca entre suas gl\u00f3rias o assassinato de povos ind\u00edgenas e a escravid\u00e3o, e que nos explora at\u00e9 hoje?<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que o passado \u00e9 morto, e o monumento persiste apenas como mem\u00f3ria deste passado, instrumento pedag\u00f3gico para a nossa e para as futuras gera\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1? O mesmo Benjamin objetou que \u201cassim como ele (o documento de cultura, o monumento) n\u00e3o est\u00e1 livre da barb\u00e1rie, n\u00e3o o est\u00e1 o processo de sua transmiss\u00e3o, transmiss\u00e3o na qual ele passou de um vencedor a outro\u201d. Assim, n\u00e3o \u00e9 apenas no erigir uma est\u00e1tua que reside a quest\u00e3o, mas tamb\u00e9m nos motivos que nos levam a preserv\u00e1-la, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. A est\u00e1tua de Borba Gato foi constru\u00edda para celebrar o IV Centen\u00e1rio de Santo Amaro (o munic\u00edpio foi anexado \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo em 1935), em 1963. O primeiro registro de ocupa\u00e7\u00e3o do antigo munic\u00edpio, a aldeia tupiniquim Jerubatuba, data do s\u00e9culo XVI. Seu l\u00edder era Caiubi, irm\u00e3o do c\u00e9lebre Tibiri\u00e7\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 est\u00e1tuas de nenhum dos dois na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma est\u00e1tua n\u00e3o \u00e9 apenas sua mat\u00e9ria. \u00c9 um s\u00edmbolo. Sua fun\u00e7\u00e3o, portanto, como descrito anteriormente, \u00e9 remeter a ideia e valores, caros, sen\u00e3o ao povo que o elabora e transmite no tempo, \u00e0queles que tomaram o poder e o direito de contar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o da hist\u00f3ria. O bras\u00e3o de armas da Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 composto por uma figura de um bandeirante em posi\u00e7\u00e3o de sentido. As estrelas do bras\u00e3o remetem a marcos hist\u00f3rico da corpora\u00e7\u00e3o, entre eles a repress\u00e3o das greves de 1917 (10a estrela), a repress\u00e3o \u00e0 Guerra de Canudos (8a estrela) e a \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d de mar\u00e7o de 1964 \u2013 sim, homenagem \u00e0 ditadura civil-militar (18a Estrela)[2]. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender os porqu\u00eas desta simbologia, sabemos a quem a PM serve e o que a PM protege.<\/p>\n<p>Como defensores de uma cultura popular e militantes na luta pela cria\u00e7\u00e3o do poder popular, entendemos que \u00e9 nossa fun\u00e7\u00e3o expor as barb\u00e1ries cometidas por estes \u201cher\u00f3is\u201d contra as popula\u00e7\u00f5es que ainda sofrem a continuidade do genoc\u00eddio iniciado com a chegada dos portugueses em 1500 e, paralelamente, s\u00e3o v\u00edtimas de um verdadeiro \u201cepistemic\u00eddio\u201d \u2013 a homenagem a essas figuras question\u00e1veis \u00e9 o apagamento das culturas oprimidas, para al\u00e9m da crueldade que \u00e9 conviver com imagens dos seus opressores espalhados pelo pa\u00eds. A pr\u00f3pria normaliza\u00e7\u00e3o destes monumentos \u2013 \u201cest\u00e1tuas incorporadas na paisagem, ningu\u00e9m presta aten\u00e7\u00e3o\u201d, disseram alguns artistas \u2013 \u00e9 mais um sinal de como a burguesia acolhe e mistifica a barb\u00e1rie diariamente infligida aos trabalhadores.<\/p>\n<p>A luta pela constru\u00e7\u00e3o do poder popular passa pela retomada de nossa hist\u00f3ria e de nossa cultura. \u00c9 preciso travar abertamente essa guerra de narrativas, especialmente contra a extrema direita e seu revisionismo tosco. Mas tamb\u00e9m contra uma certa centro-esquerda liberal, que, numa suposta defesa da pluralidade e dos direitos humanos, insiste em espalhar um anticomunismo, provando que n\u00e3o estudou a hist\u00f3ria do nazifascismo do s\u00e9culo XX. \u00c9 uma luta \u00e1rdua, que deve ser travada, mesmo contra os grupos que, eventualmente, tornam-se nossos aliados t\u00e1ticos em momentos espec\u00edficos. Mas n\u00e3o nos enganemos: s\u00e3o reformistas que permitem a supress\u00e3o de nossa hist\u00f3ria e cultura sob o ide\u00e1rio de uma \u201cdiversidade\u201d liberal, controlado pelo estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Retornemos a Benjamin e recordemos seu aviso de que o \u201cperigo amea\u00e7a tanto o conte\u00fado dado da tradi\u00e7\u00e3o quanto seus destinat\u00e1rios. Para ambos o perigo \u00e9 \u00fanico e o mesmo: deixar-se transformar em instrumento da classe dominante\u201d. Abdicar da luta contra esses s\u00edmbolos expl\u00edcitos da opress\u00e3o, portanto, \u00e9 abdicar da nossa pr\u00f3pria cultura e de nosso hist\u00f3rico de lutas. N\u00e3o podemos permitir o apagamento de nossa mem\u00f3ria. N\u00e3o podemos deixar que nossas lutas se tornem t\u00e3o somente entretenimento para a classe dominante. Como diz Le Goff, devemos trabalhar de forma que a mem\u00f3ria coletiva sirva para a liberta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para a servid\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p>E, finalmente, deixar nas m\u00e3os do Estado Burgu\u00eas a decis\u00e3o sobre a remo\u00e7\u00e3o das est\u00e1tuas \u00e9 pedir para bloquear a vontade e a a\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos no resgate de sua mem\u00f3ria. O Estado, tal qual como \u00e9 ele constitu\u00eddo dentro da democracia liberal, \u00e9 insuficiente para lidar com o simbolismo (e porque n\u00e3o, a libido) desta quest\u00e3o. Marx j\u00e1 falava, na Quest\u00e3o Judaica (1843) que &#8220;O Estado pol\u00edtico acabado \u00e9, pela pr\u00f3pria ess\u00eancia, a vida gen\u00e9rica do homem em oposi\u00e7\u00e3o a sua vida material. Todas as premissas desta vida ego\u00edsta permanecem de p\u00e9 \u00e0 margem da esfera estatal, na sociedade civil, por\u00e9m, como qualidade desta. (\u2026) no Estado, onde o homem \u00e9 considerado como um ser gen\u00e9rico, ele \u00e9 o membro imagin\u00e1rio de uma soberania imagin\u00e1ria, acha-se despojado de sua vida individual real e dotado de uma generalidade irreal. \u00c9 certo que, com o Estado efetuando a remo\u00e7\u00e3o das est\u00e1tuas (caso aprovado pela tecnocracia contida dentro dele), a fa\u00edsca da revolta e da mudan\u00e7a \u00e9 subitamente censurada e domesticada por este Estado, agindo no nome da sociedade abstrata, sob forma de \u201cconcess\u00e3o ao povo\u201d. Os oprimidos devem exercer papel de lideran\u00e7a fundamental \u2013 e, dir\u00edamos, cat\u00e1rtico \u2013 na derrubada desses monumentos que representam o descaso com nossa cultura.<\/p>\n<p>Inspiremos-nos nas manifesta\u00e7\u00f5es de agora, nas manifesta\u00e7\u00f5es do passado, em todo o hist\u00f3rico de lutas da classe trabalhadora e dos povos oprimidos. Inspiremos-nos na derrubada da est\u00e1tua de Napole\u00e3o na Pra\u00e7a de Vend\u00f4me, durante a Comuna de Paris. Sejamos agora os criadores de nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>[1] A Funda\u00e7\u00e3o Palmares, criada para \u201cpromover a preserva\u00e7\u00e3o dos valores culturais, sociais e econ\u00f4micos decorrentes da influ\u00eancia negra na forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira\u201d vem sofrendo diversos ataques desde a nomea\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Camargo para sua presid\u00eancia. Repetidamente, o novo presidente da Funda\u00e7\u00e3o tem desqualificado o movimento negro, tentando remover conquistas hist\u00f3ricas como as cotas raciais para ingresso nas universidades p\u00fablicas ou a recusa de celebrar o Dia da Consci\u00eancia Negra. Esta tentativa de apagamento presta servi\u00e7o a uma ideologia reacion\u00e1ria e obsoleta, que insiste em construir o mito da \u201cna\u00e7\u00e3o brasileira\u201d como uma identidade homog\u00eanea.<\/p>\n<p>[2] (https:\/\/www.policiamilitar.sp.gov.br\/institucional\/brasao-de-armas#:~:text=O%20br1as%C3%A3o%20de%20armas%20da,verticais%20e%20horizontais%2C%20as%20cores)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13079\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13],"tags":[224],"class_list":["post-13079","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3oX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13079\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}