{"id":13104,"date":"2017-01-03T09:43:44","date_gmt":"2017-01-03T12:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13104"},"modified":"2017-01-16T11:33:56","modified_gmt":"2017-01-16T14:33:56","slug":"numero-de-homicidios-de-pessoas-lgbt-pode-ser-recorde-em-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13104","title":{"rendered":"N\u00famero de homic\u00eddios de pessoas LGBT pode ser recorde em 2016"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/eSwu2zUvfr9VlGlLoQZTLISGasYtaYxq3bD2vrl4pLZMjz7SppdLFEFZ3OnJ3HMJIusUOUijdnaRRIt16G3Ad_HDSBsuhLYGiVNxHM0dAkNuijZOsw=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm1.staticflickr.com\/742\/31169945673_9a4719b7a7_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><b>A tend\u00eancia \u00e9 revelada pelo Grupo Gay da Bahia, que anualmente elabora o Relat\u00f3rio de Assassinatos LGBT no Brasil.<\/b><\/p>\n<p>D\u00e9bora Brito<!--more--><\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil , 30 de Dezembro de 2016<\/p>\n<p>O n\u00famero de homic\u00eddios de pessoas gays, l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais deve crescer em 2016 e superar as ocorr\u00eancias dos \u00faltimos anos. A tend\u00eancia \u00e9 revelada pelo Grupo Gay da Bahia,\u00a0 que anualmente elabora o Relat\u00f3rio de Assassinatos LGBT no Brasil. Dados preliminares do levantamento apontam que o ano deve ser fechado com o total aproximado de 340 mortes, maior n\u00famero registrado nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201cNo ano passado (2015), foram 318 mortes. At\u00e9 agora, estamos com 329 mortes, mas temos alguns casos aguardando confirma\u00e7\u00e3o e o ano deve ser fechado com aproximadamente 340 mortes. Em 36 anos que monitoro os dados, nunca chegamos a esse n\u00famero\u201d, afirmou Luiz Mott, antrop\u00f3logo fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB).<\/p>\n<p>Segundo ele, o aumento se deve a v\u00e1rios fatores, como a coleta mais sistematizada de informa\u00e7\u00f5es e a rea\u00e7\u00e3o conservadora ao maior n\u00famero de pessoas que vem assumindo sua condi\u00e7\u00e3o sexual. \u201cHoje, tem mais homossexuais e trans saindo do arm\u00e1rio por causa das paradas gays e outras campanhas; e isso os deixa mais expostos a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, o que levou ao aumento generalizado de crimes\u201d, explicou Mott.<\/p>\n<p>O estudo mostra que a maior parte das mortes (195) ocorreu em via p\u00fablica, por tiros (92), facadas (82), asfixia (40) e espancamento (25), entre outras causas violentas. O assassinato de gays lidera a lista com 162 casos, seguido dos travestis (80), transexuais femininas (50) e transexuais masculinas (13). A institui\u00e7\u00e3o recebe informa\u00e7\u00f5es das mortes por outras entidades, por familiares e amigos das v\u00edtimas, mas a principal fonte da base de dados s\u00e3o os casos divulgados pela imprensa. O levantamento \u00e9 reconhecido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos.<\/p>\n<p>A subnotifica\u00e7\u00e3o das mortes ainda \u00e9 um desafio para as entidades que monitoram o problema. Mas, s\u00f3 pelos resultados do \u00faltimo relat\u00f3rio, a ONG constatou que uma pessoa LGBT morre a cada 28 horas no Brasil. E se a tend\u00eancia de aumento se confirmar, o intervalo pode cair para 24 horas. \u201c\u00c9 apenas a ponta do iceberg, porque muitos s\u00e3o assassinados e as testemunhas escondem\u201d, disse Mott.<\/p>\n<p>Nordeste lidera<\/p>\n<p>O estudo mostra que a lideran\u00e7a dos casos nos \u00faltimos anos \u00e9 do Nordeste, mas outras regi\u00f5es tem despontado com casos graves. \u201cAtribuo isso ao conservadorismo e \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o. A surpresa deste ano \u00e9 o estado do Amazonas, que registrou at\u00e9 o momento 29 mortes. Proporcionalmente, o dado \u00e9 chocante, embora S\u00e3o Paulo sempre registre o maior n\u00famero absoluto\u201d, disse Mott.<\/p>\n<p>Entre os casos contabilizados, est\u00e1 a morte recente do ambulante Lu\u00eds Carlos Ruas, espancado na noite de Natal por dois homens, numa esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 em S\u00e3o Paulo, ao defender moradores de rua e travestis. O GGB configurou o ataque como um crime LGBTf\u00f3bico. Apesar de se tratar da morte de um heterossexual, de modo indireto \u201cn\u00e3o deixa de ter tamb\u00e9m um crime LGBTf\u00f3bico. Afinal, a confus\u00e3o come\u00e7ou pela defesa de uma travesti\u201d, explicou Agatha Lima, integrante do Conselho LGBT de S\u00e3o Paulo e da Associa\u00e7\u00e3o de Transexuais, Travestis, Transg\u00eaneros.<\/p>\n<p>Cerca de \u201c99% dos crimes contra LGBTs tem como agravante a intoler\u00e2ncia, al\u00e9m da vulnerabilidade de grupos como os travestis, que geralmente est\u00e3o nas ruas em condi\u00e7\u00f5es mais marginalizadas, envolvidas com prostitui\u00e7\u00e3o e uso de drogas devido \u00e0 exclus\u00e3o sofrida em outros espa\u00e7os da sociedade\u201d, explicou Mott. A opini\u00e3o \u00e9 compartilhada por outras organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos das pessoas Trans, que engloba homens e mulheres transexuais e travestis.<\/p>\n<p>L\u00edder mundial<\/p>\n<p>O alto \u00edndice de viol\u00eancia levou o Brasil \u00e0 lideran\u00e7a do ranking mundial de assassinatos de pessoas transexuais em 2016. Das 295 mortes de transexuais registradas at\u00e9 setembro deste ano em 33 pa\u00edses, 123 ocorreram no Brasil, de acordo com dados divulgados em novembro pela ONG Transgender Europe. O M\u00e9xico, os Estados Unidos, a Col\u00f4mbia e a Venezuela seguem o Brasil em n\u00fameros absolutos do ranking de mortes de transexuais.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio europeu mostra que, de janeiro de 2008 a setembro de 2016, foram registradas 2264 mortes de transexuais e transg\u00eaneros em 68 pa\u00edses. Nos oito anos da pesquisa, o Brasil contabilizou 900 do total dos casos, o maior n\u00famero absoluto da lista. \u201cH\u00e1 d\u00e9cadas o Brasil \u00e9 campe\u00e3o mundial nos crimes contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT. Comparativamente aos EUA, por exemplo, matamos de 30 a 40 LGBTs por m\u00eas, enquanto que l\u00e1 morrem 20 por ano. O principal motivo \u00e9 a LGBTfobia individual e cultural, que incrementa os crimes letais no nosso pa\u00eds\u201d, diz Mott.<\/p>\n<p>A conselheira Agatha Lima, disse que as associa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dialogando com a ONU sobre essa quest\u00e3o. \u201cEm primeiro lugar, isso \u00e9 um absurdo. Em segundo lugar, ao mesmo tempo que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata, \u00e9 tamb\u00e9m o que tem a maior clientela para os profissionais do sexo trans. No pa\u00eds inteiro, existem 1,4 milh\u00e3o pessoas trans, e 90% delas vivem do mercado do sexo, por causa da exclus\u00e3o e do preconceito que sofrem no mercado de trabalho formal, em casa e nas escolas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: \u00daltimo relat\u00f3rio do Grupo Gay da Bahia constatou que uma pessoa LGBT morre a cada 28 horas no Brasil. Elza Fiuza. Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2016-12\/numero-de-homicidios-de-pessoas-lgbt-pode-ser-recorde-em-2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A tend\u00eancia \u00e9 revelada pelo Grupo Gay da Bahia, que anualmente elabora o Relat\u00f3rio de Assassinatos LGBT no Brasil. 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