{"id":13136,"date":"2017-01-06T23:56:37","date_gmt":"2017-01-07T02:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13136"},"modified":"2017-01-23T18:54:30","modified_gmt":"2017-01-23T21:54:30","slug":"o-trabalho-escravo-e-uma-realidade-invisivel-afirma-coordenador-da-cpt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13136","title":{"rendered":"\u201cO trabalho escravo \u00e9 uma realidade invis\u00edvel\u201d, afirma coordenador da CPT"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/tJ5O60En2smx0B53vWMwIK2OlEJQIG1iYvkQ2SNQdGpMyjlf3gthP-L9HNO_mF33ud-IphSes_oDEX7cs2vcvhTZkRbXzqXPxPRR6lmKbgdnqJScbA=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm1.staticflickr.com\/769\/32081735856_b21c0694b6_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/>N\u00famero de den\u00fancias no Par\u00e1 em 2016 \u00e9 menor, mas para Frei Plassat, pr\u00e1tica &#8220;s\u00f3 \u00e9 vis\u00edvel quando denunciada&#8221;<\/p>\n<p>Lilian Campelo<!--more--><\/p>\n<p>Brasil de Fato | Bel\u00e9m (PA)<\/p>\n<p>O Par\u00e1 n\u00e3o lidera mais as den\u00fancias de trabalho escravo, mas continua presente nas estat\u00edsticas. Segundo dados da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), com base nas den\u00fancias recebidas pela entidade, em 2016, os estados com maior n\u00famero de casos foram: Bahia (14), Minas Gerais. O Par\u00e1 aparece logo em seguida, com 13 registros.<\/p>\n<p>O n\u00famero de casos registrados no pa\u00eds tamb\u00e9m caiu. No \u00faltimo ano foram contabilizados 98 casos e 718 pessoas libertadas. J\u00e1 em 2015 foram registradas 120 den\u00fancias e 895 trabalhadores sa\u00edram das condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o contempor\u00e2nea. A Amaz\u00f4nia Legal continua sendo palco de 44% das den\u00fancias e as dimens\u00f5es geogr\u00e1ficas contribuem para tornar invis\u00edvel o crime.<\/p>\n<p>A pecu\u00e1ria segue como a atividade que mais apresenta den\u00fancias de trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevista ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>, o Frei Jean Marie Xavier Plassat, coordenador da Campanha contra o Trabalho Escravo na CPT, explica que os n\u00fameros de crime de escravid\u00e3o contempor\u00e2nea v\u00eam diminuindo no Par\u00e1, mas isso n\u00e3o significa que a pr\u00e1tica n\u00e3o exista mais. Ele acredita que a crise mundial possa ter afetado os setores que utilizavam o trabalho escravo, concentrados em 70% dos casos, em setores de atividades rurais.<\/p>\n<p>\u201cA crise no setor sider\u00fargico, a mecaniza\u00e7\u00e3o na pecu\u00e1ria e tamb\u00e9m a atra\u00e7\u00e3o maior dos grandes projetos para a constru\u00e7\u00e3o civil, podem explicar que ele tenha diminu\u00eddo. Hoje, o desmatamento \u00e9 cir\u00fargico, onde voc\u00ea vai atr\u00e1s de esp\u00e9cies raras que tem um alto pre\u00e7o no mercado mundial\u201d, afirma Plassat.<\/p>\n<p>O Frei comenta ainda a recente divulga\u00e7\u00e3o de que o Brasil \u00e9 o primeiro pa\u00eds condenado pela OEA por trabalho escravo. \u201cEssa decis\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica e n\u00e3o \u00e9 muito comentada por ter sido divulgada na segunda quinzena de dezembro (2016). Ela \u00e9 fundamental porque vai lembrar que o pa\u00eds est\u00e1 sendo monitorado pela comunidade internacional e n\u00e3o pode, como o governo e a bancada ruralista est\u00e3o tentando fazer, jogar no lixo toda a pol\u00edtica de combate ao trabalho escravo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Confira a entrevista:<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: Por que o Par\u00e1 continua sendo um dos estados com mais den\u00fancias de trabalho an\u00e1logo a escravid\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Xavier Plassat<\/strong>: N\u00e3o \u00e9 bem verdadeiro que o Par\u00e1 que seja sempre o campe\u00e3o, ele foi ultrapassado em algumas vezes nos \u00faltimos anos at\u00e9 pelo Rio de Janeiro e mais constantemente por Minas Gerais. A quest\u00e3o \u00e9 que o Par\u00e1 tem sido, por muitos anos, l\u00edder do trabalho escravo. Na verdade, a gente n\u00e3o pode confiar exclusivamente no que mostra a estat\u00edstica, que o trabalho escravo \u00e9 uma realidade invis\u00edvel. Ela s\u00f3 chega a ser vis\u00edvel quando \u00e9 fiscalizada ou denunciada, portanto a gente sempre deve pensar que o que estamos vendo nos n\u00fameros \u00e9 o que os n\u00fameros conseguiram pegar na realidade.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, a regi\u00e3o pode ter casos ainda n\u00e3o revelados?<\/strong><\/p>\n<p>Justamente, o Par\u00e1 tem essa caracter\u00edstica de ser t\u00e3o imenso e t\u00e3o inacess\u00edvel que a gente muitas vezes duvida que os n\u00fameros representam a realidade. Por exemplo, o desmatamento hoje n\u00e3o assume as formas antigas, com corrent\u00f5es vis\u00edveis a olho nu, ou pelo sat\u00e9lite. A extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira se faz de forma extremamente escondida em reservas ambientais, \u00e1reas protegidas, \u00e1reas ind\u00edgenas. L\u00e1 na regi\u00e3o da BR-163, onde voc\u00ea n\u00e3o tem acesso, n\u00e3o tem como denunciar, n\u00e3o tem como fazer isso sem correr riscos, porque tem crime organizado. Ent\u00e3o muitos fatores concorrem para nos esconder a dimens\u00e3o exata do trabalho escravo no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Mas o mesmo se pode dizer de Rond\u00f4nia e Amazonas, nesses estados onde o acesso \u00e9 complicado e onde o crime muitas vezes se perpetra de maneira absolutamente escondida. Porque o trabalho escravo, principalmente nas atividades que fazem girar a economia paraense, \u00e9 um recurso muito pr\u00e1tico para quem quer acumular, lucrar rapidamente: o desmatamento e a cria\u00e7\u00e3o de gado com todos os servi\u00e7os bra\u00e7ais que isso implicava.<\/p>\n<p><strong>Mas desde 2013, quando houve um registro de 37 casos identificados, esse n\u00famero tem diminu\u00eddo nos anos seguintes. Que elementos podemos apontar para explicar isso?<\/strong><\/p>\n<p>Para essa queda n\u00e3o temos uma explica\u00e7\u00e3o simples. \u00c9 poss\u00edvel que a quantidade de trabalhadores escravizados tenha realmente diminu\u00eddo ou que ela esteja muito mais escondida. Alguns fatores como a crise no setor sider\u00fargico, a mecaniza\u00e7\u00e3o na pecu\u00e1ria e tamb\u00e9m a atra\u00e7\u00e3o maior dos grandes projetos para a constru\u00e7\u00e3o civil, podem explicar que ele tenha diminu\u00eddo. Hoje, o desmatamento \u00e9 cir\u00fargico, onde voc\u00ea vai atr\u00e1s de esp\u00e9cies raras que tem um alto pre\u00e7o no mercado mundial.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o fatores que, nos \u00faltimos anos, t\u00eam retirado a lideran\u00e7a do Par\u00e1 no trabalho escravo. Cinco, seis anos atr\u00e1s era comum recebermos uma m\u00e9dia de 80, 90 den\u00fancias por ano. Nos \u00faltimos anos a m\u00e9dia caiu para 10, 15 por ano. N\u00e3o significa que o trabalho escravo n\u00e3o exista mais, mas ele est\u00e1 muito mais dif\u00edcil de detectar, em atividades onde tradicionalmente tinha preval\u00eancia.\u00a0 Vamos ver como fica quando terminarem essas obras e muita gente ficar\u00e1 sem alternativas e talvez retomem as atividades bra\u00e7ais na pecu\u00e1ria, como era antigamente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/0XlnUpnt-ju9Gj7zrz9P4yLef7P1B5hWgzsqSuPGhPNzMTNUfR6zkORJOhiCkWyw0UW6iHaeA5r3HV7fUWnK8GAMj9U-0yYGWsQquUNqCwTu24beSg=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm1.staticflickr.com\/757\/32003956261_fb591a1146_o.png\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p><strong>O Brasil foi o primeiro pa\u00eds a ser condenado pela Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos) por trabalho escravo contempor\u00e2neo, no caso da Fazenda Brasil Verde, localizada no sul do Par\u00e1. Como isso afeta a luta por condi\u00e7\u00f5es trabalhistas dignas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante citar isso porque essa decis\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica e n\u00e3o \u00e9 muito comentada por ter sido divulgada na segunda quinzena de dezembro (2016). Ela \u00e9 fundamental porque vai lembrar que o pa\u00eds est\u00e1 sendo monitorado pela comunidade internacional e n\u00e3o pode, como o governo e a bancada ruralista est\u00e3o tentando fazer, jogar no lixo toda a pol\u00edtica de combate ao trabalho escravo, as defini\u00e7\u00f5es do conceito legal do trabalho escravo, a lista suja que est\u00e1 bloqueada e v\u00e1rias tentativas que est\u00e3o sendo feitas para reduzir o impacto do combate ao trabalho escravo no Brasil.<\/p>\n<p><strong>E como segue atualmente a mobiliza\u00e7\u00e3o no combate ao trabalho escravo?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s estamos em constante mobiliza\u00e7\u00e3o. Essa onda de desconstru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de combate ao trabalho escravo j\u00e1 vem de alguns anos, mas ela adquiriu muito mais poder e apoio nas esferas do governo ultimamente. Digamos que a bancada que queria isso \u00e9 a que tomou o poder, ent\u00e3o n\u00f3s temos que estar muito mais vigilantes. Esse trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o sempre crescente, usando meios nacionais e internacionais, somado a essa senten\u00e7a do caso brasileiro, dizem ao governo brasileiro: cuidado, voc\u00ea est\u00e1 sendo observado e n\u00e3o pode jogar isso [a pol\u00edtica de combate ao trabalho escravo] no lixo porque isso tem sido fundamental e continua sendo.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 Eduardo Bernardes<\/em><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o principal: &#8220;Hoje, o desmatamento \u00e9 cir\u00fargico, onde voc\u00ea vai atr\u00e1s de esp\u00e9cies raras que tem um alto pre\u00e7o no mercado mundial\u201d, afirma Plassat. \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/05\/o-trabalho-escravo-e-uma-realidade-invisivel-afirma-coordenador-da-cpt\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00famero de den\u00fancias no Par\u00e1 em 2016 \u00e9 menor, mas para Frei Plassat, pr\u00e1tica &#8220;s\u00f3 \u00e9 vis\u00edvel quando denunciada&#8221; Lilian Campelo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13136\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-13136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3pS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}