{"id":13139,"date":"2017-01-07T00:01:51","date_gmt":"2017-01-07T03:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13139"},"modified":"2017-01-23T18:54:36","modified_gmt":"2017-01-23T21:54:36","slug":"sem-dialogo-reitoria-da-usp-cerca-sede-do-sindicato-dos-trabalhadores-com-grades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13139","title":{"rendered":"Sem di\u00e1logo, Reitoria da USP cerca sede do Sindicato dos Trabalhadores com grades"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/-XeC_NSv5oDN7Yxyj252xdGP-QDcVm_qmMn39_FOm7ax3AbuOOPNCfpkW6HDWP3jH22lHkEYWlWF3_QlrdwNRLQOVUF9jNzsfJB4qxqG-0E0I5K7tw=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm1.staticflickr.com\/694\/32085860466_7b21a8f5b5_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><strong>O governador Geraldo Alckmin diz que reintegra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dar\u00e1 sem di\u00e1logo; a\u00e7\u00f5es da Reitoria mostram o contr\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Mayara Paix\u00e3o<\/p>\n<p>Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP),<!--more--><\/p>\n<p>A Reitoria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) est\u00e1 construindo uma cerca no entorno do espa\u00e7o de conviv\u00eancia conhecido como &#8220;Prainha&#8221; onde, h\u00e1 cinco d\u00e9cadas, fica a sede do Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp). A a\u00e7\u00e3o, que foi tomada sem di\u00e1logo com estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, est\u00e1 sendo vista pela comunidade acad\u00eamica como mais uma amea\u00e7a ao sindicato, que se segue \u00e0 exist\u00eancia uma liminar de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, descoberta em dezembro \u00faltimo.<\/p>\n<p>No dia 21 de dezembro, membros do Sintusp amanheceram com funcion\u00e1rios de uma empresa terceirizada pela universidade cavando buracos e instalando cercas de metal no per\u00edmetro da Prainha, que fica atr\u00e1s do pr\u00e9dio da Reitoria. L\u00e1, tamb\u00e9m est\u00e1 o Centro Acad\u00eamico da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA) da USP, a Atl\u00e9tica do instituto, al\u00e9m de uma lanchonete.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de ter\u00e7a-feira (3), policiais militares compareceram ao local para garantir que a medida da Reitoria de cercar o espa\u00e7o fosse efetivada, o que foi caracterizado pelos trabalhadores ali presentes como uma pr\u00e1tica de \u201crepress\u00e3o psicol\u00f3gica\u201d. Nesta quarta (4), a maioria das cercas j\u00e1 estava colocada, a despeito dos protestos e das tentativas de di\u00e1logo por parte de trabalhadores e estudantes.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, ela [a Reitoria] est\u00e1 atacando o direito de todos os trabalhadores da Universidade de organiza\u00e7\u00e3o sindical, uma coisa que foi conquistada pela Constitui\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 tentando expulsar o Sindicato, enfraquecer a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e impedir a resist\u00eancia a todas as medidas que a Reitoria est\u00e1 levando adiante contra a categoria de trabalhadores da USP, a Universidade, a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade p\u00fablica, tirando creches, benef\u00edcios, atacando o ensino e a pesquisa\u201d, defendeu Bruno Gilga Rocha, membro do Sintusp, em transmiss\u00e3o ao vivo feita na p\u00e1gina do Facebook do sindicato.<\/p>\n<p><b><strong>Reintegra\u00e7\u00e3o de posse<\/strong><\/b><\/p>\n<p>Al\u00e9m do cercamento, o Sintusp tomou conhecimento, no dia 9 de dezembro, de uma liminar judicial para reintegra\u00e7\u00e3o de posse do local por via militar. Na \u00e9poca, a Diretoria da ECA \u2014 instituto que abriga a sede do Sindicato em seu espa\u00e7o f\u00edsico \u2014 emitiu nota declarando que n\u00e3o solicitou \u00e0 USP a desocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para efeito de uso acad\u00eamico do local.<\/p>\n<p>Frente aos \u00faltimos acontecimentos e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da cerca, a Diretoria divulgou outra nota oficial para seus alunos, dizendo que \u201creitera o posicionamento j\u00e1 aprovado pela Congrega\u00e7\u00e3o em defesa da manuten\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os hoje ocupados pelas entidades estudantis desta Escola\u201d.<\/p>\n<p>Depois de muito insistir, uma comiss\u00e3o constitu\u00edda por diretores do Sindicato conseguiu marcar uma reuni\u00e3o com a Reitoria no dia 23. O atual chefe de gabinete, Thiago Liporaci, afirmou aos trabalhadores que n\u00e3o era poss\u00edvel assumir qualquer compromisso com o cancelamento ou suspens\u00e3o da obra de cercamento e que o acesso ao espa\u00e7o do Sindicato ficar\u00e1 garantido somente at\u00e9 a pr\u00f3xima reuni\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o, que ocorrer\u00e1 dia 26 de janeiro no Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<\/p>\n<p>O governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin, quando abordado por trabalhadores do Sintusp na sa\u00edda do Instituto Butantan, na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira (3), disse que \u201cn\u00e3o vai ter reintegra\u00e7\u00e3o sem negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, a a\u00e7\u00e3o de cercear o acesso ao espa\u00e7o com uso de barreira f\u00edsica, sem di\u00e1logo pr\u00e9vio e em per\u00edodo de f\u00e9rias \u2014 quando a Universidade est\u00e1 esvaziada e a mobiliza\u00e7\u00e3o de seus setores se torna mais dif\u00edcil \u2014, tem sido vista pelos membros do sindicato como uma amea\u00e7a eminente de que seu espa\u00e7o seja retirado.<\/p>\n<p>Quando questionada sobre os motivos para o cercamento do espa\u00e7o e sobre como se dar\u00e1 a entrada de estudantes e trabalhadores, a Reitoria da USP respondeu que a coloca\u00e7\u00e3o das grades \u201cfaz parte do projeto de remodela\u00e7\u00e3o do entorno do pr\u00e9dio da Reitoria e j\u00e1 estava prevista desde a reforma do espa\u00e7o\u201d. No entanto, nada disso foi comunicado ao sindicato dos trabalhadores e \u00e0s entidades estudantis que ocupam o local.<\/p>\n<p>O <strong>Brasil de Fato<\/strong> questionou a Reitoria sobre a aus\u00eancia de di\u00e1logo com os setores estudantil e de trabalhadores e sobre o posicionamento do reitor Marco Antonio Zago acerca da pol\u00edtica sindicalista da universidade, mas n\u00e3o recebeu resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p><b><strong>Hist\u00f3rico<\/strong><\/b><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a Reitoria da USP e o Sintusp est\u00e1 em processo de esgotamento h\u00e1 tempos, e as amea\u00e7as \u00e0 perman\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o dentro da Universidade antecedem os \u00faltimos acontecimentos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de abril do ano passado, o sindicato recebeu um of\u00edcio da Reitoria para deixar o c\u00f4modo em um prazo de 30 dias. Em seguida, estudantes e trabalhadores da universidade deram in\u00edcio \u00e0 uma greve que se estenderia por tr\u00eas meses e teve como um de seus motes a defesa da perman\u00eancia da entidade. A medida, assim, acabou n\u00e3o sendo efetivada.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), que tem apoiado a resist\u00eancia do sindicato, o que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o do processo de criminaliza\u00e7\u00e3o do movimento estudantil e do movimento sindical. \u201cO reitor Zago h\u00e1 muito tempo ligou a m\u00e1quina desse processo de criminaliza\u00e7\u00e3o e de repress\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ele ainda caracteriza a medida como &#8220;fascista, autorit\u00e1ria e sem precedentes na Universidade&#8221;. \u201cNem os militares fizeram isso: cercar para impedir, na verdade, a entrada e a organiza\u00e7\u00e3o tanto do movimento estudantil quanto do movimento sindical\u201d, completa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos trabalhadores, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que os estudantes se sentem amea\u00e7ados. &#8220;Este novo ataque da Reitoria aos nossos espa\u00e7os estudantis mostra a mesma face autorit\u00e1ria que j\u00e1 nos acostumamos nos \u00faltimos anos\u201d, argumenta Murilo Carnelosso, aluno de jornalismo e membro do Centro Acad\u00eamico da ECA.<\/p>\n<p>Ele conta que, em 2012, nesta mesma \u00e9poca de fim de ano, a Reitoria derrubou um espa\u00e7o utilizado pelos estudantes para atividades art\u00edsticas e culturais sem aviso pr\u00e9vio, para ampliar seu estacionamento. \u201c\u00c9 o mesmo modus operandi antidemocr\u00e1tico, que ignora as opini\u00f5es de quem frequenta estes espa\u00e7os no dia a dia&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Outro motivo de descontentamento dos setores estudantil e de trabalhadores com a atual gest\u00e3o da Reitoria \u00e9 o conjunto de mudan\u00e7as implementado para conter gastos dentro da universidade. Entre elas, uma medida \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o do Plano de Incentivo \u00e0 Demiss\u00e3o Volunt\u00e1ria (PIDV). Servidores que aderissem ao plano receberiam uma indeniza\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20 vezes o pr\u00f3prio sal\u00e1rio para deixarem seus postos. Ao todo, 1.382 funcion\u00e1rios deixaram a Universidade.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de uma das diretoras do Sintusp, que \u00e9 trabalhadora do Hospital Universit\u00e1rio da USP, B\u00e1rbara Della Torre, o Plano tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u201cO pr\u00f3prio PIDV, na minha opini\u00e3o, tem um aspecto econ\u00f4mico, mas tem um aspecto de demitir um setor mais antigo da categoria que tem muita tradi\u00e7\u00e3o de luta. E agora esse golpe, que tenta ser o final, que \u00e9 tirar a sede daqui\u201d, diz.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Camila Rodrigues da Silva<\/em><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Grades est\u00e3o sendo constru\u00eddas ao redor do Sintusp desde o dia 21 de dezembro de 2016 \/ Sintusp<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/05\/sem-dialogo-reitoria-da-usp-cerca-sede-do-sindicato-dos-trabalhadores-com-grades\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O governador Geraldo Alckmin diz que reintegra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dar\u00e1 sem di\u00e1logo; a\u00e7\u00f5es da Reitoria mostram o contr\u00e1rio Mayara Paix\u00e3o Brasil de Fato \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13139\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-13139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s18-sindical"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3pV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}