{"id":13174,"date":"2017-01-10T09:58:03","date_gmt":"2017-01-10T12:58:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13174"},"modified":"2017-01-23T18:55:28","modified_gmt":"2017-01-23T21:55:28","slug":"os-elogios-funebres-nao-podem-reescrever-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13174","title":{"rendered":"Os elogios f\u00fanebres n\u00e3o podem reescrever a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci4.googleusercontent.com\/proxy\/Y5K64wMEP0gaEBjmmMvWwg8Z5jH-kzvIDftGHKCsp_bWFOnDWuTkNJS9UZ9Az84oInpYtEbShbrECIZB=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.odiario.info\/b2-img\/_01.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Numa vida pol\u00edtica t\u00e3o prolongada e com um trajeto t\u00e3o contradit\u00f3rio como de M\u00e1rio Soares, nem todos os aspectos ser\u00e3o negativos. Mas, se se pretender nesta altura fixar o seu lugar na hist\u00f3ria, h\u00e1 um fato que, para o nosso povo e o nosso pa\u00eds, \u00e9 mais relevante do que qualquer outro. Se o 25 de Abril de 1974 constitui o mais importante acontecimento da nossa hist\u00f3ria at\u00e9 hoje, M\u00e1rio Soares <!--more-->deve ser recordado como um dos seus mais destacados e encarni\u00e7ados advers\u00e1rios. Vasco Gon\u00e7alves e \u00c1lvaro Cunhal identificam nele o principal respons\u00e1vel pela contrarrevolu\u00e7\u00e3o portuguesa<\/p>\n<p>Deve ser recordado como algu\u00e9m que, desde o primeiro dia, apostou em que a revolu\u00e7\u00e3o de Abril n\u00e3o superasse os limites de uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa. Em que a conquista da liberdade pol\u00edtica n\u00e3o trouxesse consigo as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e culturais que garantissem que, com a derrubada do regime fascista, os trabalhadores e o povo portugu\u00eas viessem a abrir o caminho de uma sociedade n\u00e3o apenas liberta da opress\u00e3o, mas igualmente liberta da explora\u00e7\u00e3o, da desigualdade, da depend\u00eancia e do atraso, os povos das col\u00f4nias portuguesas conquistassem a efetiva independ\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Essa perspectiva alarmou o grande capital nacional e transnacional. M\u00e1rio Soares assumiu-se como um dos int\u00e9rpretes pol\u00edticos centrais desse alarme. Conspirou, aliou-se e foi apoiado pelos mais reacion\u00e1rios setores da direita e do imperialismo. Trabalhou incansavelmente para dividir as for\u00e7as progressistas civis e militares. Fez suas as palavras de ordem mais reacion\u00e1rias, foi o porta-voz do mais rasteiro e fan\u00e1tico anticomunismo. N\u00e3o houve golpe contrarrevolucion\u00e1rio em que n\u00e3o estivesse direta ou indiretamente implicado, n\u00e3o apenas em Portugal mas tamb\u00e9m em \u00c1frica. Deu cobertura e justifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 ofensiva terrorista da extrema-direita.<\/p>\n<p>Contido o fluxo revolucion\u00e1rio com o golpe de 25 de novembro de 1975 (em que esteve \u00e0 beira de desencadear uma guerra civil), M\u00e1rio Soares assumiu, como primeiro-ministro, a tarefa de destruir e inverter, a partir do governo, as grandes transforma\u00e7\u00f5es entretanto desencadeadas pela espantosa criatividade revolucion\u00e1ria das massas em movimento: a Reforma Agr\u00e1ria, as nacionaliza\u00e7\u00f5es, os direitos dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es. Acordou com a direita sucessivas revis\u00f5es constitucionais procurando retirar da Constitui\u00e7\u00e3o as garantias de defesa das conquistas revolucion\u00e1rias. Culminou a sua nefasta a\u00e7\u00e3o destruidora com o processo de ades\u00e3o \u00e0 CEE, instrumento decisivo de submiss\u00e3o de Portugal ao grande capital transnacional.<\/p>\n<p>\u00c9 nestes termos que M\u00e1rio Soares marca as d\u00e9cadas de 70 e 80 do s\u00e9culo passado no nosso pa\u00eds. D\u00e9cadas de desencadeamento da pol\u00edtica de direita, d\u00e9cadas de retrocesso social e democr\u00e1tico, d\u00e9cadas de subalterniza\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Se o seu papel posterior \u00e9 em alguns aspectos menos negativo, isso deve-se sobretudo a que as pol\u00edticas e os protagonistas pol\u00edticos a quem abriu caminho conseguiram ainda agravar as pol\u00edticas e a a\u00e7\u00e3o que iniciara. Foi, como Presidente da Rep\u00fablica, menos mau do que como primeiro-ministro. Mas nunca abandonou os tra\u00e7os fundamentais da sua op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica: a alian\u00e7a com o grande capital e o imperialismo, a disponibilidade de agir contra qualquer projeto de transforma\u00e7\u00e3o anticapitalista onde quer que pudesse influenciar, nomeadamente no quadro da Internacional Socialista.<\/p>\n<p>O seu lugar na hist\u00f3ria \u00e9, no fundamental, o de algu\u00e9m que combateu tenazmente pela liquida\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a de Abril. De algu\u00e9m cuja a\u00e7\u00e3o abriu caminho e deu in\u00edcio \u00e0s pol\u00edticas que conduziram Portugal \u00e0 penosa situa\u00e7\u00e3o actual.<\/p>\n<p>Nenhum elogio f\u00fanebre poder\u00e1 eludir essa realidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Os Editores de <a href=\"http:\/\/odiario.info\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/odiario.info&amp;source=gmail&amp;ust=1484139109901000&amp;usg=AFQjCNEBtwHk9ijFmFWlzlshHW9B-EwFzg\">odiario.info<\/a><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/os-elogios-funebres-nao-podem-reescrever\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Numa vida pol\u00edtica t\u00e3o prolongada e com um trajeto t\u00e3o contradit\u00f3rio como de M\u00e1rio Soares, nem todos os aspectos ser\u00e3o negativos. Mas, se \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13174\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[98],"tags":[],"class_list":["post-13174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c111-portugal"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3qu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}