{"id":13215,"date":"2017-01-14T11:49:04","date_gmt":"2017-01-14T14:49:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13215"},"modified":"2017-01-23T18:59:18","modified_gmt":"2017-01-23T21:59:18","slug":"o-ano-em-que-as-mulheres-foram-as-ruas-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13215","title":{"rendered":"O ano em que as mulheres foram \u00e0s ruas na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/10\/19_10_manifestacao_mulheres_foto_coletivo_emergente.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por: Jo\u00e3o Flores da Cunha<\/p>\n<p>2016 foi o ano em que os protestos pelos direitos das mulheres e contra a viol\u00eancia de g\u00eanero ganharam as ruas da Am\u00e9rica Latina. Os atos se espalharam por diversos pa\u00edses da regi\u00e3o. <!--more-->As maiores manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram na Argentina, onde surgiu o movimento Ni una menos, ainda em 2015, e no Peru. Tamb\u00e9m foram registrados atos no Brasil, no Chile, na Col\u00f4mbia, no M\u00e9xico e no Uruguai, bem como em pa\u00edses da Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>A centralidade da Argentina nos protestos contra o feminic\u00eddio, o assassinato de uma mulher por ela ser mulher, pode ser explicada pela brutalidade das estat\u00edsticas: a cada 30 horas, uma mulher \u00e9 morta no pa\u00eds. Criado em 2015, o movimento Ni una menos busca chamar aten\u00e7\u00e3o da sociedade para o problema e protestar contra ele.<\/p>\n<p>Em junho, no anivers\u00e1rio de um ano de cria\u00e7\u00e3o do movimento, houve um ato com mais de 200 mil pessoas em Buenos Aires. Para o grupo, que se define como \u201cum grito coletivo contra a viol\u00eancia machista\u201d, \u201ca viol\u00eancia machista \u00e9 um assunto de direitos humanos\u201d. O lema Ni una menos ultrapassou as fronteiras do pa\u00eds, bem como o \u201cvivas nos queremos\u201d, entoado nas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No fim de setembro, milhares de pessoas identificadas com o Ni una menos protestaram em Mendoza, no oeste da Argentina, ap\u00f3s ocorrerem tr\u00eas feminic\u00eddios em uma semana na regi\u00e3o. Poucos dias depois, ocorreu na cidade de Rosario uma marcha contra a viol\u00eancia de g\u00eanero e pela despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto, ao final de um encontro nacional de mulheres.<\/p>\n<p>Em outubro, um caso chocou a Argentina: Luc\u00eda P\u00e9rez, de 16 anos, foi drogada, estuprada e morta por empalamento na cidade de Mar del Plata. Ap\u00f3s o crime, mulheres de todo o pa\u00eds organizaram uma greve geral.<\/p>\n<p>Em novembro, a ministra de Seguran\u00e7a do pa\u00eds, Patricia Bullrich, reconheceu que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cmuito grave\u201d. Para ela, \u201ch\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de enorme viol\u00eancia contra as mulheres\u201d. De acordo com dados oficiais, a cada 10.000 mulheres, 31,3 foram v\u00edtimas de abuso sexual, e 8,7 foram v\u00edtimas de estupro.<\/p>\n<p>O foco da discuss\u00e3o na Argentina agora \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para delitos associados \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. Al\u00e9m disso, mudan\u00e7as culturais j\u00e1 est\u00e3o em curso. Concursos de beleza foram cancelados em diferentes cidades do pa\u00eds no \u00faltimo ano, e outros sofrem diversas cr\u00edticas. O Ni una menos de Mar del Plata, cidade onde Luc\u00eda P\u00e9rez foi assassinada, emitiu um comunicado em que destaca o \u201ccrit\u00e9rio mis\u00f3gino e sexista\u201d do concurso local. O texto critica a \u201creprodu\u00e7\u00e3o da mulher como mercadoria, em meio a uma pandemia de viol\u00eancia de g\u00eanero e feminic\u00eddios\u201d.<\/p>\n<p>Comunicado Ante la 45\u00b0 elecci\u00f3n de la Reina Nacional del Mar #NiUnaMenos Mar del Plata rechaza la elecci\u00f3n de la Reina&#8230;<\/p>\n<p>Publicado por Ni Una Menos Mar del PLata em\u00a0Segunda, 2 de janeiro de 2017<br \/>\nEm Lima, no Peru, ocorreu em agosto uma manifesta\u00e7\u00e3o com dezenas de milhares de participantes contra a viol\u00eancia de g\u00eanero. O ato se deu em um clima de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, com apoio da imprensa e do governo.<\/p>\n<p>A impunidade \u00e9 o principal problema em um pa\u00eds com hist\u00f3rico de esteriliza\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, que ocorreram no governo de Alberto Fujimori (1990-2000). Recentemente, em 6-01, o governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski emitiu um decreto que endurece as puni\u00e7\u00f5es para crimes associados \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero: o C\u00f3digo Penal do pa\u00eds foi alterado para que delitos cometidos nessas circunst\u00e2ncias passem a constituir agravantes para a defini\u00e7\u00e3o da pena. O decreto visa \u201cfortalecer a luta contra o feminic\u00eddio, a viol\u00eancia familiar e a viol\u00eancia de g\u00eanero\u201d, de acordo com o governo.<\/p>\n<p>No Brasil, um caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro, no fim de maio, foi o detonante de uma s\u00e9rie de protestos contra o machismo e a cultura do estupro. Segundo dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a cada 11 minutos uma mulher \u00e9 estuprada no pa\u00eds. O maior ato ocorreu em S\u00e3o Paulo, onde milhares de mulheres participaram da manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/563904-o-ano-em-que-as-mulheres-foram-as-ruas-na-america-latina<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por: Jo\u00e3o Flores da Cunha 2016 foi o ano em que os protestos pelos direitos das mulheres e contra a viol\u00eancia de g\u00eanero \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13215\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[],"class_list":["post-13215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3r9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13215"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13215\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}