{"id":13218,"date":"2017-01-14T11:53:09","date_gmt":"2017-01-14T14:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13218"},"modified":"2017-01-23T18:59:23","modified_gmt":"2017-01-23T21:59:23","slug":"uerj-nao-tem-condicoes-de-abrir-as-portas-e-servidores-anunciam-greve-para-segunda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13218","title":{"rendered":"UERJ n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de abrir as portas, e servidores anunciam greve para segunda"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/5wFYWoqYjrN59o1PH94CwykPXGlUAlgr4ktVY16ZEKhqvMXyLhVTGI220XGsXTMQlYtzCqaOWtlqWh1bhcUoG__tzQJ2HpQEO_Vf0n7ZeAL5_r0G=s0-d-e1-ft#http:\/\/farm1.staticflickr.com\/779\/31907583410_fbb5058261_b.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Universidade sofre consequ\u00eancias de sal\u00e1rios e bolsas atrasados, al\u00e9m da falta de investimento<\/p>\n<p>Mayara Paix\u00e3o. Brasil de Fato<\/p>\n<p>Diante do cen\u00e1rio de atrasos salariais e da falta de financiamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os funcion\u00e1rios t\u00e9cnico-administrativos da universidade aprovaram, <!--more-->em assembleia realizada na ter\u00e7a-feira (10), o in\u00edcio da greve da categoria a partir da pr\u00f3xima segunda-feira (16).<\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira (6), a reitoria da Uerj divulgou o of\u00edcio endere\u00e7ado ao governador do estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pez\u00e3o, no qual solicita o pagamento de todos os seus servidores, bem como das bolsas atrasadas dos estudantes e o repasse para a manuten\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios. Ela afirma que, caso isso n\u00e3o aconte\u00e7a, \u201cas atividades ficar\u00e3o impossibilitadas nas diversas unidades, incluindo o Hospital Pedro Ernesto e a Policl\u00ednica Piquet Carneiro\u201d.<\/p>\n<p>Dias depois, na ter\u00e7a-feira (10), a Reitoria publicou a nota \u201cA Uerj e o Futuro do Rio de Janeiro\u201d, assinada pela reitora em exerc\u00edcio, Maria Georgina Muniz, com o apoio de ex-reitores da universidade, denunciando a precariza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o e salientando a import\u00e2ncia da Uerj no cen\u00e1rio educacional do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>De acordo com as informa\u00e7\u00f5es divulgadas pela Reitoria, a grave crise financeira que assola a universidade, com a consider\u00e1vel diminui\u00e7\u00e3o dos repasses realizados pelo governo do Rio de Janeiro, culminou em um cen\u00e1rio no qual funcion\u00e1rios e docentes est\u00e3o sem receber o sal\u00e1rio de dezembro e o d\u00e9cimo terceiro; o\u00a0sal\u00e1rio de novembro est\u00e1 sendo depositado em parcelas. Al\u00e9m disso, servidores e alunos denunciam a precariedade das instala\u00e7\u00f5es, como a falta de folhas para impressora, ilumina\u00e7\u00e3o nas salas de aula e limpeza dos pr\u00e9dios.<\/p>\n<p>Em nota, a Secretaria de Fazenda do Rio informou que, &#8220;em meio \u00e0 grav\u00edssima situa\u00e7\u00e3o financeira&#8221;, foram repassados 65% do or\u00e7amento total da Uerj em 2016.<\/p>\n<p>A categoria de docentes, em assembleia realizada em 21 de dezembro do \u00faltimo ano, teve como uma de suas resolu\u00e7\u00f5es o indicativo de greve, a ser deliberada na pr\u00f3xima assembleia, em 18 de janeiro. De acordo com Luiz Santa Maria, professor do Instituto de Qu\u00edmica da universidade desde 1998, \u00e9 prov\u00e1vel que a greve seja declarada.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o na Uerj \u00e9 precar\u00edssima. A volta das atividades no in\u00edcio do ano letivo \u00e9 invi\u00e1vel por dois aspectos: a gest\u00e3o da universidade n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de abrir portas porque, quando voltarmos \u00e0s atividades na semana que vem, n\u00f3s teremos uma popula\u00e7\u00e3o equivalente a uma cidade de m\u00e9dio porte\u201d. De acordo com o professor, que tamb\u00e9m \u00e9 membro da diretoria da Associa\u00e7\u00e3o de Docentes da Uerj (Asduerj), circula na universidade um fluxo de 40 mil pessoas diariamente. \u201cN\u00e3o teremos condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias de espa\u00e7o p\u00fablico. Al\u00e9m disso, tem a quest\u00e3o trabalhista. N\u00f3s, trabalhadores, trabalhamos por sal\u00e1rio\u201d, defende.<\/p>\n<p>Os estudantes, apesar de estarem no per\u00edodo de f\u00e9rias, t\u00eam se mobilizado atrav\u00e9s da redes sociais. Muitos deles n\u00e3o est\u00e3o recebendo a bolsa-aux\u00edlio que t\u00eam direito devido \u00e0 baixa renda comprovada. \u00c9 o caso de Eden Pereira, estudante de Hist\u00f3ria na universidade, que n\u00e3o recebe a bolsa h\u00e1 quase tr\u00eas meses. \u201cN\u00e3o tem como se locomover, comer. E s\u00e3o coisas importantes na forma\u00e7\u00e3o, para o aluno poder ter uma condi\u00e7\u00e3o m\u00ednima para poder ir \u00e0 Uerj\u201d, relata Eden. \u201cCom o fechamento da Uerj, o estado do Rio de Janeiro perde, os pr\u00f3prios alunos, os funcion\u00e1rios, t\u00e9cnicos, todos perdem. N\u00e3o tem nenhum vencedor nessa situa\u00e7\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 desta quinta (12), foi realizado o \u201cAto unificado: pela UERJ e pelo HUPE\u201d, com os tr\u00eas setores da universidade \u2014 alunos, professores, funcion\u00e1rios \u2014 \u201ccontra o sucateamento e subfinanciamento da faculdade e do hospital universit\u00e1rio\u201d, como diz a descri\u00e7\u00e3o do evento no Facebook.<\/p>\n<p>Estado de greve<\/p>\n<p>Em conversa com o\u00a0Brasil de Fato, o professor Luiz Santa Maria explicou que os docentes da Uerj se mant\u00e9m em \u201cestado de greve\u201d desde que sa\u00edram, em julho de 2016, de uma greve que durou cinco meses. Isso porque as reivindica\u00e7\u00f5es que constru\u00edram a paralisa\u00e7\u00e3o \u2014 o reajuste de sal\u00e1rio e a solu\u00e7\u00e3o dos problemas da dedica\u00e7\u00e3o exclusiva \u2014 ainda n\u00e3o foram atendidas pelo governo do Rio.<\/p>\n<p>Ele conta que, h\u00e1 15 anos, os docentes est\u00e3o sem reajuste salarial e que 60% dos professores aderiram ao regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva em 2012. No entanto, apesar de contribu\u00edrem para a previd\u00eancia em cima do valor correspondente \u00e0 esse regime, eles n\u00e3o levam para a sua aposentadoria o valor correspondente. \u201cSa\u00edmos da greve sem ganho algum\u201d, diz.<\/p>\n<p>A despeito do comprometimento do governo de que a dedica\u00e7\u00e3o exclusiva seria discutida no segundo semestre do ano passado, nenhuma reuni\u00e3o aconteceu durante esse per\u00edodo.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio atual da universidade, com a falta de repasse correspondente ao necess\u00e1rio, ele relata que h\u00e1 casos de professores que j\u00e1 compraram materiais necess\u00e1rios para suas atividades com seu pr\u00f3prio dinheiro. \u201cAs pessoas tentam resolver problemas de forma emergencial tirando dinheiro do seu pr\u00f3prio bolso, s\u00f3 que agora nem sal\u00e1rios n\u00f3s temos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Luiz ainda enfatiza que a situa\u00e7\u00e3o de precariedade n\u00e3o se restringe apenas \u00e0 Uerj. \u201cIsso se estende a outras institui\u00e7\u00f5es ligadas, principalmente, \u00e0 Secretaria de Ci\u00eancia, Tecnologia e Educa\u00e7\u00e3o, porque basicamente a \u00fanica pasta deste governo que n\u00e3o tem nenhum pagamento efetuado \u00e0s institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 ela \u00e9 a Secti. \u00c9 a Secretaria que est\u00e1 sendo mais precarizada entre todas do estado\u201d, defende.<\/p>\n<p>Quando procurada, a Secretaria de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro argumentou, em nota, que \u201csempre atuou para tentar resolver as quest\u00f5es apresentadas pela Uerj\u201d e que, por esta raz\u00e3o, \u201cn\u00e3o concorda com a posi\u00e7\u00e3o da reitoria em rela\u00e7\u00e3o ao Governo do Estado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMesmo frente \u00e0 crise, ao lado do governo, a Secretaria dispensou esfor\u00e7os para garantir o funcionamento da universidade, pagando as bolsas-aux\u00edlios, parte do custeio e o sal\u00e1rio dos servidores. Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel manter o custeio mensal de R$ 7,5 milh\u00f5es referente ao Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto. Posto isso, n\u00e3o se pode aceitar o radicalismo apontado, em especial o fechamento da universidade, impedindo que os servidores possam trabalhar, e a incita\u00e7\u00e3o \u00e0 greve, o que \u00e9 ilegal\u201d, diz a nota.<\/p>\n<p>Hospital Universit\u00e1rio<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o temida por professores e alunos se refere \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto (HUPE), extens\u00e3o da universidade onde os estudantes de medicina podem realizar resid\u00eancia e a popula\u00e7\u00e3o local pode ser atendida. Na \u00faltima sexta-feira (6), o Governo do Estado do Rio de Janeiro decidiu pagar o sal\u00e1rio integral,\u00a0relativo ao m\u00eas de novembro, exclusivamente dos servidores t\u00e9cnico-administrativos do Hospital.<\/p>\n<p>\u201cO pagamento era vinculado, vinha junto tanto o dos funcion\u00e1rios de l\u00e1 [Hospital] quanto os de c\u00e1 [universidade], no fundo seria uma coisa s\u00f3. S\u00f3 que, na semana passada, parece que teve uma negocia\u00e7\u00e3o do diretor do Hospital diretamente com o governo, que a gente ainda n\u00e3o sabe como se deu. Parece at\u00e9 uma tentativa de desvincula\u00e7\u00e3o do Hospital com a pr\u00f3pria UERJ, uma coisa in\u00e9dita at\u00e9 ent\u00e3o\u201d, disse Guilherme Schneider, assessor da Asduerj.<\/p>\n<p>Frente ao pagamento parcial de seus funcion\u00e1rios, a reitoria da UERJ divulgou uma nota de esclarecimento assinada pela reitora, repudiando e afirmando que a decis\u00e3o foi uma postura unilateral, sem consulta ou participa\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Central e n\u00e3o contou com a aprova\u00e7\u00e3o da Reitoria da universidade\u00a0nem do Conselho Universit\u00e1rio \u2014 que, em reuni\u00e3o, n\u00e3o apoiou a separa\u00e7\u00e3o da folha de pagamento de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cLamentamos a quebra de isonomia em nossa Casa, provocada pelo governo estadual. Iniciativas que visem ao pagamento de parte de servidores da UERJ, sob qualquer pretexto, n\u00e3o s\u00e3o nem ser\u00e3o apoiadas pela Reitoria da Universidade\u201d, diz um trecho da nota.<\/p>\n<p>O\u00a0Brasil de Fato\u00a0contatou a diretoria do HUPE em busca de esclarecimentos sobre os acordos feitos para o pagamento de seus funcion\u00e1rios em separado dos demais servidores da universidade, mas o diretor, Edmar Jos\u00e9 Alves dos Santos, n\u00e3o quis se pronunciar sobre o assunto.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Camila Rodrigues da Silva<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/13\/uerj-nao-tem-condicoes-de-abrir-as-portas-e-servidores-anunciam-greve-para-segunda\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Universidade sofre consequ\u00eancias de sal\u00e1rios e bolsas atrasados, al\u00e9m da falta de investimento Mayara Paix\u00e3o. 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