{"id":13256,"date":"2017-01-17T12:46:13","date_gmt":"2017-01-17T15:46:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13256"},"modified":"2017-01-29T15:08:43","modified_gmt":"2017-01-29T18:08:43","slug":"ocupar-resistir-e-aprender","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13256","title":{"rendered":"Ocupar, resistir e aprender:"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/kHPrkQJBcQcvTfEfYS4-iskIVSM2-LAxnBHRKTwhX9mQyrFLIBkKwDKaW-5pbIWOl3XAwNIzbcy2qmF-RhhsbbnKAFLBcVbHtJzs1y_DYb7-_Mgs5a49tE2h3roVSRUUEB5Ar_qX0ywWE6HfEjdevvlxOX4ITg=s0-d-e1-ft#http:\/\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/14956411_1071982896252228_8205704925967296343_n.jpg\" alt=\"imagem\" \/><strong>O ac\u00famulo que tiramos da experi\u00eancia das ocupa\u00e7\u00f5es para as lutas futuras da juventude em todo o Brasil[1]<\/strong><\/p>\n<p>Em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que se instaurou no Brasil, assistimos o fim tr\u00e1gico do ciclo pol\u00edtico dirigido pelo Partido dos Trabalhadores e os limites da estrat\u00e9gia de concilia\u00e7\u00e3o de <!--more-->classes, levada a cabo pelos governos dos \u00faltimos anos. Como marca da derrota hist\u00f3rica sofrida pelos trabalhadores, presenciamos um golpe encabe\u00e7ado pela burguesia, representada pelos partidos de direita, setores da m\u00eddia oligopolizados e por setores do judici\u00e1rio, que levou ao poder, de maneira ileg\u00edtima, Michel Temer e seus c\u00famplices, instalando, a partir de ent\u00e3o, um governo que visa aprofundar e acelerar a retirada de direitos dos trabalhadores, al\u00e9m de reduzir de forma dr\u00e1stica as conquistas democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio adverso de contrarreformas neoliberais, de apassivamento das lutas e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, que explodiu de forma espont\u00e2nea, em todo o Brasil, uma onda de ocupa\u00e7\u00f5es contra a famigerada proposta de reforma do ensino m\u00e9dio, conhecida como MP 746, e tamb\u00e9m contra o ent\u00e3o Projeto de Emenda Constitucional 241, que visava congelar os gastos do governo federal com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o por 20 anos \u2013 tragicamente aprovado no fim do ano passado.<\/p>\n<p>Num primeiro momento, as ocupa\u00e7\u00f5es foram protagonizadas pelos estudantes secundaristas, tendo na a\u00e7\u00e3o de vanguarda dos estudantes do Paran\u00e1 o exemplo que foi seguido Brasil afora. A partir de ent\u00e3o, v\u00e1rias escolas, institutos federais e universidades foram ocupadas, em um processo no qual os educandos se tornaram educadores: deram o exemplo de mobiliza\u00e7\u00e3o nacionalizada que h\u00e1 muitos anos faltava \u00e0s lutas. As ocupa\u00e7\u00f5es logo tomaram as p\u00e1ginas dos grandes jornais e os notici\u00e1rios, que, numa ofensiva c\u00ednica, passaram a criminalizar o movimento, inclusive insuflando grupos de extrema direita a se manifestar contra as ocupa\u00e7\u00f5es. Essa foi a sa\u00edda do governo federal e dos setores da educa\u00e7\u00e3o privada \u2013 principais interessados no sucateamento do ensino p\u00fablico \u2013 para convencer a popula\u00e7\u00e3o de que a exist\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>O que podemos afirmar \u00e9 que as ocupa\u00e7\u00f5es demonstraram ser uma importante t\u00e1tica de resist\u00eancia e, de alguma forma, serviram como uma esp\u00e9cie de ensaio geral para as lutas da juventude no pr\u00f3ximo per\u00edodo. No entanto, os seus limites ficaram n\u00edtidos e foi poss\u00edvel identificar certas tend\u00eancias que j\u00e1 se expressavam nas jornadas de junho de 2013.<\/p>\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil perceber o engessamento da pol\u00edtica institucional e a falta de representatividade dos anseios populares, da juventude e da classe trabalhadora nos espa\u00e7os de poder. Na tentativa de se contrapor a essas formas de hierarquia, as ocupa\u00e7\u00f5es buscaram t\u00e1ticas de cunho assembleista e basista, acreditando que essas poderiam alcan\u00e7ar um \u201chorizontalismo\u201d, na compreens\u00e3o de que isso daria for\u00e7a \u00e0 democracia do movimento. Por\u00e9m, o que se demonstrou foi justamente o contr\u00e1rio: o movimento tendeu para uma forma individualista de luta e de an\u00e1lise, transformando os espa\u00e7os deliberativos em espa\u00e7os burocr\u00e1ticos e pouco encaminhativos, com baixa capacidade de decis\u00e3o. Esse mesmo sentimento de nega\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica institucional acabou produzindo, nas ocupa\u00e7\u00f5es, uma postura antipartid\u00e1ria e uma rejei\u00e7\u00e3o a movimentos sociais e coletivos organizados, sem perceber que assim eram deixadas de lado as ferramentas que historicamente trouxeram importantes vit\u00f3rias para a juventude e para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Qualquer tentativa de planejamento e articula\u00e7\u00e3o com for\u00e7as pol\u00edticas fora das ocupa\u00e7\u00f5es logo era vista como uma medida autorit\u00e1ria e aparelhista. Isso acarretou o isolamento de algumas ocupa\u00e7\u00f5es, que inclusive tiveram muita dificuldade de se expandirem dentro das pr\u00f3prias universidades e escolas. Essa concep\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica trouxeram problemas para definir estrat\u00e9gias com clareza, o que levou \u00e0 aus\u00eancia de um di\u00e1logo mais efetivo com aqueles que est\u00e3o para al\u00e9m dos muros das escolas e universidades e que tamb\u00e9m ser\u00e3o afetados pelas contrarreformas do governo golpista. Dessa maneira, a nossa luta n\u00e3o se massificou da forma necess\u00e1ria. Essas dificuldades, inclusive, h\u00e1 muito tempo est\u00e3o presentes no Movimento Estudantil, sobretudo no universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao analisar esses acontecimentos, saltam aos olhos as caracter\u00edsticas comuns aos sujeitos que protagonizaram o movimento de resist\u00eancia das ocupa\u00e7\u00f5es e nos cabe pensar sobre como estas podem influenciar as nossas formas de luta: somos jovens, reflexos de um per\u00edodo hist\u00f3rico e de uma sociedade que nos diz que tanto lutas e conquistas, como opress\u00f5es e explora\u00e7\u00f5es, s\u00e3o aspectos pessoais das nossas vidas, se sustentando apenas no \u00e2mbito do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Nesse contexto, nos encontramos em uma encruzilhada: na luta por um objetivo comum, coletivo, como a defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, poder\u00edamos ser plenamente exitosos utilizando uma compreens\u00e3o pol\u00edtica que caminha em um vi\u00e9s oposto? Encontramos os limites dela quando tentamos suprir anseios coletivos sob um olhar apenas individual.<\/p>\n<p>Ao esquecermos a hist\u00f3ria de lutas da classe trabalhadora e o ac\u00famulo te\u00f3rico que nasceu delas, ca\u00edmos na chamada ideologia p\u00f3s-moderna, que produz fragmenta\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo no seio da esquerda. Nos espa\u00e7os das ocupa\u00e7\u00f5es, os debates fundamentais dos movimentos negro, feminista e LGBT, por vezes, foram conduzidos nessa mesma l\u00f3gica, individual, o que dividia setores que s\u00e3o igualmente oprimidos e que, na realidade, encontram na luta coletiva a \u00fanica sa\u00edda para superar a viol\u00eancia que os atinge.<\/p>\n<p>Ficou claro, apesar das dificuldades, que as ocupa\u00e7\u00f5es foram uma t\u00e1tica important\u00edssima e que elas acenderam a chama da luta. Por\u00e9m, se os nossos inimigos agem de forma estrat\u00e9gica e planejada, devemos super\u00e1-los: cabe, portanto, sermos ainda mais conscientes e organizados em nossas a\u00e7\u00f5es, tendo sempre em mente que nossos objetivos s\u00f3 ser\u00e3o conquistados a partir da expans\u00e3o do debate para o conjunto dos jovens e dos trabalhadores, j\u00e1 que a for\u00e7a necess\u00e1ria para obter vit\u00f3rias reais s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por via da coletividade. As disputas que iremos travar daqui em diante exigem um balan\u00e7o aprofundado das t\u00e1ticas que estamos adotando, pois s\u00f3 assim poderemos aprimorar nossos m\u00e9todos e avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Foto: Izabelle Pereira<\/p>\n<p>1. Escrito por: Ayrton Otoni , L\u00edgia Fernandes e Warley Nunes, membros da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da UJC.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"YthC4MupuC\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/ocupar-resistir-e-aprender-o-acumulo-que-tiramos-da-experiencia-das-ocupacoes-para-as-lutas-futuras-da-juventude-em-todo-o-brasil%c2%b9\/\">Ocupar, resistir e aprender: o ac\u00famulo que tiramos da experi\u00eancia das ocupa\u00e7\u00f5es para as lutas futuras da juventude em todo o Brasil\u00b9<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/ujc.org.br\/ocupar-resistir-e-aprender-o-acumulo-que-tiramos-da-experiencia-das-ocupacoes-para-as-lutas-futuras-da-juventude-em-todo-o-brasil%c2%b9\/embed\/#?secret=YthC4MupuC\" data-secret=\"YthC4MupuC\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Ocupar, resistir e aprender: o ac\u00famulo que tiramos da experi\u00eancia das ocupa\u00e7\u00f5es para as lutas futuras da juventude em todo o Brasil\u00b9&#8221; &#8212; UJC\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ac\u00famulo que tiramos da experi\u00eancia das ocupa\u00e7\u00f5es para as lutas futuras da juventude em todo o Brasil[1] Em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13256\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-13256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3rO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}