{"id":13262,"date":"2017-01-18T08:54:56","date_gmt":"2017-01-18T11:54:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13262"},"modified":"2017-01-29T15:08:49","modified_gmt":"2017-01-29T18:08:49","slug":"o-desenvolvimento-economico-sovietico-versus-o-ocidental-por-noam-chomsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13262","title":{"rendered":"O desenvolvimento econ\u00f4mico sovi\u00e9tico versus o Ocidental, por Noam Chomsky"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/PxWmVsMW4MKHF-BVBU_eLh4elStPajJm2nhKQUzpeSn13MpUvaGVkYZVz98BtcFqO9fxkZRcfB69GD6YxkTDGrA8WVMeTkqNajKPrQhb_kqXtFO-XlZ90H2cc7W_iBf9blo0QZ40R5UhUSNGO9tzEg=s0-d-e1-ft#https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/69151de3b18b69e6cccf7926265e3794_L.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Noam Chomsky \u00e9 reconhecidamente um anarquista, cr\u00edtico tanto do capitalismo (e principalmente do imperialismo dos EUA) como dos modelos socialistas implementados a partir do s\u00e9culo XX em diversas partes do mundo. No entanto, o intelectual estadunidense reconhece os grandes benef\u00edcios que o socialismo real levou aos povos do Leste Europeu e principalmente da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<!--more--><\/p>\n<p>Em lembran\u00e7a das conquistas da URSS, que desapareceu em 25 de dezembro de 1991, h\u00e1 exatos 25 anos, reproduzimos a resposta a uma pergunta sobre o suposto fracasso da experi\u00eancia socialista sovi\u00e9tica, em uma palestra realizada nos anos 90 nos EUA.<\/p>\n<blockquote><p>[\u2026] O que voc\u00ea acha do sistema econ\u00f4mico sovi\u00e9tico, ele funcionou ou fracassou? Bem, em uma cultura com tra\u00e7os profundamente totalit\u00e1rios, como a nossa, sempre se faz uma pergunta totalmente idiota a esse respeito: pergunta-se, como \u00e9 a R\u00fassia economicamente comparada com a Europa Ocidental ou com os Estados Unidos? E a resposta \u00e9 que ela saiu-se muito mal. Mas uma crian\u00e7a de oito anos entenderia qual \u00e9 o problema com essa pergunta: essas economias n\u00e3o t\u00eam nada semelhante h\u00e1 seiscentos anos \u2013 seria preciso retornar ao per\u00edodo pr\u00e9-colombiano, pois s\u00f3 depois disso \u00e9 que a Europa Oriental e a Ocidental tiveram alguma coisa mais ou menos semelhante economicamente. A Europa Oriental come\u00e7ou a virar uma esp\u00e9cie de \u00e1rea de servi\u00e7o tipo Terceiro Mundo para a Europa Ocidental, antes mesmo do tempo de Colombo, fornecendo recursos e mat\u00e9rias-primas para as emergentes ind\u00fastrias t\u00eaxtil e metal\u00fargica do Ocidente. E a R\u00fassia continuou um pa\u00eds de Terceiro Mundo muito pobre, durante s\u00e9culos <b>[4]<\/b>. Isto \u00e9, havia uns poucos bols\u00f5es de desenvolvimento aqui e ali, e tamb\u00e9m um opulento setor de elites, escritores e assim por diante \u2013 mas isso \u00e9 como em qualquer pa\u00eds do Terceiro Mundo: a literatura latino-americana \u00e9 uma das mais f\u00e9rteis do mundo, por exemplo, mesmo com seus povos estando entre os mais pobres do mundo. E, se voc\u00eas olharem s\u00f3 o desenvolvimento econ\u00f4mico da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no s\u00e9culo XX, ele \u00e9 extremamente revelador. Por exemplo, a propor\u00e7\u00e3o entre os sal\u00e1rios da Europa Oriental e os da Ocidental declinou at\u00e9 por volta de 1913, e ent\u00e3o come\u00e7ou a subir muito r\u00e1pido at\u00e9 em torno de 1950, quando mais ou menos se equilibraram. Ent\u00e3o, em meados dos anos 1960, conforme a economia sovi\u00e9tica foi come\u00e7ando a se estagnar, essa propor\u00e7\u00e3o iniciou um pequeno decl\u00ednio, e ent\u00e3o caiu um pouco mais at\u00e9 o final dos anos 1980. Depois de 1989, quando o Imp\u00e9rio Sovi\u00e9tico finalmente foi para o espa\u00e7o, ela entrou em queda livre \u2013 agora est\u00e1 de novo aproximadamente o que era em 1913 <b>[5]<\/b>. Tudo bem, isso lhes diz algo sobre se o modelo econ\u00f4mico sovi\u00e9tico teve sucesso ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora, suponham que fiz\u00e9ssemos uma pergunta racional, em vez de perguntar uma insanidade do tipo \u201ccomo saiu-se a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em compara\u00e7\u00e3o com a Europa Ocidental?\u201d. Se quisermos avaliar modos alternativos de desenvolvimento econ\u00f4mico \u2013 gostem deles ou n\u00e3o \u2013, o que dev\u00edamos perguntar \u00e9 como se sa\u00edram sociedades que eram <i>como<\/i> a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1910, comparadas com ela em 1990? Bem, a Hist\u00f3ria n\u00e3o fornece analogias precisas, mas existem boas escolhas. Ent\u00e3o poder\u00edamos comparar a R\u00fassia e o Brasil, digamos, ou Bulg\u00e1ria e Guatemala \u2013 essas s\u00e3o compara\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis. O Brasil, por exemplo, devia ser um pa\u00eds super-rico: tem recursos naturais inacredit\u00e1veis, n\u00e3o tem inimigos, n\u00e3o foi praticamente destru\u00eddo por invas\u00f5es s\u00f3 neste s\u00e9culo [i.e., a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica sofreu perdas imensas nas duas Guerras Mundiais e na interven\u00e7\u00e3o ocidental de 1918 em sua Guerra Civil]. De fato, o Brasil est\u00e1 muito mais bem equipado para se desenvolver do que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica jamais esteve. Tudo bem, comparem s\u00f3, o Brasil e a R\u00fassia \u2013 essa \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Bem, h\u00e1 um bom motivo pelo qual ningu\u00e9m o faz, e s\u00f3 fazemos compara\u00e7\u00f5es idiotas \u2013 porque, se compararmos o Brasil e a R\u00fassia ou a Guatemala e a Hungria, chegar\u00edamos a respostas indesej\u00e1veis. O Brasil, por exemplo, para talvez 5% ou 10% de sua popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 mesmo como a Europa Ocidental \u2013 e para em torno de 80% de sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 meio como a \u00c1frica Central. De fato, para provavelmente 80% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, a R\u00fassia sovi\u00e9tica teria parecido um c\u00e9u. Se um campon\u00eas guatemalteco de repente fosse parar na Bulg\u00e1ria, ele provavelmente acharia que tinha ido para o para\u00edso ou algo do g\u00eanero. Ent\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7amos essas compara\u00e7\u00f5es, s\u00f3 fazemos compara\u00e7\u00f5es malucas, que qualquer um que pensasse por um segundo veria que s\u00e3o absurdas. E todo mundo aqui as faz, <i>mesmo<\/i>: todos os acad\u00eamicos as fazem, os comentaristas do desenvolvimento as fazem, os comentaristas dos jornais as fazem. Mas pensem s\u00f3 por um segundo: se quiserem saber quanto sucesso teve o sistema econ\u00f4mico sovi\u00e9tico, comparem a R\u00fassia de 1990 com algum lugar que fosse <i>como <\/i>ela em 1910. Precisa ser brilhante para perceber?<\/p>\n<p>De fato, o Banco Mundial forneceu sua pr\u00f3pria an\u00e1lise do sucesso do modelo de desenvolvimento sovi\u00e9tico. O Banco Mundial n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o radical, como voc\u00eas com certeza t\u00eam consci\u00eancia, mas em 1990 ele descreveu a R\u00fassia e a China como \u201csociedades de relativo sucesso, que se desenvolveram libertando-se do mercado internacional\u201d, embora tenham finalmente entrado em apuros e sendo obrigadas a voltar ao rebanho <b>[6]<\/b>. Mas \u201cde relativo sucesso\u201d \u2013 e, se comparadas com os pa\u00edses a que se assemelhavam antes de suas revolu\u00e7\u00f5es, de <i>muito<\/i> sucesso.<\/p>\n<p>Na verdade, era exatamente isso que os EUA temiam na Guerra Fria, para in\u00edcio de conversa, caso queiram saber a verdade \u2013 que o desenvolvimento econ\u00f4mico sovi\u00e9tico simplesmente parecesse <i>bom demais<\/i> para os pa\u00edses pobres do Terceiro Mundo, sendo assim um modelo que quisessem seguir. [\u2026] Ent\u00e3o, se voc\u00eas lerem os arquivos do governo, agora liberados \u2013 dos quais h\u00e1 hoje muitos dispon\u00edveis \u2013, ver\u00e3o que a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos maiores estrategistas ocidentais, j\u00e1 em plenos anos 1960, era que o exemplo do desenvolvimento sovi\u00e9tico estava amea\u00e7ando desmontar todo o sistema mundial americano, porque a R\u00fassia estava de fato indo t\u00e3o <i>bem<\/i>. Por exemplo, sujeitos como John Foster Dulles [secret\u00e1rio de Estado norte-americano] e Harold Macmillan [primeiro-ministro brit\u00e2nico] estavam se borrando de medo com o sucesso desenvolvimentista da R\u00fassia \u2013 e <i>era<\/i> um sucesso <b>[8]<\/b>. Isto \u00e9, notem que hoje em dia ningu\u00e9m se refere \u00e0 R\u00fassia como um pa\u00eds \u201cdo Terceiro Mundo\u201d, \u00e9 chamada de pa\u00eds \u201cde desenvolvimento deficiente\u201d ou algo desse g\u00eanero \u2013 em outras palavras, ela realmente se desenvolveu, embora, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o tenha dado certo, e agora podemos ir em frente e come\u00e7ar a reintegr\u00e1-la de volta ao Terceiro Mundo tradicional.<\/p>\n<p>[\u2026] As chamadas \u201creformas econ\u00f4micas\u201d que andamos instituindo nos pa\u00edses do antigo bloco sovi\u00e9tico foram uma absoluta cat\u00e1strofe para a maior parte de suas popula\u00e7\u00f5es \u2013 mas investidores ocidentais e uma elite cl\u00e1ssica de super-ricos do Terceiro Mundo est\u00e3o fazendo fortunas imensas, em parte pilhando boa parte da \u201cajuda\u201d que \u00e9 mandada para l\u00e1, de v\u00e1rios modos <b>[9]<\/b>. De fato, o UNICEF [Fundo Internacional de Emerg\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia] divulgou um pequeno estudo, pouco tempo atr\u00e1s, avaliando s\u00f3 o simples custo humano, como mortes, do que eles chamam de \u201creformas capitalistas\u201d na R\u00fassia, na Pol\u00f4nia e nos demais (e, ali\u00e1s, eles <i>aprovaram<\/i> as reformas) \u2013 e, para a R\u00fassia, calcularam que houve cerca de meio milh\u00e3o de mortes extras em um ano, s\u00f3 como resultado dessas reformas. A Pol\u00f4nia \u00e9 um pa\u00eds menor, portanto o n\u00famero foi menor, mas os resultados foram proporcionais por toda a regi\u00e3o. Na Rep\u00fablica Tcheca, a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o vivendo na pobreza passou de 5,7% em 1989 para 18,2% em 1992; na Pol\u00f4nia, os n\u00fameros s\u00e3o algo como de 20% para 40%. Ent\u00e3o, se voc\u00eas caminharem agora pelas ruas de Vars\u00f3via, \u00e9 claro, v\u00e3o encontrar um monte de coisas muito legais nas vitrines das lojas \u2013 mas \u00e9 o mesmo em qualquer pa\u00eds do Terceiro Mundo: um monte de riqueza, muito exiguamente concentrada; e pobreza, fome, morte e imensa desigualdade para a vasta maioria <b>[10]<\/b>.<\/p>\n<p>[\u2026]<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o fato de que a R\u00fassia safou-se da tradicional \u00e1rea de servi\u00e7o ocidental terceiro-mundista e estava se desenvolvendo em um rumo independente era realmente uma das principais motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s da Guerra Fria. Isto \u00e9, a conversa t\u00edpica que sempre se escuta a respeito disso \u00e9 de que est\u00e1vamos nos apondo ao terror de Stalin \u2013 mas isso \u00e9 uma total conversa fiada. Em primeiro lugar, n\u00e3o dever\u00edamos poder sequer <i>repetir<\/i> essa conversa, sem um senso de auto-ironia, dados os nossos antecedentes. N\u00f3s nos opomos ao terror de mais algu\u00e9m? Opomo-nos ao terror da Indon\u00e9sia em Timor Leste? Opomo-nos ao terror na Guatemala e em El Salvador? Opomo-nos ao que fizemos no Vitn\u00e3 do Sul? N\u00e3o, n\u00f3s apoiamos o terror o tempo todo \u2013 na verdade, n\u00f3s o pomos no poder.<\/p><\/blockquote>\n<p>*Extra\u00eddo do Cap\u00edtulo 5 (\u201cDominando o Mundo\u201d) do livro <i>Para entender o poder \u2013 o melhor de Noam Chomsky<\/i>, editado por Peter R. Mitchell e John Schoeffel (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005, pp. 194-198).<\/p>\n<p>**As notas de rodap\u00e9 sinalizadas no texto referem-se \u00e0s notas originais do livro, que podem ser acessadas em: <a href=\"http:\/\/understandingpower.com\/files\/AllChaps.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/understandingpower.com\/<wbr \/>files\/AllChaps.pdf<\/a> entre as p\u00e1ginas 163 e 168 do arquivo em PDF.<\/p>\n<p>Foto:<a class=\"m_-2110377328971515902m_5486022363233530712gmail-modal\" title=\"Clique para imagem de visualiza\u00e7\u00e3o\" href=\"https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/69151de3b18b69e6cccf7926265e3794_XL.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"{handler: 'image'}\"> Alejandro Acosta. Di\u00e1rio Liberdade<\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/\" target=\"_blank\">Di\u00e1rio Liberdade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Noam Chomsky \u00e9 reconhecidamente um anarquista, cr\u00edtico tanto do capitalismo (e principalmente do imperialismo dos EUA) como dos modelos socialistas implementados a partir \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13262\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[74],"tags":[],"class_list":["post-13262","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c87-revolucao-russa"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3rU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13262\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}