{"id":13281,"date":"2017-01-19T11:50:29","date_gmt":"2017-01-19T14:50:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13281"},"modified":"2017-01-29T15:09:02","modified_gmt":"2017-01-29T18:09:02","slug":"medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13281","title":{"rendered":"M\u00e9dio Oriente*"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/cadima1_01_01.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Jorge Cadima<\/p>\n<p>Tentar compreender o que se passa no M\u00e9dio Oriente sem ter em conta a natureza do imperialismo e as suas ambi\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas \u00e9 condenar-se a n\u00e3o perceber o essencial. O imperialismo caracteriza-se pela \u2018necessidade\u2019 de dominar o planeta e os seus recursos. A sua rela\u00e7\u00e3o com o M\u00e9dio Oriente \u00e9 uma hist\u00f3ria de guerra, subvers\u00e3o, inger\u00eancia e domina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de hoje. Tem exatamente a mesma dura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que tem essa fase superior do capitalismo.<!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 100 anos, o <i>Foreign Office<\/i> ingl\u00eas mandava o seu agente Lawrence da Ar\u00e1bia instigar a revolta dos \u00e1rabes, ent\u00e3o sob domina\u00e7\u00e3o turco-otomana, prometendo apoio para uma independ\u00eancia futura. Com a Declara\u00e7\u00e3o de Balfour, prometia tamb\u00e9m o seu apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um Estado judaico na Palestina. Mas, ao mesmo tempo que distribu\u00edam promessas na regi\u00e3o (e fora dela), as pot\u00eancias imperialistas elaboravam planos secretos de partilha do M\u00e9dio Oriente, como o acordo Sykes-Picot, revelado ao mundo pela jovem Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. As promessas e instiga\u00e7\u00e3o \u00e0 revolta n\u00e3o visavam a liberta\u00e7\u00e3o dos povos. Eram apenas mecanismos para alcan\u00e7ar o objetivo central das pot\u00eancias imperialistas: dominar a regi\u00e3o.\u00c9 tamb\u00e9m assim nos nossos dias. Ap\u00f3s a II Guerra Mundial, o imperialismo manteve o seu controle sobre alguns pa\u00edses da regi\u00e3o: Israel, Turquia, Jord\u00e2nia e as mais autorit\u00e1rias e retr\u00f3gradas ditaduras da regi\u00e3o, como a Ar\u00e1bia Saudita, Catar, EAU. Mas muitos outros pa\u00edses viram os seus movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional alcan\u00e7arem o poder, pese embora numerosas contradi\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es. Afirmaram pol\u00edticas independentes e nacionalizaram os seus principais recursos, at\u00e9 ent\u00e3o sob controle imperialista, em particular o petr\u00f3leo e o canal do Suez. Tudo isto num contexto em que a exist\u00eancia da URSS e do campo socialista limitava e condicionava a capacidade intervencionista do imperialismo. Entre estes pa\u00edses encontramos os principais alvos do imperialismo nos anos mais recentes: S\u00edria, Iraque, Ir\u00e3o, L\u00edbia.<\/p>\n<p><strong>Contra-ofensiva imperialista<\/strong><\/p>\n<p>A contrarrevolu\u00e7\u00e3o na URSS libertou o imperialismo de constrangimentos. Quem achar que isto \u00e9 \u00abconversa de comunistas\u00bb, pode atentar na conversa dos imperialistas. O General Wesley Clark, comandante das tropas da NATO na guerra contra a Iugosl\u00e1via (1), conta que, em 1991, Paul Wolfowitz, na altura <i>\u00abo n\u00famero tr\u00eas no Pent\u00e1gono\u00bb<\/i>, lhe confidenciou que a principal li\u00e7\u00e3o da Guerra do Golfo foi a de que <i>\u00abaprendemos que podemos usar os nossos militares naquela regi\u00e3o do M\u00e9dio Oriente sem que os sovi\u00e9ticos <\/i> [ent\u00e3o na fase final da perestroika \u2013 NA] nos<i> travem. E [\u2026] temos cerca de cinco ou dez anos para limpar todos aqueles regimes clientelares dos sovi\u00e9ticos, S\u00edria, Ir\u00e3, Iraque, antes que surja uma nova superpot\u00eancia que nos desafie\u00bb<\/i>. Wesley Clark conta ainda que dez anos mais tarde o ministro da Defesa dos EUA deu instru\u00e7\u00f5es para invadir sete pa\u00edses nos cinco anos seguintes: Iraque, S\u00edria, L\u00edbano, L\u00edbia, Som\u00e1lia, Sud\u00e3o e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>A contra-ofensiva do imperialismo para impor de novo a sua hegemonia sobre toda a regi\u00e3o revestiu muitas formas. Por vezes interveio diretamente (com os custos financeiros e pol\u00edticos respectivos). Outras vezes delegou o trabalho sujo nos seus ac\u00f3litos na regi\u00e3o (Israel, Ar\u00e1bia Saudita, Turquia, Catar). Recorreu a criminosos bandos terroristas fundamentalistas. De novo distribuiu promessas, de estados curdos, sunitas, xiitas, sultanatos ou califados, a quantos participassem nas suas opera\u00e7\u00f5es de desestabiliza\u00e7\u00e3o e caos. Tal como Saddam Hussein que em 1980 atacou o Ir\u00e3, fazendo o frete aos EUA e Israel, os incautos que lhes derem ouvidos cedo descobrir\u00e3o qual o valor das promessas imperialistas. No \u2018novo mapa do M\u00e9dio Oriente\u2019 do Tenente-Coronel Peters, publicado na revista norte-americana <i>Armed Forces Journal<\/i> em 2006, n\u00e3o s\u00e3o apenas a S\u00edria, o Iraque ou o Ir\u00e3 que aparecem fragmentados e retalhados. S\u00e3o tamb\u00e9m a Ar\u00e1bia Saudita e a Turquia.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 raz\u00f5es para um optimismo cauteloso. A resist\u00eancia do povo s\u00edrio e seus aliados, e a derrota dos planos de agress\u00e3o imperialista na S\u00edria, se consolidada, representa um acontecimento de grande alcance. O poder do velho imperialismo euro-americano revela os seus limites. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que as mentiras midi\u00e1ticas s\u00e3o cada vez mais delirantes.<\/p>\n<p>Esconder a inger\u00eancia imperialista no M\u00e9dio Oriente \u00e9 como tentar explicar a revolu\u00e7\u00e3o da Terra no Espa\u00e7o sem falar da exist\u00eancia do Sol. \u00c9 imposs\u00edvel ser coerente na defesa do direito dos povos a decidir o seu destino, sem ser solid\u00e1rio com os povos que resistem \u00e0s agress\u00f5es e inger\u00eancias do imperialismo. E n\u00e3o haver\u00e1 paz e progresso para a Humanidade sem a derrota do imperialismo.<\/p>\n<p><i>1 Interven\u00e7\u00e3o em 2007, dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/library.fora.tv\/2007\/10\/03\/Wesley_Clark_A_Time_to_lead\" target=\"_blank\">library.fora.tv\/2007\/10\/03\/<wbr \/>Wesley_Clark_A_Time_to_lead<\/a><\/i><\/p>\n<p><i>*Este artigo foi publicado no \u201cAvante!\u201d n\u00ba 2250, 12.01.2017<\/i><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/medio-oriente\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jorge Cadima Tentar compreender o que se passa no M\u00e9dio Oriente sem ter em conta a natureza do imperialismo e as suas ambi\u00e7\u00f5es \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13281\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-13281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3sd","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13281\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}