{"id":13292,"date":"2017-01-20T11:04:54","date_gmt":"2017-01-20T14:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13292"},"modified":"2017-02-03T14:08:08","modified_gmt":"2017-02-03T17:08:08","slug":"quais-empresas-controlam-o-que-comemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13292","title":{"rendered":"Quais empresas controlam o que comemos?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/lWu1w_dqwFO3WEt5gheGtQwProeRtb1RfNurym-0NseoRS-TPYJTrLzty_DlE8sYbAr2alWOLBvRTaVs9h40dXTEN3-G2WxgQZl9Zg=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/field880.jpg\" alt=\"\" \/>Theresa Krinninger.<\/p>\n<p>Deutsche Welle. Bonn &#8211; 16\/01\/2017<\/p>\n<p>Cada vez menos ind\u00fastrias dominam o mercado de alimentos, <!--more-->indica estudo; atrav\u00e9s de fus\u00f5es, empresas na cadeia de produ\u00e7\u00e3o ficam cada vez maiores, e quem perde s\u00e3o os produtores e consumidores<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 na hora de voltar nossos interesses para al\u00e9m do que chega ao nosso pr\u00f3prio prato&#8221;, comenta um texto explicativo do &#8220;atlas dos conglomerados&#8221; <em>Konzernatlas 2017<\/em>, que a Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, ligada ao Partido Verde alem\u00e3o, divulgou em meados de janeiro em Berlim, em conjunto com a Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo, a Liga do Meio Ambiente e Prote\u00e7\u00e3o da Natureza (Bund), as ONGs Germanwatch e Oxfam e a publica\u00e7\u00e3o mensal <em>Le Monde Diplomatique<\/em>.<\/p>\n<p>Todos s\u00e3o atingidos pela forma como a ind\u00fastria agr\u00edcola e alimentar est\u00e1 evoluindo. Os mais afetados, no entanto, s\u00e3o os elos mais fracos na cadeia de produ\u00e7\u00e3o: os agricultores e a classe trabalhadora nos pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento, que s\u00e3o os mais expostos ao poder de mercado das corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, atrav\u00e9s de fus\u00f5es, as empresas ao longo da cadeia de produ\u00e7\u00e3o ficam cada vez maiores. Desde 2015 aconteceram 12 megafus\u00f5es, ou uma a cada dois meses, em m\u00e9dia. No ano passado, o setor agr\u00edcola e alimentar foi o mais atingido; a ind\u00fastria agroqu\u00edmica &#8220;encolhe para ficar especialmente grande&#8221;, escrevem os autores.<\/p>\n<p>No agroneg\u00f3cio global, sete empresas dominam a produ\u00e7\u00e3o mundial de pesticidas e sementes. No fim de 2017, no entanto, a agricultura ter\u00e1 outra cara. &#8220;Estamos vendo que, em breve, n\u00e3o vamos mais lidar com oligop\u00f3lios, mas com tr\u00eas grandes monop\u00f3lios&#8221;, afirma Barbara Unm\u00fcssig, membro da diretoria da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll e coeditora do <em>Konzernatlas 2017<\/em>.<\/p>\n<p>No agroneg\u00f3cio global, sete empresas dominam a produ\u00e7\u00e3o mundial de pesticidas e sementes<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica sob press\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O grupo alem\u00e3o Bayer pretende comprar a produtora de sementes americana Monsanto, tornando-se assim a maior fabricante mundial de agroqu\u00edmicos. As companhias americanas DuPont e Dow Chemical dever\u00e3o se fundir, e a ChemChina planeja comprar a empresa qu\u00edmica su\u00ed\u00e7a Syngenta.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais poder de mercado se concentra nas m\u00e3os de algumas poucas empresas, n\u00e3o somente os consumidores e consumidoras ficam dependentes de seus produtos, mas tamb\u00e9m os agricultores e agricultoras, a quem s\u00e3o ditados os pre\u00e7os que t\u00eam de pagar por sementes e pesticidas&#8221;, aponta Unm\u00fcssig, acrescentando que a liberdade de escolha dos consumidores diminui, e a press\u00e3o sobre a pol\u00edtica aumenta. &#8220;Quanto mais se concentra o poder de mercado, mais os pol\u00edticos se tornam vulner\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n<p>Consultado pela DW, um porta-voz da Bayer n\u00e3o quis se manifestar sobre essas alega\u00e7\u00f5es. Mas justamente no setor de sementes e pesticidas j\u00e1 quase n\u00e3o h\u00e1 mais concorr\u00eancia. De sete grandes conglomerados restar\u00e3o em breve apenas quatro. Tr\u00eas deles dominar\u00e3o mais de 60% do mercado de sementes comerciais e produtos qu\u00edmicos agr\u00edcolas. Quase todos oferecem culturas geneticamente modificadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da engenharia gen\u00e9tica, tamb\u00e9m a digitaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 modificando a agricultura. &#8220;No futuro n\u00e3o ser\u00e1 mais &#8216;cres\u00e7a ou desista&#8217;, mas &#8216;digitalize-se ou desista'&#8221;, comenta Marita Wiggerthale, respons\u00e1vel por economia agr\u00edcola na Oxfam. Segundo ela, os agricultores est\u00e3o cada vez mais dependentes do agroneg\u00f3cio: sistemas modernos de gest\u00e3o agr\u00edcola s\u00f3 compensam para empresas de capital forte.<\/p>\n<p><strong>Terra de gigantes<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s as colheitas de trigo, milho e soja, entram em cena as empresas conhecidas por ABCD. Segundo o <em>Konzernatlas 2017<\/em>, quatro conglomerados dominam a importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas agr\u00edcolas: as americanas Archer Daniels Midland, Bunge e Cargill, e a holandesa Louis Dreyfus.<\/p>\n<p>Elas negociam, transportam e processam muitas mat\u00e9rias-primas, com uma parcela de mercado de 70%. Al\u00e9m disso, o grupo ABCD est\u00e1 muito bem informado sobre colheitas, pre\u00e7os, flutua\u00e7\u00f5es cambiais, dados meteorol\u00f3gicos e desdobramentos pol\u00edticos em todo o mundo. Essas empresas tamb\u00e9m seriam capazes de utilizar seu enorme poder de negocia\u00e7\u00e3o frente aos produtores. Elas fornecem <em>commodities <\/em>baratas a grandes empresas aliment\u00edcias, como Unilever, Nestl\u00e9, Heinz, Mars, Kellogg&#8217;s e Tschibo. Todas s\u00e3o clientes de um \u00fanico comerciante agr\u00edcola de Cingapura, a Olam International. As empresas aliment\u00edcias, por sua vez, est\u00e3o entre as principais fornecedoras das grandes redes de supermercados.<\/p>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o do supermercado<\/strong><\/p>\n<p>Na Alemanha, por exemplo, quatro cadeias de supermercados dominam 85% do varejo de alimentos. &#8220;As redes de supermercados agem como le\u00f5es de ch\u00e1cara, estipulando quem produz e como, e quais alimentos chegam \u00e0s prateleiras&#8221;, afirma Wiggerthale.<\/p>\n<p>Quanto maior a fatia de mercado dessas redes, maior seu poder de ditar pre\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es aos fornecedores, que sofrem para que seus produtos cheguem \u00e0s prateleiras. Os fornecedores, por sua vez, transferem essa press\u00e3o para os produtores, que sobrevivem \u00e0 custa de mais horas de trabalho e sal\u00e1rios mais baixos, diz o atlas.<\/p>\n<p>As redes de supermercados se expandem principalmente em pa\u00edses de rendas <em>per capita<\/em> m\u00e9dia, como \u00cdndia, Indon\u00e9sia e Nig\u00e9ria, onde elas levam ao fechamento das lojas pequenas e das feiras tradicionais.<\/p>\n<p><strong>Fim da fome a perder de vista<\/strong><\/p>\n<p>Muitas empresas argumentam que combatem a fome mundial com o aumento da produ\u00e7\u00e3o de alimentos. &#8220;A produtividade das terras ar\u00e1veis cultivadas n\u00e3o aumentou. A fertilidade dos solos est\u00e1 sendo destru\u00edda pelo excesso de aduba\u00e7\u00e3o e as monoculturas&#8221;, contrap\u00f5e Unm\u00fcssig.<\/p>\n<p>&#8220;A cada ano se perdem 12 milh\u00f5es de hectares de terra f\u00e9rtil, que poderiam ser utilizados na seguran\u00e7a alimentar.&#8221; Al\u00e9m disso, a utiliza\u00e7\u00e3o de terras cultiv\u00e1veis para a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00f5es e biocombust\u00edveis ocupa milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>Assim, o fato de haver quase 800 milh\u00f5es de subnutridos no mundo n\u00e3o se deve \u00e0 escassez de alimentos, mas segue sendo um problema de distribui\u00e7\u00e3o. E, em vez de resolv\u00ea-lo, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em escala industrial vem agravando ainda mais esse problema, denuncia o <em>Konzernatlas<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos para o fato de que se formam concentra\u00e7\u00f5es de poder que levam \u00e0 depend\u00eancia e vulnerabilidade perante as decis\u00f5es de grandes conglomerados&#8221;, assinala Unm\u00fcssig, reivindicando que sobretudo as leis antitruste e de concorr\u00eancia sejam ampliadas.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Picture-alliance. Zumapress-R. C. Byer.<\/p>\n<p>http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/quais-empresas-controlam-o-que-comemos\/a-37126983<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Theresa Krinninger. Deutsche Welle. Bonn &#8211; 16\/01\/2017 Cada vez menos ind\u00fastrias dominam o mercado de alimentos,\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13292\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-13292","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3so","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13292\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}