{"id":13305,"date":"2017-01-21T11:23:06","date_gmt":"2017-01-21T14:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13305"},"modified":"2017-02-03T14:08:50","modified_gmt":"2017-02-03T17:08:50","slug":"funcionarios-denunciam-perseguicao-da-csn-em-volta-redonda-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13305","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rios denunciam persegui\u00e7\u00e3o da CSN, em Volta Redonda (RJ)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci4.googleusercontent.com\/proxy\/4BgzGh_2ioPEL-LxQxB2Evs48P4pYflpnaAqjOstMIYsVNi0RywhedgSk4wpHg64VB_1cLmshP48iUOXxIyRPHVz5znnAaToLO8_u-2RcrviCXamhQ=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm1.staticflickr.com\/597\/30825846474_d6d3ebdc2b_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Familiares de demitidos criticam conduta da empresa ap\u00f3s acidente que vitimou quatro pessoas<\/p>\n<p>Fania Rodrigues<\/p>\n<p>Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ),\u00a019 de Janeiro de 2017<!--more--><\/p>\n<p>O fantasma da persegui\u00e7\u00e3o a trabalhadores ronda a Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), a maior empresa de a\u00e7o da Am\u00e9rica Latina,\u00a0localizada na cidade de Volta Redonda, no sul fluminense. Funcion\u00e1rios, familiares de empregados e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil denunciam poss\u00edveis\u00a0casos de retalia\u00e7\u00f5es\u00a0praticados\u00a0pela dire\u00e7\u00e3o da empresa dentro e fora das instala\u00e7\u00f5es da f\u00e1brica.<\/p>\n<p>A dona de casa Moralina da Cunha Estev\u00e3o, m\u00e3e do ex-funcion\u00e1rio da CSN, Jo\u00e3o Carlos da Cunha Esteves, afirma que o filho teria sido acusado de fazer uma filmagem com o celular no momento de um grave acidente, ocorrido no dia 25 de mar\u00e7o desse ano, no setor de Zincagem I. Quatro trabalhadores morreram por queimaduras e inala\u00e7\u00e3o de g\u00e1s.<\/p>\n<p>A CSN justifica as demiss\u00f5es argumentando que o uso de aparelhos multim\u00eddia \u00e9 proibido dentro das instala\u00e7\u00f5es da empresa. &#8220;Somos bastante rigorosos com a proibi\u00e7\u00e3o do uso de equipamentos multim\u00eddias dentro da empresa&#8221;, afirma o diretor de siderurgia da CSN, M\u00e1rcio Lins, durante uma audi\u00eancia p\u00fablica, em Volta Redonda, realizada em novembro de 2016.<\/p>\n<p>No entanto, o\u00a0trabalhador nega ser o autor dos v\u00eddeos divulgados na internet. \u201cComo ele pode ter filmado algo se estava tentando salvar os amigos no momento do acidente? Meu filho ajudou a tirar as pessoas machucadas, trabalhadores que tiveram o corpo totalmente queimado, e ainda correndo o risco de se ferir tamb\u00e9m. Como podem demitir meu filho por causa de uma filmagem?\u201d, questiona dona Moralina.<\/p>\n<p>Traumatizado com o acidente e abalado com a exonera\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Carlos prefere n\u00e3o falar sobre o tema. Mas\u00a0a m\u00e3e n\u00e3o se conforma. \u201cMeu filho foi demitido sem direito a nada. Saiu de l\u00e1 como bicho, como se n\u00e3o tivesse dignidade\u201d, critica.<\/p>\n<p>Esse tamb\u00e9m \u00e9 o caso do filho da dona de casa Ana Paula Cabral Costa, m\u00e3e do Victor Hugo Cabral Costa, demitido por justa causa, acusado\u00a0de fazer um v\u00eddeo no momento do mesmo acidente. \u201cMeu filho estava com o amigo, Jo\u00e3o Carlos, ajudando a salvar as v\u00edtimas. A CSN n\u00e3o teve nem a preocupa\u00e7\u00e3o de saber o que isso causou dentro deles. Deixo aqui minha revolta e minha indigna\u00e7\u00e3o com essa empresa, porque o que ela fez com nossos filhos foi uma injusti\u00e7a. Quiseram arrumar culpados para as pr\u00f3prias falhas que a CSN comete. Ela despreza a qualidade do trabalho desses jovens que est\u00e3o l\u00e1 dentro da f\u00e1brica\u201d, critica a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Dez meses depois do acidente, Ana Paula conta\u00a0que o filho ainda n\u00e3o se recuperou do trauma. \u201cVictor ficou muito abalado com a morte dos amigos que ele tentou salvar. Deixo meu apelo \u00e0 sociedade, para que cobre da CSN uma postura mais digna, honesta e menos neoliberal, injusta e cruel com os funcion\u00e1rios\u201d, destaca a dona de casa.<\/p>\n<p>Audi\u00eancia p\u00fablica<\/p>\n<p>Em novembro, as duas m\u00e3es participaram da audi\u00eancia p\u00fablica realizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal,\u00a0onde expuseram a situa\u00e7\u00e3o dos jovens trabalhadores. Funcion\u00e1rios, ex-empregados e seus familiares relataram casos em que a empresa teria usado seu poder para exercer press\u00e3o\u00a0e intimida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pais de uma trabalhadora, que morreu em um acidente no in\u00edcio de 2015, afirmaram que a empresa teria pressionado\u00a0para fazer um acordo informal, onde eles n\u00e3o poderiam procurar ajuda de um advogado, nem falar com\u00a0a imprensa. Isso porque o casal, que pediu anonimato, reivindica uma indeniza\u00e7\u00e3o e a empresa amea\u00e7a n\u00e3o entrar em acordo caso os familiares n\u00e3o atendam \u00e0s duas exig\u00eancias. \u201cEles n\u00e3o querem que a gente consulte nem um advogado. Sabemos que dinheiro nenhum vai trazer minha filha de volta, mas temos duas netas que precisam de cuidados especiais\u201d, relatou o pai.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rio da CSN h\u00e1 15 anos, Vitor Junior garante\u00a0que a companhia fez de tudo para que ele fosse impedido de se candidatar \u00e0 membro da Comiss\u00e3o Interna de Preven\u00e7\u00e3o de Acidente (CIPA), composta\u00a0por trabalhadores e por pessoas indicadas pela diretoria. A elei\u00e7\u00e3o ocorreu no final de novembro. \u201cSabendo que eu me candidataria, a dire\u00e7\u00e3o da CSN me deu f\u00e9rias justamento no m\u00eas dessa elei\u00e7\u00e3o\u00a0e bloqueou meu crach\u00e1 para que n\u00e3o pudesse entrar e registrar minha candidatura\u201d, relata Vitor Junior.<\/p>\n<p>Ao longo do \u00faltimo ano, Vitor denunciou abertamente o que ele considera &#8220;ass\u00e9dio moral&#8221; praticado por seus\u00a0chefes, assim as &#8220;metas abusivas de produ\u00e7\u00e3o que comprometem a sa\u00fade f\u00edsica e mental dos trabalhadores&#8221;, os baixos sal\u00e1rios e as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Junto com outros trabalhadores e a sociedade civil organizada criaram o F\u00f3rum de Resist\u00eancia, um grupo que tem como objetivo combater os altos n\u00fameros de acidentes dentro da CSN e\u00a0denunciar as viola\u00e7\u00f5es trabalhistas,\u00a0entre outras quest\u00f5es apontadas como poss\u00edveis\u00a0irregularidades.<\/p>\n<p>Conhecida como a \u201ccidade do a\u00e7o\u201d, Volta Redonda, \u00a0que tem cerca de 260 mil habitantes, praticamento\u00a0cresceu em volta da CSN.\u00a0At\u00e9 hoje os bairros ainda s\u00e3o separados pelos extratos sociais dos trabalhadores da empresa: prolet\u00e1rios, t\u00e9cnicos, gerentes e executivos da empresa. As casas, constru\u00eddas entre as d\u00e9cadas de 50 e 80, pertenciam \u00e0 CSN, mas foram vendidas aos funcion\u00e1rios nos anos 90, logo depois da privatiza\u00e7\u00e3o\u00a0em 1993, no governo de Itamar Franco (PSDB). Isso ocorreu, segundo o oper\u00e1rio Vitor Junior,\u00a0devido aos custos de manuten\u00e7\u00e3o das propriedades, que a empresa n\u00e3o queria mais arcar.<\/p>\n<p>Os imponentes edif\u00edcios, que comportam os diferentes processos industriais da companhia, ficam exatamente no centro da cidade, o que mostra seu poder simb\u00f3lico\u00a0no munic\u00edpio, que gira em torno de sua economia.<\/p>\n<p>Acidentes de trabalho<\/p>\n<p>Durante todo o ano de 2016, o\u00a0Brasil de Fato\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/11\/09\/operarios-denunciam-aumento-de-acidentes-de-trabalho-na-csn-em-volta-redonda\/\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/11\/09\/operarios-denunciam-aumento-de-acidentes-de-trabalho-na-csn-em-volta-redonda\/&amp;source=gmail&amp;ust=1485093346925000&amp;usg=AFQjCNHJgq53mysVbB5g92hWLUsDkg4IWg\">acompanhou den\u00fancias<\/a>\u00a0sobre o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/07\/13\/csn-ja-registra-quatro-mortos-e-cem-acidentes-em-2016\/\" target=\"_blank\">aumento de acidentes<\/a>\u00a0de trabalho na ind\u00fastria sider\u00fargica. Foram mais de 260 acidentes, entre janeiro e novembro do ano passado. Em 2015 haviam ocorrido 197 acidentes e em 2014 foram 194, de acordo com levantamento do F\u00f3rum de Resist\u00eancia.<\/p>\n<p>O diretor de siderurgia da CSN, M\u00e1rcio Lins, reconheceu que o problema \u00e9 grave. \u201cN\u00f3s estamos preocupados porque estamos tendo acidentes de alta gravidade, que cresceram no \u00faltimo ano. Tivemos um acidente em 2016 com quatro mortes. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o provoca mudan\u00e7as de toda ordem na empresa\u201d, disse Lins.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0J\u00falio Cesar Condaque Soares, participante\u00a0do F\u00f3rum de Resist\u00eancia, uma das raz\u00f5es para o aumento dos acidentes \u00e9 a alta rotatividade de funcion\u00e1rios da empresa. \u201cCerca de 1.500 foram demitidos em 2016. Entre eles, trabalhadores de mais de 20 anos de experi\u00eancia. No lugar contrataram jovens e\u00a0estagi\u00e1rios que ocupam\u00a0fun\u00e7\u00f5es em postos estrat\u00e9gicos, sem experi\u00eancia e\u00a0recebendo tr\u00eas vezes menos\u201d, relata Soares, que tamb\u00e9m integra\u00a0a central sindical CSP-Conlutas.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor da CSN, a rotatividade anual da empresa est\u00e1 entre 20 e 25%. &#8220;Cerca de 60% dos trabalhadores t\u00eam menos de tr\u00eas anos de casa\u201d. Ele tamb\u00e9m afirma que a empresa acelerou o ritmo de produ\u00e7\u00e3o. \u201cTivemos uma entrada de novos empregados, trabalhando em ritmo maior do estavam acostumados a fazer\u201d, destaca M\u00e1rcio Lins.<\/p>\n<p>O corte de investimento com a m\u00e3o de obra aconteceu porque a CSN teria colocado em pr\u00e1tica um plano de expans\u00e3o e diversificado seus neg\u00f3cios, segundo Soares. \u201cEla investiu no Porto Maravilha e em bolsas de valores internacionais, al\u00e9m disso comprou uma parte da Thyssen Krupp CSA (TKCSA). Para tornar isso vi\u00e1vel, a empresa reduziu os investimentos em m\u00e3o de obra na unidade de Volta Redonda\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O ex-funcion\u00e1rio da empresa, Sirizo Honorato defende que a principal luta nesse momento \u00e9 para que a CSN retome o mesmo modelo de preven\u00e7\u00e3o de acidentes que existia antes de ser privatizada. \u201cQueremos a volta do programa Acidente Zero, pois nos anos 80 e 90, quando a empresa tinha quatro vezes o n\u00famero de trabalhadores atuais, n\u00f3s conseguimos zerar os acidentes. Hoje, com menos trabalhadores, n\u00e3o podemos aceitar esse grande n\u00famero de oper\u00e1rios mortos e\u00a0feridos, pois sabemos que tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de preven\u00e7\u00e3o\u201d, assinala Honorato, do Comit\u00ea de Luta Classista, que tamb\u00e9m integra o F\u00f3rum de Resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Apesar de ser procurada\u00a0pelo jornal\u00a0Brasil de Fato, at\u00e9 fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, a CSN n\u00e3o se manifestou sobre as den\u00fancias dos familiares e dos trabalhadores.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Virissimo<\/em><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Poder da CSN fica vis\u00edvel inclusive na geografia da cidade de Volta Redonda, que cresceu ao redor de suas instala\u00e7\u00f5es \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/19\/funcionarios-denunciam-perseguicao-da-csn-em-volta-redonda-no-rj\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Familiares de demitidos criticam conduta da empresa ap\u00f3s acidente que vitimou quatro pessoas Fania Rodrigues Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ),\u00a019 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13305\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-13305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s18-sindical"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3sB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}