{"id":13379,"date":"2017-01-29T15:03:04","date_gmt":"2017-01-29T18:03:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13379"},"modified":"2017-02-15T13:52:35","modified_gmt":"2017-02-15T16:52:35","slug":"dia-nacional-de-visibilidade-trans-lutar-resistir-e-reexistir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13379","title":{"rendered":"Dia Nacional de Visibilidade Trans: lutar, resistir e reexistir!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm1.staticflickr.com\/757\/32402579042_715450afb0_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Atualmente, a luta de homens trans e mulheres travestis e transexuais se intensificou e se fortaleceu nas redes sociais<\/strong><\/p>\n<p>Indianara Siqueira<!--more--><br \/>\nBrasil de Fato<\/p>\n<p>29 de Janeiro \u00e9 Dia Nacional da Visibilidade Trans (VestiG\u00eanere*). Nessa data, em 2004, foi lan\u00e7ada a campanha do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u201cTravesti e Respeito- J\u00e1 \u00e9 hora dos dois serem vistos juntos\u201d. No entanto, at\u00e9 hoje essa parcela da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 invis\u00edvel aos olhos da sociedade em todos os sentidos.<\/p>\n<p>Atualmente, a luta de homens trans e mulheres travestis e transexuais se intensificou e se fortaleceu nas redes sociais e em eventos mundo afora, mas nossos direitos continuam sendo violados cotidianamente. Foram 177 transvestig\u00eaneres assassinades** em 2016 no Brasil &#8211; 95 mulheres travestis, 60 mulheres trans e 22 homens trans.<\/p>\n<p>Nosso pa\u00eds \u00e9 o primeiro no mundo no ranking de assassinatos dessas pessoas, de acordo com a ONG Transgender Europe. Aqui, n\u00e3o temos respeito ao nome social nos servi\u00e7os p\u00fablicos, causando grande constrangimento e sofrimento, expondo essa parcela da popula\u00e7\u00e3o ao bullying e at\u00e9 provocando suic\u00eddios.<\/p>\n<p>Isso tudo acontece mesmo depois de 20 anos da aprova\u00e7\u00e3o do nome social, que foi reivindicado pelo grupo Filad\u00e9lfia durante a Confer\u00eancia Municipal de Sa\u00fade, em Santos (SP), em 1996.<\/p>\n<p>As pessoas transvestig\u00eaneres n\u00e3o est\u00e3o inseridas nas escolas e universidades, devido ao desrespeito e \u00e0s agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas sofridas nesses espa\u00e7os. Este cen\u00e1rio elimina as pessoas trans do mercado de trabalho que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 preparado para acolher. Pelo contr\u00e1rio, nos obrigam ao uso do banheiro, vesti\u00e1rio e vestu\u00e1rio n\u00e3o conforme a nossa identidade de g\u00eanero. Parece um ciclo sem fim de sofrimento e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos obrigam a forjar uma caricatura daquilo que esperavam que f\u00f4ssemos, o que leva mais de 90% de mulheres transvestig\u00eaneres a ter na prostitui\u00e7\u00e3o a sua \u00fanica op\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia e homens transvestig\u00eaneres a subempregos e mendic\u00e2ncia. Alguns, hoje, tamb\u00e9m j\u00e1 se aventuram no mundo da prostitui\u00e7\u00e3o tendo seus corpos fetichizados como homens com vagina.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade p\u00fablica, o desrespeito \u00e9 t\u00e3o grande, que muitas pessoas procuram atendimento em \u00faltimo caso. Muitas vezes, o problema de sa\u00fade se agrava a tal ponto, que provoca \u00f3bito de nossa popula\u00e7\u00e3o transvestig\u00eanere. Somos pessoas sem direito algum. Nem a existir dentro de nossa pr\u00f3pria casa familiar, porque somos expulses em in\u00edcio de transi\u00e7\u00e3o, geralmente quando completamos 18 anos. A expuls\u00e3o de casa nos leva a viver e a dormir nas ruas e ainda nos exp\u00f5em ao uso abusivo de drogas e \u00e1lcool para amenizar o sofrimento, o que provoca outros sofrimentos.<\/p>\n<p>Somos invisibilizades dentro dessa sociedade racista, mis\u00f3gina, machista, intertranslesbihomof\u00f3bica*, que nos mata a conta-gotas em cada vez que nos negam direitos. E tamb\u00e9m nos assassinam das maneiras mais cru\u00e9is por meio de crimes de \u00f3dio. O debate sobre g\u00eanero nas escolas \u00e9 urgente para conscientizar as pessoas, desde cedo, que somos todes pessoas que t\u00eam direito de existir, independentemente de identidade de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Continuaremos resistindo. Somos resilientes. Nossos corpos rasgar\u00e3o essa sociedade como navalhas, derrubando seus padr\u00f5es opressores e assassinos. Direito, visibilidade e respeito a todes os corpos transvestig\u00eaneres. N\u00e3o recuaremos. E, sim, avan\u00e7aremos e venceremos por n\u00f3s, porque esta tamb\u00e9m ser\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o dessa sociedade pautada no machismo assassino da cisheteronorma**. Por mim. Por n\u00f3s e por todes.<\/p>\n<p>Indianara Siqueira \u00e9 transvestig\u00eanere, presidente do TransRevolu\u00e7ao, idealizadora do PreparaNEM e da CasaNEM e vereadora suplente pelo PSOL<\/p>\n<p>*Transvestig\u00eanere: para al\u00e9m da vestimenta, da genit\u00e1lia e do g\u00eanero.<\/p>\n<p>**assassinades \u2013 em vez de usar artigo bin\u00e1rios como A ou O, a popula\u00e7\u00e3o trans adota o vocabul\u00e1rio neutro com o E.<\/p>\n<p>* intertranslesbihomof\u00f3bica: \u00f3dio a pessoas intersexuais, transexuais, l\u00e9sbicas, bissexuais e homossexuais.<\/p>\n<p>** cisheteronorma: cis = pessoa cisg\u00eanera, ou seja, pessoa que se identifica com o g\u00eanero com o qual foi designada ao nascer. Hetero = pessoa cuja orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 heterossexual. Norma = normativa, isto \u00e9, que segue as normas da sociedade.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Coordenadora da Ong TransRevolu\u00e7\u00e3o, Indianara Alves Siqueira, durante o ato do Dia Nacional da Visibilidade Trans, no centro do Rio, em 2016. Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/28\/dia-nacional-de-visibilidade-trans-lutar-resistir-e-reexistir\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Atualmente, a luta de homens trans e mulheres travestis e transexuais se intensificou e se fortaleceu nas redes sociais Indianara Siqueira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13379\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[182],"tags":[],"class_list":["post-13379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lgbt"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3tN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}