{"id":13433,"date":"2017-02-03T00:00:56","date_gmt":"2017-02-03T03:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13433"},"modified":"2017-02-15T13:53:55","modified_gmt":"2017-02-15T16:53:55","slug":"pc-do-mexico-sobre-o-muro-de-trump-na-fronteira-com-o-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13433","title":{"rendered":"PC do M\u00e9xico: Sobre o muro de Trump na fronteira com o M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-nZPLRLXnV00\/VTKeR6eAttI\/AAAAAAAAF6E\/a6Z_8305mu0\/s512\/11139392_812106852188713_3035414930060315167_n.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Para confrontar a pol\u00edtica imperialista de Trump: nem submiss\u00e3o, nem \u201cunidade nacional\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Tal como anunciou em sua campanha, o Presidente dos EUA, Donald Trump, <!--more-->assinou uma ordem executiva para a constru\u00e7\u00e3o do muro fronteiri\u00e7o entre seu pa\u00eds e o nosso, com o prop\u00f3sito expresso de conter a migra\u00e7\u00e3o de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a for\u00e7a de trabalho nos diferentes ramos da produ\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os nessa na\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/p>\n<p>Sem media\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, Trump assegurou tamb\u00e9m que a constru\u00e7\u00e3o de tal muro \u2013 ao longo dos 3.185 quil\u00f4metros de fronteira \u2013 ser\u00e1 paga pelo M\u00e9xico, em um custo que se avalia entre 15 e 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Condicionou a anunciada reuni\u00e3o com Enrique Pe\u00f1a Nieto, Presidente do M\u00e9xico, ao compromisso deste com tal pagamento. Adicionalmente, o presidente norte-americano adota a medida de impor um imposto de 20% sobre os produtos mexicanos que entram nos EUA para financiar a constru\u00e7\u00e3o do muro, com o qual conclui de fato com os acordos tarif\u00e1rios inclu\u00eddos no NAFTA, ao qual pretende revisar em busca de condi\u00e7\u00f5es ainda mais vantajosas para os monop\u00f3lios que representa.<\/p>\n<p>O Partido Comunista do M\u00e9xico condena a constru\u00e7\u00e3o de tal muro fronteiri\u00e7o e apresenta seus pontos de vista sobre a maneira com que os trabalhadores devem confrontar a agressividade imperialista, antioper\u00e1ria, anti-imigrante e racista.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 falso que os trabalhadores migrantes mexicanos, centro-americanos, latino-americanos, haitianos ou de qualquer outra nacionalidade sejam respons\u00e1veis pela mis\u00e9ria e pelas condi\u00e7\u00f5es de vida paup\u00e9rrimas da classe trabalhadora norte-americana. Este argumento demag\u00f3gico foi proferido j\u00e1 na Alemanha dos anos 30, contra os trabalhadores de origem judia e do Leste Europeu, e atualmente se escuta na Uni\u00e3o Europeia contra os trabalhadores de origem \u00e1rabe e africana. O desemprego e a desvaloriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho s\u00e3o parte da natureza do capitalismo como modo de produ\u00e7\u00e3o. Com o racismo e os discursos reacion\u00e1rios, se pretende distrair os trabalhadores dos EUA das principais causas de seus problemas, entre as quais se destaca a crise de superprodu\u00e7\u00e3o e superacumula\u00e7\u00e3o, que se iniciou em 2009 e tem seu epicentro nos EUA, e em seu oitavo ano continua desvalorizando a for\u00e7a de trabalho, golpeando os direitos sociais e trabalhistas. A classe oper\u00e1ria multinacional que forma o proletariado norte-americano \u00e9 t\u00e3o explorada quanto \u00e0 classe oper\u00e1ria de outros pa\u00edses, com a finalidade de aumentar os superlucros dos monop\u00f3lios e a relocaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria que devasta as outrora importantes cidades como Detroit, Cleveland, Pittsburg, Minneapolis, tem como motivo fundamental a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro dos monop\u00f3lios dos distintos ramos da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente falso que o ataque aos trabalhadores migrantes e as medidas protecionistas que promove Trump v\u00e3o colocar fim \u00e0 crise da economia capitalista. O aprofundamento da crise est\u00e1 em curso e, em consequ\u00eancia, um maior ataque contra o conjunto da classe oper\u00e1ria e de todos os trabalhadores dos EUA, que no imediato significar\u00e1 cortes brutais nos servi\u00e7os de sa\u00fade e no chamado\u00a0<em>welfare<\/em>, maiores cortes nos or\u00e7amentos p\u00fablicos para sustentar os lucros do capital e resgate das ind\u00fastrias em processo de quebra.<\/p>\n<p>O ataque racista aos trabalhadores, intr\u00ednseco \u00e0 domina\u00e7\u00e3o burguesa, cresce em tempos de crise e, tamb\u00e9m, deve aumentar a resposta classista. A \u00fanica resposta \u00e0 crise capitalista \u2013 que j\u00e1 manifesta os limites hist\u00f3ricos da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o e do c\u00e2mbio \u2013 \u00e9 lutar pela unidade da classe trabalhadora e suas reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, em primeiro lugar o poder oper\u00e1rio e o socialismo-comunismo; n\u00e3o existem termos m\u00e9dios nem esta\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, e quem disser isso na realidade estar\u00e1 buscando prolongar a agonia e, em consequ\u00eancia, as calamidades que padece cotidianamente a classe oper\u00e1ria e a fam\u00edlia trabalhadora, assim como os setores populares e os povos do Mundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos o muro fronteiri\u00e7o, nem o muro de Israel contra o povo palestino, nem os campos de concentra\u00e7\u00e3o contra os migrantes africanos e \u00e1rabes na UE, nem as abusivas medidas racistas da pol\u00edcia migrat\u00f3ria mexicana contra nossos irm\u00e3os trabalhadores hondurenhos, salvadorenhos, guatemaltecos, haitianos. O sofrimento do prolet\u00e1rio, que em muitos casos encontra a morte em mares e desertos, nos leva a considerar que n\u00e3o \u00e9 com nacionalismos nem com ret\u00f3rica populista sobre a soberania nacional que se enfrentar\u00e1 o imperialismo, mas com o internacionalismo prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00f3s comunistas, sabendo que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, f\u00e1cil, nem instant\u00e2nea, trabalharemos pela unidade da classe oper\u00e1ria do M\u00e9xico e dos EUA, por\u00e9m tamb\u00e9m dos trabalhadores migrantes de outras nacionalidades contra os monop\u00f3lios que nos exploram e reprimem mancomunadamente.<\/p>\n<p>A m\u00e3o de obra imigrante \u00e9 e sempre foi um componente essencial da acumula\u00e7\u00e3o, pois tanto \u00e9 maior a superexplora\u00e7\u00e3o como a extra\u00e7\u00e3o da mais-valia derivada daquela. Propalando o racismo contra os trabalhadores migrantes, a burguesia visa antagonizar e criar conflitos entre os diversos setores da classe oper\u00e1ria para poder reduzir o valor de sua for\u00e7a de trabalho. S\u00f3 a unidade dos trabalhadores, reiteramos, abrir\u00e1 um caminho certo, sem chauvinismos, sem nacionalismos.<\/p>\n<p>A luta contra Trump e o imperialismo norte-americano est\u00e1 acoplada \u00e0 luta contra os monop\u00f3lios e o capitalismo no M\u00e9xico, por isso \u00e9 falsa a velha f\u00f3rmula burguesa proclamada com veem\u00eancia nos \u00faltimos dias: a \u201cunidade nacional\u201d.<\/p>\n<p>A soberania popular n\u00e3o est\u00e1 no interesse dos monop\u00f3lios, pois sua \u00fanica p\u00e1tria \u00e9 o lucro. S\u00f3 quando o capitalismo for derrotado e se encontrar triunfante o poder oper\u00e1rio, os interesses soberanos sobre energ\u00e9ticos, terras, ind\u00fastria, recursos naturais, mares, fronteiras, ser\u00e3o garantidos. Isso \u00e9 poss\u00edvel no contexto da constru\u00e7\u00e3o do socialismo-comunismo em nosso pa\u00eds.\u00a0Existem condi\u00e7\u00f5es que amaduressem para que essa obra frutifique.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos ensina como ao longo do S\u00e9culo XX, nas ocasi\u00f5es em que a classe oper\u00e1ria adotou a \u201cunidade nacional\u201d, hipotecou sua independ\u00eancia como classe, subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar seus lucros e afirmar sua domina\u00e7\u00e3o. Com a \u201cunidade nacional\u201d, foram assinados algumas vezes pactos oper\u00e1rio-patronais nos quais se desvalorizou a for\u00e7a de trabalho, se aceitaram sem reparo medidas de austeridade, se restringiram liberdades e direitos democr\u00e1ticos e trabalhistas. Os pactos interclassistas sempre se deram em preju\u00edzo dos trabalhadores; no M\u00e9xico, afian\u00e7aram gest\u00f5es populistas que avan\u00e7aram na concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital e produziram um per\u00edodo de estabiliza\u00e7\u00e3o que favoreceu a classe dominante.<\/p>\n<p>A ret\u00f3rica \u201canti-imperialista\u201d, cheia de um discurso antiestadunidense, disfar\u00e7ou os la\u00e7os de interdepend\u00eancia que se teciam entre os monop\u00f3lios de ambas as na\u00e7\u00f5es e que se fortaleceram com a assinatura do NAFTA em 1994, tanto que a ideologia da \u201cunidade nacional\u201d se arquivava para outros tempos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, hoje a classe dominante achou \u00fatil resgatar essa pol\u00edtica da \u201cunidade nacional\u201d, com v\u00e1rios objetivos. Em primeiro lugar, obtendo a unidade da pr\u00f3pria burguesia e suas express\u00f5es pol\u00edticas, desde a direita e o liberalismo at\u00e9 a socialdemocracia e a nova socialdemocracia.<\/p>\n<p>Em seu discurso na Ciudad Acu\u00f1a, Coahuila, L\u00f3pez Obrador conclama imediatamente a cerrar fileiras com Pe\u00f1a Nieto, esquecendo despudoradamente que o considerava um presidente ileg\u00edtimo, tanto que ele era, \u00e9 claro, o presidente leg\u00edtimo de M\u00e9xico. Nele, apresentou uma serie de medidas que poucos dias depois foram adotadas por Enrique Pe\u00f1a Nieto. Na mesma dire\u00e7\u00e3o se alinharam rapidamente todas as c\u00e2maras patronais, os partidos registrados, o poder legislativo, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, os intelectuais org\u00e2nicos do sistema. Em toda a classe dominante existe o consenso sobre a \u201cunidade nacional\u201d e o maior porta-voz \u00e9 Carlos Slim, cabe\u00e7a de um dos monop\u00f3lios que mais superlucros obt\u00e9m.<\/p>\n<p>As medidas que incentivam s\u00e3o falsas sa\u00eddas, placebos, verborragia, demagogia. Enganos, em uma palavra.<\/p>\n<p>Em meio a essa febre de chauvinismo, os monop\u00f3lios encontrar\u00e3o a forma de negociar com Trump e o imperialismo novas regras que os favore\u00e7am. \u00c9 poss\u00edvel prever que tais acordos ter\u00e3o um car\u00e1ter secreto e \u00e0s costas de ambos os povos. Al\u00e9m disso, est\u00e3o abrindo o caminho para que a gest\u00e3o da nova socialdemocracia do MORENA e L\u00f3pez Obrador, ao qual nestes dias se somaram o monop\u00f3lio da TV Azteca e o ex-Secret\u00e1rio de Interior, Esteban Moctezuma, conquistem a Presid\u00eancia em 2018.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, acima desses objetivos est\u00e1, sobretudo, o de atenuar a luta de classes em nosso pa\u00eds \u2013 que se acentuou com o in\u00edcio de 2017, ap\u00f3s os efeitos da crise capitalista que se recarrega na economia popular, nos bolsos dos trabalhadores, com o\u00a0<em>\u201cgasolinazo\u201d<\/em>, a carestia, o aumento selvagem dos custos dos produtos b\u00e1sicos, o transporte, os servi\u00e7os \u2013 e as ondas de protesto, que ainda que espont\u00e2neas por agora, expressam o potencial da luta da classe oper\u00e1ria e dos setores populares contra o poder dos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>O Partido Comunista do M\u00e9xico conclama os trabalhadores a n\u00e3o ca\u00edrem na armadilha da \u201cunidade nacional\u201d, a n\u00e3o ca\u00edrem na l\u00f3gica dos acordos interclassistas, nem na concilia\u00e7\u00e3o de classes, e a intensificarem a luta consequente contra o imperialismo que \u00e9, em primeiro lugar, a luta contra os monop\u00f3lios no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O Partido Comunista do M\u00e9xico chama \u00e0 luta para romper com os acordos interestatais, como o NAFTA, e as novas formas que adquira depois das previs\u00edveis modifica\u00e7\u00f5es \u00e0s portas de sua arquitetura.<\/p>\n<p>O Partido Comunista do M\u00e9xico chama \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores migrantes na fronteira norte, atrav\u00e9s das fronteiras nas grandes cidades dos EUA e, tamb\u00e9m, na fronteira sul de nosso pa\u00eds, onde nossos irm\u00e3os prolet\u00e1rios centro-americanos sofrem com a Pol\u00edcia Migrat\u00f3ria mexicana humilha\u00e7\u00f5es similares \u00e0s vividas com a US Border Patrol.<\/p>\n<p>Nosso chamado \u00e9 o internacionalismo, n\u00e3o ao nacionalismo; nosso chamado \u00e9 a posi\u00e7\u00f5es classistas, n\u00e3o \u00e0 \u201cunidade nacional\u201d. Nosso chamado \u00e9 \u00e0 unidade com os trabalhadores norte-americanos, e n\u00e3o com nossos algozes, nossos exploradores que s\u00e3o a classe dos burgueses, cujas pol\u00edticas de fome e mis\u00e9ria for\u00e7am milh\u00f5es de trabalhadores de nosso pa\u00eds a buscarem na emigra\u00e7\u00e3o laboral melhores condi\u00e7\u00f5es de vida; esses burgueses que constroem muros de exclus\u00e3o e injusti\u00e7a social em nossas cidades e povoados, em torno de suas luxuosas zonas residenciais e centros comerciais, enquanto a imensa maioria explorada sobrevive com o indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p><em>Prolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos!<\/em><\/p>\n<p><strong>Bir\u00f4 Pol\u00edtico do Comit\u00ea Central<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/www.comunistas-mexicanos.org\/index.php\/partido-comunista-de-mexico\/2145-contra-el-muro-contra-el-imperialismo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para confrontar a pol\u00edtica imperialista de Trump: nem submiss\u00e3o, nem \u201cunidade nacional\u201d. 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