{"id":13472,"date":"2017-02-05T13:11:12","date_gmt":"2017-02-05T16:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13472"},"modified":"2017-02-21T12:50:17","modified_gmt":"2017-02-21T15:50:17","slug":"area-ocupada-por-latifundio-cresceu-372-no-brasil-nos-ultimos-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13472","title":{"rendered":"\u00c1rea ocupada por latif\u00fandio cresceu 372% no Brasil nos \u00faltimos 30 anos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/wZ__wAGQfpr-z93vdP9KUBXgdIhwmlAt4jFXZZSy8Thlxf8VfRTFzqphCi0o0U7LDTNFNCDaeXO5XAsKjktJ5jtmg-6inldPe8jRO-31aejPdNTs-g=s0-d-e1-ft#https:\/\/farm1.staticflickr.com\/363\/32569240911_139a8f38e7_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Estudo revela que vendas de terras para estrangeiros e grilagem s\u00e3o os principais motivos da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria<\/p>\n<p>Reda\u00e7\u00e3o Brasil de Fato<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A a\u0301rea das propriedades com mais de 100 mil hectares cresceu 372% no Brasil desde 1985, apontou o Relat\u00f3rio DataLuta Brasil, do N\u00facleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agr\u00e1ria (NERA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), lan\u00e7ado originalmente em 2014 e atualizado em janeiro deste ano.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a reforma agr\u00e1ria segue em ritmo menor que a territorializac\u0327a\u0303o do agronego\u0301cio, principalmente por causa da grilagem e do processo de estrangeirizac\u0327a\u0303o de terras \u2013 h\u00e1 donos de terras oriundos de pelo menos 23 pa\u00edses, sendo os principais os Estados Unidos, o Jap\u00e3o, o Reino Unido, a Fran\u00e7a e a Argentina.<\/p>\n<p>&#8220;Os principais investimentos [dessas terras] sa\u0303o em <em>commodities<\/em>: soja, milho, canola, colza, sorgo, cana de ac\u0327u\u0301car e monocultura de a\u0301rvores, ale\u0301m da produc\u0327a\u0303o de sementes transge\u0302nicas&#8221;, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Sobre o assunto, foram feitas compara\u00e7\u00f5es entre os governos &#8220;neoliberais&#8221; e &#8220;p\u00f3s-liberais&#8221; \u2013 sendo o primeiro grupo formado pelos governos de Jos\u00e9 Sarney (1985-1990), Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e o segundo pelos de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003-2016).<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que nenhum dos dois grupos trataram a reforma agra\u0301ria como uma poli\u0301tica estrate\u0301gica para um modelo de desenvolvimento alternativo. Em ambos, a pol\u00edtica agr\u00e1ria estabelecida garantiu o controle territorial pelo chamado &#8220;bin\u00f4mio latif\u00fandio&#8221;: o agronego\u0301cio e as poli\u0301ticas de desenvolvimento da agricultura, especialmente nos investimentos na produc\u0327a\u0303o e em tecnologias, que sa\u0303o majoritariamente voltados para o modelo hegemo\u0302nico.<\/p>\n<p>Mobiliza\u00e7\u00e3o camponesa<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, &#8220;a reforma agra\u0301ria e\u0301 uma iniciativa das lutas camponesas, que se &#8216;espacializam&#8217; e se &#8216;territorializam&#8217;, criando &#8216;conflitualidades&#8217; como o modelo de desenvolvimento hegemo\u0302nico&#8221; (sic), ou seja, as u\u0301nicas forc\u0327as que se contrapo\u0303em ao modelo hegemo\u0302nico sa\u0303o os movimentos camponeses e indi\u0301genas, que, al\u00e9m de lutar pela terra, disputam territo\u0301rio na construc\u0327a\u0303o de uma modelo alternativo.<\/p>\n<p>S\u00e3o enumerados cinco protagonistas da luta pela terra no pa\u00eds: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Confederac\u0327a\u0303o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), a Frente Nacional de Lutas (FNL) e os movimentos indi\u0301genas e quilombolas, que usam como estrat\u00e9gias de reivindica\u00e7\u00e3o as ocupa\u00e7\u00f5es, o bloqueio de vias e a realiza\u00e7\u00e3o de marchas.<\/p>\n<p>De acordo com o Dataluta, as lutas pela terra se intensificaram no governo Fernando Henrique Cardoso, momento de crise econo\u0302mica e maior organizac\u0327a\u0303o dos movimentos camponeses.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o ex-presidente afirmava que faria a reforma agra\u0301ria no Brasil, mas, com o aumento das ocupac\u0327o\u0303es de terras (que teve seu pico em 1998, com cerca de 113 mil fam\u00edlias acampadas), o governo n\u00e3o s\u00f3 desistiu de sua promessa como criou a Medida Proviso\u0301ria n\u00ba 2.109-49\/2001 para criminalizar as ocupac\u0327o\u0303es.<\/p>\n<p>A segunda onda de mobiliza\u00e7\u00e3o comec\u0327ou com a fase po\u0301s-neoliberal, em 2003, com a eleic\u0327a\u0303o de Luiz Ina\u0301cio Lula da Silva, per\u00edodo de maior crescimento do n\u00famero de fam\u00edlias assentadas \u2013foram 117 mil no total. Por\u00e9m, mesmo prometendo fazer a reforma agra\u0301ria, Lula n\u00e3o foi capaz de alterar a estrutura fundia\u0301ria nacional.<\/p>\n<p>O governo Dilma, por sua vez, destaca-se como um dos piores em rela\u00e7\u00e3o ao estabelecimento de assentamentos desde a promulgac\u0327a\u0303o da Constituic\u0327a\u0303o de 1988.<\/p>\n<p>P\u00f3s-golpe<\/p>\n<p>Apesar da cr\u00edtica \u00e0 presidenta, a avalia\u00e7\u00e3o do Dataluta \u00e9 que a sa\u00edda da ex-presidenta Dilma Rousseff do poder inaugurou um novo per\u00edodo neoliberal no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Com o golpe, foi implementado um conjunto de medidas nefastas pelo governo golpista nos diversos setores que compo\u0303em a sociedade brasileira, desde a\u0301reas como a educac\u0327a\u0303o e a sau\u0301de ate\u0301 a Previde\u0302ncia Social, o que reflete num processo intenso de ataque aos direitos conquistados pela classe trabalhadora ao longo da histo\u0301ria do pai\u0301s. O Brasil agra\u0301rio tambe\u0301m na\u0303o esta\u0301 distante desses ataques&#8221;, afirma o texto.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do instituto \u00e9 que a\u00e7\u00f5es como a extinc\u0327a\u0303o do Ministe\u0301rio do Desenvolvimento Agra\u0301rio (MDA), as propostas de mudan\u00e7a na Previd\u00eancia Social que prejudicam os camponeses e a venda de terra para estrangeiros &#8220;deixam clara a postura elitista representada pelo atual governo golpista e aumentam ainda mais a desigualdade social&#8221;, mas, ao mesmo tempo, &#8220;aumentam a resiste\u0302ncia dos movimentos populares, criando um novo cena\u0301rio poli\u0301tico para esta segunda fase de governos neoliberais&#8221;.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Camila Rodrigues da Silva<\/em><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Latif\u00fandio de cana de a\u00e7\u00facar no estado de S\u00e3o Paulo. Mario Roberto Duran Ortiz<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/02\/03\/area-ocupada-por-latifundio-cresceu-372-no-brasil-nos-ultimos-30-anos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo revela que vendas de terras para estrangeiros e grilagem s\u00e3o os principais motivos da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria Reda\u00e7\u00e3o Brasil de Fato\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13472\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-13472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3vi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}