{"id":13480,"date":"2017-02-06T20:17:49","date_gmt":"2017-02-06T23:17:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13480"},"modified":"2017-02-21T12:50:23","modified_gmt":"2017-02-21T15:50:23","slug":"consequencias-da-libertacao-de-aleppo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13480","title":{"rendered":"Consequ\u00eancias da liberta\u00e7\u00e3o de Aleppo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/images\/698\/79\/6987930.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Alberto Cruz*<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria do governo s\u00edrio sobre o conglomerado de for\u00e7as isl\u00e2micas que controlavam os bairros orientais de Aleppo \u2013 a partir de agora \u00abos contras?\u00bb [1] &#8211; traz consigo uma reconfigura\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas do mapa pol\u00edtico interno da S\u00edria, mas tamb\u00e9m do M\u00e9dio Oriente e mesmo mais. N\u00e3o s\u00f3 porque esta vit\u00f3ria marca um antes e um depois da guerra, mas porque coloca claramente em cima da mesa tr\u00eas elementos dificilmente question\u00e1veis:<!--more--><\/p>\n<p>a) Bashar Al-Assad est\u00e1 de pedra e cal;<\/p>\n<p>b) A R\u00fassia tem todas as cartas na m\u00e3o;<\/p>\n<p>c) Os EUA deixam de ser o ator principal numa zona que at\u00e9 h\u00e1 muito pouco era do seu dom\u00ednio exclusivo.<\/p>\n<p><strong>1. Antecedentes<\/strong><\/p>\n<p>Sem remontar aos seis anos de guerra e aos quatro que a cidade de Aleppo j\u00e1 tinha de dividida em tr\u00eas setores, um pr\u00f3-governamental, outro curdo e outro em poder dos \u00abcontras\u00bb, h\u00e1 que partir de um fato crucial que p\u00f4s em movimento toda a engrenagem da situa\u00e7\u00e3o que agora se vive no pa\u00eds e na regi\u00e3o. Foi quando, em 27 de julho passado, depois de uma vitoriosa, mas n\u00e3o falada ofensiva do ex\u00e9rcito s\u00edrio e dos seus aliados lan\u00e7ada na zona norte da cidade, as for\u00e7as governamentais conseguiram cortar todas as linhas de abastecimento de armas e combatentes \u00e0 zona da cidade dominada pelos \u00abcontras\u00bb. Aleppo ficou cercada, com os \u00abcontras\u00bb cercados por for\u00e7as governamentais e curdas, que cooperaram taticamente com o governo, facilitando assim o seu triunfo.<\/p>\n<p>Isto verificou-se dez dias apenas depois de o golpe militar falhado na Turquia e relevou o que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 se podia intuir. A Turquia, ao restabelecer rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com a R\u00fassia, depois do golpe fracassado \u2013 \u00e9 cada vez mais claro que o mesmo s\u00f3 p\u00f4de ser derrotado pela informa\u00e7\u00e3o que a intelig\u00eancia russa proporcionou ao governo de Erdogan \u2013, tinha deixado de considerar, como sempre tinha dito, Aleppo como a sua \u00ablinha vermelha\u00bb e a sua \u00abzona de influ\u00eancia\u00bb. Porque, ao mesmo tempo, a Turquia fez dois movimentos inusitados: tirou os seus militares de uma das zonas operacionais que os pa\u00edses que alimentam e sustentam os \u00abcontras\u00bb t\u00eam na Jord\u00e2nia e controlou com mais rigor a passagem das suas fronteiras por homens e abastecimentos destinados aos \u00abcontras\u00bb na zona de Idlib, chegando \u00e0 posi\u00e7\u00e3o extrema de fechar qualquer passagem fronteiri\u00e7a, tal como lhe tinha sido solicitado pela R\u00fassia.<\/p>\n<p>Sendo a ofensiva do governo s\u00edrio limitada a uma zona muito concreta, mas de grande import\u00e2ncia estrat\u00e9gica, a posi\u00e7\u00e3o turca de n\u00e3o intervir e sequer protestar foi considerada como um movimento tect\u00f4nico que ia influenciar, como influenciou, n\u00e3o s\u00f3 os \u00abcontras\u00bb, mas o futuro da guerra.<\/p>\n<p>Os restantes patrocinadores dos \u00abcontras\u00bb rapidamente se deram conta do que tudo isto implicava e, a partir das suas salas de opera\u00e7\u00f5es, planearam um contra-ataque que recuperasse o statu quo anterior. Para isso foi escolhida outra zona da cidade, o sul, onde se supunha que havia menos for\u00e7as governamentais. Quatro dias mais tarde, a 1\u00ba de agosto, lan\u00e7ou-se a ofensiva encabe\u00e7ada pela isenta de pagamento de franchising \u00e0 Al-Qaeda, a Frente para a Conquista do Levante \u2013 que tinha perdido o seu anterior nome, Frente Al-Nusra \u2013, e a quem todos os anteriores grupos se subordinaram (um total de 15 desses grupos participou dessa ofensiva). O objetivo proclamado era o de romper o cerco de Aleppo, mas na pr\u00e1tica, o que se pretendia era duplo: por um lado fazer frente \u00e0 Turquia, por outro demonstrar aos seus patrocinadores que a Frente estava viva e podia executar opera\u00e7\u00f5es militares de envergadura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, aquela ofensiva teve lugar no momento em que se ia realizar a reuni\u00e3o entre Erdogan e Putin, em Moscou. Foi em 19 de agosto, e o objetivo geoestrat\u00e9gico da ofensiva era claro: meter a Turquia na ordem, obrigando-a a \u00abnormalizar\u00bb a sua atitude, isto \u00e9, voltar a ser o crivo passador dos \u00abcontras\u00bb e dobrar a R\u00fassia. No caso de n\u00e3o atingir o objetivo a situa\u00e7\u00e3o tornar-se-ia irrevers\u00edvel para os \u00abcontras\u00bb e os seus patrocinadores \u00e1rabes e ocidentais.<\/p>\n<p>Nessa ofensiva, os \u00abcontras\u00bb utilizaram praticamente tudo o que tinham, al\u00e9m dos seus melhores membros. A partir dos seus pr\u00f3prios portais na net anunciaram que, no total, se tinham mobilizado entre 9.000 e 12.000 combatentes e, pela forma como a batalha se desenrolou deve ter sido verdade. Ainda que, inicialmente, conseguissem romper o cerco, a perda de combatentes e material foi t\u00e3o volumosa que n\u00e3o foi poss\u00edvel a sua reposi\u00e7\u00e3o. Os c\u00e1lculos mais conservadores estimam que os \u00abcontras\u00bb perderam entre um m\u00ednimo de 1.499 e um m\u00e1ximo de 1.903 mortos e cerca de 5.000 feridos. Isto \u00e9, o n\u00famero total de baixas nessa ofensiva rondou os 60% dos combatentes. Por outro lado, o governo s\u00edrio e os seus aliados tiveram entre 480 e 516 mortos, enquanto o n\u00famero de feridos ter\u00e1 superado os mil [2]. Os pr\u00f3prios \u00abcontras\u00bb anunciaram nos seus portais que tinham escassez de sangue para efetuar as transfus\u00f5es necess\u00e1rias devido ao alto n\u00famero de feridos. Por\u00e9m, este \u00eaxito n\u00e3o durou nem um m\u00eas, visto que em 4 de setembro o governo s\u00edrio restabeleceu a situa\u00e7\u00e3o e apertou ainda mais o cerco aos bairros orientais de Aleppo em poder dos \u00abcontras\u00bb.<\/p>\n<p>O golpe n\u00e3o foi apenas material, foi tamb\u00e9m moral. Os \u00abcontras\u00bb entraram irreversivelmente em coma. Nem sequer os novos fornecimentos de material, que tanto a Ar\u00e1bia Saudita como o Catar anunciaram, os salvaram da derrota. A Turquia retirou-se de cena e centrou-se exclusivamente nos curdos, ao mesmo tempo que aceitava o papel que, de forma inteligente, a R\u00fassia punha na mesa: o pragmatismo sunita. A R\u00fassia apoia a constitui\u00e7\u00e3o de Ancara como o grande centro do mundo sunita afastado da hegemonia estadunidense e das monarquias do Golfo P\u00e9rsico, especialmente do wahabismo da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p><strong>2. Consuma-se a derrota, e n\u00e3o apenas dos \u00abcontras\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>As coisas chegaram a um ponto tal que ficou claro para quase todo o mundo o que estava passando. O governo s\u00edrio estava ganhando a guerra gra\u00e7as \u00e0 ajuda da R\u00fassia (e do Ir\u00e3), e os \u00abcontras\u00bb n\u00e3o tinham j\u00e1 a menor possibilidade de reverter a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Conselho do Atl\u00e2ntico [3], um centro de an\u00e1lise que fornece a ideologia \u00e0 OTAN no campo das rela\u00e7\u00f5es internacionais, reconhecia que o mundo tinha dado uma volta inesperada, e que era a R\u00fassia quem tinha quase todos os trunfos na m\u00e3o. Num relat\u00f3rio do seu programa Syria Project dizia: \u00aba R\u00fassia ocupa agora uma posi\u00e7\u00e3o forte e colocou os rebeldes numa situa\u00e7\u00e3o extremamente dif\u00edcil\u00bb.<\/p>\n<p>Apesar disto, ainda restava uma \u00faltima possibilidade: que nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais norte-americanas ganhasse Hillary Clinton, furibunda partid\u00e1ria do derrube de Al-Assad da presid\u00eancia da S\u00edria. No entanto, em 1\u00ba de novembro os \u00abcontras\u00bb fizeram um \u00faltimo esfor\u00e7o para evitar o que j\u00e1 ent\u00e3o parecia inevit\u00e1vel: a derrota.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sequer houve um triunfo fugaz. Novos golpes, novas derrotas e a debacle. Entre outras coisas porque nessa ocasi\u00e3o os \u00abcontras\u00bb s\u00f3 puderam dispor de uns 3.000 combatentes devido \u00e0s perdas sofridas na ofensiva anterior.<\/p>\n<p>Para rematar o bouquet, Hillary Clinton perdeu as elei\u00e7\u00f5es. Trump, o novo presidente, tinha dito claramente que a pol\u00edtica externa dos EUA ia mudar e que j\u00e1 n\u00e3o se centraria na derrubada de governos considerados hostis. A sorte dos \u00abcontras\u00bb estava tra\u00e7ada.<br \/>\nCom uma clareza que n\u00e3o \u00e9 habitual, o Conselho Europeu dos Assuntos Exteriores [4] dizia, preto no branco, o quem quer que tenha olhos pode ver e o quem quer que n\u00e3o tenha perdido a sua capacidade de pensar pode deduzir: \u00abj\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 qualquer esperan\u00e7a real de depor Assad\u00bb. E propunha uma mudan\u00e7a da abordagem europeia \u00e0 quest\u00e3o da S\u00edria partindo desta nova realidade: \u00abcom as for\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria, os seus patrocinadores regionais e grande parte da comunidade pol\u00edtica europeia pondo as suas esperan\u00e7as na vit\u00f3ria de Hillary Clinton, uma vez conhecidos os resultados eleitorais a abordagem europeia deve necessariamente mudar para uma melhor gest\u00e3o da realidade da sobreviv\u00eancia de Assad\u00bb.<\/p>\n<p>Toda a gente estava em estado de choque, incluindo os \u00abcontras\u00bb. Foi esse o momento que o ex\u00e9rcito s\u00edrio aproveitou para, juntamente com os seus aliados \u2013 principalmente os palestinos que integram a \u00abBrigada Jerusal\u00e9m\u00bb [5] \u2013, iniciarem a batalha final pela liberta\u00e7\u00e3o de Aleppo. Os bairros orientais em poder dos \u00abcontras\u00bb iam sendo libertados com rapidez, um ap\u00f3s outro, numa demonstra\u00e7\u00e3o de descoordena\u00e7\u00e3o dos \u00abcontras\u00bb que surpreendeu at\u00e9 os seus patrocinadores.<\/p>\n<p>Depois dos fracassos das duas ofensivas anteriores, a \u00fanica coisa com que os \u00abcontras\u00bb ficavam era a guerra da propaganda. Primeiro, foi dito que se constitu\u00eda o \u00abEx\u00e9rcito de Aleppo para lutar contra o regime\u00bb, depois, que a resist\u00eancia n\u00e3o tinha sido poss\u00edvel porque Aleppo tinha sido destru\u00edda pelos bombardeamentos russos. Depois\u2026<\/p>\n<p>A realidade era o que diziam os meios de comunica\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses que estiveram, e ainda est\u00e3o apoiando os \u00abcontras\u00bb: \u00abPara muitos organismos regionais e internacionais \u00e9 um mist\u00e9rio incompreens\u00edvel [a derrota dos \u00abcontras\u00bb como um castelo de cartas em Aleppo], porque se esperava uma luta dura e digna, dada a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da cidade\u00bb. Um mist\u00e9rio que era muito f\u00e1cil de explicar, como tamb\u00e9m se dizia: \u00abas diverg\u00eancias entre os diferentes grupos, as acusa\u00e7\u00f5es entre eles sobre quem \u00e9 o respons\u00e1vel pelo desastre e, como a intelig\u00eancia militar [do governo] tem olhos, agentes e espias em todas as estruturas militares, de seguran\u00e7a e econ\u00f4micas dos grupos armados, o que permitiu ir acumulando imagens, informa\u00e7\u00e3o e coordenadas de contra o qu\u00ea, contra quem e onde agir\u00bb. Inclusive, ia-se mais longe, deixando \u00e0 vista outra das grandes mentiras da propaganda: \u00abuma boa parte da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o [dos bairros em poder dos \u00abcontras\u00bb] estava a proporcionar informa\u00e7\u00e3o ao ex\u00e9rcito s\u00edrio [6].<\/p>\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o de todo surpreendente se se tiver em conta o que disse a ONU depois de a S\u00edria ter retomado o controle completo da cidade. Suponho que n\u00e3o \u00e9 preciso recordar que durante meses se massacrou insistentemente que a popula\u00e7\u00e3o \u00abcercada\u00bb em Aleppo ultrapassava as 250.000 pessoas. Inclusive chegou a dizer-se que nesses bairros morava meio milh\u00e3o de pessoas. Nada mais longe da realidade, pois quando se deu a liberta\u00e7\u00e3o da cidade verificou-se que esses n\u00fameros n\u00e3o eram verdadeiros. Segundo a ONU havia um total de 147.000 civis, 111.000 decidiram mudar-se para as zonas que eram controladas pelo governo e 36.000 para a zona que os \u00abcontras\u00bb controlam, a prov\u00edncia de Idlib [7], quando se chegou a acordo para a sua evacua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia da derrota de Aleppo, os \u00abcontras\u00bb est\u00e3o na fase terminal da sua crise. Cada vez que se negoceia uma rendi\u00e7\u00e3o com o governo, ela \u00e9 feita nas condi\u00e7\u00f5es determinadas pelo governo, e desde h\u00e1 algum tempo que as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre as mesmas: entrega do armamento pesado e transfer\u00eancia para Idlib. \u00c9 uma prov\u00edncia quase totalmente em poder dos \u00abcontras\u00bb. Mas o governo est\u00e1 atuando de forma inteligente, visto que ao transferir para ali todos os grupos dos diferentes grupos dos \u00abcontras\u00bb est\u00e1 acentuando os confrontos e as divis\u00f5es internas, debilitando assim qualquer hipot\u00e9tica estrat\u00e9gia, n\u00e3o apenas de combate mas tamb\u00e9m de coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>3. As navalhadas dos \u00abcontras\u00bb no governo<\/p>\n<p>Um dos mantras propagand\u00edsticos dos que apoiam os \u00abcontras\u00bb \u00e9 que h\u00e1 um segmento da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se rev\u00ea nem nos radicais isl\u00e2micos nem no governo e que em v\u00e1rias ocasi\u00f5es em que se decretaram tr\u00e9guas houve manifesta\u00e7\u00f5es populares de rejei\u00e7\u00e3o de uns e de outros. \u00c9 uma meia verdade, mais mentira que verdade. \u00c9 certo que, em algumas cidades, que quase se podem contar pelos dedos de uma s\u00f3 m\u00e3o, se verificaram manifesta\u00e7\u00f5es desse tipo, mas isso \u00e9 uma velha hist\u00f3ria. A verdade \u00e9 que os radicais isl\u00e2micos controlavam esses protestos desde o primeiro momento e que atualmente o controle dos radicais isl\u00e2micos \u00e9 total, incluindo a forma de governo do territ\u00f3rio que controlam, cada vez menor.<\/p>\n<p>Como o maior territ\u00f3rio \u00e9 a prov\u00edncia de Idlib, para onde o governo os conduz cada vez que se rendem em alguma zona e recusam a se integrar na vida civil (na sua grande maioria s\u00e3o anistiados, dando-se at\u00e9 o caso de em algumas cidades fazerem fun\u00e7\u00f5es quase de pol\u00edcia), h\u00e1 que falar da forma de alguns dos seus m\u00e9todos de \u00abgoverno\u00bb. E nada melhor para isso que tomar como refer\u00eancia, uma vez mais, o Conselho do Atl\u00e2ntico [8].<\/p>\n<p>Esta institui\u00e7\u00e3o fala concretamente do sistema judicial existente em Idlib e diz que \u00ab\u00e9 semelhante \u00e0 lei da selva\u00bb, porque aplicando a Sharia e a Itijab eliminam-se os inimigos internos e refor\u00e7a-se o controle de uns grupos pelos outros. Acrescente-se que cada grupo tem o seu pr\u00f3prio sistema judicial, que os predominantes s\u00e3o os ex-Nusra e Ahar al-Sham, e que as senten\u00e7as t\u00eam, inevitavelmente, que ver com o grau de afinidade ou parentesco das pessoas julgadas. \u00abAs pessoas influentes minam os seus vereditos\u00bb e estes tribunais \u00abencontram sempre um qualquer pretexto legal para os seus atos ilegais. Diga-se que h\u00e1 que ter em conta que as decis\u00f5es \u201cs\u00e3o sempre favor\u00e1veis aos \u00abcontras\u00bb \u201d, que \u00abas circunst\u00e2ncias legais n\u00e3o mudaram desde que se instalou este regime\u00bb (em Idlib), e que tamb\u00e9m se afirma que \u00abos l\u00edderes militares interferem diretamente nos casos, de acordo com os seus interesses e objetivos\u00bb, que \u00abtodos os ju\u00edzes s\u00e3o pr\u00f3-salafitas\u00bb e que \u00abse acusam mutuamente de terem erros na doutrina e na aplica\u00e7\u00e3o da lei\u00bb. Para n\u00e3o tornar a refer\u00eancia mais extensa, acrescentar apenas que \u00abestes tribunais funcionam como organismos de seguran\u00e7a [das diferentes organiza\u00e7\u00f5es] que aterrorizam os residentes locais porque t\u00eam liberdade total de deter, sequestrar ou inclusive assassinar as pessoas nas zonas em que s\u00e3o respons\u00e1veis\u00bb.<\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o \u00e9 extensa, mas vale a pena porque p\u00f5e em evid\u00eancia uma realidade que muito poucas pessoas t\u00eam querido ver e que, com toda a crueza, reconhece tamb\u00e9m que uma outra seita antes muito prestigiada caiu agora numa paralisia sect\u00e1ria, a Al-Quds Al Arabi. Numa pouco usual mostra de reconhecimento dessa realidade, critica uma \u00aboposi\u00e7\u00e3o que h\u00e1 uns anos tinha o controle das principais cidades da S\u00edria e que est\u00e1 reduzida a umas poucas zonas sem relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica\u00bb, entre outras coisas \u00abporque n\u00e3o foi capaz de demonstrar que pode governar com efic\u00e1cia os territ\u00f3rios que ocupa\u00bb e isso, logicamente, \u00abfoi rentabilizado pelo regime\u00bb[9].<\/p>\n<p>Depois da derrota de Aleppo todos os grupos que comp\u00f5em os \u00abcontras\u00bb est\u00e3o em luta entre si. Os assass\u00ednios de comandantes deste ou daquele grupo s\u00e3o habituais (sem esquecer a responsabilidade dos comandos especiais do ex\u00e9rcito s\u00edrio em alguns deles), e o des\u00e2nimo espalha-se como n\u00f3doa de azeite entre os \u00abcontras\u00bb. A estrat\u00e9gia do governo s\u00edrio est\u00e1 a dar frutos pois as divis\u00f5es est\u00e3o a acentuar-se. O fato de grupos diferentes terem de conviver numa zona limitada e, sobretudo de diferentes lealdades, est\u00e1 a mostrar-se um eficaz caldo de cultura. As suas divis\u00f5es internas e a sua debilidade \u2013 juntamente com a press\u00e3o da Turquia \u2013 obrigaram j\u00e1 seis dos grupos que comp\u00f5em os \u00abcontras\u00bb a aceitar o cessar de hostilidades proposto pela R\u00fassia e pela Turquia [10].<\/p>\n<p><strong>4. A recomposi\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente<\/strong><\/p>\n<p>Os EUA e a Uni\u00e3o Europeia nunca se arrepender\u00e3o o suficiente pelo seu papel no golpe de estado fracassado na Turquia. Se a implica\u00e7\u00e3o do primeiro parece clara, a ina\u00e7\u00e3o da segunda foi clamorosa. Isso enfureceu Erdogan e facilitou a movimenta\u00e7\u00e3o da R\u00fassia. A reconcilia\u00e7\u00e3o da Turquia com a R\u00fassia incluiu, entre outras coisas, a retomada do gasoduto &#8220;Corrente Turca&#8221; (Turk Stream), pelo que a opera\u00e7\u00e3o desenhada pelos EUA e os seus aliados \u00e1rabes, Catar e Ar\u00e1bia Saudita, de trazer o g\u00e1s para a Uni\u00e3o Europeia atrav\u00e9s da S\u00edria \u2013 que foi a origem da guerra \u2013 passou definitivamente \u00e0 hist\u00f3ria. Este era o grande trunfo que os EUA tinham para estrangular definitivamente a R\u00fassia, juntamente com o conflito ucraniano, visto que por este pa\u00eds passa a parte de le\u00e3o do g\u00e1s utilizado pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O principal prejudicado pelo modo como as coisas evolu\u00edram e pela vit\u00f3ria do governo s\u00edrio \u00e9 o Catar que, pouco a pouco, foi se habituando \u00e0 ideia do que implica ter tomado partido contra a R\u00fassia e os seus interesses na zona. Foi o primeiro pa\u00eds a dar conta do que se estava a passar e a iniciar uma aproxima\u00e7\u00e3o silenciosa \u00e0 R\u00fassia que j\u00e1 se traduziu na compra de 19,5% das ac\u00e7\u00f5es da principal petrol\u00edfera russa, a Rosneft, de propriedade estatal (10 de dezembro de 2016). O Catar rompia com estrondo o suposto \u00abisolamento\u00bb da R\u00fassia e f\u00ea-lo quando a ofensiva final para libertar Aleppo ainda estava em marcha, com o que, literalmente, deixou de rabo ao l\u00e9u os seus patrocinados \u00abcontras\u00bb. Ent\u00e3o, j\u00e1 era evidente que os \u00abcontras\u00bb estavam a desmoronar-se como um castelo de cartas que, apesar de toda a sua ret\u00f3rica anterior, a Turquia considerava a cidade de Aleppo e a prov\u00edncia do mesmo nome (que era o pulm\u00e3o industrial da S\u00edria, ou que o era antes da guerra) dentro da sua zona de influ\u00eancia e que, com quem h\u00e1 que contar \u00e9 com a R\u00fassia e n\u00e3o com outros.<\/p>\n<p>O Catar j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a entender at\u00e9 onde levou a sua estrat\u00e9gia de apoio aos Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos em geral e aos salafitas e takfiristas na S\u00edria em particular. Depois, para salvar a face e n\u00e3o perder definitivamente a possibilidade, por remota que seja hoje, de vender g\u00e1s na Europa, o que tinha de fazer era iniciar uma nova rela\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds que neste momento tem todas as cartas na m\u00e3o: a R\u00fassia.<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha havido outros movimentos nos pa\u00edses \u00e1rabes de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, ainda que n\u00e3o diretamente ligados \u00e0 guerra contra a S\u00edria. \u00c9 o caso do Egito. Este pa\u00eds est\u00e1 muito sentido com a Ar\u00e1bia Saudita por depois do golpe que derrotou os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos n\u00e3o terem chegado os milh\u00f5es de d\u00f3lares prometidos pela Ar\u00e1bia Saudita como contrapartida. Por isso, o Egito moveu-se imperceptivelmente, n\u00e3o s\u00f3 para a R\u00fassia, mas tamb\u00e9m para o governo s\u00edrio. O Egito e a R\u00fassia fizeram manobras conjuntas no Sinai \u2013 um lugar onde h\u00e1 uma forte implanta\u00e7\u00e3o do chamado Estado Isl\u00e2mico \u2013, os barcos russos t\u00eam facilidades no tr\u00e2nsito no Canal do Suez e discute-se a compra a compra de armamento russo pelos eg\u00edpcios.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que no passado m\u00eas de outubro o Egito rompesse as liga\u00e7\u00f5es \u00e0 Liga \u00c1rabe (onde o lugar da S\u00edria foi atribu\u00eddo aos &#8220;contras&#8221;) e votasse no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU uma resolu\u00e7\u00e3o apresentada pela R\u00fassia que era contr\u00e1ria a uma outra apresentada pela Fran\u00e7a e Espanha, em nome dos pa\u00edses ocidentais e \u00e1rabes. Foi uma chamada de aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passou despercebida, e que um m\u00eas mais tarde foi seguida de uma muito mais importante: o envio de 18 avi\u00f5es de combate para a S\u00edria e 200 soldados em \u00abapoio ao governo s\u00edrio\u00bb na sua luta contra o chamado Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 tudo, dias mais tarde, dia 20 desse vertiginoso m\u00eas de dezembro, a R\u00fassia, o Ir\u00e3 e a Turquia chegavam a um acordo sobre a S\u00edria que definia novas linhas sobre a guerra e mostrava uma nova rela\u00e7\u00e3o de poder na zona. Em s\u00edntese, estes tr\u00eas pa\u00edses acordaram que a S\u00edria deve manter intactas as suas fronteiras, manter um estado secular, alcan\u00e7ar a paz interreligiosa inter\u00e9tnica, combater o chamado Estado Isl\u00e2mico e a Frente para a Conquista do Levante, ex Al-Nusra (Al-Qaeda) e dirigir as conversa\u00e7\u00f5es diretas que haja entre o governo s\u00edrio e os grupos dos \u00abcontras\u00bb que se juntaram ao fim das hostilidades, bem como alguns outros que n\u00e3o pegaram em armas.<\/p>\n<p>Pensar que quando a R\u00fassia e a Turquia chegaram a acordo sobre o cessar das hostilidades, o fizeram sem ter em conta, por um lado, a S\u00edria e o Ir\u00e3 (al\u00e9m de um ator n\u00e3o estatal como o Hezbollah) e a Ar\u00e1bia Saudita e o Catar, por outro, \u00e9 n\u00e3o ter em conta nada de nada e n\u00e3o saber nada de nada. A Turquia foi rapidamente ao Catar explicar \u00abprofundamente\u00bb o conte\u00fado do acordo e anunciou tamb\u00e9m que se ia reunir ali com um representante saudita. Neste momento, a Turquia \u00e9 a pot\u00eancia inquestion\u00e1vel da zona, com a inestim\u00e1vel ajuda da R\u00fassia, ainda que seja uma situa\u00e7\u00e3o que apenas agora come\u00e7ou a definir-se. Se o cessar das hostilidades tiver \u00eaxito, e n\u00e3o estamos a falar das conversa\u00e7\u00f5es de paz do Cazaquist\u00e3o, ficar\u00e1 nessa posi\u00e7\u00e3o durante muito tempo.<\/p>\n<p>Por seu lado, a R\u00fassia tamb\u00e9m n\u00e3o esteve parada e o seu ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros viajou at\u00e9 ao Egito para propor o comprometimento deste pa\u00eds no acordo de paz do Cazaquist\u00e3o, como \u00abmediador e garante\u00bb, e estudar a possibilidade de enviar um contingente maior de tropas como \u00abfor\u00e7as da paz\u00bb nas localidades que aderiram ao acordo de reconcilia\u00e7\u00e3o que o governo promove. Se esta proposta russo-s\u00edria for aceite ser\u00e1 o golpe de miseric\u00f3rdia no velho M\u00e9dio Oriente e ver-se-\u00e1 melhor que nunca essa recomposi\u00e7\u00e3o em andamento.<\/p>\n<p><strong>5. E mais al\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p>Mas o interessante \u00e9 que com todas estas movimenta\u00e7\u00f5es h\u00e1 um pa\u00eds que, na pr\u00e1tica, desaparece do M\u00e9dio Oriente: os EUA. E este desaparecimento tem um ator que o tornou poss\u00edvel: a R\u00fassia. Dizer que os EUA perderam a guerra contra a S\u00edria pode parecer muito atrevido, mas \u00e9 bastante parecido com o que estamos a viver. Sem questionar que as primeiras semanas houve revoltas populares, e que a partir desse momento come\u00e7ou uma guerra de agress\u00e3o contra a S\u00edria por parte de uma associa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses encabe\u00e7ados pelos EUA, Ar\u00e1bia Saudita e Catar, a verdade \u00e9 que esta associa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses armou, financiou e manteve os seus patrocinados \u00abcontras\u00bb at\u00e9 ao ponto de, no final de 2015, darem a impress\u00e3o de ir conseguir o seu grande objectivo: derrotar Al-Assad, seguindo o padr\u00e3o usado na L\u00edbia. Foi quando, a pedido do governo, a R\u00fassia e a hist\u00f3ria mudaram de rumo at\u00e9 chegar a situa\u00e7\u00e3o de agora: os \u00abcontras\u00bb est\u00e3o derrotados, tal como a estrat\u00e9gia dos EUA, da Ar\u00e1bia Saudita e do Catar. Isto para n\u00e3o falar ainda da NATO.<\/p>\n<p>A R\u00fassia quis sempre chegar a um qualquer acordo com os EUA, mas tal n\u00e3o foi poss\u00edvel, entre outras coisas, pela divis\u00e3o que havia entre o governo de Obama e o Pent\u00e1gono. Foram dezenas de contactos, reuni\u00f5es e acordos que n\u00e3o chegaram a parte alguma o que levou, a R\u00fassia, perante a situa\u00e7\u00e3o de enquistamento a que se chegou, a um movimento in\u00e9dito: deixar os EUA \u00e0 margem e iniciar conversa\u00e7\u00f5es com outros atores. Primeiro com os amigos (Ir\u00e3) e depois com os inimigos (Turquia). Isto colocou os outros na defensiva e \u00e0 espera do que estes novos atores decidissem, e do que resultou tudo isto.<\/p>\n<p>Em muitos anos, esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita que ainda \u00e9 cedo para avaliar, mas o que toda a gente est\u00e1 observando com muito interesse \u00e9 que, se vitoriosa, ela marcar\u00e1 o rumo geopol\u00edtico do futuro. E \u00e9 evidente que tamb\u00e9m se est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, e que n\u00e3o se sabe o que se vai passar com a presid\u00eancia de Trump. No entanto, por pouco que se verifiquem as suas promessas sobre a S\u00edria, teremos assistido ao nascimento de uma nova era na zona (e um pouco mais al\u00e9m).<\/p>\n<p><em>Notas:<\/em><\/p>\n<p><em>[1] O termo \u00abcontras\u00bb foi utilizado na Nicar\u00e1gua sandinista para se referir aos diferentes grupos que se opunham ao governo da FSLN e que recebiam apoio desde o exterior do pa\u00eds, sobretudo dos EUA que foram os impulsionadores da guerra que se lan\u00e7ou contra a Nicar\u00e1gua e que financiaram com sal\u00e1rios e forneceram material militar aos \u00abcontras\u00bb.<\/em><\/p>\n<p><em>[2] <a href=\"http:\/\/elterritoriodellince.blogspot.com.es\/2016\/11\/del-colapso-la-derrota-de-nuevo-otra.html\" target=\"_blank\">http:\/\/elterritoriodellince.<wbr \/>blogspot.com.es\/2016\/11\/del-<wbr \/>colapso-la-derrota-de-nuevo-<wbr \/>otra.html<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>[3] <a href=\"http:\/\/www.atlanticcouncil.org\/syriaproyect\" target=\"_blank\">http:\/\/www.atlanticcouncil.<wbr \/>org\/syriaproyect<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>[4] <a href=\"http:\/\/www.ecfr.eu\/article\/commentary_the_first_trump_test_european_policy_and_the_siege_of_aleppo7186\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ecfr.eu\/article\/<wbr \/>commentary_the_first_trump_<wbr \/>test_european_policy_and_the_<wbr \/>siege_of_aleppo7186<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>[5] S\u00edria \u00e9 um dos pa\u00edses onde se acolhem refugiados palestinos. Calcula-se que no pa\u00eds viviam antes da guerra uns 500.000, que na sua maioria continuam a viver a\u00ed, ainda que aproximadamente 100.000 se tenham mudado para o L\u00edbano, alojando-se nos campos de refugiados ali existentes. Quando se iniciou a guerra os palestinos tentaram manter-se \u00e0 margem. Havia duas posturas, a do Hamas, que defendia a participa\u00e7\u00e3o ao lado dos \u00abcontras\u00bb, e a das diferentes organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que defendiam a participa\u00e7\u00e3o ao lado do governo. Esta situa\u00e7\u00e3o durou mais de um ano, at\u00e9 que os \u00abcontras\u00bb tomaram o campo de refugiados de Handarat, situado no norte de Alepo, e atacaram os que defendiam o governo. Este campo ficou famoso no ver\u00e3o de 2016 por os \u00abcontras\u00bb terem decapitado um menino de 12 anos, por defender Al-Assad. N\u00e3o obstante, desde 2012 e 2013 que a imensa maioria dos palestinos refugiados na S\u00edria defendem o governo de Al-Assad e constitu\u00edram tr\u00eas brigadas de combate: a \u00abJerusal\u00e9m\u00bb, a \u00abGalileia\u00bb e a formada pelo Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. Al\u00e9m disso, organiza\u00e7\u00f5es como a Frente Popular de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina-Comando Geral, a Al Fatah Intifada e um ramo do Hamas denominado Aknaf Bait al Maqdis combate ao lado do governo s\u00edrio na zona central do pa\u00eds, especialmente nos arredores do campo de refugiados de Yarmouk, cujo controlo se reparte entre os \u00abcontras\u00bb e o chamado Ex\u00e9rcito Isl\u00e2mico.<\/em><\/p>\n<p><em>[6] The National, 12 de Dezembro de 2016 (principal jornal dos Emiratos \u00c1rabes Unidos).<\/em><\/p>\n<p>[7] <a href=\"http:\/\/www.un.org\/press\/en\/2017\/db170111.doc.htm?__hstc=143095274.8e6501ed1ff01abb67548d3e30635247.1480686736463.1484425528466.1484469935998.10&amp;__hssc=143095274.6.1484469935998&amp;__hsfp=282875472\" target=\"_blank\">http:\/\/www.un.org\/press\/en\/<wbr \/>2017\/db170111.doc.htm?__hstc=<wbr \/>143095274.<wbr \/>8e6501ed1ff01abb67548d3e306352<wbr \/>47.1480686736463.<wbr \/>1484425528466.1484469935998.<wbr \/>10&amp;__hssc=143095274.6.<wbr \/>1484469935998&amp;__hsfp=282875472<\/a><\/p>\n<p>[8] <a href=\"http:\/\/www.achariricenter.org\/factions-judicial-system-in-idlib-ar\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.achariricenter.org\/<wbr \/>factions-judicial-system-in-<wbr \/>idlib-ar\/<\/a><\/p>\n<p><em>[9] Al-Quds Al-Arabi, 2 de janeiro de 2017 (jornal editado en Londres).<\/em><\/p>\n<p><em>[10] Faliak al-Sham (Legi\u00e3o do Levante), Jaish al-Islam (Ex\u00e9rcito do Isl\u00e3o), Suvar al-Sham (Revolu\u00e7\u00e3o do Levante), Jaisj al-Mudzhahiddin (Ex\u00e9rcito dos Mujaidines), Jaish Idlib (Ex\u00e9rcito de Idlib) e Dzhabhat al-Shamiya (Frente do Levante). Inicialmente tamb\u00e9m se juntou o pr\u00f3prio Ahrar al Sham (Movimento Isl\u00e2mico do Povo do Levante), mas depois de um agitado debate interno decidiu retirar a sua assinatura do acordo. Este grupa conta j\u00e1 com uma importante divis\u00e3o, porque a maioria dos seus membros s\u00e3o partid\u00e1rios da fus\u00e3o com a antiga Frente Al-Nusra (Al-Qaeda). Estes dois grupos s\u00e3o os que controlam a prov\u00edncia de Idlib. O resto n\u00e3o passa de comparsas sem a menor influ\u00eancia pol\u00edtica ou social, pelo que o cessar de hostilidades ser\u00e1, no melhor dos casos, parcial e com \u00e2mbito militar muito reduzido, mas que ter\u00e1 import\u00e2ncia pol\u00edtica se se conseguir algum acordo.<\/em><\/p>\n<p><em>*Escritor e jornalista especializado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<\/em><br \/>\n<em>Texto completo en: <a href=\"http:\/\/www.lahaine.org\/repercusiones-de-la-liberacion-de\" target=\"_blank\">http:\/\/www.lahaine.org\/<wbr \/>repercusiones-de-la-<wbr \/>liberacion-de<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/consequencias-da-libertacao-de-alepo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alberto Cruz* A vit\u00f3ria do governo s\u00edrio sobre o conglomerado de for\u00e7as isl\u00e2micas que controlavam os bairros orientais de Aleppo \u2013 a partir \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13480\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73],"tags":[],"class_list":["post-13480","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3vq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13480\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}