{"id":13560,"date":"2017-02-13T13:45:10","date_gmt":"2017-02-13T16:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13560"},"modified":"2017-03-02T18:18:52","modified_gmt":"2017-03-02T21:18:52","slug":"nao-deixaremos-as-paginas-em-branco-e-pela-luta-quilombola-e-pelo-poder-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13560","title":{"rendered":"N\u00e3o deixaremos as p\u00e1ginas em branco: \u00e9 pela luta quilombola e pelo poder popular"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/UMNbOjAkGjj6QTc-hw2P0Ad06UAsoxvK_nEd6Yh-jw2_-WV6wcCHxgEkHzjK46Rr3525_A_G5QyJCoOkOHbXJKtLXdAMFXf8gibTZB59kf_LuUf8y1rGYyT8PWzSrnUXmQWBvyIinro2s4OLLij2xbdOp3pjuJiU-eXT7y9G8yWIzJQxtVA0nEoBByiKfaD1R2xR4bJk4bzHPsO7tvQVMlGTVj9diU3p4Gr7f2N_vdUp6MMtuOAhE6DPnTIMokvn6u1N03pXh63qHkzBBg3iTdy83vZUsftQ7AsTb0TMBOXdHht8PkxZTAUJ9uiDFtIctau2ohxUOevDBAags_iwxg2NS40lGqrwYTCFHGA1obLVqm57iL78s6ai6OQAix3a20IZMfOzm1s9Sa-TAuerb5eozqIsxvg6PIGyQrZl4GsV4JahNrxUZp4DILnSjFiiuWEDoMWbvT2odOiIrUmH2JRHruxFMgw6l1YH1z4Q-MGNaIAv4K336TIEPIxDKhoOCiSSqt0IwV6y71IRUW0AlTqqa_HQ9W6RyXSXFaYZG9gECPreQCtLfKNgpQrAwj8Cd_CO6x7h5HsuxX3DtMaGWaDhHSHHp7RxJXgRfE5FQmBVWJLo0pQsSfS4fIZW1FiGZ9buQF4NxaTyrEyejsWkIGuZL4Cm7xG_EP0P0kT-Ug=w610-h281-no\" alt=\"imagem\" \/>Por Marianna Rodrigues*<\/p>\n<p>\u00c9 comum que se escute Brasil afora que o Rio Grande do Sul \u00e9 um estado &#8220;de brancos&#8221;. Inclusive, no pr\u00f3prio estado ga\u00facho h\u00e1 quem acredite nisso. Ao narrar o processo de forma\u00e7\u00e3o de nosso estado, pouco ou nada se fala da hist\u00f3ria do povo negro&#8230; Como se fossem p\u00e1ginas em branco, sem registro, esquecidas.<!--more--><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se pensa, a cultura negra \u00e9 parte fundamental da constitui\u00e7\u00e3o de nosso estado. &#8220;Hist\u00f3ria viva&#8221;, que existe e resiste neste pago &#8211; no campo e nas cidades! S\u00f3 em Porto Alegre, por exemplo, s\u00e3o 5 quilombos urbanos reconhecidos.<\/p>\n<p>Em Restinga Seca, na regi\u00e3o central, o quilombo de S\u00e3o Miguel contava com mais de 150 fam\u00edlias at\u00e9 2006, segundo dados do INCRA. E s\u00e3o muitos outros registros quilombolas espalhados por todas as regi\u00f5es &#8211; mais de 130 comunidades identificadas -, grande parte ainda n\u00e3o reconhecidos legalmente.<\/p>\n<p>O povo negro teria chegado massivamente ao Rio Grande do Sul, sobretudo, para servir de m\u00e3o-de-obra escrava para a principal atividade econ\u00f4mica do estado: a produ\u00e7\u00e3o de charque. E, embora tenha sido em torno do charque o acontecimento hist\u00f3rico mais marcante da cultura ga\u00facha, a &#8220;Guerra dos Farrapos&#8221; (1835 &#8211; 1845), essa hist\u00f3ria \u00e9 contada pela \u00f3tica das classes dominantes, ignorando por completo que a produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 existia em raz\u00e3o da for\u00e7a de trabalho negra.<\/p>\n<p>Outro epis\u00f3dio marcante fora a Guerra do Paraguai. Em raz\u00e3o da ampla campanha de convoca\u00e7\u00e3o para as fileiras do ex\u00e9rcito, negros escravizados do pa\u00eds inteiro foram trazidos para o sul. Ainda, os propriet\u00e1rios escravistas, quando convocados, negociavam seu alistamento em troca da convoca\u00e7\u00e3o de &#8220;seus escravos&#8221;. E &#8220;os escravos&#8221;, se voltassem com vida, poderiam pleitear sua &#8220;liberdade&#8221;.<\/p>\n<p>Mas o povo negro nunca recebeu do Imp\u00e9rio qualquer meio que pudesse garantir sua sobreviv\u00eancia. Diferente dos imigrantes europeus, que ao chegarem no Rio Grande do Sul dispunham de um peda\u00e7o de terra para plantar. Nesse sentido, numa r\u00e1pida s\u00edntese, \u00e9 poss\u00edvel constatar como a hist\u00f3ria do povo negro no Rio Grande do Sul fora escrita \u00e0 base de muito sangue e muita explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como no resto do Brasil, os &#8220;quilombos ga\u00fachos&#8221; foram os espa\u00e7os que negras e negros constru\u00edram para manter sua hist\u00f3ria e sua cultura vivas. Ocuparam latif\u00fandios, coletivaram peda\u00e7os de terra, desenvolveram seus pr\u00f3prios meios de vida e preservaram muitas de suas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter sido submetido a um processo s\u00f3cio-hist\u00f3rico t\u00e3o violento, o povo negro constitui a maior parte da for\u00e7a de trabalho brasileira. Ou seja, est\u00e1 majoritariamente nas classes &#8220;de baixo&#8221;. Ao mesmo tempo, o n\u00famero de refugiados e imigrantes vindos de \u00c1frica seguem aumentando, em geral em condi\u00e7\u00f5es de trabalho extremamente prec\u00e1rias, o que refor\u00e7a este cen\u00e1rio. Com o capitalismo plenamente desenvolvido no Brasil, a luta quilombola, s\u00edmbolo origin\u00e1rio de enfrentamento aos latif\u00fandios, espa\u00e7o exemplar de constru\u00e7\u00e3o de uma nova cultura sem explora\u00e7\u00e3o, segue sendo extremamente atual. O tempo passa, e o povo negro segue em busca de sua emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para os quilombos no capitalismo! As pol\u00edticas governamentais dificultam a todo o custo a titula\u00e7\u00e3o das terras, com in\u00fameros entraves burocr\u00e1ticos; a cultura quilombola vai sendo esquecida, pois o povo negro \u00e9 sugado pelas necessidades materiais de sobreviv\u00eancia; e, ainda, s\u00e3o poucos os coletivos que buscam retomar a hist\u00f3ria de luta quilombola.<\/p>\n<p>N\u00f3s, que lutamos pelo poder popular, n\u00e3o podemos permitir que essas p\u00e1ginas sigam em branco. Repara\u00e7\u00e3o ao povo negro j\u00e1!<\/p>\n<p>Viva a luta quilombola!<\/p>\n<p>Junte-se ao PCB no Rio Grande do Sul e levante essas bandeiras conosco.<\/p>\n<p>Contate-nos pela p\u00e1gina: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PCBRS\/\" target=\"_blank\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.facebook.com\/PCBRS\/&amp;source=gmail&amp;ust=1487087548591000&amp;usg=AFQjCNH1ugraNgLA2ZWRXK9zNXl6XOpkkg\">https:\/\/www.facebook.com\/<wbr \/>PCBRS\/<\/a><\/p>\n<p>*Militante do PCB no Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Textos de apoio:<\/p>\n<p>MAESTRI, M\u00e1rio. \u201cTerra e liberdade: as comunidades aut\u00f4nomas de trabalhadores escravizados no Brasil.\u201d In: AMARO, Luiz Carlos [Org.]. Afro-brasileiros: hist\u00f3ria e realidade. Porto Alegre: EST, 2005<\/p>\n<p>MELLO, Marcelo Moura. Ra\u00edzes e rotas da terra. Forma\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio negro no sul do Brasil. Ciudad Aut\u00f3noma de Buenos Aires: 2011.<\/p>\n<p>MOURA, Cl\u00f3vis. Quilombos: resist\u00eancia ao escravismo. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Editora \u00c1tica, 1993.<\/p>\n<p>TORAL, Andr\u00e9 Amaral. A participa\u00e7\u00e3o dos negros escravos na guerra do Paraguai. S\u00e3o Paulo: Revista Estudos Avan\u00e7ados, 1995.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Marianna Rodrigues* \u00c9 comum que se escute Brasil afora que o Rio Grande do Sul \u00e9 um estado &#8220;de brancos&#8221;. 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