{"id":13581,"date":"2017-02-16T20:15:57","date_gmt":"2017-02-16T23:15:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13581"},"modified":"2017-03-02T18:20:56","modified_gmt":"2017-03-02T21:20:56","slug":"o-patriarcado-do-salario-o-que-chamam-de-amor-nos-chamamos-de-trabalho-nao-remunerado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13581","title":{"rendered":"O Patriarcado do Sal\u00e1rio: &#8220;O que chamam de amor, n\u00f3s chamamos de trabalho n\u00e3o remunerado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/ZuI7EvRXGnM8MyrBOdoMpkN8ql9S6VSNvfTqiS7RRklr_xWLQN39cWrXaUhuRXcTQH6c7CxM05-KKNEd0p9mmCOylb6ojDwv4jdiXUtoBl8a8M820HaY7YM9OkYaiMmD919tTStln2UZ-ljo2ZXLIg=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eldiario.es_1-620x350.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Por Gladys Tzul Tzu(1).<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Conversas com Silvia Federici<!--more--><\/p>\n<p>Silvia Federici. Te\u00f3rica e militante feminista italiana. Autora de Calib\u00e1n y la Bruja (Pez en el \u00c1rbol, 2013); Revoluci\u00f3n Feminista Inacabada (Calpulli, 2013); Revoluci\u00f3n en Punto Cero (Traficantes de Sue\u00f1os, 2013). Federici participou e acompanhou lutas das mulheres pela defesa das terras comunais na Nig\u00e9ria; nos anos setenta realizou uma campanha pelo sal\u00e1rio ao trabalho dom\u00e9stico. Suas reflex\u00f5es abordam de maneira hist\u00f3rica as lutas pol\u00edticas das mulheres para produzir o comum, com um f\u00e9rtil olhar sobre a reprodu\u00e7\u00e3o da vida. Nesta conversa que tivemos em Puebla, M\u00e9xico, nos apresenta elementos te\u00f3ricos para interpretar de maneira mais ampla o funcionamento do que ela chama de patriarcado do sal\u00e1rio. A conversa nos dota de uma serie de detalhes da hist\u00f3ria do capitalismo que servem para compreender nossas lutas.<\/p>\n<p><strong>GTT. Voc\u00ea refletiu sobre as diferentes formas de explora\u00e7\u00e3o das mulheres, por exemplo, denomina Patriarcado do Sal\u00e1rio como uma forma espec\u00edfica de domina\u00e7\u00e3o. <\/strong><strong>O que voc\u00ea pode nos falar sobre isso<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>O patriarcado \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o muito duradoura e n\u00e3o foi universal. Devemos repudiar essa afirma\u00e7\u00e3o que diz que as mulheres sempre foram oprimidas, primeiro porque em muitas comunidades as mulheres tinham poder. 2 mil anos atr\u00e1s existiam formas de matriarcado. Eu n\u00e3o posso esclarecer profundamente como se estabelecia um matriarcado, por\u00e9m \u00e9 importante compreender que a hist\u00f3ria foi destru\u00edda. A ideia \u00e9 entender que o patriarcado teve formas diferentes, as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o se estruturam da mesma maneira em todos os sistemas sociais. Al\u00e9m disso, o patriarcado n\u00e3o \u00e9 transmitido automaticamente, n\u00e3o \u00e9 um assunto que continua de forma natural e autom\u00e1tica de um s\u00e9culo a outro, de uma sociedade a outra. As investiga\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas demonstram que com o desenvolvimento do capitalismo, ou seja, com a passagem do feudalismo para o capitalismo, ocorreu uma passagem violenta, porque o desenvolvimento do capitalismo foi como a contrarrevolu\u00e7\u00e3o em um momento de crise do feudalismo. O capitalismo deu uma nova funda\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es patriarcais. O capitalismo se apropriou dos elementos da rela\u00e7\u00e3o patriarcal do feudalismo, por\u00e9m o transformou e deu novas fun\u00e7\u00f5es para seus fins sociais e econ\u00f4micos. Por exemplo, uma diferen\u00e7a muito grande entre o patriarcado do feudalismo e o patriarcado do capitalismo \u00e9 que, no primeiro, para as mulheres prevalecia um sistema de uso comunit\u00e1rio das terras, ou seja, as mulheres e os homens usavam a terra. Na Europa, por exemplo, as mulheres n\u00e3o foram dependentes economicamente dos homens, sua alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o dependia dos homens. Tampouco na sociedade feudal estava a diferen\u00e7a do tipo de poder entre homens e mulheres, que na sociedade capitalista se gerou. A rela\u00e7\u00e3o desigual de poder entre homens e mulheres no feudalismo n\u00e3o tinha ra\u00edzes materiais. A diferencia\u00e7\u00e3o vinha, para citar dois casos, das formas de uso da viol\u00eancia, porque os homens faziam parte dos ex\u00e9rcitos do poder feudal, os homens compunham os ex\u00e9rcitos, e as mulheres n\u00e3o. Outro caso \u00e9 o da diferen\u00e7a de poder que estava justificada na religi\u00e3o, pois esta tinha uma fun\u00e7\u00e3o de diferencia\u00e7\u00e3o. Todos os sistemas sociais que exploram o trabalho humano, exploram as mulheres particularmente, porque s\u00e3o as mulheres que produzem os trabalhadores. Quando existe um sistema social que explora o trabalho humano, este se aproxima e tenta controlar o corpo das mulheres, porque o corpo das mulheres gera riqueza, m\u00e3o de obra, cozinham. O capitalismo \u00e9 uma forma de explora\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que tem rela\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p><strong>GTT. Explique-nos mais sobre as diferen\u00e7as entre o sistema de explora\u00e7\u00e3o capitalista e o sistema de explora\u00e7\u00e3o feudal.<\/strong><\/p>\n<p>Uma primeira diferen\u00e7a \u00e9 que o capitalismo \u00e9 o primeiro sistema social que funda sua riqueza e sua acumula\u00e7\u00e3o sobre o trabalho humano. Todos os sistemas de explora\u00e7\u00e3o precedentes sempre viram a riqueza n\u00e3o como trabalho, mas como terra, bosques. O trabalho humano era importante para construir, criar, cultivar. Por\u00e9m, a riqueza foi conceituada pela riqueza material. Com o capitalismo muda.<\/p>\n<p><strong>GTT. Muda a no\u00e7\u00e3o de riqueza?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, muda a concep\u00e7\u00e3o de riqueza social. Isto \u00e9 dito pelos primeiros economistas do capitalismo. Eles dizem que a riqueza n\u00e3o \u00e9 a terra, a riqueza \u00e9 o trabalho humano. Ent\u00e3o, come\u00e7a com o capitalismo uma nova concep\u00e7\u00e3o do trabalho, como algo que pode se intensificar, que pode se desenvolver, que pode ter novas formas de produtividade. Assim como se cultivava a terra, se cultiva o trabalho humano. O objetivo era medir quanta for\u00e7a de trabalho existia. \u00c9 por isto que, no desenvolvimento do capitalismo em sua primeira fase, \u00e9 poss\u00edvel notar uma acumula\u00e7\u00e3o imensa de trabalho, se v\u00ea a escravid\u00e3o, milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas traficadas para o trabalho escravo. Segundo, a coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um evento que deu aos europeus o controle de pessoas, de trabalhadores das novas terras que invadiu. \u00c9 nestas condi\u00e7\u00f5es que se come\u00e7a a usar a pena de morte para proibir as mulheres que usem anticonceptivos ou se persegue as que abortam. Come\u00e7a uma interven\u00e7\u00e3o direta para apropriar-se do corpo das mulheres. Por isso, fala-se das mulheres como m\u00e1quinas produtoras de trabalhadores. Isso eu insiro nos contextos desta fome de trabalho que o capitalismo tem. Isto promove formas diferentes de patriarcado e, por isso, novas formas de rela\u00e7\u00f5es sociais come\u00e7am a se formar, porque existe um controle do Estado sobre o corpo das mulheres; se inicia um controle da procria\u00e7\u00e3o e do trabalho da reprodu\u00e7\u00e3o. As mulheres devem procriar e cuidar de suas crias todos os dias e devem faz\u00ea-lo em condi\u00e7\u00e3o invis\u00edvel, em condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o pagas, porque desta maneira se reproduzem de uma forma muito barata. O capital pode tomar toda a riqueza que os trabalhadores produzem, podem tomar toda a riqueza porque as mulheres produzem trabalhadores quase gr\u00e1tis.<\/p>\n<p><strong>GTT. \u00c9 aqui onde o sal\u00e1rio produz uma forma de patriarcado?<\/strong><\/p>\n<p>Neste sistema, o Estado e o capital controlam o corpo das mulheres e se apropriam de seu trabalho atrav\u00e9s do sistema do sal\u00e1rio. O sistema do sal\u00e1rio n\u00e3o apenas controla o trabalho dos assalariados, porque se o pensarmos como uma rela\u00e7\u00e3o, este mobiliza dois trabalhadores. Com um sal\u00e1rio se mobiliza o homem e a mulher que o reproduz, pagam a um, por\u00e9m trabalham dois. Ent\u00e3o, mobiliza uma grande quantidade de trabalho n\u00e3o pago. O sal\u00e1rio amplia a explora\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o s\u00f3 toma o trabalho do homem que est\u00e1 na f\u00e1brica ou no escrit\u00f3rio, mas tamb\u00e9m o trabalho da mulher que o reproduz diariamente, que cozinha, que cria os filhos. O capital acumula porque existem mulheres que trabalham por quase nada, n\u00e3o completamente nada, porque as mulheres comem, etc. Com o sal\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel controlar diretamente o trabalho das mulheres atrav\u00e9s do sistema da fam\u00edlia e do matrim\u00f4nio. O matrim\u00f4nio \u00e9 um sistema fundamentalmente laboral, \u00e9 o meio pelo qual o capitalismo faz as mulheres trabalharem para que reproduzam sua for\u00e7a de trabalho oper\u00e1rio. O sal\u00e1rio \u00e9 a medida para formar a fam\u00edlia, porque \u00e9 a\u00ed onde se obriga as mulheres a reproduzir trabalhadores. Eu creio que quando se v\u00ea isto, se compreende por que \u00e9 poss\u00edvel falar de um patriarcado do sal\u00e1rio, porque o sal\u00e1rio toma o trabalho da mulher e tamb\u00e9m a controla. O homem se converte em delegado, porque o capital e o Estado delegam ao trabalhador o poder de controlar e golpear as mulheres se n\u00e3o cumprirem essa fun\u00e7\u00e3o. Assim como os senhores que dominavam as planta\u00e7\u00f5es tinham os supervisores que controlavam o trabalho dos empregados, pode-se dizer que os homens controlam as mulheres.<\/p>\n<p><strong>GTT. Quais formas este tipo de controle assume, al\u00e9m das que j\u00e1 foram comentadas?<\/strong><\/p>\n<p>Tudo isto se torna invis\u00edvel pelo que se chama amor. O capitalismo tamb\u00e9m se apropriou e manipulou a busca do amor, da afetividade e da solidariedade entre todos os seres humanos; o deformaram, usando-o como uma medida para extrair trabalho n\u00e3o pago. Por isso, eu escrevi: \u201cIsso que chamam de amor, n\u00f3s chamamos de trabalho n\u00e3o pago\u201d.<\/p>\n<p><strong>GTT. Voc\u00ea chama o amor de trabalho n\u00e3o pago?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, porque na fam\u00edlia se chama de amor, que por amor se limpa e se cozinha, que tudo se faz por amor. Confundem amor com um servi\u00e7o pessoal. O amor \u00e9 um sistema que obrigava muitas mulheres que n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia e o matrim\u00f4nio era como arranjar um emprego. Por muitos anos, at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de minha m\u00e3e, se voc\u00ea n\u00e3o casava era uma trag\u00e9dia. O que era poss\u00edvel fazer? Coitadinha de voc\u00ea porque ficava sozinha. Muitas vezes ia para a casa de sua irm\u00e3 que estava casada e a ajudava, porque \u00e9 muito dif\u00edcil ter um emprego e, caso tivesse um emprego, n\u00e3o podia ter uma vida social. Essas mulheres que n\u00e3o se casavam eram consideradas como infelizes. Por isso, muitas mulheres competem entre si por um homem belo e com um bom sal\u00e1rio. De tal modo, a m\u00e3e a prepara, a orienta para se arrumar, para que n\u00e3o saia \u00e0 rua despenteada, para que sempre esteja de bom humor e que aprenda a fazer trabalhos dom\u00e9sticos. Minha m\u00e3e me amea\u00e7ava: \u201cSe voc\u00ea continuar assim, nenhum homem vai casar contigo\u201d. Isso porque se sabe que casar significa obedecer, fazer trabalhos dom\u00e9sticos e se voc\u00ea \u00e9 uma boa mulher, ele vai mant\u00ea-la, ele vai dar-lhe uma posi\u00e7\u00e3o social. Por\u00e9m, no matrim\u00f4nio um homem pode bater e v\u00e3o dizer que voc\u00ea merece porque certamente n\u00e3o o obedeceu, porque n\u00e3o fez o amor quando ele queria. No matrim\u00f4nio se presume que ele compra seu corpo e que voc\u00ea sempre tem que estar a sua disposi\u00e7\u00e3o. Por tudo isto, muitas lutas feministas t\u00eam dito que nem o homem, nem o matrim\u00f4nio tem direito absoluto a teu corpo. Se voc\u00ea diz n\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>GTT. \u00c9 interessante fazer uma revis\u00e3o do amor rom\u00e2ntico por este mundo da reprodu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Ah, o amor rom\u00e2ntico onde as vidas se fundem, por\u00e9m se fundem na vontade do homem! Eu quero escrever um livro sobre o amor e a sexualidade, sobre a causa de tanta dor nas mulheres e seu sentido de valor depender do fato de estar ou n\u00e3o casada, de um homem a querer ou n\u00e3o a querer. Muitas vezes eu vi que, ainda que um homem n\u00e3o a ame muito, quando acabam as rela\u00e7\u00f5es, as mulheres se sentem desvalorizadas e deprimidas. Por isso, quero escrever esse livro. N\u00e3o sei se com isso \u00e9 poss\u00edvel fazer a revolu\u00e7\u00e3o, mas com isso \u00e9 poss\u00edvel aliviar a dor. Um assunto que n\u00e3o quero esquecer \u00e9 que o sistema do sal\u00e1rio cria a fam\u00edlia como uma forma\u00e7\u00e3o social hier\u00e1rquica, onde o homem \u00e9 o patr\u00e3o, o representante do Estado e a mulher deve ser submetida, pode ser obrigada a fazer todo o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o sal\u00e1rio cria uma divis\u00e3o porque com a cria\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o sexual do trabalho, cria-se uma divis\u00e3o que rompe a frente unida da luta. Por isso, eu digo que \u00e9 importante que os homens compreendam que essa rela\u00e7\u00e3o de poder os destr\u00f3i eles tamb\u00e9m. Caso se compreenda que um homem colabora com o capital quando est\u00e1 contente em ser o chefe de fam\u00edlia, quando se sente forte porque \u00e9 superior \u00e0 mulher e que pode golpe\u00e1-la ou humilh\u00e1-la, ele n\u00e3o sabe que refor\u00e7a suas amarras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 domina\u00e7\u00e3o, porque impede que homens e mulheres lutem juntos. \u00c9 importante compreender que o conflito que se produz no trabalho assalariado e no trabalho n\u00e3o assalariado cria uma hierarquia laboral, al\u00e9m de criar uma naturaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da mulher. Por isso, acreditam que o trabalho dom\u00e9stico pertence \u00e0 natureza da mulher e \u00e9 contra isso que precisamos lutar. \u00c0s vezes, se pensa que caso se lute contra o trabalho dom\u00e9stico se \u00e9 uma m\u00e1 mulher, que n\u00e3o ama seu marido, etc. E n\u00e3o se trata disso. O trabalho dom\u00e9stico \u00e9 um sistema de explora\u00e7\u00e3o que usa o amor, usa as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>1. <a href=\"https:\/\/comunitariapress.wordpress.com\/2015\/04\/21\/el-patriarcado-del-salario-lo-que-llaman-amor-nosotras-lo-llamamos-trabajo-no-pagado\/amp\/#_ftnref1\" target=\"_blank\">Comunidade de Estudos Maias e doutoranda em Sociologia no Instituto de Ci\u00eancias Sociais e Humanidades. Benem\u00e9rita Universidade Aut\u00f4noma de Puebla<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/02\/14\/el-patriarcado-del-salario-lo-que-llaman-amor-nosotras-lo-llamamos-trabajo-no-pagado\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2017\/02\/14\/el-patriarcado-del-<wbr \/>salario-lo-que-llaman-amor-<wbr \/>nosotras-lo-llamamos-trabajo-<wbr \/>no-pagado\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Gladys Tzul Tzu(1). Resumen Latinoamericano Conversas com Silvia Federici\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13581\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[],"class_list":["post-13581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3x3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}