{"id":13592,"date":"2017-02-18T12:23:17","date_gmt":"2017-02-18T15:23:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13592"},"modified":"2017-03-02T18:25:08","modified_gmt":"2017-03-02T21:25:08","slug":"ocupacao-da-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13592","title":{"rendered":"Ocupa\u00e7\u00e3o da luta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci4.googleusercontent.com\/proxy\/8gXTsEvMhyGB57LMF_YXMvOY8DU6T0edm14K700VIXVF-TaYzgProC0CVG7yAzX-VL94eBBJLaSmpS1bAoFk4LZJnj0sdSsMn4CSCM-5th4id7Rw6RapmQ3aq3XaVPWdmZkS9WzRsc5PUxA6c5sRHyrMgjLlk4msm-ROjAxFX1DwrZ0B3U_nbw-MSC9H=s0-d-e1-ft#https:\/\/i2.wp.com\/jornalistaslivres.org\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/photo_2017-02-16_15-26-44.jpg?resize=556%2C371&amp;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Na quarta-feira (15) o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupou a cal\u00e7ada do Escrit\u00f3rio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (EPR) em S\u00e3o Paulo, na Av. Paulista. O movimento decidiu ficar acampado na cal\u00e7ada da Paulista com a Augusta at\u00e9 que suas reinvindica\u00e7\u00f5es sejam atendidas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Nesse momento pelo menos trezentas pessoas ocupam, em sistema de revezamento (contrariando os senhores das panelas, n\u00e3o s\u00e3o vagabundos, mas trabalhadores) est\u00e3o em constante aten\u00e7\u00e3o. Vigiados pela pol\u00edcia, xingados por transeuntes. Mas resistentes. Lutando para deixar o bambu e a lona, instrumentos de luta, para tr\u00e1s. E quem sabe, com uma caminho menos temeroso pela frente.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es do movimento s\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o do Minha Casa Minha Vida (MCMV); prioriza\u00e7\u00e3o de repasses para as faixas mais baixas, em renda mensal do programa (faixa 1- at\u00e9 R$ 1.800,00 e faixa 1,5- at\u00e9 R$ 2.350,00), uma vez que as faixas mais altas t\u00eam sido favorecidas pelo governo, contrariando o prop\u00f3sito do MCMV de prover habita\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o com renda mais baixa.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o teve inicio depois de um grande ato do MTST. O ato come\u00e7ou dividido, uma parte da concentra\u00e7\u00e3o foi no Largo da Batata, zona oeste de S\u00e3o Paulo, e local tradicional de manifesta\u00e7\u00f5es, outra se concentrou na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, no centro. Cada ato seguiu seu caminho, at\u00e9 que se encontraram na Pra\u00e7a do Ciclista, uma subindo pela Consola\u00e7\u00e3o e outra pela Rebou\u00e7as. Entraram na Paulista formando um mar de gente, mais de trinta mil, de acordo com Guilherme Boulos. Seguiram at\u00e9 o EPR e foram recepcionados por um forte aparato policial. Esperaram por pelo menos duas horas, at\u00e9 que foi confirmado, n\u00e3o teriam resposta, o governo os ignorou. Foi a gota d\u2019\u00e1gua para que a ocupa\u00e7\u00e3o em frente ao EPR, tivesse inicio.<\/p>\n<p>O MTST, movimento que tem um grande hist\u00f3rico de luta, j\u00e1 ocupou diversos terrenos para reivindicar moradia, diversos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para assegurar que o governo cumpra seus compromissos e \u00e9 ativo nos movimentos por democracia e contra o golpe. Suas ocupa\u00e7\u00f5es tradicionais s\u00e3o em terrenos que podem ser transformados em \u00e1reas de habita\u00e7\u00e3o. Normalmente terrenos usados por seus donos para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, deixados vagos e sem uso, esperando a valoriza\u00e7\u00e3o no mercado. A maior parte dos terrenos ocupados s\u00e3o de grande porte, e se localizam nas periferias das cidades, onde se pode construir grandes complexos habitacionais. Muitos desses terrenos n\u00e3o cumprem com a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade \u2014 definida pela constitui\u00e7\u00e3o de 1988 como obrigat\u00f3ria \u2014 que exige de toda propriedade algum uso que envolva \u201co atendimento das necessidades dos cidad\u00e3os quanto \u00e0 qualidade de vida, \u00e0 justi\u00e7a social e ao desenvolvimento das atividades econ\u00f4micas\u201d como est\u00e1 no Estatuto da Cidade, Lei federal que regula a obrigatoriedade da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade. Esses terrenos n\u00e3o est\u00e3o de acordo com a constitui\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o s\u00e3o utilizados para a sociedade de nenhuma forma, al\u00e9m de normalmente estarem acumulando d\u00edvidas com o poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Mas essa ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Al\u00e9m de ser um importante passo para garantir os direitos de moradia, tem um car\u00e1ter pol\u00edtico, simb\u00f3lico e hist\u00f3rico diferente.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rico, pois vai ser a chance do poder p\u00fablico demonstrar, se de fato, \u00e9 minimamente democr\u00e1tico ou n\u00e3o. \u00c9 a oportunidade de ver como ser\u00e1 usada a PMSP. Se de forma democr\u00e1tica, tratando o MTST como tratou os partid\u00e1rios do impeachment ou se de forma seletiva, de acordo com interesses do governo. No ano de 2016, durante o processo de impeachment de Dilma, um grupo de militantes favor\u00e1veis a cassa\u00e7\u00e3o da presidenta acampou, da mesma forma como acampa agora o MTST, na Paulista. Os manifestantes de direita (pr\u00f3-impeachment) ficaram mais de um m\u00eas em frente a FIESP com suas barracas, sem nenhum problema com a pol\u00edcia, mesmo tendo sido encontradas v\u00e1rias armas brancas nas barracas. Quando foram retirados das cal\u00e7adas, algum tempo depois da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment (e muito depois de terem chego l\u00e1) a cortesia e calma da pol\u00edcia surpreenderam. <a href=\"https:\/\/medium.com\/democratize-m%C3%ADdia\/policiais-encontram-armas-dentro-de-acampamento-pr%C3%B3-impeachment-ningu%C3%A9m-foi-preso-6864bbda99a\" target=\"_blank\">VEJA O LINK AQUI<\/a>. J\u00e1 a ocupa\u00e7\u00e3o do MTST, que fica acampado at\u00e9 que o governo assuma os compromissos que tem com o movimento, j\u00e1 recebeu um tratamento diferente. A escolta policial que esteve presente desde o come\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o presente momento \u00e9 muito maior do que o outro acamamento viu. CHOQUE, T\u00e1tica, tropa do bra\u00e7o, ROCANS, ficaram desde as 19 (hora aproximada do in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o) at\u00e9 a madrugada. Durante a noite o policiamento foi diminuindo, mas permaneceram algumas viaturas.<\/p>\n<p>Simb\u00f3lico, pois \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o que inverte as definidas castas geogr\u00e1ficas de S\u00e3o Paulo. Onde j\u00e1 se viu sem-teto, servi\u00e7al, negro e pobre morando na paulista. Pode ser nas tradicionais barracas de lonas e bambu dos assentamentos, mas eles fizeram de l\u00e1 sua casa. Afinal pra quem tem que ocupar terreno no frio, na lama, o que \u00e9 a Av. Paulista? As castas geogr\u00e1ficas de SP funcionam assim. No centro pessoas com casa e panelas, nas quais batem. Nas periferias aqueles que precisam lutar, contra tudo e todos, pelo seu direito a um teto. Direito muitas vezes tirado pelos donos das panelas, a quem tamb\u00e9m pertencem os terrenos ocupados. Esses sem-teto est\u00e3o ocupando um espa\u00e7o p\u00fablico, mas que foi cercado pelos paneleiros. Eles nunca foram bem vindos dentro dos cercados, mas como est\u00e3o acostumados com a luta, essa \u00e9 s\u00f3 mais uma.<\/p>\n<p>E sua carga pol\u00edtica est\u00e1 no potencial que tem essa ocupa\u00e7\u00e3o de se tornar algo maior\u2026 um occupy brasileiro. Desde que as ocupa\u00e7\u00f5es dos estudantes secundaristas, explodiram essas pr\u00e1ticas nos limites centrais da cidade, \u00e1rea dos senhores das panelas. Ocuparam-se as escolas, os MinCs, ocupa\u00e7\u00f5es de maior visibilidade que as tradicionais ocupa\u00e7\u00f5es do MTST. Mas os sem-teto, esses que n\u00e3o aceitam o lugar que lhes \u00e9 enfiado por paneleiros, viram morar na Av. Paulista. E com isso pode ser, que depois de tanta bomba, crie-se um QG da resist\u00eancia. No momento em que a esquerda parece ter perdido seu rumo, nada melhor que trazer o povo para a porta da presid\u00eancia em plena Av. Paulista. Todos os desmandos golpistas (s\u00f3 nesse ano), desde a nomea\u00e7\u00e3o para o STF do plagiador e genocida (que comandava a pol\u00edcia mais mais mata e mais morre, no mundo) Alexandre de Moraes, passando pelo sil\u00eancio covarde diante da crise penitenci\u00e1ria, a nomea\u00e7\u00e3o de Moreira Franco para Ministro (citado 34 vezes na dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht), at\u00e9 o sil\u00eancio cruel diante dos trinta mil que chegaram at\u00e9 a porta da Presid\u00eancia vinham sem pausa nem resist\u00eancia. Mas aqueles que n\u00e3o podem parar para descansar, uma vez que n\u00e3o tem um tento sobre o qual parar, resolveram exigir dele a lembran\u00e7a de que o povo guerreiro n\u00e3o esta de brincadeira.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"Rqg0BxvE0s\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/jornalistaslivres.org\/2017\/02\/mtst-ocupa-paulista\/\">Ocupa\u00e7\u00e3o da luta, MTST outra vez<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/jornalistaslivres.org\/2017\/02\/mtst-ocupa-paulista\/embed\/#?secret=Rqg0BxvE0s\" data-secret=\"Rqg0BxvE0s\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Ocupa\u00e7\u00e3o da luta, MTST outra vez&#8221; &#8212; Jornalistas Livres\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na quarta-feira (15) o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupou a cal\u00e7ada do Escrit\u00f3rio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (EPR) em S\u00e3o Paulo, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13592\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[200],"tags":[],"class_list":["post-13592","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-moradia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3xe","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13592\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}