{"id":13623,"date":"2017-02-21T12:22:12","date_gmt":"2017-02-21T15:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13623"},"modified":"2017-03-12T03:11:26","modified_gmt":"2017-03-12T06:11:26","slug":"enquanto-se-samba-se-luta-enquanto-se-luta-se-samba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13623","title":{"rendered":"Enquanto se samba se luta, enquanto se luta se samba"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/Ooud4o_IpbSJZYWN9UOr6G2N1Q4%3D\/top\/i.glbimg.com\/og\/ig\/infoglobo1\/f\/original\/2016\/11\/17\/15129726_990026587768458_601611894_n.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Heitor Cesar Ribeiro de Oliveira*<\/p>\n<p>Chegando o carnaval, muitos mergulham numa doce ilus\u00e3o, ou como j\u00e1 foi cantado em outros carnavais, a feira da ilus\u00e3o da vida. Tem fantasias e sonhos para todos os gostos, inclusive o de fugir da realidade, cada vez mais dura sob o capitalismo, e particularmente, em 2017, diante do governo golpista de <!--more-->Temer e de um conjunto de ataques a direitos civis, sociais, trabalhistas e at\u00e9 \u00e0 nossa fr\u00e1gil democracia.<\/p>\n<p>E essa realidade dura \u00e9 ainda marcada por um conjunto de ajustes na esfera estadual com reformas tamb\u00e9m bastantes agressivas, atrasos de sal\u00e1rios, ajustes, criminaliza\u00e7\u00e3o da luta e da vida. De fato, temos um ano dif\u00edcil, e o carnaval 2017 ocorre em meio a todo esse caos e incertezas, at\u00e9 a nossa \u00e1gua, aqui no Rio, est\u00e1 sob a amea\u00e7a direta e bem real de ser privatizada.<\/p>\n<p>Assim, muitos mergulhar\u00e3o no carnaval para tentar desafogar um pouco a mente, as preocupa\u00e7\u00f5es e os medos, tentando curtir e reorganizar a mente para enfrentar as batalhas de um ano que tende a ser duro e de muitas lutas.<\/p>\n<p>Mas, mesmo no carnaval, existem aqueles que n\u00e3o mergulham na ilus\u00e3o, que n\u00e3o adentram a feira da ilus\u00e3o da vida, mas, pelo contr\u00e1rio, aproveitam o carnaval para fazer protesto, para chegar a mais pessoas, para levar a luta enquanto se brinca e sambando enquanto se luta. Sim, existem os que n\u00e3o se limitam a sonhar no carnaval, mas cantam a sociedade que querem construir, mais justa, mais igualit\u00e1ria, mais humana, mais solid\u00e1ria, uma sociedade nova, sem preconceitos, nem intoler\u00e2ncia, democratizada, reconstru\u00edda, uma sociedade socialista.<\/p>\n<p>O Carnaval n\u00e3o \u00e9 somente palco de festa e ilus\u00f5es que se desmancham na quarta feira de cinzas, mas \u00e9 um espa\u00e7o onde os que defendem e constroem essa sociedade nova cantam seus objetivos, prestam homenagens \u00e0s suas refer\u00eancias e seus her\u00f3is. Com irrever\u00eancia protestam, com alegria cantam a luta, com convic\u00e7\u00e3o v\u00e3o \u00e0s ruas e fazem do carnaval mais um espa\u00e7o de luta.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim que o carnaval ser\u00e1 para comunistas, para socialistas, para democratas radicais, para os progressistas e todos os que acreditam que essa sociedade n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria, e que uma nova alternativa pode e deve ser constru\u00edda.<\/p>\n<p>Diversas rodas de samba, blocos, cord\u00f5es, alas far\u00e3o essa resist\u00eancia. Dentre eles podemos citar o maravilhoso \u201cO Samba Brilha\u201d que se re\u00fane na regi\u00e3o da Cinel\u00e2ndia (Rio de Janeiro), todo m\u00eas organizando sua roda de samba e sua resist\u00eancia cultural, sempre com temas sociais, homenageando temas e pessoas da luta. Mais um ano o Samba Brilha apresenta seu carnaval e, assim como sua roda de samba mensal, far\u00e1 mais um carnaval cantando a luta e a vida, sendo uma refer\u00eancia da resist\u00eancia cultural da Cinel\u00e2ndia e de todo o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Ainda no espirito das rodas de samba, temos a emblem\u00e1tica resist\u00eancia cultural de Nova Friburgo, que tamb\u00e9m realiza suas mensais rodas de samba, uma verdadeira resist\u00eancia na serra, com o irreverente e de luta Desafetos do Col\u00edrio. Sempre homenageando figuras e refer\u00eancias de luta e do samba.<\/p>\n<p>Descendo a serra e voltando para o Rio, temos o novo, por\u00e9m j\u00e1 tradicional Bloco \u201cCord\u00e3o do Prata Preta\u201d, bloco do bairro da Sa\u00fade, na regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio. Bloco que tem por nome e s\u00edmbolo o capoeirista Preta Preta, her\u00f3i e resistente da Revolta da Vacina. O Prata Preta, que sempre canta a luta e a resist\u00eancia, levando irrever\u00eancia e alegria, esse ano far\u00e1 uma homenagem \u00e0 eterna Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, cantando \u201cDa Esta\u00e7\u00e3o Finl\u00e2ndia a Sa\u00fade, os 100 anos da revolu\u00e7\u00e3o bolchevique\u201d. O Prata Preta lembrar\u00e1 esse grande momento da luta da classe trabalhadora mundial e falar\u00e1 da resist\u00eancia dos trabalhadores e do povo carioca, nas revoltas da Vacina, da Chibata e cantar\u00e1 as lutas e resist\u00eancias dos trabalhadores de todo mundo bradando \u201csou carioca, comunista e bolchevique&#8230; no carnaval, meu fuzil \u00e9 meu repique\u201d.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m teremos o Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado, o Comuna que Pariu, bloco dos comunistas que, desde 2009, faz do carnaval uma importante trincheira de luta. O Comuna, que se tornou um fen\u00f4meno que extrapola o carnaval e a pr\u00f3pria fronteira do Rio de Janeiro, sendo exemplo para a cria\u00e7\u00e3o por comunistas de todo o pa\u00eds de se\u00e7\u00f5es estaduais, cantar\u00e1 a luta contra a intoler\u00e2ncia, contra o preconceito. Numa \u00e9poca em que o \u00f3dio e o medo se tornam discursos com for\u00e7a, onde a fronteira que defende o estado laico encontra-se t\u00e3o amea\u00e7ada, o Comuna traz para o debate a luta da popula\u00e7\u00e3o LGBT.<\/p>\n<p>O Comuna, que j\u00e1 cantou a luta pela anistia, a defesa do petr\u00f3leo e da Petrobr\u00e1s 100% estatal, que defendeu a reforma agr\u00e1ria e bradou \u201csomos todos sem terra\u201d, que lutou pela reforma urbana e contra as remo\u00e7\u00f5es, que homenageou Oscar Niemeyer, que denunciou as obras e desmandos da copa da FIFA, que cantou a luta das mulheres, da resist\u00eancia do movimento negro, agora canta: &#8220;As bi, as gay, as trans e as sapat\u00e3o, t\u00e3o juntas no Comuna pra fazer Revolu\u00e7\u00e3o!&#8221;.<\/p>\n<p>O Comuna denunciar\u00e1 o preconceito, o \u00f3dio, a intoler\u00e2ncia presente no discurso conservador que tenta se impor como senso comum, defender\u00e1 que toda forma de amor vale a pena, e chamar\u00e1 \u00e0 luta todos e todas para a constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o poderia faltar, o Comuna far\u00e1 uma homenagem \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa e defender\u00e1 que os sonhos, as convic\u00e7\u00f5es, os desejos e os anseios dos bolcheviques por um mundo novo continuam vivos e presentes nas lutas dos comunistas.<\/p>\n<p>Muitos outros blocos, cord\u00f5es, rodas de samba far\u00e3o tamb\u00e9m desse carnaval mais um espa\u00e7o de resist\u00eancia e de luta, de conscientiza\u00e7\u00e3o e de mobiliza\u00e7\u00e3o&#8230; sambemos que o carnaval termina na quarta-feira de cinzas, mas a nossa luta continuar\u00e1.<\/p>\n<p>E para lembrar &#8230; Fora Temer&#8230; Pelo Poder Popular!<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria n\u00e3o acabou&#8230; e n\u00f3s apenas come\u00e7amos.<\/p>\n<p>Vamos que Vamos&#8230; construir um carnaval sem rei nem rainha, mas sim um carnaval camarada.<\/p>\n<p>*Membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Heitor Cesar Ribeiro de Oliveira* Chegando o carnaval, muitos mergulham numa doce ilus\u00e3o, ou como j\u00e1 foi cantado em outros carnavais, a feira \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13623\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-13623","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3xJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13623\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}