{"id":13709,"date":"2017-03-04T16:19:34","date_gmt":"2017-03-04T19:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13709"},"modified":"2017-03-16T12:29:34","modified_gmt":"2017-03-16T15:29:34","slug":"carlos-lozada-armas-das-farc-vao-se-convertendo-em-homenagem-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13709","title":{"rendered":"Carlos Lozada: Armas das FARC v\u00e3o se convertendo em homenagem e mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Carlos-Antonio-Lozada-Constituyente-FARC-770x400-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/>Contagio Radio<\/p>\n<p>Juli\u00e1n Gallo Cubillos, conhecido como \u201cCarlos Antonio Lozada\u201d, tem 55 anos, uma voz tranquila e que evoca esperan\u00e7a. Participa h\u00e1 38 anos da guerrilha das FARC e esteve presente nas falidas conversa\u00e7\u00f5es de 1999 na Col\u00f4mbia. Nesta nova etapa de di\u00e1logos, encabe\u00e7ou a subcomiss\u00e3o t\u00e9cnica para o fim do conflito, onde se encontrou cara a cara com integrantes das for\u00e7as militares, aos quais enfrentou na guerra.<!--more--><\/p>\n<p>Lozada agora \u00e9 o encarregado do processo de abandono de armas e, em entrevista para Contagio Radio, relatou o que isto significa para um integrante das FARC, os procedimentos e os alcances deste momento hist\u00f3rico que arranca e que \u00e9 irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Contagio Radio (CR): Desde que estivemos na X Confer\u00eancia no Yar\u00ed, nos demos conta que tinham quase como seu companheiro permanente seu fuzil. O que est\u00e1 significando para as FARC come\u00e7ar o abandonar das armas?<\/p>\n<p>Carlos Lozada (CL): N\u00f3s consideramos que este processo de abandono das armas vai muito al\u00e9m do simples fato de que os combatentes da insurg\u00eancia v\u00e3o deixar de usar as armas no exerc\u00edcio da pol\u00edtica. N\u00f3s consideramos que isso tamb\u00e9m se torna extensivo, no sentido de n\u00e3o envolver mais armas na pol\u00edtica no que se refere a todos os setores que estiveram participando de uma ou outra forma no complexo conflito social e pol\u00edtico colombiano. Ou seja, n\u00e3o faz refer\u00eancia ao abandono de armas \u00fanica e exclusivamente \u00e0 insurg\u00eancia, cremos que o Estado deve retirar as armas da pol\u00edtica interna e dedicar as armas \u00e0 defesa da soberania, da integridade do territ\u00f3rio, dos recursos naturais de nosso pa\u00eds. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 somente a vis\u00e3o unilateral, de que s\u00f3 a insurg\u00eancia que vai promover a suspens\u00e3o do uso das armas. O que representa este momento \u00e9 o compromisso que assumimos e que, logicamente, vamos cumprir plenamente quando assinamos o Acordo de Paz, que visa garantir que n\u00e3o se repita nunca mais esta trag\u00e9dia em que vivem os colombianos durante as \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Contagio Radio: Qual \u00e9 o procedimento a seguir para o abandono das armas?<\/p>\n<p>Carlos Lozano: O procedimento \u00e9 o seguinte: no Acordo se contempla que o processo de abandono das armas tem diferentes momentos. O primeiro se denomina registro que \u00e9, digamos, tomar nota das armas que v\u00e3o ser depositadas sob a cust\u00f3dia das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Depois, vem uma parte que se denomina controle de armamento, que j\u00e1 seria o registro das armas que durante o tempo de perman\u00eancia nas Zonas Transit\u00f3rias v\u00e3o ter os combatentes. Ou seja, a arma individual com a qual permanecer\u00e3o at\u00e9 que se termine definitivamente esse processo. E outra etapa consiste em transferir as armas de artilharia, como as metralhadoras, os morteiros, os lan\u00e7a-granadas, que em geral n\u00e3o est\u00e3o com as unidades. Essas armas ser\u00e3o levadas \u00e0s Zonas Transicionais e na medida em que v\u00e3o sendo cumpridos os prazos acordados, pois ir\u00e3o passando pouco a pouco a controle do componente internacional do Mecanismo de Monitoramento e Verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>CR: Iv\u00e1n M\u00e1rquez falou da artilharia das FARC e fez refer\u00eancia a uns m\u00edsseis de tempo duplo. Voc\u00ea pode nos dizer como foi esse processo de elabora\u00e7\u00e3o, de posse e de uso das armas?<\/p>\n<p>CL: Ao longo do confronto, n\u00f3s conseguimos desenvolver v\u00e1rios aspectos do armamento popular, e nos comprometemos com que o processo de abandono das armas envolva absolutamente todo o armamento, na medida em que se v\u00e3o esgotando os prazos e cumprindo os compromissos pactuados mutuamente, pois assim n\u00f3s mesmos iremos dando a conhecer e colocando sob controle do componente internacional o armamento. Precisamos que este \u00e9 um acordo que contempla esta parte do abandono das armas e envolve exclusivamente as FARC e o componente internacional. Porque as for\u00e7as militares e o Estado n\u00e3o ter\u00e3o nenhuma rela\u00e7\u00e3o nesta parte.<\/p>\n<p>CR: Dentro deste processo e em meio \u00e0s evidentes dificuldades, o que teria de ser feito de imediato para que este processo n\u00e3o tenha algum tipo de trope\u00e7o?<\/p>\n<p>CL: Existe uma serie de compromissos acordados e n\u00f3s podemos resumir as preocupa\u00e7\u00f5es que temos neste momento e que ronda a cabe\u00e7a das FARC desta maneira:<\/p>\n<p>A primeira, obviamente, \u00e9 a continuidade dos assassinatos sistem\u00e1ticos contra os dirigentes populares e os defensores de DH. Esse derramamento de sangue contra os colombianos deve parar. Faz falta um compromisso maior do Estado colombiano em dar garantia \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 o aumento dos paramilitares, que a cada dia monopolizam mais \u00e1reas ante o olhar \u00e0s vezes complacente de algumas unidades das for\u00e7as armadas. N\u00e3o podemos dizer que sejam todas as for\u00e7as armadas, por\u00e9m sim, temos e conhecemos informa\u00e7\u00e3o precisa da coniv\u00eancia de algumas unidades com estes grupos.<\/p>\n<p>A terceira preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a leni\u00eancia na implanta\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 Lei de Anistia e Indulto. Depois de dois meses de aprovadas essas leis, deveriam estar nas ruas os mais de 4 mil combatentes das FARC e milicianos que se encontram na pris\u00e3o, e os mais de 5 mil colombianos que devem ser beneficiados, que est\u00e3o prisioneiros por participarem da luta e do protesto social.<\/p>\n<p>CR: A prop\u00f3sito do tema da conviv\u00eancia da for\u00e7a militar com paramilitares, voc\u00eas j\u00e1 fizeram uma den\u00fancia \u00e0 comiss\u00e3o de implanta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>CL: Esse \u00e9 um tema que de maneira recorrente vem sendo tratado em diversos espa\u00e7os, onde nos encontramos com funcion\u00e1rios e representantes do Governo e do Estado colombiano. Manifestamos nossa preocupa\u00e7\u00e3o e contribu\u00edmos com provas desse aumento da presen\u00e7a paramilitar em algumas zonas, com informa\u00e7\u00e3o que nos chega das comunidades.<\/p>\n<p>CR: As armas est\u00e3o sendo entregues, est\u00e3o sendo deixadas em poder das Na\u00e7\u00f5es Unidas e ser\u00e3o feitos 3 monumentos. Voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam a pessoa que os far\u00e1?<\/p>\n<p>CL: Este tema da constru\u00e7\u00e3o dos monumentos para n\u00f3s tem uma significa\u00e7\u00e3o e uma transcend\u00eancia muito grande, na medida em que queremos significar com estes monumentos a recupera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria dos milhares de colombianos que faleceram no conflito armado. Esperamos que esse monumento seja uma refer\u00eancia para as futuras gera\u00e7\u00f5es. Quanto \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o, temos propostas de colombianos muito dedicados que nos mostraram suas propostas. No entanto, agora n\u00e3o posso dizer seus nomes. O que sei \u00e9 que refletem e sintetizam a ideia do que n\u00f3s consideramos que deve ser esse testemunho hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>CR: O que pode acontecer com os integrantes das FARC depois, quando se completar o abandono de armas? Existe algum tipo de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, cooperativas? Como ser\u00e1 a vida?<\/p>\n<p>CL: O acordo prev\u00ea que a partir da chegada \u00e0s Zonas ser\u00e1 iniciado o processo de reincorpora\u00e7\u00e3o das FARC \u00e0 sociedade, tanto no econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social conforme os nossos interesses. No pol\u00edtico, assim que completarmos o processo de abandono das armas, apresentaremos ao pa\u00eds nossa proposta pol\u00edtica, No econ\u00f4mico, se dar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de uma grande cooperativa que denominamos \u201cEconomias do comum\u201d, que gerar\u00e1 projetos produtivos e tamb\u00e9m pretendemos que se converta no que pode ser o desenvolvimento de uma economia comunit\u00e1ria alternativa. Com esta iniciativa, queremos que se beneficiem os ex-combatentes, suas fam\u00edlias e as comunidades.<\/p>\n<p>CR: Para Carlos Lozada, o que foi o mais bonito ou esperan\u00e7oso deste processo de paz?<\/p>\n<p>CL: Existem muitas coisas que eu poderia narrar, por\u00e9m vou me referir rapidamente a 3 coisas que realmente para mim significaram fatos transcendentais desta etapa do processo. A primeira \u00e9 a possibilidade de dialogar com oficiais das for\u00e7as armadas (\u2026). Sem eles este processo n\u00e3o teria conseguido chegar a um bom t\u00e9rmino. O segundo, ver os combatentes com suas fam\u00edlias. Podemos ver como depois de 10, 15 e at\u00e9 mais de 30 anos os combatentes podem se reencontrar com seus entes. Isso comove e nos faz entender o anseio de paz. O \u00faltimo \u00e9 ver como as Zonas Transit\u00f3rias est\u00e3o se convertendo em um ponto de peregrina\u00e7\u00e3o, onde chegam para nos felicitar pela decis\u00e3o tomada e nos oferecem sua solidariedade.<\/p>\n<p>Foto: RemapValle<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/03\/03\/colombia-carlos-lozada-armas-de-las-farc-se-van-convirtiendo-en-homenaje-y-memoria\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Contagio Radio Juli\u00e1n Gallo Cubillos, conhecido como \u201cCarlos Antonio Lozada\u201d, tem 55 anos, uma voz tranquila e que evoca esperan\u00e7a. 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