{"id":1371,"date":"2011-04-05T21:13:48","date_gmt":"2011-04-05T21:13:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1371"},"modified":"2011-04-05T21:13:48","modified_gmt":"2011-04-05T21:13:48","slug":"no-se-puede-confiar-en-el-imperialismo-ni-tantito-asi-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1371","title":{"rendered":"\u201cNo se puede confiar en el imperialismo, ni tantito as\u00ed&#8230; Nada!\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A famosa frase do Comandante Che Guevara em seu discurso na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) segue sendo um alerta, cada vez mais atual, que n\u00e3o podemos desprezar.<\/p>\n<p>Serve tanto para as ilus\u00f5es de Muamar Kadafi de que sua aproxima\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio poderia poup\u00e1-lo do mesmo destino do Iraque, quanto para os governos dos pa\u00edses que integram o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e acreditaram que os Estados Unidos apenas iriam \u201cassegurar o controle do espa\u00e7o a\u00e9reo da L\u00edbia\u201d.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria hist\u00f3rica do regime de Muamar Kadafi \u00e9 a prova do perigo em se confiar no imperialismo. Kadafi chegou ao poder em 1969, com um projeto nacionalista inspirado na lideran\u00e7a do eg\u00edpcio Gamal Abdel Nasser (1918-1970), disposto a unificar os pa\u00edses \u00e1rabes em torno de um projeto aut\u00f4nomo, nacional e terceiro-mundista. Com a derrubada do Rei Idris I que era extremamente vinculado \u00e0s empresas estadunidenses de petr\u00f3leo, substitui a monarquia por uma rep\u00fablica, determina a retirada da base a\u00e9rea dos Estados Unidos de Wheelus, territ\u00f3rio l\u00edbio, e inicia um intenso programa de nacionaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as inaugurada pelo fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica demarca o in\u00edcio das ilus\u00f5es de Kadafi de que uma aproxima\u00e7\u00e3o com o imp\u00e9rio poderia poup\u00e1-lo de um destino semelhante ao do Iraque. A partir de outubro de 2002, iniciou-se uma maratona de visitas a Tr\u00edpoli: Berlusconi (It\u00e1lia), em outubro de 2002; Aznar (Espanha), em setembro de 2003; Berlusconi de novo em fevereiro, agosto e outubro de 2004; Blair (Inglaterra), em mar\u00e7o de 2004; Schr\u00f6eder (Alemanha), em outubro de 2004; Chirac (Fran\u00e7a), em novembro de 2004. Em 2003, anuncia sua inten\u00e7\u00e3o de aliar-se \u00e0 guerra ao terror. Abre a economia para as grandes transnacionais do petr\u00f3leo. A British Petroleum, Exxon, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil associam-se aos gigantes da industria b\u00e9lica Raytheon e Nortroph Grumman e com a Dow Chemical para formar a US-Libia Business Association, em 2005.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, declara-se um colaborador dos Estados Unidos &#8211; os quais ele ajudou em sua \u201cguerra ao terror\u201d &#8211; e da It\u00e1lia, com quem ele colaborou na deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes que tentavam chegar \u00e0 Europa a partir da \u00c1frica. Tal \u201cguinada pol\u00edtica\u201d de aproxima\u00e7\u00e3o do imperialismo abalou sua base social, retirando-lhe o discurso de defesa dos interesses nacionais e colocando seu regime como um aliado do imp\u00e9rio que havia combatido por tanto tempo.<\/p>\n<p>Muamar Kadafi est\u00e1 pagando caro o pre\u00e7o desta ilus\u00e3o. Ao enfrentar uma revolta social com bases leg\u00edtimas, seus aliados imperialistas o abandonaram sem qualquer vacila\u00e7\u00e3o e prontamente aproveitam-se da situa\u00e7\u00e3o para abocanhar as riquezas naturais da L\u00edbia.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o resta qualquer d\u00favida. Os Estados Unidos est\u00e3o usando o pretexto da interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria para prote\u00e7\u00e3o dos civis, com o objetivo claro de tomar o controle dos recursos energ\u00e9ticos do pa\u00eds e impor um novo regime, de acordo com seus interesses. Indagada pelos bombardeios efetuados pelos avi\u00f5es da OTAN, a Secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton justificou os ataques atrav\u00e9s da \u201clegalidade\u201d das Resolu\u00e7\u00f5es 1970 e 1973 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, que \u201cautorizaram todas as medidas necess\u00e1rias\u201d para proteger os civis l\u00edbios da repress\u00e3o do regime comandado por Kadafi.<\/p>\n<p>Aqui nos deparamos com outra grave \u201cilus\u00e3o\u201d ante o imperialismo. Ao aprovar ou se abster na reuni\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, os pa\u00edses, inclusive o Brasil, permitiram aos Estados Unidos manipular a resolu\u00e7\u00e3o e promover uma interven\u00e7\u00e3o militar onde claramente pretendem consolidar suas posi\u00e7\u00f5es e aliados em territ\u00f3rio l\u00edbio.<\/p>\n<p>Jamais houve qualquer inten\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria na proposta dos EUA. Basta comparar com a situa\u00e7\u00e3o do Bahrein, onde recentemente 160 blindados e mais de mil soldados da chamada Liga \u00c1rabe, em especial da Ar\u00e1bia Saudita, invadiram o pequeno emirado, sufocando com mortes e feridos a revolta popular, ante o sil\u00eancio das grandes ag\u00eancias internacionais de informa\u00e7\u00e3o e total cumplicidade dos Estados Unidos. Neste caso, a preocupa\u00e7\u00e3o estadunidense \u00e9 assegurar o regime que lhe permite sediar a estrat\u00e9gica 5\u00aa Frota Naval, que controla a passagem pelo golfo p\u00e9rsico.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso mobilizar-se contra a interven\u00e7\u00e3o dos EUA e seus aliados da OTAN na L\u00edbia. A presen\u00e7a militar imperialista manipula a leg\u00edtima revolta popular, fortalecendo representantes e l\u00edderes tribais aliados. Mais uma vez o alerta de Che Guevara se confirma: \u201cN\u00e3o se pode confiar no imperialismo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/5987<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Brasil de Fato\n\n\n\n\n\n\n\n\nEditorial da edi\u00e7\u00e3o 422 do Brasil de Fato\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1371\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-m7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1371\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}