{"id":13739,"date":"2017-03-07T11:56:42","date_gmt":"2017-03-07T14:56:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13739"},"modified":"2017-03-30T10:51:26","modified_gmt":"2017-03-30T13:51:26","slug":"para-alem-do-faca-acontecer-por-um-feminismo-dos-99-e-uma-greve-internacional-militante-em-8-de-marco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13739","title":{"rendered":"Para al\u00e9m do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de mar\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagem.vermelho.org.br\/biblioteca\/manifestacao_de_mulheres_eua105461.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Angela Davis, Cinzia Arruzza, Keeanga-Yamahtta Taylor, Linda Mart\u00edn Alcoff, Nancy Fraser, Tithi Bhattacharya e Rasmea Yousef Odeh.<\/p>\n<p>As grandes marchas de mulheres de 21 de janeiro [nos Estados Unidos] podem marcar o in\u00edcio de uma nova onda de luta feminista militante. Mas qual ser\u00e1 exatamente seu foco?<!--more--> Em nossa opini\u00e3o, n\u00e3o basta se opor a Trump e suas pol\u00edticas agressivamente mis\u00f3ginas, homof\u00f3bicas, transf\u00f3bicas e racistas. Tamb\u00e9m precisamos alvejar o ataque neoliberal em curso sobre os direitos sociais e trabalhistas. Enquanto a misoginia flagrante de Trump foi o gatilho imediato para a resposta maci\u00e7a em 21 de janeiro, o ataque \u00e0s mulheres (e todos os trabalhadores) h\u00e1 muito antecede a sua administra\u00e7\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres, especialmente as das mulheres de cor e as trabalhadoras, desempregadas e migrantes, t\u00eam-se deteriorado de forma constante nos \u00faltimos 30 anos, gra\u00e7as \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o empresarial. O feminismo do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d* e outras variantes do feminismo empresarial falharam para a esmagadora maioria de n\u00f3s, que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 autopromo\u00e7\u00e3o e ao avan\u00e7o individual e cujas condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00f3 podem ser melhoradas atrav\u00e9s de pol\u00edticas que defendam a reprodu\u00e7\u00e3o social, a justi\u00e7a reprodutiva segura e garanta direitos trabalhistas. Como vemos, a nova onda de mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres deve abordar todas essas preocupa\u00e7\u00f5es de forma frontal. Deve ser um feminismo para 99% das pessoas.<\/p>\n<p>O tipo de feminismo que buscamos j\u00e1 est\u00e1 emergindo internacionalmente, em lutas em todo o mundo: desde a greve das mulheres na Pol\u00f4nia contra a proibi\u00e7\u00e3o do aborto at\u00e9 as greves e marchas de mulheres na Am\u00e9rica Latina contra a viol\u00eancia masculina; da grande manifesta\u00e7\u00e3o das mulheres de novembro passado na It\u00e1lia aos protestos e greve das mulheres em defesa dos direitos reprodutivos na Coreia do Sul e na Irlanda. O que \u00e9 impressionante nessas mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 que v\u00e1rias delas combinaram lutas contra a viol\u00eancia masculina com oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho e \u00e0 desigualdade salarial, ao mesmo tempo em que se op\u00f5em as pol\u00edticas de homofobia, transfobia e xenofobia. Juntas, eles anunciam um novo movimento feminista internacional com uma agenda expandida \u2013 ao mesmo tempo antiracista, anti-imperialista, antiheterossexista e antineoliberal.<\/p>\n<p>Queremos contribuir para o desenvolvimento deste novo movimento feminista mais expansivo.<\/p>\n<p>Como primeiro passo, propomos ajudar a construir uma greve internacional contra a viol\u00eancia masculina e na defesa dos direitos reprodutivos no dia 8 de mar\u00e7o. Nisto, n\u00f3s nos juntamos com grupos feministas de cerca de trinta pa\u00edses que t\u00eam convocado tal greve. A ideia \u00e9 mobilizar mulheres, incluindo mulheres trans, e todos os que as apoiam num dia internacional de luta \u2013 um dia de greves, marchas e bloqueios de estradas, pontes e pra\u00e7as; absten\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, de cuidados e sexual; boicote e denuncia de pol\u00edticos e empresas mis\u00f3ginas, greves em institui\u00e7\u00f5es educacionais. Essas a\u00e7\u00f5es visam visibilizar as necessidades e aspira\u00e7\u00f5es que o feminismo do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d ignorou: as mulheres no mercado de trabalho formal, as que trabalham na esfera da reprodu\u00e7\u00e3o social e dos cuidados e as desempregadas e prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ao abra\u00e7ar um feminismo para os 99%, inspiramo-nos na coaliz\u00e3o argentina Ni Una Menos. A viol\u00eancia contra as mulheres, como elas a definem, tem muitas facetas: \u00e9 a viol\u00eancia dom\u00e9stica, mas tamb\u00e9m a viol\u00eancia do mercado, da d\u00edvida, das rela\u00e7\u00f5es de propriedade capitalistas e do Estado; a viol\u00eancia das pol\u00edticas discriminat\u00f3rias contra as mulheres l\u00e9sbicas, trans e queer, a viol\u00eancia da criminaliza\u00e7\u00e3o estatal dos movimentos migrat\u00f3rios, a viol\u00eancia do encarceramento em massa e a viol\u00eancia institucional contra os corpos das mulheres atrav\u00e9s da proibi\u00e7\u00e3o do aborto e da falta de acesso a cuidados de sa\u00fade e aborto gratuitos. Sua perspectiva informa a nossa determina\u00e7\u00e3o de opormo-nos aos ataques institucionais, pol\u00edticos, culturais e econ\u00f4micos contra mulheres mu\u00e7ulmanas e migrantes, contra as mulheres de cor e as mulheres trabalhadoras e desempregadas, contra mulheres l\u00e9sbicas, g\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio e trans-mulheres.<\/p>\n<p>As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos tamb\u00e9m um novo movimento feminista pode estar em constru\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante n\u00e3o perder impulso. Juntemo-nos em 8 de mar\u00e7o para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasi\u00e3o deste dia internacional de a\u00e7\u00e3o para acertar as contas com o feminismo do \u201cfa\u00e7a acontecer\u201d e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solid\u00e1rio com as trabalhadoras, suas fam\u00edlias e aliados em todo o mundo.<\/p>\n<p>http:\/\/blogjunho.com.br\/alem-do-faca-acontecer-para-uma-feminismo-dos-99-e-uma-greve-internacional-militante-em-8-de-marco\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Angela Davis, Cinzia Arruzza, Keeanga-Yamahtta Taylor, Linda Mart\u00edn Alcoff, Nancy Fraser, Tithi Bhattacharya e Rasmea Yousef Odeh. 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