{"id":1378,"date":"2011-04-08T03:18:56","date_gmt":"2011-04-08T03:18:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1378"},"modified":"2011-04-08T03:18:56","modified_gmt":"2011-04-08T03:18:56","slug":"os-super-ricos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1378","title":{"rendered":"Os super-ricos do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de salvamento de bancos, especuladores e industriais cumpriram o seu verdadeiro objectivo: os milion\u00e1rios passaram a multimilion\u00e1rios e estes ficaram ainda mais ricos. Segundo o relat\u00f3rio anual da revista de neg\u00f3cios\u00a0<em>Forbes, <\/em>h\u00e1 1210 indiv\u00edduos \u2013 e em muitos casos cl\u00e3s familiares \u2013 com um valor l\u00edquido de mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (ou mais). O seu patrim\u00f4nio\u00a0l\u00edquido total \u00e9 de 4,5 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares, maior do que o valor total de 4 mil milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. A actual concentra\u00e7\u00e3o de riqueza ultrapassa qualquer per\u00edodo anterior da hist\u00f3ria; desde o Rei Midas, os Maraj\u00e1s, e os Bar\u00f5es Ladr\u00f5es\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/petras\/petras_23mar11_p.html#nt\" target=\"_blank\">[1]<\/a> at\u00e9 aos magnatas de Silicon Valley<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/petras\/petras_23mar11_p.html#nt\" target=\"_blank\">[2]<\/a> e Wall Street na actual d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise da origem da riqueza dos super-ricos, a sua distribui\u00e7\u00e3o na economia mundial e os m\u00e9todos de acumula\u00e7\u00e3o esclarece diversas diferen\u00e7as importantes com profundas consequ\u00eancias pol\u00edticas. Vamos identificar essas caracter\u00edsticas especiais dos super-ricos, a come\u00e7ar pelos Estados Unidos e faremos depois uma an\u00e1lise ao resto do mundo.<\/p>\n<p><strong>Os super-ricos nos Estados Unidos: os maiores parasitas vivos<\/strong><\/p>\n<p>Os EUA t\u00eam a maior parte dos multimilion\u00e1rios do mundo (413), mais de um ter\u00e7o do total, a maior propor\u00e7\u00e3o entre os grandes pa\u00edses do mundo. Um olhar mais de perto tamb\u00e9m revela que, entre os 200 multimilion\u00e1rios do topo (os que t\u00eam 5,2 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares ou mais), 57 s\u00e3o dos EUA (29%). Mais de um ter\u00e7o fez fortuna atrav\u00e9s da actividade especulativa, da preda\u00e7\u00e3o da economia produtiva e da explora\u00e7\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio e de ac\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 a percentagem mais alta de qualquer dos principais pa\u00edses na Europa ou na \u00c1sia (com a excep\u00e7\u00e3o da Inglaterra). A enorme concentra\u00e7\u00e3o de riqueza nas m\u00e3os desta pequena classe dirigente parasita \u00e9 uma das raz\u00f5es por que os EUA t\u00eam as piores desigualdades de qualquer economia avan\u00e7ada e se situa entre as piores em todo o mundo. Os especuladores n\u00e3o empregam trabalhadores, servem-se de expedientes fiscais e de opera\u00e7\u00f5es de salvamento e depois pressionam cortes no or\u00e7amento social, dado que n\u00e3o precisam de uma for\u00e7a de trabalho saud\u00e1vel e instru\u00edda (excepto no que se refere a uma pequena elite). Em 1976, 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial detinha 20% da riqueza; em 2007 dominava 35% da riqueza total. Oitenta por cento dos americanos possuem apenas 15% da riqueza. As recentes crises econ\u00f3micas, que inicialmente reduziram a riqueza total do pa\u00eds, fizeram-no de modo desigual \u2013 atingindo de modo mais grave a maioria dos oper\u00e1rios e empregados. A opera\u00e7\u00e3o de salvamento Bush-Obama levou \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, n\u00e3o da &#8220;economia em geral&#8221;, mas restringiu-se a refor\u00e7ar ainda mais a riqueza dos multimilion\u00e1rios \u2013 o que explica porque \u00e9 que a taxa de desemprego e subemprego ficou praticamente na mesma, porque \u00e9 que a d\u00edvida fiscal e o d\u00e9fice comercial aumentam e o estado baixa os impostos \u00e0s grandes empresas e reduz os or\u00e7amentos municipais, estatais e federais. O sector &#8220;din\u00e2mico&#8221; formado por capitalistas parasitas emprega menos trabalhadores, n\u00e3o exporta produtos, paga impostos mais baixos e imp\u00f5em maiores cortes nas despesas sociais para os trabalhadores produtivos. No caso dos multimilion\u00e1rios dos EUA, a sua riqueza \u00e9 fortemente acrescida atrav\u00e9s da pilhagem do er\u00e1rio p\u00fablico e da economia produtiva e atrav\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o no sector das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o que alberga um quinto dos multimilion\u00e1rios do topo.<\/p>\n<p><strong>BRIC: Os novos multimilion\u00e1rios: A explorar o trabalho da natureza<\/strong><\/p>\n<p>Os principais pa\u00edses capitalistas emergentes, Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o pelo seu r\u00e1pido crescimento na \u00faltima d\u00e9cada, est\u00e3o a produzir multimilion\u00e1rios a um ritmo mais r\u00e1pido do que qualquer bloco de pa\u00edses do mundo. Segundo os \u00faltimos dados no\u00a0<em>Forbes<\/em>(Mar\u00e7o de 2011), o n\u00famero de multimilion\u00e1rios no BRIC aumentou mais de 56%, de 193 em 2010 para 301 em 2011, ultrapassando os da Europa.<\/p>\n<p>O forte crescimento do BRIC levou \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o de capital, em todos os casos promovidos pelas pol\u00edticas de estado que proporcionam empr\u00e9stimos a juros baixos, subs\u00eddios, incentivos fiscais, explora\u00e7\u00e3o ilimitada de recursos naturais e m\u00e3o-de-obra, expropria\u00e7\u00e3o dos pequenos propriet\u00e1rios e privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O crescimento din\u00e2mico de multimilion\u00e1rios no BRIC levou \u00e0s desigualdades mais flagrantes em todo o mundo. Nos pa\u00edses do BRIC, a China lidera o caminho com o maior n\u00famero de multimilion\u00e1rios (115) e as piores desigualdades em toda a \u00c1sia, em profundo contraste com o seu passado comunista quando era o pa\u00eds mais igualit\u00e1rio do mundo. Um exame da origem da riqueza dos super ricos na China revela que prov\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho no sector da manufactura, da especula\u00e7\u00e3o no imobili\u00e1rio e da constru\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio. EM 2011, A China ultrapassou os EUA enquanto maior fabricante do mundo, em consequ\u00eancia da super-explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra na China e do crescimento de capital financeiro parasit\u00e1rio nos EUA.<\/p>\n<p>Em contraste com os EUA, a classe trabalhadora da China est\u00e1 a fazer incurs\u00f5es significativas nas receitas da sua elite de manufacturas e de imobili\u00e1rio. Em consequ\u00eancia da luta da classe trabalhadora, os sal\u00e1rios t\u00eam vindo a aumentar entre 10% a 20% nos \u00faltimos 5 anos; os protestos dos agricultores e das fam\u00edlias urbanas contra as expropria\u00e7\u00f5es feitas pelos especuladores imobili\u00e1rios e sancionadas pelo estado ultrapassaram os 100 mil por ano.<\/p>\n<p>A riqueza dos multimilion\u00e1rios russos, por outro lado, resultou do violento roubo dos recursos p\u00fablicos (petr\u00f3leo, g\u00e1s, alum\u00ednio, ferro, a\u00e7o, etc.), explorados pelo anterior regime. A grande maioria dos multimilion\u00e1rios russos depende da exporta\u00e7\u00e3o de bens, da pilhagem e da devasta\u00e7\u00e3o do ambiente natural sob um regime corrupto e sem regulamenta\u00e7\u00e3o. O contraste entre as condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho entre os multimilion\u00e1rios virados para o ocidente e a classe trabalhadora russa \u00e9 sobretudo o resultado do escoamento da riqueza para contas ultramarinas, investimentos offshore e luxos pessoais extraordin\u00e1rios, incluindo propriedades de muitos milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em contraste com a elite industrial da China, os multimilion\u00e1rios da R\u00fassia parecem-se com os &#8216;senhorios&#8217; parasitas que se encontram entre os especuladores de Wall Street e os xeiques do Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>Os multimilion\u00e1rios da \u00cdndia s\u00e3o uma mistura de ricos antigos e novos ricos que amontoam a sua riqueza atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores industriais de sal\u00e1rios baixos, das popula\u00e7\u00f5es de bairros pobres expropriados e dos povos tribais, assim como da posse diversificada de imobili\u00e1rio, tecnologia inform\u00e1tica e software. Os multimilion\u00e1rios da \u00cdndia acumularam a sua riqueza atrav\u00e9s das suas liga\u00e7\u00f5es familiares com os escal\u00f5es mais altos, muito corruptos, da classe pol\u00edtica, assegurando monop\u00f3lios atrav\u00e9s de contratos com o estado. O forte crescimento da \u00cdndia na \u00faltima d\u00e9cada (7% em m\u00e9dia) e a explos\u00e3o de multimilion\u00e1rios de 55 para 2011, est\u00e3o ambos ligados \u00e0s pol\u00edticas neo-liberais de desregulamenta\u00e7\u00e3o, privatiza\u00e7\u00e3o e globaliza\u00e7\u00e3o, que concentraram a riqueza no topo, corroeram os produtores em pequena escala e espoliaram dezenas de milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A classe multimilion\u00e1ria do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direc\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do n\u00famero de um s\u00f3 d\u00edgito uma d\u00e9cada antes. Hoje, mais de dois ter\u00e7os dos multimilion\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o brasileiros. A pe\u00e7a central da riqueza dos super ricos do Brasil \u00e9 o sector finan\u00e7as-banca que se beneficiou fortemente das pol\u00edticas monet\u00e1ria, fiscal e neo-liberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilion\u00e1rios t\u00eam sido os principais benefici\u00e1rios da economia de exporta\u00e7\u00e3o agro-mineral que floresceu na \u00faltima d\u00e9cada, \u00e0 custa do sector de manufacturas. Apesar das afirma\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes do Partido dos Trabalhadores, as desigualdades de classe entre a massa dos trabalhadores de sal\u00e1rio m\u00ednimo (380 d\u00f3lares por m\u00eas em Mar\u00e7o de 2011) e os super-ricos continuam a ser as piores da Am\u00e9rica Latina. Uma an\u00e1lise da origem da riqueza entre os multimilion\u00e1rios brasileiros revela que 60% aumentaram a sua riqueza no sector finan\u00e7as, imobili\u00e1rio e seguros (FIRE) e s\u00f3 um deles (3%) no sector de capital ou manufactura interm\u00e9dia. A explos\u00e3o do Brasil em crescimento econ\u00f3mico e em multimilion\u00e1rios encaixa no perfil de uma &#8216;economia colonial&#8217;: com grande peso no consumo excessivo, na exporta\u00e7\u00e3o de bens e presidido por um sector financeiro dominante que promove pol\u00edticas neoliberais. No decurso da \u00faltima d\u00e9cada, apesar do teatro pol\u00edtico populista e dos programas de pobreza paternalistas patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores &#8220;centro-esquerda&#8221;, o principal resultado s\u00f3cio-econ\u00f3mico foi o crescimento duma classe de multimilion\u00e1rios &#8220;super-ricos&#8221; concentrados na banca com poderosas liga\u00e7\u00f5es aos sectores do agro-mineral. A classe financeira-agro-mineral, de forte crescimento via mercado livre, degradou o sector de manufactura, principalmente os t\u00eaxteis e os sapatos, assim como os produtores de bens de capital e interm\u00e9dios.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses BRIC est\u00e3o a produzir mais, e a crescer mais depressa do que as pot\u00eancias imperialistas estabelecidas na Europa e nos EUA, mas tamb\u00e9m est\u00e3o a produzir desigualdades e concentra\u00e7\u00f5es monstruosas de riqueza. As consequ\u00eancias s\u00f3cio-econ\u00f3micas j\u00e1 se manifestaram no aumento do conflito de classes, principalmente na China e na \u00cdndia, onde a explora\u00e7\u00e3o intensiva e a expropria\u00e7\u00e3o provocaram a ac\u00e7\u00e3o das massas. A elite pol\u00edtica chinesa parece estar mais consciente da amea\u00e7a pol\u00edtica colocada pela concentra\u00e7\u00e3o crescente da riqueza e encontra-se em vias de promover aumentos substanciais de sal\u00e1rios e um maior consumo local que parece estar a reduzir as margens de lucro nalguns sectores da elite de manufacturas. Talvez que a &#8216;mem\u00f3ria hist\u00f3rica&#8217; da &#8216;revolu\u00e7\u00e3o cultural&#8217; e a heran\u00e7a maoista desempenhe o seu papel no alerta da elite pol\u00edtica para os perigos pol\u00edticos resultantes dos &#8220;excessos capitalistas&#8221; associados aos altos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o e ao r\u00e1pido crescimento duma classe de cl\u00e3s politicamente relacionados, baseados em multimilion\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9dio Oriente<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o pa\u00eds mais din\u00e2mico no M\u00e9dio Oriente foi a Turquia. Dirigido por um regime democr\u00e1tico liberal de inspira\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, a Turquia tem liderado a regi\u00e3o no crescimento do PIB e na produ\u00e7\u00e3o de multimilion\u00e1rios. O desempenho econ\u00f3mico turco tem sido apresentado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo para os regimes p\u00f3s ditatoriais no mundo \u00e1rabe \u2013 de &#8216;alto crescimento&#8217;, uma economia diversificada baseada na crescente concentra\u00e7\u00e3o de riqueza. A Turquia tem mais 35% de multimilion\u00e1rios (37) do que os estados do Golfo e do Norte de \u00c1frica em conjunto (24). O &#8216;segredo&#8217; do crescimento turco \u00e9 as altas taxas de investimento em diversas ind\u00fastrias e a explora\u00e7\u00e3o intensiva da for\u00e7a de trabalho. Muitos multimilion\u00e1rios turcos (14) obt\u00eam a sua riqueza atrav\u00e9s de &#8216;conglomerados&#8217;, investimentos em diversos sectores de manufactura, finan\u00e7a e constru\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m dos multimilion\u00e1rios de &#8216;conglomerados&#8217;, h\u00e1 &#8216;multimilion\u00e1rios especialistas&#8217; que acumularam a sua riqueza a partir da banca, da constru\u00e7\u00e3o e do processamento de alimentos. Uma das raz\u00f5es de a Turquia ter censurado e desafiado o poder de Israel no M\u00e9dio Oriente \u00e9 porque os seus capitalistas est\u00e3o ansiosos por projectar investimentos e penetrar nos mercados do mundo \u00e1rabe. Com excep\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico americano, fortemente sionizado, as elites governantes e o p\u00fablico na Europa e na \u00c1sia encararam favoravelmente a oposi\u00e7\u00e3o da Turquia aos massacres israelenses em Gaza e \u00e0 viola\u00e7\u00e3o da lei internacional em \u00e1guas mar\u00edtimas. Se um moderno regime isl\u00e2mico liberal pode crescer rapidamente atrav\u00e9s da r\u00e1pida expans\u00e3o duma classe diversificada de super-ricos, o mesmo acontece com Israel, um moderno estado judaico-neoliberal baseado no r\u00e1pido crescimento duma classe de multimilion\u00e1rios altamente diferenciada.<\/p>\n<p>Israel, com 16 multimilion\u00e1rios \u00e9 um pa\u00eds em que as desigualdades de classe crescem mais rapidamente na regi\u00e3o \u2013 com o mais alto n\u00famero de multimilion\u00e1rios per capita do mundo\u2026 Os &#8220;sectores de crescimento&#8221; de Israel, software, ind\u00fastrias militares, finan\u00e7a, seguros e diamantes e investimentos ultramarinos em metais e minas, s\u00e3o liderados por multimilion\u00e1rios e multi-multimilion\u00e1rios que beneficiaram das d\u00e1divas financeiras induzidas pelos sionistas, provenientes da pilhagem de recursos feita pelos EUA nos pa\u00edses da ex-URSS e da transfer\u00eancia de fundos pelas oligarquias russas-israelenses e tamb\u00e9m de empreendimentos conjuntos com multimilion\u00e1rios judaico-americanos em empresas de software, principalmente no sector de &#8220;seguran\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>A alta percentagem de multimilion\u00e1rios em Israel, numa \u00e9poca de profundos cortes nas despesas sociais, desmente a sua afirma\u00e7\u00e3o de ser uma &#8216;social-democracia&#8217; no meio dos &#8216;xeicados&#8217;. A prop\u00f3sito, Israel tem o dobro de multimilion\u00e1rios (16) da Ar\u00e1bia Saudita (8) e mais super-ricos do que todos os pa\u00edses do Golfo juntos (13). O facto de Israel ter mais multimilion\u00e1rios per capita do que qualquer outro pa\u00eds n\u00e3o impediu os seus apoiantes sionistas nos EUA de pressionarem por uma ajuda adicional de 20 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares na d\u00e9cada passada. Contrariamente ao passado, a actual concentra\u00e7\u00e3o de riqueza de Israel tem menos a ver com o facto de ser o maior recebedor de ajuda estrangeira\u2026 as doa\u00e7\u00f5es a Israel s\u00e3o uma quest\u00e3o pol\u00edtica: o poder sionista sobre a bolsa do Congresso. Dada a riqueza total dos multimilion\u00e1rios de Israel, um imposto de cinco por cento seria mais que compensador de qualquer corte da ajuda externa dos EUA. Mas isso n\u00e3o vai acontecer apenas porque o poder sionista na Am\u00e9rica imp\u00f5e que os contribuintes americanos subsidiem os plutocratas de Israel, pagando-lhes o seu armamento ofensivo.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As &#8220;crises econ\u00f3micas&#8221; de 2008-2009 infligiram apenas perdas tempor\u00e1rias a alguns multimilion\u00e1rios (EUA-UE) e a outros n\u00e3o (asi\u00e1ticos). Gra\u00e7as \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de salvamento de milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares\/euros\/ienes, a classe multimilion\u00e1ria recuperou e alargou-se, apesar de os sal\u00e1rios nos EUA e na Europa terem estagnado e os &#8216;padr\u00f5es de vida&#8217; terem sido atingidos por cortes maci\u00e7os na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, no emprego e nos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O que \u00e9 chocante quanto \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, crescimento e expans\u00e3o dos multimilion\u00e1rios mundiais \u00e9 como a sua acumula\u00e7\u00e3o de riqueza depende e est\u00e1 baseada na pilhagem de recursos do estado; como a maior parte das suas fortunas se basearam nas pol\u00edticas neoliberais que levaram \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os de saldos de empresas p\u00fablicas privatizadas; como a desregulamenta\u00e7\u00e3o estatal permite a pilhagem do ambiente para a extrac\u00e7\u00e3o de recursos com a mais alta taxa de retorno; como o estado promoveu a expans\u00e3o da actividade especulativa no imobili\u00e1rio, na finan\u00e7a e nos fundos de pens\u00f5es, enquanto encorajava o crescimento de monop\u00f3lios, oligop\u00f3lios e conglomerados que captaram &#8220;super lucros&#8221; \u2013 taxas acima do &#8220;n\u00edvel hist\u00f3rico&#8221;. Os multimilion\u00e1rios no BRIC e nos antigos centros imperialistas (Europa, EUA e Jap\u00e3o) foram os principais benefici\u00e1rios das redu\u00e7\u00f5es fiscais e da elimina\u00e7\u00e3o de programas sociais e de direitos laborais.<\/p>\n<p>O que \u00e9 perfeitamente claro \u00e9 que \u00e9 o estado, e n\u00e3o o mercado, quem desempenha um papel essencial em facilitar a maior concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o de riqueza na hist\u00f3ria mundial, quer facilitando a pilhagem do er\u00e1rio publico e do ambiente, quer aumentando a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, directa e indirectamente.<\/p>\n<p>As variantes nos caminhos para o estatuto de &#8216;multimilion\u00e1rio&#8217; s\u00e3o chocantes: nos EUA e no Reino Unido, predomina o sector parasita-especulativo sobre o produtivo; entre o BRIC \u2013 com excep\u00e7\u00e3o da R\u00fassia \u2013 predominam diversos sectores que incorporam multimilion\u00e1rios da manufactura, do software, da finan\u00e7a e do sector agro-mineral. Na China, o abissal fosso econ\u00f3mico entre os multimilion\u00e1rios e a classe trabalhadora, entre os especuladores imobili\u00e1rios e as fam\u00edlias expropriadas levou ao aumento do conflito de classes e a desafios, for\u00e7ando a aumentos significativos de sal\u00e1rios (mais de 20% nos \u00faltimos tr\u00eas anos) e \u00e0 exig\u00eancia de maiores gastos p\u00fablicos na educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e habita\u00e7\u00e3o. Nada de compar\u00e1vel est\u00e1 a acontecer nos EUA, na UE ou noutros pa\u00edses do BRIC.<\/p>\n<p>As origens da riqueza dos multimilion\u00e1rios s\u00e3o, quando muito, devidas apenas em parte a &#8216;inova\u00e7\u00f5es empresariais&#8217;. A sua riqueza pode ter come\u00e7ado, numa fase inicial, a partir da produ\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os \u00fateis; mas, \u00e0 medida que as economias capitalistas &#8216;amadurecem&#8217; e se viram para a finan\u00e7a, para os mercados ultramarinos e para a procura de lucros mais altos, impondo pol\u00edticas neoliberais, o perfil econ\u00f3mico da classe multimilion\u00e1rios muda para o modelo parasita dos centros imperialistas institu\u00eddos.<\/p>\n<p>Os multimilion\u00e1rios nos BRIC, a Turquia e Israel contrastam fortemente com os multimilion\u00e1rios do petr\u00f3leo do M\u00e9dio Oriente que s\u00e3o rentistas que vivem das &#8216;rendas&#8217; da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, do g\u00e1s e dos investimentos ultramarinos, em especial do sector FIRE. Entre os pa\u00edses BRIC, s\u00f3 a oligarquia multimilion\u00e1ria russa se parece com os rentistas do Golfo. O resto, em especial os multimilion\u00e1rios chineses, indianos, brasileiros e turcos, tiraram partido das pol\u00edticas industriais promovidas pelo estado para concentrar a riqueza sob a ret\u00f3rica de &#8216;paladinos nacionais&#8217;, que promovem os seus pr\u00f3prios &#8216;interesses&#8217; em nome duma &#8216;economia emergente de sucesso&#8217;. Mas mant\u00eam-se as quest\u00f5es b\u00e1sicas de classe: &#8220;crescimento para quem? e a quem \u00e9 que beneficia?&#8221; At\u00e9 agora, o registo hist\u00f3rico mostra que o crescimento de multimilion\u00e1rios tem-se baseado numa economia altamente polarizada em que o estado serve a nova classe de multimilion\u00e1rios, sejam especuladores parasitas como nos EUA, rentistas saqueadores do estado e do ambiente, como na R\u00fassia e nos estados do Golfo, ou exploradores da for\u00e7a de trabalho como nos pa\u00edses BRIC.<\/p>\n<p><strong>Post Scriptum<\/strong><\/p>\n<p>A revolta \u00e1rabe pode ser vista em parte como uma tentativa de derrubar os &#8216;cl\u00e3s capitalistas de rentistas. A interven\u00e7\u00e3o ocidental nas revoltas e o apoio das elites militares e pol\u00edticas da &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 um esfor\u00e7o para substituir uma classe governante capitalista &#8216;neoliberal&#8217;. Essa &#8220;nova classe&#8221; ser\u00e1 baseada na explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra e na expropria\u00e7\u00e3o dos actuais possuidores dos recursos cl\u00e3-fam\u00edlia-amigos. As principais empresas ser\u00e3o transferidas para multinacionais e capitalistas locais. Muito mais promissoras s\u00e3o as lutas internas dos trabalhadores na China e, em menor grau, no Brasil e no campesinato rural maoista e movimentos tribais na \u00cdndia, que se op\u00f5em \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de rentistas e capitalistas.<\/p>\n<p><strong><a name=\"12f321fd93d77532_12f178c3c48dbf1d_12f079fad1dc58ee_nt\"><\/a>NT<\/strong><\/p>\n<p>[1] Bar\u00e3o ladr\u00e3o \u2013 termo pejorativo usado para um poderoso homem de neg\u00f3cios e banqueiro americano do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>[2] Sillicon Valley \u2013 situa-se a Sul da \u00e1rea da ba\u00eda de S. Francisco, na Calif\u00f3rnia. Esta regi\u00e3o alberga muitas das maiores companhias de tecnologia electr\u00f3nica do mundo.<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=23907\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=23907<\/a> . <\/strong><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira.<\/strong><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/petras\/petras_23mar11_p.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.resistir.info\/petras\/petras_23mar11_p.html<\/a><a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/petras\/petras_23mar11_p.html\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nOs multimilion\u00e1rios prosperam e as desigualdades aprofundam-se quando as economias &#8220;recuperam&#8221;\nJames Petras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1378\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1378","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-me","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1378\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}