{"id":13864,"date":"2017-03-17T16:53:44","date_gmt":"2017-03-17T19:53:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13864"},"modified":"2017-03-31T13:36:33","modified_gmt":"2017-03-31T16:36:33","slug":"cia-do-mito-a-incompetencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13864","title":{"rendered":"CIA: do mito \u00e0 incompet\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/CIA.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Editorial de La Jornada<\/p>\n<p>Trump e a sua administra\u00e7\u00e3o t\u00eam manifestado reservas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 CIA. N\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua tenebrosa atividade, mas a ind\u00edcios de incompet\u00eancia que levam a que uma organiza\u00e7\u00e3o como Wikileaks tenha acedido e revelado os seus sistemas de espionagem e pirataria inform\u00e1tica. A m\u00e1 not\u00edcia para Trump \u00e9 que as novas tecnologias deixaram de ser de uso exclusivo de quem est\u00e1 no poder.<!--more--><\/p>\n<p>O avultado acervo de documentos dado a conhecer ter\u00e7a-feira pela organiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica internacional Wikileaks, onde se detalha grande n\u00famero de ferramentas de pirataria inform\u00e1tica utilizadas pela Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia de Estados Unidos (CIA) para vigiar ilegalmente pol\u00edticos, organismos e cidad\u00e3os desse e outros pa\u00edses, atualiza o tema de uma das mais obscuras institui\u00e7\u00f5es estadunidenses, do seu alcance e das suas sempre turvas atividades. Praticamente desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1947, com a Lei de Seguran\u00e7a Nacional promulgada nesse ano pelo ent\u00e3o presidente Harry Truman, a ag\u00eancia ultrapassou em muito as suas atribui\u00e7\u00f5es constitucionais para se converter num aut\u00eantico Estado dentro do Estado e num instrumento que, em diferentes pontos do planeta, desestabilizou governos livremente eleitos, distorceu processos eleitorais, financiou campanhas pol\u00edticas em fun\u00e7\u00e3o da conveni\u00eancia estadunidense, fez gala da mais grosseira inger\u00eancia e n\u00e3o teve escr\u00fapulos em planejar e executar o assassinato de pessoas que, segundo a sua peculiar concep\u00e7\u00e3o, considerava amea\u00e7adoras para o que Washington chamava \u201cmundo livre\u201d.<\/p>\n<p>Elevada \u00e0 categoria de mito por in\u00fameros filmes e series televisivas, mas tamb\u00e9m por investiga\u00e7\u00f5es s\u00e9rias sobre a sua estrutura e funcionamento, a organiza\u00e7\u00e3o com sede em Langley, Virginia, tem sido e \u00e9 uma presen\u00e7a constante onde quer que os Estados Unidos tenham interesses (econ\u00f4micos, geopol\u00edticos, estrat\u00e9gicos), o que na pr\u00e1tica deixa muito poucos pa\u00edses livres das suas tenebrosas manobras. Na Am\u00e9rica Latina a ag\u00eancia tem um funesto registo de interven\u00e7\u00f5es, algumas mais ou menos encobertas e outras \u00e0s claras, que culminaram com a derrubada de presidentes de orienta\u00e7\u00e3o popular (Jacobo Arbenz na Guatemala, 1954; Jo\u00e3o Goulart no Brasil, 1964; Juan Bosch na Rep\u00fablica Dominicana, 1963; Salvador Allende no Chile, 1973); com interven\u00e7\u00f5es armadas diretas (Cuba, 1961; Dominicana, 1965; Granada, 1983; Panam\u00e1, 1989) e com cruentos golpes de Estado (Uruguai, 1973; Chile, 1973; Argentina, 1976). A tudo isto h\u00e1 que juntar um largo expediente de opera\u00e7\u00f5es encaminhadas para incidir no \u00e2mbito pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social dos pa\u00edses de praticamente todo o continente, sempre com o objetivo colocado nos interesses de Washington e invariavelmente dando mostra de uma proverbial falta de princ\u00edpios.<\/p>\n<p>Nesta segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI tende a acreditar-se que a CIA representa uma esp\u00e9cie de chancela sem grande peso real (ou com uma presen\u00e7a pelo menos muito menor do que teve anteriormente) nas pol\u00edticas locais; de fato, aludir \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o estadunidense para interpretar alguma situa\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel ou irregular nessa mat\u00e9ria costuma despertar sorrisos c\u00e9ticos. Um exame mais atento, contudo, revela que a reconvers\u00e3o tecnol\u00f3gica dos \u00faltimos anos permitiu \u00e0 CIA adotar um perfil p\u00fablico menos vis\u00edvel, desenvolver as suas atividades de espionagem e intrus\u00e3o com instrumentos mais sofisticados, continuar o seu trabalho desestabilizador por canais mais discretos e dif\u00edceis de detectar.<\/p>\n<p>Entretanto, para Donald Trump e sua administra\u00e7\u00e3o, o trabalho da ag\u00eancia deixa muito a desejar. N\u00e3o \u00e9 que a sua atividade lhe pare\u00e7a reprov\u00e1vel, mas parece-lhe ineficaz e antiquada; de outro modo, como se explica que uma organiza\u00e7\u00e3o alternativa, civil, tenha podido revelar com certa facilidade a sua parafern\u00e1lia operativa? N\u00e3o h\u00e1 que erradic\u00e1-la por nociva \u2013 opina Trump \u2013, mas modific\u00e1-la por incompetente.<\/p>\n<p>A m\u00e1 noticia para o presidente republicano \u00e9 que as novas tecnologias j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o exclusivas do poder: tal como os sistemas para detectar, captar, organizar, analisar e classificar informa\u00e7\u00e3o a fim de intervir sobre ela alcan\u00e7aram um alto grau de confiabilidade, tamb\u00e9m se desenvolve, em paralelo, uma tecnologia destinada a exercer controle sobre tais sistemas. O que equivale a dizer que a intelig\u00eancia estadunidense pode continuar a operar na penumbra, mas j\u00e1 n\u00e3o na obscuridade de outros tempos.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.jornada.unam.mx\/2017\/03\/10\/opinion\/002a1edi\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jornada.unam.mx\/<wbr \/>2017\/03\/10\/opinion\/002a1edi<\/a><\/p>\n<p>http:\/\/www.odiario.info\/cia-do-mito-a-incompetencia\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Editorial de La Jornada Trump e a sua administra\u00e7\u00e3o t\u00eam manifestado reservas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 CIA. 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