{"id":13868,"date":"2017-03-17T16:59:13","date_gmt":"2017-03-17T19:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13868"},"modified":"2017-03-31T13:36:45","modified_gmt":"2017-03-31T16:36:45","slug":"protestos-contra-a-reforma-da-previdencia-o-que-voce-nao-viu-na-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13868","title":{"rendered":"Protestos contra a reforma da Previd\u00eancia: o que voc\u00ea n\u00e3o viu na TV"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/15-de-maro.jpeg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Principais telejornais cerceiam voz dos manifestantes que ocuparam as ruas e focam cobertura nos problemas gerados pelas paralisa\u00e7\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de<strong>\u00a0Eduardo Amorim, Oona Castro, Mabel Dias<\/strong> e <strong>Bia Barbosa<\/strong> do <strong>Coletivo Intervozes<\/strong> e publicada por <strong>CartaCapital<\/strong>, 16-03-2017.<!--more--><\/p>\n<p>Depois deste ano, o <strong>15 mar\u00e7o<\/strong> tamb\u00e9m ser\u00e1 marcado como uma data hist\u00f3rica de protestos da esquerda. Lembrado como o dia em que, em 2015, as ruas do pa\u00eds foram tomadas de verde e amarelo pedindo o impeachment de <strong>Dilma Rousseff<\/strong>, nesta quinta-feira o mesmo 15 de mar\u00e7o virou uma grande onda vermelha contra o governo Temer e suas reformas que retiram direitos.<\/p>\n<p>Mais de 125 cidades, incluindo 25 capitais, registraram grandes manifesta\u00e7\u00f5es e paralisa\u00e7\u00f5es de trabalhadores. Os atos foram maiores do que os \u00faltimos convocados pelos movimentos sociais contra o golpe, o que indica uma poss\u00edvel retomada das mobiliza\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p>Quem se informou sobre os acontecimentos do dia somente pela televis\u00e3o aberta, entretanto, ficou sabendo pouco ou quase nada sobre os protestos. Infelizmente, esta \u00e9 a realidade da maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>De acordo com a <strong>Pesquisa Brasileira de M\u00eddia 2016<\/strong>, da <strong>Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/strong>, a TV \u00e9 o principal meio de informa\u00e7\u00e3o para 63% do Pa\u00eds. Se considerarmos o principal ou o segundo meio de informa\u00e7\u00e3o, o \u00edndice sobe para 89% da popula\u00e7\u00e3o, comprovando a for\u00e7a desproporcional deste ve\u00edculo em rela\u00e7\u00e3o aos demais tanto para a informa\u00e7\u00e3o quanto para a forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica nacional.<br \/>\nE por isso vale analisar o que foi mostrado \u2013 e, principalmente, o que n\u00e3o foi \u2013 pelos principais telejornais do Pa\u00eds na noite desta quarta-feira. Se por um lado o tamanho e multiplicidade de atos \u2013 e a pr\u00f3pria crise do governo Temer dentro dos grupos pol\u00edticos que o al\u00e7aram ao poder \u2013 impediram que as emissoras silenciassem sobre o que tinha ocorrido durante o dia, por outro, as imagens dos gigantescos atos em cidades como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Recife ganharam visibilidade de fato nas redes sociais.<br \/>\nNos telejornais noturnos, o tom das mat\u00e9rias foi muito mais o impacto das paralisa\u00e7\u00f5es \u2013 sobretudo dos trabalhadores das redes de transporte \u2013 do que os atos em si. Flashes r\u00e1pidos dos protestos, nenhum n\u00famero sobre o total de participantes e, principalmente, nenhuma entrevista com os organizadores das manifesta\u00e7\u00f5es foram a maneira escolhida pela m\u00eddia de censurar o motivo que levou milhares de brasileiros e brasileiras \u00e0s ruas.<\/p>\n<p><strong>Jornal Nacional: o encadeamento perfeito<\/strong><\/p>\n<p>A manchete principal do telejornal foi a lista de poss\u00edveis futuros alvos de inqu\u00e9rito pela <strong>Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/strong>. Somente 20 minutos depois do in\u00edcio do programa veio a mat\u00e9ria sobre as manifesta\u00e7\u00f5es. Em 2 minutos e 40 segundos, a <strong>Globo<\/strong> conseguiu relatar atos em mais de dez cidades, mas sem ouvir nenhum porta-voz dos movimentos e dando destaque aos transtornos no tr\u00e2nsito, \u00e0s escolas e ag\u00eancias banc\u00e1rias fechadas, ou ao que chamou de \u201cdepreda\u00e7\u00e3o\u201d de pr\u00e9dios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia do informe-rel\u00e2mpago sobre os atos foi uma declara\u00e7\u00e3o de <strong>Michel Temer<\/strong> justificando a necessidade das reformas \u2013 refor\u00e7ando a tese anteriormente j\u00e1 enunciada, em outra mat\u00e9ria, pelo presidente do Banco Central. \u201cN\u00f3s apresentamos (\u2026) um caminho para salvar a Previd\u00eancia do colapso, para salvar os benef\u00edcios dos aposentados de hoje e dos jovens que se aposentar\u00e3o amanh\u00e3. Isso, meus amigos (\u2026) ser\u00e1 que \u00e9 para tirar direitos de pessoas? Em primeiro lugar, n\u00e3o vai tirar direito de ningu\u00e9m, quem tem direito j\u00e1 adquirido, ainda que esteja no trabalho, n\u00e3o vai perder nada do que tem\u201d, afirmou Temer, numa resposta indireta ao que as ruas criticaram.<\/p>\n<p>Mas o encadeamento perfeito da edi\u00e7\u00e3o global veio mesmo ap\u00f3s a fala do presidente. A reportagem seguinte, efusivamente celebrada pelos apresentadores, foi a de que a <strong>Ag\u00eancia Moody&#8217;s<\/strong> mudou a expectativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia brasileira de negativa para est\u00e1vel. Segundo a <strong>Globo<\/strong>, a empresa americana melhorou sua an\u00e1lise sobre o Pa\u00eds em fun\u00e7\u00e3o das reformas propostas \u201cpor um governo preocupado com as contas p\u00fablicas\u201d. Bingo!<\/p>\n<p>Assim, apesar de n\u00e3o abrir qualquer espa\u00e7o para a explica\u00e7\u00e3o dos motivos das manifesta\u00e7\u00f5es, duas vezes elas foram recha\u00e7adas por representantes do governo e, depois, deslegitimadas pelo mercado financeiro.<\/p>\n<p>Uma vers\u00e3o editada das imagens, com dois minutos de dura\u00e7\u00e3o, foi exibida horas depois no <strong>Jornal da Globo<\/strong>, antecedidas pelo seguinte coment\u00e1rio do apresentador <strong>William Waack<\/strong>:\u00a0\u201cCoube aos governos recentes do PT, que hoje protesta contra a reforma da Previd\u00eancia, levar o Brasil mais r\u00e1pido ao encontro com uma dura realidade. O descalabro promovido nas contas p\u00fablicas, a gastan\u00e7a do que n\u00e3o se tinha e nem se podia gastar, tornou mais grave um problema que o nosso pa\u00eds vem arrastando h\u00e1 anos e que explodiu agora. Goste-se ou n\u00e3o do que est\u00e1 na proposta de reforma da Previd\u00eancia, h\u00e1 um fato do qual n\u00e3o escapamos: ou o Brasil encara o que fazer com essas contas que n\u00e3o fecham mais, incluindo as da Previd\u00eancia, ou as finan\u00e7as p\u00fablicas quebram\u201d. Diversidade de opini\u00f5es? A gente n\u00e3o v\u00ea por aqui.<\/p>\n<p><strong>Jornal da Record: o problema foi o tr\u00e2nsito<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ter as manifesta\u00e7\u00f5es do dia como mat\u00e9ria principal, o <strong>Jornal da Record<\/strong> repetiu a t\u00f4nica da principal concorrente. Novamente, nem em uma s\u00f3 palavra sobre as reformas. O grande motivo para noticiar os protestos, para a emissora de <strong>Edir Macedo<\/strong>, foi mostrar os transtornos e \u201crecordes de congestionamento\u201d provocados pelos atos e paralisa\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, onde aconteceu o maior protesto, com mais de 200 mil pessoas, as imagens veiculadas foram de terminais de \u00f4nibus, filas, coletivos lotados, esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 vazias e a t\u00e3o repetida frase \u201cfoi preciso muito sacrif\u00edcio para conseguir embarcar&#8221;.<br \/>\nOs entrevistados foram os usu\u00e1rios do transporte p\u00fablico, que diziam por quanto tempo tinham aguardado um \u00f4nibus, ou quanto tempo tinham levado para chegar ao trabalho. A Record mencionou at\u00e9 que para muitos a solu\u00e7\u00e3o foram os aplicativos, que estavam mais caros, e a suspens\u00e3o do rod\u00edzio de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Ao citar atos em outras capitais, prevaleceram aspectos \u201cnegativos\u201d das manifesta\u00e7\u00f5es. Em Belo Horizonte mostraram os postos de sa\u00fade fechados. No Rio de Janeiro, a imagem foi da repress\u00e3o policial, tratada como \u201cconfronto\u201d e justificada pelo fato de \u201cv\u00e2ndalos\u201d terem \u201cprovocado um quebra-quebra\u201d.<\/p>\n<p>Sobre as reformas, a mat\u00e9ria exibida foi da reuni\u00e3o de Michel Temer com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e os presidentes da C\u00e2mara e do Senado, Rodrigo Maia e Eun\u00edcio Oliveira. O trecho da coletiva do Temer sobre o assunto tamb\u00e9m foi transmitido.<\/p>\n<p><strong>Jornal da Band: trabalhador contra trabalhador<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Jornal da Band<\/strong> iniciou com imagens a\u00e9reas ao vivo da Avenida Paulista. Duas reportagens sobre as mobiliza\u00e7\u00f5es foram veiculadas. Na primeira, o rep\u00f3rter afirmou que a paralisa\u00e7\u00e3o do transporte havia prejudicado os trabalhadores que se dirigiram ao trabalho logo cedo. Entrevistaram pessoas e mostraram metr\u00f4s e \u00f4nibus sem circular.<br \/>\nUm senhor entrevistado declarou que \u201cos sindicatos t\u00eam muito poder e isso tem que acabar\u201d. Nenhum sindicato foi ouvido. Na segunda reportagem, a <strong>Band<\/strong> mostrou a ades\u00e3o \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o de professores das redes estadual e municipal de S\u00e3o Paulo, afirmando que a mobiliza\u00e7\u00e3o prejudicava os estudantes. A velha t\u00e1tica foi repetida: colocar trabalhadores contra trabalhadores e n\u00e3o informar a popula\u00e7\u00e3o sobre os motivos das paralisa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter Brasil: censura?<\/strong><\/p>\n<p>Na <strong>TV Brasil,<\/strong> a confirma\u00e7\u00e3o de que as mudan\u00e7as feitas por <strong>Temer<\/strong> na <strong>EBC<\/strong> transformaram os canais geridos pela<strong> Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong> de fato em ve\u00edculos governamentais.<\/p>\n<p>O telejornal da noite desta quarta-feira mostrou um link ao vivo da manifesta\u00e7\u00e3o na Paulista, mas como o coro de &#8220;Fora Temer&#8221; ao fundo foi t\u00e3o alto, o site do canal, que disponibiliza online as mat\u00e9rias do <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, n\u00e3o mostra nesta quinta nenhum arquivo sobre os protestos de quarta.<\/p>\n<p>Uma vez mais, portanto, os principais canais de <strong>TV do Brasil<\/strong> perderam a oportunidade de informar a popula\u00e7\u00e3o sobre os embates e disputas em torno das reformas em curso do Brasil, incluindo o rec\u00e9m divulgado posicionamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal que afirma que v\u00e1rios pontos da Reforma proposta por <strong>Temer<\/strong> s\u00e3o inconstitucionais.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o foi seguir veiculando a cantilena do Planalto de que as mudan\u00e7as na Previd\u00eancia s\u00e3o necess\u00e1rias para o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, sem mostrar aos telespectadores as diferentes vis\u00f5es e alternativas que existem em qualquer reforma desta complexidade.<\/p>\n<p>Para a metade da popula\u00e7\u00e3o que tem acesso \u00e0 internet e que pode ao menos buscar outras fontes de informa\u00e7\u00e3o, o tema dos protestos e as raz\u00f5es de por que tantos trabalhadores s\u00e3o contra esta reforma foram o centro do debate virtual neste 15 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>No <em>Twitter<\/em>, a hastag <em>#GreveGeral<\/em> foi a express\u00e3o mais comentada ao longo da manh\u00e3. Somente na p\u00e1gina da M\u00eddia Ninja, que realizou uma ampla cobertura dos protestos, as postagens alcan\u00e7aram cerca de 24 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Mais de 4 milh\u00f5es de internautas comentaram e compartilharam os posts. Os sites de not\u00edcias, mesmo os vinculados aos grandes grupos de comunica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m reportaram melhor os atos.<\/p>\n<p>Mas a massa da popula\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 tem a televis\u00e3o para se informar \u2013 e que, n\u00e3o coincidentemente, ser\u00e1 a que mais sofrer\u00e1 os impactos desta reforma da Previd\u00eancia \u2013 teve uma vez mais seu direito de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o violado. At\u00e9 quando?<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/565866-protestos-contra-a-reforma-da-previdencia-o-que-voce-nao-viu-na-tv<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Principais telejornais cerceiam voz dos manifestantes que ocuparam as ruas e focam cobertura nos problemas gerados pelas paralisa\u00e7\u00f5es de trabalhadores. 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