{"id":1387,"date":"2011-04-11T03:33:23","date_gmt":"2011-04-11T03:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1387"},"modified":"2011-04-11T03:33:23","modified_gmt":"2011-04-11T03:33:23","slug":"greve-espontanea-em-obras-do-pac-no-ceara-termina-com-repressao-e-prisao-de-operario-acusado-de-liderar-o-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1387","title":{"rendered":"Greve espont\u00e2nea em obras do PAC no Cear\u00e1 termina com repress\u00e3o e pris\u00e3o de oper\u00e1rio acusado de liderar o movimento"},"content":{"rendered":"\n<p>O oper\u00e1rio Antonio Manoel Lopes foi acusado de liderar inc\u00eandio em alojamento e incitar abandono ou paralisa\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho. O Juiz do F\u00f3rum da cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante decretou a pris\u00e3o de mais cinco oper\u00e1rios. Antonio passou 23 dias preso e gra\u00e7as \u00e0 solidariedade e \u00e0 press\u00e3o dos movimentos sociais, sindicais, bispos progressistas e alguns parlamentares, finalmente neste \u00faltimo dia 07 aconteceu sua soltura.<\/p>\n<p><strong>Visita a preso pol\u00edtico no Cear\u00e1<\/strong>. Esse foi o t\u00edtulo da mensagem eletr\u00f4nica que v\u00e1rias entidades e lideran\u00e7as de movimentos sociais de Fortaleza receberam no dia 02 de abril, emitida pela Associa\u00e7\u00e3o 64\/68 Anistia, entidade cearense que re\u00fane ex-presos e perseguidos pol\u00edticos, v\u00edtimas da ditadura civil-militar que se instaurou no Brasil em 1964.<\/p>\n<p>O preso pol\u00edtico a que o convite da Associa\u00e7\u00e3o se referia era o oper\u00e1rio Antonio Manoel Lopes, maranhense que estava na cadeia da Unidade de Seguran\u00e7a Integrada da cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, Cidade localizada na Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza. A sua pris\u00e3o preventiva ocorreu no dia 21 de mar\u00e7o, decretada pelo Juiz Titular do F\u00f3rum daquela cidade, F\u00e1bio Medeiros Falc\u00e3o.<\/p>\n<p>O oper\u00e1rio est\u00e1 sendo acusado de ser um dos l\u00edderes do movimento grevista ocorrido nos canteiros de obras da Termel\u00e9trica Energia Pec\u00e9m, (UTE-Pec\u00e9m), que \u00e9 uma das obras do PAC, no Cear\u00e1. No dia 15 do m\u00eas passado, durante a paralisa\u00e7\u00e3o e os protestos, ocorreu um inc\u00eandio no alojamento dos trabalhadores e Manoel, ou \u201cLula\u201d, apelido que ganhou dos seus companheiros, est\u00e1 sendo responsabilizado pelo sinistro. Segundo o Delegado Cle\u00f3filo Rodrigues Arag\u00e3o, que pediu a pris\u00e3o preventiva de \u201cLula\u201d, pesa tamb\u00e9m sobre ele a acusa\u00e7\u00e3o de ter cometido os seguintes crimes: \u201cForma\u00e7\u00e3o de quadrilha e incita\u00e7\u00e3o \u00e0 suspens\u00e3o e ao abandono coletivo de trabalho\u201d. De acordo com declara\u00e7\u00f5es do Delegado a um jornal local, o inqu\u00e9rito j\u00e1 foi entregue \u00e0 justi\u00e7a. Al\u00e9m da pris\u00e3o de Antonio, existem ainda mandados de deten\u00e7\u00e3o de mais cinco trabalhadores.<\/p>\n<p>Greve nas obras do PAC n\u00e3o \u00e9 um caso isolado do Cear\u00e1. Em outros canteiros de obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento, que muito bem poderia ser chamado de \u201cPrograma de Acelera\u00e7\u00e3o do Capital\u201d, t\u00eam ocorrido paralisa\u00e7\u00f5es. Essas paralisa\u00e7\u00f5es, na maioria das vezes, a exemplo da ocorrida no Cear\u00e1, tem sido espont\u00e2neas, o que mostra, atrav\u00e9s das rea\u00e7\u00f5es instintivas dos trabalhadores, o alto grau de explora\u00e7\u00e3o e precariedade do trabalho por parte das empreiteiras e do Governo.<\/p>\n<p>A exemplo da Refinaria Abreu Lima e da Petroqu\u00edmica Suape em Pernambuco, a Usina Termel\u00e9rtrica Energia Pec\u00e9m (UTE-Pec\u00e9m), no Cear\u00e1, experimentou a mobiliza\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a dos cerca de seis mil trabalhadores que ali s\u00e3o explorados. As mobiliza\u00e7\u00f5es come\u00e7aram dia 13 de mar\u00e7o, quando os trabalhadores, atrav\u00e9s da uni\u00e3o, reagindo \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e aos sal\u00e1rios baixos descobriram sua for\u00e7a. No dia 15, ocorreu o inc\u00eandio no alojamento. Inc\u00eandio, no m\u00ednimo curioso. Por que os oper\u00e1rios iriam tocar fogo no local em que dormiam, mesmo sendo este prec\u00e1rio, e n\u00e3o no patrim\u00f4nio maior do capital, as instala\u00e7\u00f5es da usinas! Muito estranho!<\/p>\n<p>As paralisa\u00e7\u00f5es representam a rea\u00e7\u00e3o da classe \u00e0 explora\u00e7\u00e3o brutal do capital. A Justi\u00e7a do Estado burgu\u00eas, nas pessoas do Juiz e do Delegado da cidade, para justificar a repress\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s autenticas lideran\u00e7as desses trabalhadores, usam o argumento da ilegalidade da greve por ela ser espont\u00e2nea e tamb\u00e9m porque o sindicato ligado \u00e0 For\u00e7a Sindical que tem representa\u00e7\u00e3o legal n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 frente da jornada de luta.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter uma entidade sindical combativa, a classe deu a resposta firme e forte para as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho ali existentes. A maioria dos oper\u00e1rios \u00e9 contratada por empresas terceirizadas. Esses trabalhadores v\u00eam dos Estados do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Pernambuco Bahia, Sergipe, Alagoas, Para\u00edba e Rio Grande do Norte, entre outros. Dormem em alojamentos pouco espa\u00e7osos para a quantidade de pessoas, sem ventiladores ou ar condicionados. Quase n\u00e3o tem folgas, nenhum tempo lhes restando para visitar suas fam\u00edlias. Os banheiros s\u00e3o poucos e a comida \u00e9 ruim. Al\u00e9m da comida com baixa qualidade, a fila do refeit\u00f3rio \u00e9 imensa, o que faz com que os trabalhadores percam muito tempo de espera por alimenta\u00e7\u00e3o. Isso os obriga a retornarem ao servi\u00e7o logo ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, sem nenhum tempo para repouso e descanso. Alem de tudo isso, os sal\u00e1rios s\u00e3o baix\u00edssimos.<\/p>\n<p>Ao final da visita da comiss\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o 64\/65 Anistia ao preso pol\u00edtico Antonio Manoel Lopes e da solidariedade prestada, foi tirado o encaminhamento de marcar uma reuni\u00e3o com a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembl\u00e9ia Legislativa, com fins de sensibilizar e mobilizar a sociedade contra tais abusos.<\/p>\n<p>Finalmente, no dia 07, saiu a ordem judicial libertando o trabalhador, porem o processo dever\u00e1 ter continuidade. Isso mostra com toda a clareza o car\u00e1ter de classe do Estado burgu\u00eas. O capital explora os trabalhadores at\u00e9 estes n\u00e3o mais suportarem e quando a classe explorada se rebela, o Estado com suas for\u00e7as policiais e seus tribunais colocam-se de imediato em defesa da ordem capitalista. Para n\u00f3s, os explorados, \u00e9 preciso muita clareza quanto ao car\u00e1ter de classe do Estado. A pris\u00e3o de Antonio Manoel Lopes \u00e9 emblem\u00e1tica. Quando o Delegado Cle\u00f3filo cita como crime a \u201cincita\u00e7\u00e3o ao abandono de trabalho ou paralisa\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, coloca de forma clara qual foi \u00e0 inten\u00e7\u00e3o do capital, quando atrav\u00e9s dos seus parlamentares, criou a lei de greve. A lei antigreve, na realidade, cria entraves jur\u00eddicos para proibir os trabalhadores de lutarem pelos seus m\u00ednimos direitos. N\u00e3o s\u00e3o gratuitos os ataques que ultimamente tanto tem ocorrido contra os que lutam e a constante tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. \u00c9 a institucionaliza\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o a quem se opor a ordem burguesa.<\/p>\n<p>Aos trabalhadores e ao conjunto dos explorados resta a resist\u00eancia. S\u00e3o leg\u00edtimas as reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e todas as suas formas de luta. Assim como s\u00e3o leg\u00edtimas as aspira\u00e7\u00f5es e forma de lutar dos trabalhadores do campo pela posse da terra. Todas as formas de luta dos explorados s\u00e3o v\u00e1lidas. Assim como foi importante a den\u00fancia na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembl\u00e9ia Legislativa, que resultou na soltura do oper\u00e1rio. Apesar de usarmos esses espa\u00e7os na tentativa de fazer com que nossas den\u00fancias ganhem eco, \u00e9 preciso termos ci\u00eancia das suas limita\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que o Parlamento, por ser \u00f3rg\u00e3o legislativo do Estado Burgu\u00eas, tem o seu corte de classe.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso apostar na intensifica\u00e7\u00e3o da luta, na organiza\u00e7\u00e3o dos oprimidos, tendo \u00e0 frente os trabalhadores como vanguarda. Para superarmos as desigualdades, somente superando o capitalismo. E para superar o capitalismo, \u00e9 necess\u00e1ria, antes de tudo, a unidade dos lutadores numa frente anticapitalista e antiimperialista, frente essa que ter\u00e1 como tarefa maior a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Paiva Neves, membro do CC do PCB e do CR do Cear\u00e1)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1387\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-mn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}