{"id":13882,"date":"2017-03-19T15:01:27","date_gmt":"2017-03-19T18:01:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13882"},"modified":"2017-03-31T13:37:04","modified_gmt":"2017-03-31T16:37:04","slug":"os-militares-e-a-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13882","title":{"rendered":"OS MILITARES E A LUTA DE CLASSES"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/BuH-eHpu-utAotMJne9lRgtEg-OLSah4IzPdHqrOdkZDGOTUr3VFAHd16ZlKpcx6OxrzkHLeD-uBhrzxfYcNdu-Wpvkfa1s2qKjm3cM1qmpeHALkfzg14VbRGI2L1fViPmU86kXTKcL4BFCpfLZKIGLxy78_Zfw8B9Imk1zuUURp2Q1mygNqCw59PoKIPnGtc-f825ePPb2KMqgBChAyfzRGJgWDA3Swp2gerPL6Q5tR-e9ObWjh8Y9QCCdkzsoSx_sHdfLSIPEp1mL08Muc_uiMdFIX_7Ge71WpgnsIKTxtGIwCIj-WeXd6sHWYJQf7AhVMBbIibqpODImqyn20QEof57fK4DYTPpjdFrsI-KjsqVVLXRCm6KoxapPrU86n7nDtRMuqsokhXboPEmyLV5ZLGkIut6MRRrTqCigOfRKDquPhaBa-sYlGQo0AkJbDCIHPlNrEdTeeW7CY6GfI4p5HMNf_Z59CuYp-E3R1k3CAvKKCEHNAGo8H1FOzW0PvnR5sWCeMmzhSeHunUQx2bucuYRilBjQYx3-dFpA7rUs2MpK7JnuDieRs7qJiJtTjB8YapAPRbvxVDsYotjUe28GJ_KJA3DU9RTDKmzthaj36JIytkOjDpT74K_UpatpyI1idyyZKvnCiu6Z1Wz7HPVZUm2m6z6Ys-YeVQIgQ3A=w263-h326-no\" alt=\"imagem\" \/>Do ponto de vista hist\u00f3rico, o Estado nunca foi neutro. Ele sempre representou e sempre representar\u00e1 os interesses das classes dominantes. Isto \u00e9 fato! Desde quando surgiram as classes sociais. No conflito entre elas, quando as classes dominadas come\u00e7am a questionar a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que sofrem, o Estado sempre faz a interven\u00e7\u00e3o para colocar ordem a seu favor.<!--more--><\/p>\n<p>Os militares, em sua grande maioria, s\u00e3o oriundos das camadas mais pobres da sociedade capitalista, mas s\u00e3o formados e doutrinados por uma ideologia que n\u00e3o representa a vis\u00e3o de mundo dos explorados. Atrav\u00e9s da ideologia burguesa, s\u00e3o doutrinados e treinados a ver qualquer forma de luta e reivindica\u00e7\u00e3o das massas exploradas como subversiva e inimiga da sociedade capitalista. Estas ideias e vis\u00e3o de mundo n\u00e3o est\u00e3o presentes apenas nos setores militares, mas tamb\u00e9m nas escolas, universidades, meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas etc.<\/p>\n<p>A todo tempo a propaga\u00e7\u00e3o da ideologia burguesa procura formar consenso para que todos aceitem como normal a explora\u00e7\u00e3o e a retirada de direitos das classes trabalhadoras. Quando as massas trabalhadoras come\u00e7am a questionar a explora\u00e7\u00e3o em que vivem e os aparelhos ideol\u00f3gicos sozinhos n\u00e3o conseguem convencer os dominados a aceitar a ordem social vigente como normal, os militares s\u00e3o chamados a manter a ordem com a for\u00e7a bruta.<\/p>\n<p>Durante as mobiliza\u00e7\u00f5es contra a privatiza\u00e7\u00e3o da CEDAE, o governo do Estado do Rio de Janeiro e o governo federal, em conluio, colocaram a For\u00e7a Nacional mais as For\u00e7as Armadas para garantir a entrega dessa empresa estatal ao grande capital, com a desculpa de que todo este aparato era para combater a viol\u00eancia, quando na verdade, foi para combater os movimentos populares que lutam em defesa das classes trabalhadoras. Fatos como este tendem a ocorrer \u00e0 medida que as Pol\u00edcias Militares sozinhas n\u00e3o consigam conter as revoltas populares.<\/p>\n<p>O positivismo tem forte tradi\u00e7\u00e3o em nossa cultura pol\u00edtica; nossa Rep\u00fablica foi fundada sob o lema de Ordem e Progresso, resgatado pelo atual governo ileg\u00edtimo Michel Temer. Mas quem n\u00e3o lembra da velha frase do ex-Presidente Washington Luiz: <em>\u201cA quest\u00e3o social \u00e9 caso de Pol\u00edcia\u201d?<\/em><\/p>\n<p>O positivismo como concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica da burguesia surge em uma Europa em convuls\u00e3o social. Formulado pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Auguste Comte, o positivismo procurava associar a ideia de progresso nos avan\u00e7os da tecnologia &#8211; a servi\u00e7o do grande capital &#8211; \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem na sociedade capitalista, legitimando a explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores. Estes, segundo esta filosofia burguesa, deveriam aceitar como naturais a organiza\u00e7\u00e3o social e o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da influ\u00eancia do positivismo, nossas escolas militares foram doutrinadas na ideologia do anticomunismo, que enxerga em qualquer a\u00e7\u00e3o ou reivindica\u00e7\u00e3o popular um inimigo potencial a ser combatido. \u00c9 a ideologia do combate ao inimigo interno. Os cursos promovidos pela Escola das Am\u00e9ricas ajudaram a difundir esta ideologia nos diversos pa\u00edses americanos, onde o inimigo a ser combatido n\u00e3o \u00e9 a amea\u00e7a externa e sim a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o que luta contra o imperialismo e as multinacionais que se associam \u00e0s burguesias locais para saquear as riquezas de nossos povos.<\/p>\n<p>Os governos p\u00f3s-ditadura em nada mudaram as concep\u00e7\u00f5es de nossas institui\u00e7\u00f5es militares. Toda vez que as lutas dos trabalhadores come\u00e7am a questionar a ordem burguesa, as classes dominantes amea\u00e7am resolver os problemas sociais com a criminaliza\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o dos movimentos populares. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-presidente amea\u00e7ava os que lutavam com a velha frase <em>\u201cAs baionetas s\u00e3o mais eficientes que paus e pedras\u201d<\/em>; os governos Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Roussef (PT) responderam \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es populares com a cria\u00e7\u00e3o das chamadas leis antiterror, com o \u00fanico objetivo de reprimir os movimentos populares; o governo golpista de Michel Temer (PMDB) est\u00e1 apenas se utilizando das leis dispon\u00edveis criadas por outros governos a servi\u00e7o da burguesia.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um processo em andamento em todo o mundo capitalista, o que obriga as massas populares a responder atrav\u00e9s da autodefesa.<\/p>\n<p>Fazemos um chamamento, em especial aos militares honestos que tenham sentimentos patri\u00f3ticos, para n\u00e3o se deixar levar pela onda conservadora e reacion\u00e1ria antipopular de reprimir seu pr\u00f3prio povo. Queremos dizer que na luta dos trabalhadores na defesa de seus direitos cabem os militares patri\u00f3ticos que n\u00e3o se deixaram usar nas pris\u00f5es, torturas e desaparecimentos de combatentes que por lutarem contra este sistema opressor que \u00e9 o sistema capitalista.<\/p>\n<p>Na luta dos trabalhadores, sempre haver\u00e1 espa\u00e7o para militares que se recusam a ser instrumento a servi\u00e7o das classes dominantes. Por\u00e9m, n\u00e3o conciliamos com militares que aceitem ser instrumento a servi\u00e7o das classes dominantes. N\u00e3o pode haver acordo com este tipo gente que aceita ir para as ruas reprimir greves e manifesta\u00e7\u00f5es dos trabalhadores quando estes reivindicam seus direitos.<\/p>\n<p><em>\u201cQue as armas e os fuzis se voltem contra a burguesia; fa\u00e7amos greve de soldados, somos todos irm\u00e3os trabalhadores\u201d.<\/em><\/p>\n<p>As classes trabalhadoras n\u00e3o devem recuar, tampouco se guiar pelos editoriais da grande imprensa burguesa. O momento \u00e9 de muita firmeza ideol\u00f3gica na defesa dos nossos direitos. Mais do que lutar para manter os atuais direitos, os trabalhadores de todos os setores precisam construir a unidade de a\u00e7\u00e3o, criar uma agenda de lutas que aponte para constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa anticapitalista que possa ser materializada no PODER POPULAR em dire\u00e7\u00e3o ao SOCIALISMO no Brasil.<\/p>\n<p>Que outros outubros possam vir atrav\u00e9s de novas Revolu\u00e7\u00f5es Socialistas em diversos pa\u00edses do mundo capitalista!!<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Renato Andr\u00e9 Rodrigues<\/p>\n<p>Professor de Filosofia da Rede P\u00fablica Estadual do Estado do Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do PCB na cidade de Nova Igua\u00e7u &#8211; RJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Do ponto de vista hist\u00f3rico, o Estado nunca foi neutro. Ele sempre representou e sempre representar\u00e1 os interesses das classes dominantes. 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