{"id":139,"date":"2009-11-04T01:37:56","date_gmt":"2009-11-04T04:37:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=139"},"modified":"2017-08-24T23:09:42","modified_gmt":"2017-08-25T02:09:42","slug":"a-solidariedade-com-o-povo-da-colombia-e-uma-exigencia-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/139","title":{"rendered":"A SOLIDARIEDADE COM O POVO DA COL\u00d4MBIA \u00c9 UMA EXIG\u00caNCIA DA HIST\u00d3RIA"},"content":{"rendered":"\n<p>A decis\u00e3o do governo Obama de instalar na Col\u00f4mbia sete bases militares dos Estados Unidosinsere-se na estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o mundial da nova Administra\u00e7\u00e3o norte-americana. Odiscurso de matizes humanistas do actual Presidente e uma campanha de propagandamassacrante contribu\u00edram para que milh\u00f5es de pessoas acreditassem que a pol\u00edtica imperialde George Bush seria substitu\u00edda por uma pol\u00edtica de paz. Tal convic\u00e7\u00e3o \u00e9 desmentida pelarealidade.<\/p>\n<p>Ao declarar que a primeira prioridade da sua pol\u00edtica exterior \u00e9 vencer a guerra noAfeganist\u00e3o, Obama abriu a porta a uma escalada de viol\u00eancia na \u00c1sia Central. Por si s\u00f3, anomea\u00e7\u00e3o do general Stanley Mc Chrystal &#8211; um criminoso de guerra &#8211; para comandanteoperacional na Regi\u00e3o \u00e9 esclarecedora das op\u00e7\u00f5es do Presidente dos EUA num conflito quetraz \u00e0 mem\u00f3ria do povo norte-americano os fantasmas e traumas do Vietnam.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, as iniciativas que confirmam a volta a uma pol\u00edtica \u201cmusculada\u201d s\u00e3otamb\u00e9m inquietantes. O golpe em Honduras foi concebido e montado em reuni\u00f5es realizadasna Embaixada dos EUA em Tegucigalpa. A presen\u00e7a, agora permanente, da IV Frota daUSNavy em \u00e1guas sulamericanas traduz igualmente o objectivo de impor por meios militaresa vontade de Washington em pa\u00edses que recusem submeter-se ao poder imperial.<\/p>\n<p>Nessa estrat\u00e9gia, a Col\u00f4mbia de \u00c1lvaro Uribe desempenha um papel fulcral.<\/p>\n<p>O acordo j\u00e1 firmado permite a instala\u00e7\u00e3o de sete bases norte-americanas: tr\u00eas da For\u00e7aA\u00e9rea, em Palanquero, Malambo e Apiay; duas da USArmy em Tolemaida e Larandia; e duasda USNavy em Cartagena e Bahia M\u00e1laga.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia, como sublinhou o Partido do P\u00f3lo Democr\u00e1tico, foi convertida por este acordo\u201cnuma plataforma para a consolida\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o b\u00e9lica desta politica que afecta n\u00e3o s\u00f3 aestabilidade dos governos democr\u00e1ticos e progressistas como os projectos de integra\u00e7\u00e3olatino-americana e do Caribe\u201d.<\/p>\n<p>Obama n\u00e3o inovou, deu continuidade a um projecto ambicioso cuja execu\u00e7\u00e3o foi iniciada porClinton e Bush. A Venezuela bolivariana \u00e9 o alvo principal. Cercam hoje a Venezuela basesmilitares dos EUA localizadas em seis pa\u00edses da Regi\u00e3o: El Salvador, Honduras, Costa Rica,Panam\u00e1, Peru e Paraguai. A elas se somam as de Aruba e Cura\u00e7ao no Caribe holand\u00eas, as dePorto Rico e a de Guantanamo, em Cuba. Na Col\u00f4mbia, j\u00e1 existem h\u00e1 muito tr\u00eas bases dosEUA, a de Arauca, a de Larandia e de Tr\u00eas Esquinas.<\/p>\n<p>Foi para denunciar a amea\u00e7a representada pela instala\u00e7\u00e3o das novas bases norte-americanasque se realizou em Bariloche, na Argentina, uma Cimeira extraordin\u00e1ria da Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5esSul Americanas \u2013 UNASUL. O objectivo n\u00e3o foi, por\u00e9m, atingido. A Declara\u00e7\u00e3o Final, in\u00f3cua,nem sequer menciona expressamente a Col\u00f4mbia e os EUA. A reuni\u00e3o foi sabotada por Lulaque chegou a ser grosseiro ao dirigir-se a Chavez e a Rafael Correa e se absteve de criticarUribe.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno recordar que durante a Administra\u00e7\u00e3o Clinton o Pent\u00e1gono elaborou um plano deinterven\u00e7\u00e3o militar directa na Col\u00f4mbia .O pretexto invocado seria o combate aonarcotr\u00e1fico, mas o objectivo era a aniquila\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias daCol\u00f4mbia-FARC e do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional-ELN. Na opera\u00e7\u00e3o, sugerida pelo generalMcCaffrey, participariam duas divis\u00f5es aerotransportadas e tr\u00eas divis\u00f5es de Marines,envolvendo 120 000 homens. A interven\u00e7\u00e3o contra as FARC seria desencadeada inicialmentepor tropas da Col\u00f4mbia e de outros pa\u00edses latino-americanas, nomeadamente do Peru e doEquador.<\/p>\n<p>A ofensiva terrestre e a\u00e9rea estava prevista para o ano 2000, mas o projecto foi arquivadoporque o governo Clinton chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que esbarraria com a oposi\u00e7\u00e3o doCongresso. A est\u00f3ria minuciosa do plano Caffrey foi, ali\u00e1s, evocada com min\u00facias num artigodo professor brasileiro Moniz Bandeira, publicado em setembro passado em webs deinforma\u00e7\u00e3o alternativa.<\/p>\n<p>Durante a campanha eleitoral e ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o, Barack Obama comprometeu-se adesenvolver na rela\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina uma pol\u00edtica diferente daquela que sucessivospresidentes dos EUA aplicaram, tratando as na\u00e7\u00f5es do Sul do Hemisf\u00e9rio como \u201co p\u00e1tiotraseiro\u201d. Mas a promessa est\u00e1 a ser desmentida. \u00c9 dif\u00edcil avaliar at\u00e9 que ponto o Presidenteactua sob a press\u00e3o das poderosas engrenagens do establishment. Mas os factos confirmamque Washington, alarmada com a grande vaga de contesta\u00e7\u00e3o ao imperialismo e \u00e0s politicasneoliberais que varre a Am\u00e9rica Latina &#8211; e que encontra a sua express\u00e3o mais desafiadora naVenezuela, no Equador e na Bol\u00edvia &#8211; decidiu retomar uma estrat\u00e9gia musculada. Em vez doanunciado di\u00e1logo entre iguais, as iniciativas do grande vizinho do Norte deixam entreveramea\u00e7as militares .<\/p>\n<p>AS DUAS COL\u00d4MBIAS<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 na Am\u00e9rica Latina outro pa\u00eds onde a viol\u00eancia seja como na Col\u00f4mbia um fen\u00f3menoend\u00eamico t\u00e3o enraizado. Desde o Bogotazo, em 1948, foram ali assassinadas mais de 300 milpessoas. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que a imagem do pa\u00eds no mundo seja p\u00e9ssima. Para isso,contribuem decisivamente campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o que falsificam a Hist\u00f3ria,transformando as v\u00edtimas em criminosos e os criminosos em cidad\u00e3os exemplares.Em Washington, o regime colombiano \u00e9 apresentado como democracia exemplar.Significativamente, o Departamento de Estado, no seu \u00faltimo relat\u00f3rio anual sobre a situa\u00e7\u00e3odos Direitos Humanos, incluiu a Col\u00f4mbia na lista dos pa\u00edses onde eles s\u00e3o respeitados.A Administra\u00e7\u00e3o Obama mente conscientemente.<\/p>\n<p>Quando director da Aeron\u00e1utica no Departamento de Antioquia, Uribe manteve rela\u00e7\u00f5es comos cart\u00e9is da droga. Virg\u00ednia Vallejo, num livro de mem\u00f3rias, conta que Pablo Escobar, seuamante, lhe contou que sem a ajuda de Uribe n\u00e3o teria podido fazer sair do pa\u00eds toneladasde coca\u00edna. O nome do actual Presidente figura ali\u00e1s na lista de aliados do narcotr\u00e1fico emarquivos da CIA hoje desclassificados.<\/p>\n<p>Anos depois, como governador de Antioquia, Uribe desempenhou um papel importante nacria\u00e7\u00e3o e financiamento do paramilitarismo. Posteriormente foram sempre \u00edntimas as suasrela\u00e7\u00f5es com as chamadas Autodefesas da Col\u00f4mbia \u2013 AUC, a organiza\u00e7\u00e3o criminosaparamilitar incumbida pelo Ex\u00e9rcito de praticar os crimes mais repugnantes. \u00c9 do dom\u00edniop\u00fablico que milhares de paramilitares amnistiados foram nomeados para cargos p\u00fablicos.Uma percentagem consider\u00e1vel faz parte do corpo de espi\u00f5es \u2013avaliado num milh\u00e3o \u2013 querecebe um sal\u00e1rio para transmitir informa\u00e7\u00f5es sobre a insurgencia.<\/p>\n<p>No governo de Uribe, os esc\u00e2ndalos \u2013 alguns envolvendo membros da sua fam\u00edlia, ministros egenerais da sua m\u00e1xima confian\u00e7a \u2013 tornaram-se rotineiros. O Presidente desenvolveu umestilo imperial. Para se reeleger, fez aprovar uma emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o depois de tercomprado a maioria do Congresso. Agora repete a manobra e prepara uma segundareelei\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um referendo montado ad hoc.<\/p>\n<p>N\u00e3o exagerou o comandante Manuel Marulanda, fundador das FARC, quando o definiu comofascista mascarado de democrata. A politica dita de \u00abSeguran\u00e7a Nacional\u00bb de Uribe traduz-senuma estrat\u00e9gia de opress\u00e3o e viol\u00eancia, que configura a pr\u00e1tica de crimes de genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>A SAGA DAS FARC<\/p>\n<p>O governo Bush conseguiu, ap\u00f3s o 11 de Setembro, que a ONU e a Uni\u00e3o Europ\u00e9iainclu\u00edssem as For\u00e7as Armadas Revolucionarias da Col\u00f4mbia-Ex\u00e9rcito do Povo na lista dasorganiza\u00e7\u00f5es terroristas. Mas, para desacreditar as FARC, Washington e Bogot\u00e1 foram maislonge. Uma campanha milion\u00e1ria foi desencadeada a n\u00edvel mundial com dois objectivos.<\/p>\n<p>1. Apresentar as FARC como uma guerrilha intimamente ligada ao narcotr\u00e1fico e quesomente sobrevivia por manter intimas liga\u00e7\u00f5es com os cart\u00e9is da droga.<\/p>\n<p>2. Difundir das FARC a imagem de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa, incompat\u00edvel com osprinc\u00edpios e valores da democracia, que assassina os camponeses, faz dos sequestrosum pilar da sua estrat\u00e9gia e tortura os prisioneiros.<\/p>\n<p>Essas cal\u00fanias contribu\u00edram para que milh\u00f5es de pessoas em dezenas de pa\u00edses, sobretudonos meios intelectuais, tenham hoje sobre as FARC opini\u00f5es muito negativas, o que dificultaextraordinariamente a solidariedade com a luta dos combatentes do saudoso ManuelMarulanda. \u00c9 \u00fatil recordar que a designa\u00e7\u00e3o de \u201cnarcoguerrilha\u201d foi forjada numa reuni\u00e3o commilitares do Pent\u00e1gono por Louis Stamb, ex. embaixador dos EUA na Col\u00f4mbia, um diplomataque mantinha estreitas rela\u00e7\u00f5es com a CIA.<\/p>\n<p>Dispusessem as FARC dos milh\u00f5es que lhe s\u00e3o atribu\u00eddos e certamente teriam h\u00e1 muitoadquirido m\u00edsseis para se defender dos ataques da For\u00e7a A\u00e9rea de Uribe e dos avi\u00f5es queespiam os seus acampamentos na selva. E at\u00e9 hoje n\u00e3o possui armas desse tipo, comoWashington ali\u00e1s reconhece.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno recordar que os oficiais e soldados capturados em combate pelas FARC s\u00e3oapresentados pelo governo de Bogot\u00e1 como \u00absequestrados\u00bb e os guerrilheiros presos como\u00abterroristas\u00bb.<\/p>\n<p>Significativamente, nunca que eu saiba, os grandes midia da burguesia informaram que asFARC elaboraram um projecto-piloto que previa em poucos anos a erradica\u00e7\u00e3o da cocamediante a substitui\u00e7\u00e3o de culturas no munic\u00edpio de Cartagena del Chair\u00e1, respons\u00e1vel pelaprodu\u00e7\u00e3o de 90 % da droga de um Departamento. O custo da sua aplica\u00e7\u00e3o seria apenas de10 milh\u00f5es de d\u00f3lares. O estudo foi enviado \u00e0 ONU, mas o governo Uribe op\u00f4s-se \u00e0 iniciativa.No que se refere \u00e0 campanha internacional que tem por objectivo apresentar as FARC comoum bando de criminosos e assassinos, a difus\u00e3o da mentira tamb\u00e9m funciona. O caso deIngrid Bettancourt \u00e9 esclarecedor dos m\u00e9todos usados pelo governo de Uribe. Durante anos aex-candidata \u00e0 Presid\u00eancia da Republica foi apresentada como uma hero\u00edna , que estaria \u00e0sportas da morte em consequ\u00eancia de maus tratos recebidos. Foi libertada mediante a comprado guerrilheiro respons\u00e1vel pela sua cust\u00f3dia na selva. Mas o governo Uribe enganou aopini\u00e3o mundial afirmando que fora resgatada pela For\u00e7a A\u00e9rea numa opera\u00e7\u00e3o montada deacordo com a Cruz Vermelha Internacional. Logo se verificou, por\u00e9m, que Ingrid estava deperfeita sa\u00fade e cheia de energia.<\/p>\n<p>Clara Rojas, ex-secretaria de Ingrid e sua companheira de cativeiro, desmascara ali\u00e1s, numlivro recente, a falsa hero\u00edna cujo comportamento a isolou dos demais presos.Em 2001, passei algumas semanas num acampamento das FARC na selva amaz\u00f4nica doCaquet\u00e1. Nesses dias tive a oportunidade de falar durante muitas horas com o comandanteRaul Reyes &#8211; assassinado em 2008 no Equador durante um bombardeamento realizado pelaFor\u00e7a A\u00e9rea colombiana \u2013 e de conhecer alguns destacados comandantes das FARC,incluindo Manuel Marulanda, o seu legend\u00e1rio comandante-chefe.<\/p>\n<p>As conversas que ent\u00e3o mantive sobre m\u00faltiplos temas com esses dirigentes das FARCdeixaram em mim recorda\u00e7\u00e3o inapag\u00e1vel. Desses encontros retirei a conclus\u00e3o de que oshomens apresentados como terroristas e fac\u00ednoras por Uribe s\u00e3o revolucion\u00e1rios merecedoresde respeito, com um conhecimento invulgar do marxismo-leninismo, a ideologia do partidoguerrilhaassumida pelas FARC.<\/p>\n<p>A vida permitiu-me estabelecer la\u00e7os n\u00e3o apenas de camaradagem, mas de amizade comalguns colombianos. Entre eles ocupa o primeiro lugar Rodrigo Granda. Conheci-o emHavana, reencontrei-o em El Salvador, muitas vezes em Cuba e na Venezuela, na v\u00e9spera doseu sequestro por pol\u00edcias de Uribe. A amizade \u00e9 um sentimento dif\u00edcil de hierarquizar. Mas deRodrigo Granda posso dizer, camaradas, que ele me aparece como um revolucion\u00e1rio e umcomunista exemplar, um paradigma do quase m\u00edtico homem novo com que sonhamos.<\/p>\n<p>O APELO \u00c0 PAZ DAS FARC<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas que as FARC se batem por uma Col\u00f4mbia verdadeiramenteindependente e democr\u00e1tica. Nesse batalhar houve um momento, no come\u00e7o dos anos 80,em que aceitaram suspender a luta \u2013 sem entregar as armas &#8211; aceitando a proposta dogoverno da \u00e9poca para participarem na vida politica transferindo para o campo institucional adefesa do seu projecto de sociedade.<\/p>\n<p>E que aconteceu, camaradas? A Uni\u00f3n Patri\u00f3tica, o partido-movimento ent\u00e3o criado pelasFARC, foi alvo do maior genoc\u00eddio pol\u00edtico da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina. Em pouco mais dedois anos, senadores, deputados, intelectuais, sindicalistas da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica foramassassinados.<\/p>\n<p>Obviamente as FARC retomaram a luta armada. A organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria cresceu. Noinicio do mil\u00e9nio, quando o presidente Pastrana concordou abrir negocia\u00e7\u00f5es com vista \u00e0 Paze foi criada uma Zona Desmilitarizada com uma superf\u00edcie equivalente ao Estado do Esp\u00edritoSanto, as FARC constitu\u00edam um ex\u00e9rcito popular com efectivos avaliados em 17 milcombatentes distribu\u00eddos por 60 Frentes de luta. Somente no Vietnam se encontra precedentepara uma saga compar\u00e1vel \u00e0 das FARC-EP.<\/p>\n<p>Sob a press\u00e3o dos EUA, da oligarquia bogotana e do ex\u00e9rcito, o presidente Pastrana fechou aporta a qualquer negocia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria que pudesse conduzir \u00e0 Paz, invadiu e reocupou a ZonaDesmilitarizada. Recordo que ent\u00e3o os comandantes guerrilheiros, em La Macarena, no actode liberta\u00e7\u00e3o unilateral de 300 prisioneiros das FARC &#8211; a que assisti &#8211; eram tratados com omaior respeito pelos embaixadores de grandes pot\u00eancias europ\u00e9ias. Entretanto, passaram deum dia para outro a ter a cabe\u00e7a a pr\u00eamio como terroristas, narcotraficantes e assassinos.Com a chegada de Uribe \u00e0 Presid\u00eancia a escalada assumiu as propor\u00e7\u00f5es de um assalto \u00e0raz\u00e3o. Sucessivas ofensivas militares, mobilizando dezenas de milhares de soldados, foramdesencadeadas com o objectivo de aniquilar as FARC. Todas fracassaram, n\u00e3o obstante orecurso a armas e equipamentos sofisticados, fornecidos pelos EUA.<\/p>\n<p>Camaradas:<\/p>\n<p>A solidariedade com o povo da Col\u00f4mbia, nestes dias em que a Administra\u00e7\u00e3o Obamadesenvolve uma estrat\u00e9gia que configura uma amea\u00e7a global \u00e0 Am\u00e9rica Latina, \u00e9 umaexig\u00eancia da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Uribe imp\u00f4s \u00e0 Col\u00f4mbia um regime neofascista. O projecto do Novo Estado uribista outorgaao Executivo um poder quase absoluto . A consumar-se a nova reelei\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de m\u00e9todosileg\u00edtimos, \u00c1lvaro Uribe Velez governar\u00e1 como um ditador. Conforme recorda o Secretariadodas FARC, Uribe, ap\u00f3s a sua primeira reelei\u00e7\u00e3o, anunciou que destruiria a organiza\u00e7\u00e3orevolucionaria num prazo de 18 meses. A promessa foi desmentida pela Hist\u00f3ria. Agora, aolutar por um terceiro mandato, afirma que a vit\u00f3ria contra as FARC est\u00e1 iminente e fala do\u201cfinal do final\u201d, comprometendo-se a fazer da Col\u00f4mbia \u201ca Cidade do Sol\u201d.<\/p>\n<p>Na realidade, o pa\u00eds foi transformado numa semi-col\u00f4nia dos EUA. Dos deputados que apoiamUribe, 85 s\u00e3o paramilitares . Na cadeia cumprem ali\u00e1s penas dezenas de congressistascondenados por crimes graves.<\/p>\n<p>As FARC n\u00e3o surgiram por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. O Secretariado do seu Estado Maior Central,num apelo dirigido em julho p.p. ao povo colombiano, convida-o \u201ca trabalhar por um AcordoNacional de Paz que construa uma alternativa pol\u00edtica que convoque o di\u00e1logo, ponha emcampo uma tr\u00e9gua bilateral e proceda \u00e0 retirada imediata das tropas norte-americanas eque, uma vez alcan\u00e7ados acordos com o protagonismo das organiza\u00e7\u00f5es sociais e politicas,convoque uma Assembleia Constituinte para referendar o acordado\u201d.<\/p>\n<p>Camaradas:<\/p>\n<p>Os combatentes revolucion\u00e1rios das FARC que se batem por valores eternos da condi\u00e7\u00e3ohumana merecem o respeito e a solidariedade dos comunistas.<\/p>\n<p>As FARC enfrentam na sua luta tremendas dificuldades. Mas as cal\u00fanias n\u00e3o fazem hist\u00f3ria.Com o rodar dos anos os nomes de Uribe e dos seus generais v\u00e3o desaparecer na poeira dotempo. Mas o do comandante Manuel Marulanda ser\u00e1 pelos s\u00e9culos afora recordado. J\u00e1atravessou as portas do pante\u00e3o dos her\u00f3is da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Miguel Urbano Rodrigues<\/p>\n<p>Serpa, Outubro de 2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o de Miguel Urbano Rodrigues ao Semin\u00e1rio Internacional sobrea Am\u00e9rica Latina, promovido pelo XIV Congresso do PCB &#8211; Partido ComunistaBrasileiro \u2013 Rio de Janeiro, Outubro de 2009\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/139\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2f","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}