{"id":13900,"date":"2017-03-21T16:16:02","date_gmt":"2017-03-21T19:16:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13900"},"modified":"2017-03-31T13:34:11","modified_gmt":"2017-03-31T16:34:11","slug":"golpear-juntos-marchar-separados-sobre-a-unidade-na-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13900","title":{"rendered":"Golpear juntos, marchar separados: sobre a unidade na resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-PhleJ0198Uc\/WNCD9uKQQHI\/AAAAAAAABMM\/ZvZSCmwyoAMftggiT0AE1Wmcv5jsTgmQgCLcB\/s320\/17351976_1079369185500735_2861630063311743306_n.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Jones Manoel*<\/p>\n<p>A jornada nacional de lutas do \u00faltimo dia 15 de mar\u00e7o (15M) indica algo que muitos militantes e pesquisadores vinham afirmando: o potencial de mobiliza\u00e7\u00e3o no processo de resist\u00eancia \u00e0 contrarreforma da previd\u00eancia ou trabalhista provavelmente ser\u00e1 maior que a resist\u00eancia ao impedimento. Por uma s\u00e9rie de motivos que n\u00e3o conv\u00e9m abordar agora, o conjunto da classe trabalhadora est\u00e1 [aparentemente] bem mais preocupada com sua aposentadoria, emprego e sal\u00e1rio do que com o funcionamento \u201cnormal\u201d das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1tico-burguesas.<!--more--><\/p>\n<p>Na maioria das cidades, os atos do 15M foram constru\u00eddos de forma unit\u00e1ria entre os diferentes campos da esquerda. Socialistas, comunistas e o campo democr\u00e1tico-popular (PT, PCdoB, Consulta Popular etc.) sa\u00edram \u00e0s ruas \u201cjuntos\u201d lado a lado de diferentes centrais sindicais que, no mais das vezes, n\u00e3o mant\u00eam qualquer di\u00e1logo (foi interessante em Recife ver a CSP-Conlutas, For\u00e7a Sindical, Intersindical, CUT e CTB dividindo palanque, carro de som e procurando construir di\u00e1logos previamente ao ato).<\/p>\n<p>Os efeitos da grandiosa jornada do 15M foram imediatos. V\u00e1rios ratos do PMDB, como Renan Calheiros, soltaram declara\u00e7\u00f5es contra o Governo Temer e a falta de di\u00e1logo na condu\u00e7\u00e3o das propostas. A PEC 287 tamb\u00e9m ter\u00e1 mais alguns dias antes de sair da comiss\u00e3o especial. Os deputados agora querem ganhar tempo. No senado o projeto de lei sobre o direito de greve dos servidores p\u00fablicos (na pr\u00e1tica o fim do direito de greve) n\u00e3o teve pedido de urg\u00eancia votado (ficou para dia 21). Senadores do PMDB consideram loucura votar agora esse projeto. Os ratos da base aliada de Temer &#8211; inclusive DEM e PSDB &#8211; j\u00e1 discutem, dizem as fontes da Folha de SP, atenuar alguns pontos &#8220;mais pol\u00eamicos&#8221; da proposta de contrarreforma, como a idade m\u00ednima para a aposentadoria, a regra de transi\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as para aposentadoria rural etc.<\/p>\n<p>Depois da derrota na batalha contra a PEC da MORTE, um sentimento de desesperan\u00e7a e impot\u00eancia tomou segmentos importantes da esquerda organizada e da juventude que ocupou mais de mil escolas. O 15M ajudou a fazer com que a esperan\u00e7a volte e mostrar que \u00e9 sim poss\u00edvel parar a guerra de classe da burguesia contra os explorados e oprimidos. Mas tudo \u00e9 not\u00edcia boa e comemora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao 15M? Cremos que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios estados houve disputas cruentas pela dire\u00e7\u00e3o dos atos. A esquerda (em sua diversidade) saiu \u00e0s ruas junta, mas separada. As diferen\u00e7as de gritos, palavras de ordem, bandeiras, pr\u00e1tica de ato, formas de dialogar com a popula\u00e7\u00e3o etc. s\u00e3o importantes, por\u00e9m, o fundamental mesmo \u00e9 que algumas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda \u2013 que de forma alguma constituem um bloco homog\u00eaneo \u2013 veem os atos de rua como momentos de agita\u00e7\u00e3o e propaganda e de mostrar for\u00e7a dentro de uma perspectiva de m\u00e9dio\/longo prazo de rearmamento [te\u00f3rico, pol\u00edtico e organizativo] da classe trabalhadora. A Greve Geral \u00e9 sua principal media\u00e7\u00e3o t\u00e1tica para barrar a ofensiva burguesa e procurar reverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p>J\u00e1 o campo democr\u00e1tico-popular (que inclui o PDT e Ciro Gomes, afinal eles disputam a lideran\u00e7a no petismo) compreende, de novo, ser a elei\u00e7\u00e3o de um novo presidente num grande pacto de concilia\u00e7\u00e3o nacional \u2013 tendo como principais atores trabalhadores e o \u201ccapital produtivo\u201d ou burguesia industrial \u2013 para restaurar a legitimidade, confian\u00e7a e crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>As suas principais express\u00f5es desse programa, Lula e Ciro Gomes, j\u00e1 est\u00e3o em campanha eleitoral. Sobre Ciro Gomes meses atr\u00e1s gastei um pouco do meu tempo produzindo uma an\u00e1lise [1] e n\u00e3o vou repetir seus elementos aqui; sobre Lula, por\u00e9m, vale a pena analisar o conte\u00fado do seu discurso em S\u00e3o Paulo quando participou do 15M e falou por dez minutos.<\/p>\n<p>O discurso de Lula \u00e9 o discurso da FIESP, CNI e ABIMAQ com uma est\u00e9tica de esquerda e sem a \u00eanfase no corte de direitos trabalhistas. Exagero? N\u00e3o. Lula resume todos os problemas do pa\u00eds e da popula\u00e7\u00e3o a falta de crescimento econ\u00f4mico. Na vis\u00e3o do ex-presidente o \u201cproblema da previd\u00eancia\u201d se resolve com crescimento econ\u00f4mico que gera por deriva\u00e7\u00e3o emprego, renda e aumento da arrecada\u00e7\u00e3o. Durante seu discurso diz que os bancos p\u00fablicos precisam voltar a ter forte atua\u00e7\u00e3o, o BNDS financiar investimentos, o cr\u00e9dito voltar a fluir, as pessoas comprarem. Ou seja, o mesmo programa pol\u00edtico do segundo mandato. \u00c9 in\u00fatil esperar que Lula fale da revoga\u00e7\u00e3o da PEC da MORTE, audit\u00f3ria da d\u00edvida, reforma tribut\u00e1ria ou lei de remessas de lucro como resposta \u00e0 \u201ccrise econ\u00f4mica\u201d. O Lula continua o \u201clulinha paz e amor\u201d.<\/p>\n<p>Lula criticou Meirelles e Temer dizendo que eles n\u00e3o escutam o povo. \u00c9 claro, por\u00e9m, que Lula n\u00e3o fez qualquer autocr\u00edtica da sua contrarreforma da previd\u00eancia, manuten\u00e7\u00e3o da DRU (DRU = desvincula\u00e7\u00e3o de receitas da uni\u00e3o. \u00c9 um mecanismo jur\u00eddico que permite desviar dinheiro da seguridade social para pagar juros e servi\u00e7os da d\u00edvida. Foi criada por FHC e mantida pelos Governos do PT) e \u201cesqueceu\u201d que Meirelles foi homem forte da sua pol\u00edtica econ\u00f4mica e que ele pressionou Dilma a colocar Meirelles como Ministro da Fazenda (o mesmo cargo que ocupa hoje) em 2014.<\/p>\n<p>Seria esperar demais de Lula tratar a contrarreforma da previd\u00eancia como uma ofensiva da burguesia contra a classe trabalhadora. Mas no discurso de Lula a previd\u00eancia n\u00e3o aparecia nem como um direito universal a ser garantido e ampliado. O cerne da cr\u00edtica \u00e9 que \u201ccortar\u201d a previd\u00eancia \u00e9 um erro econ\u00f4mico que enfraquece o mercado interno e por isso dificulta o crescimento econ\u00f4mico. A perspectiva de DIREITOS UNIVERSAIS n\u00e3o compareceu na fala do Lula \u2013 essa vis\u00e3o explica os motivos de Lula n\u00e3o falar em revogar a PEC da MORTE.<\/p>\n<p>Lula, em oito anos de Governo, NUNCA chamou o povo \u00e0s ruas. Mas disse que a mudan\u00e7a passa pelas ruas e n\u00e3o podemos sair dela, contudo, do meio para o final do discurso, afirma que a grande solu\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds \u00e9 eleger por voto direto um presidente com legitimidade social (ele, naturalmente). O cl\u00e1ssico discurso da reforma pol\u00edtica sumiu do mapa.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s a Revista F\u00f3rum, \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o abertamente petista, noticiou que, caso Lula n\u00e3o seja candidato, o ex-presidente apoia uma chapa com Ciro Gomes na cabe\u00e7a e Haddad como vice. Nas entrelinhas da mat\u00e9ria, sem muito destaque, \u00e9 dito que \u201cempres\u00e1rios\u201d j\u00e1 procuraram o ex-presidente, insatisfeitos com os rumos da economia. A classe dominante [em suas diversas fra\u00e7\u00f5es] \u00e9 h\u00e1bil tal como um estudioso de Maquiavel: declara uma guerra de classe atrav\u00e9s do Governo Temer, mas j\u00e1 joga com uma vers\u00e3o soft, social-liberal, do seu dom\u00ednio caso as coisas saiam errado com o golpista Temer.<br \/>\nPortanto, \u00e9 inequ\u00edvoco que, dentro do processo de resist\u00eancia aos ataques da burguesia, existe uma disputa por quem e qual concep\u00e7\u00e3o ir\u00e1 liderar esse processo e qual ser\u00e1 seu objetivo t\u00e1tico de curto prazo e estrat\u00e9gico. Evidentemente que ningu\u00e9m discorda da necessidade de unidade nesse momento contra a guerra de classe operada pelo Governo Temer. Mas que ningu\u00e9m seja ing\u00eanuo de ver nessa unidade t\u00e1tica, na a\u00e7\u00e3o, a nega\u00e7\u00e3o das disputas no seio da esquerda. Essas disputas fazem parte da luta de classes! Se, por exemplo, a maioria da esquerda continuar achando que a grande solu\u00e7\u00e3o para seus problemas \u00e9 lan\u00e7ar uma &#8220;frente eleitoral&#8221; para 2018 com Lula ou Ciro Gomes, na eterna espera de um messias, a classe dominante ter\u00e1 ganho outra batalha fundamental. Combater a concilia\u00e7\u00e3o de classe, o aparelhamento, o peleguismo, o institucionalismo, a burocratiza\u00e7\u00e3o e as teorias da pseudo-esquerda (keynesianismo, humaniza\u00e7\u00e3o do capitalismo, capital financeiro vs capital industrial etc.) \u00e9 parte fundamental da organiza\u00e7\u00e3o das resist\u00eancias e para a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es que deem novas possibilidades de avan\u00e7o popular.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia l\u00f3gica de nossa an\u00e1lise \u00e9 que os comunistas t\u00eam uma dupla tarefa: potencializar a organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e ao mesmo tempo impedir que a resist\u00eancia seja um trampolim eleitoral para uma nova rodada do pacto de classe \u201cneodesenvolvimentista\u201d com Ciro ou Lula (ou os dois) na cabe\u00e7a. Combinar unidade com necessidade de combate \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classe \u00e9 uma das tarefas primordiais dos comunistas na atual conjuntura brasileira.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Ato do 15M em Recife.<\/p>\n<p>*Militante do PCB de Pernambuco.<\/p>\n<p>1. &lt;http:\/\/makaveliteorizando.blogspot.com.br\/2016\/06\/as-palavras-de-ciro-gomes.html&gt;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/makaveliteorizando.blogspot.com.br\/2017\/03\/golpear-juntos-marchar-separados-sobre.html\" target=\"_blank\">http:\/\/makaveliteorizando.blogspot.com.br\/2017\/03\/golpear-juntos-marchar-separados-sobre.html<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jones Manoel* A jornada nacional de lutas do \u00faltimo dia 15 de mar\u00e7o (15M) indica algo que muitos militantes e pesquisadores vinham afirmando: \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13900\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[],"class_list":["post-13900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Cc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13900\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}