{"id":13934,"date":"2017-03-27T20:11:19","date_gmt":"2017-03-27T23:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13934"},"modified":"2017-04-08T16:24:54","modified_gmt":"2017-04-08T19:24:54","slug":"multidao-sai-as-ruas-na-argentina-para-apoiar-greve-de-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13934","title":{"rendered":"Multid\u00e3o sai \u00e0s ruas na Argentina para apoiar greve de professores"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Maestros.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A pol\u00edtica argentina se faz na rua h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. Quase tudo acaba sendo resolvido com uma mar\u00e9 humana na Plaza de Mayo. Mauricio Macri rompeu essa tend\u00eancia e ganhou as elei\u00e7\u00f5es em 2015 de forma quase dissimulada, sem grandes mobiliza\u00e7\u00f5es.<!--more--><\/p>\n<p>Mas agora, ap\u00f3s 15 meses no poder, volta a sofrer a press\u00e3o da rua. Dezenas de milhares de pessoas \u2014 400.000 segundo os organizadores \u2014 marcharam nesta quarta-feira em frente a seu gabinete em Buenos Aires para apoiar os professores da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que est\u00e3o em greve h\u00e1 quase tr\u00eas semanas devido a seus baixos sal\u00e1rios. Trata-se de manifesta\u00e7\u00e3o que p\u00f5e \u00e0 prova a resist\u00eancia de Macri.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de Carlos E. Cu\u00e9 e de Federico Rivas Molina, publicada por El Pa\u00eds, 23-03-2017.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica argentina foi um exemplo em todo o mundo. Desde 1880, tornou-se assunto de Estado. Os argentinos conseguiram acabar com o analfabetismo antes de muitos pa\u00edses europeus, como a Espanha. Mas desde os anos 70, com a ditadura e sucessivas crises econ\u00f4micas, a deteriora\u00e7\u00e3o tem sido enorme. E agora ningu\u00e9m nega que a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica vai muito mal, apesar dos enormes investimentos dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Agora, boa parte da classe m\u00e9dia manda seus filhos \u00e0 escolas particulares, antes quase pro forma. E os ricos j\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 p\u00fablica como antes porque era melhor. Macri, de uma das fam\u00edlias mais ricas do pa\u00eds, \u00e9 o primeiro presidente que n\u00e3o estudou em escola p\u00fablica, como seus antecessores, mas no elitista col\u00e9gio Cardenal Newman. \u00c9 algo comum a muitos de seus ministros.<\/p>\n<p>Todos, Governo e oposi\u00e7\u00e3o, admitem que a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o vai bem. E todos asseguram que querem defend\u00ea-la. Mas os professores dizem que para come\u00e7ar a consert\u00e1-la \u00e9 preciso lhes pagar sal\u00e1rios dignos. E est\u00e3o em greve porque pedem um aumento de 35% este ano (a infla\u00e7\u00e3o foi de 40% no ano passado e neste provavelmente ultrapassar\u00e1 os 20%) e o governo lhes oferece 18%.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, 22 de mar\u00e7o, receberam um respaldo enorme, imposs\u00edvel de desviar politicamente, em uma marcha que veio de todas as prov\u00edncias e parece o embri\u00e3o de uma oposi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 se rearmando para evitar que Macri ven\u00e7a as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de outubro. Ele, por sua vez, quer manter o pulso para mostrar que ainda controla o pa\u00eds.<br \/>\nComo contra-ataque a essa mobiliza\u00e7\u00e3o, o Governo tornou p\u00fablico um relat\u00f3rio que mostra a enorme dist\u00e2ncia entre a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a privada, que demonstra a desigualdade deste que j\u00e1 foi um dia o pa\u00eds mais igualit\u00e1rio da Am\u00e9rica. Quase a metade dos adolescentes da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o entendem um texto b\u00e1sico. Na particular, s\u00e3o dois em cada dez. Uma frase infeliz de Macri ao explicar os dados causou furor nos cartazes da marcha. O presidente falou da desigualdade entre \u201cos que podem ir \u00e0 escola particular e aquele que tem de cair na escola p\u00fablica\u201d. \u201cCa\u00ed na escola p\u00fablica, penso, leio e sei mais do que o presidente\u201d ou \u201cCaia na escola p\u00fablica e te ensino a ler\u201d era o que se podia ler em alguns cartazes. Macri j\u00e1 tem nos professores sua grande prova de for\u00e7a real.<\/p>\n<p>O Executivo pede aos professores que fa\u00e7am autocr\u00edtica e admitam que se o ensino est\u00e1 mal em parte \u00e9 culpa deles e da tradi\u00e7\u00e3o de convocar tantas greves, o que faz com que os pais matriculem seus filhos na particular. E diz a eles que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para pagar mais de 18%. Oferece ainda uma compensa\u00e7\u00e3o caso a infla\u00e7\u00e3o ultrapasse esse n\u00famero. Mas os professores est\u00e3o dispostos a manter uma greve muito longa.<\/p>\n<p>O Governo v\u00ea a ex-presidenta Cristina Krichner por tr\u00e1s dessa paralisa\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o na sombra. \u201cEst\u00e3o disfar\u00e7ando \u00e9 uma discuss\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o se atrevem a discutir o desastre que nos deixaram na prov\u00edncia de Buenos Aires\u201d, afirmou Marcos Pe\u00f1a, bra\u00e7o direito de Macri, durante uma sess\u00e3o do Congresso. Seus deputados aplaudiram com entusiasmo enquanto os opositores vaiavam.<\/p>\n<p>Os organizadores afirmam que 400.000 pessoas estavam reunidas. As avenidas que levam \u00e0 Plaza de Mayo estavam cheias de manifestantes com todo tipo de cartazes, muitos deles de diferentes movimentos de esquerda, e milhares de aventais brancos, uniforme t\u00edpico dos professores na Argentina. \u201cN\u00e3o somos escravos\u201d, lia-se no avental de um dos professores, que usava uma corda pendurada no pesco\u00e7o. \u201cTamb\u00e9m somos pais, em nossas fam\u00edlias, al\u00e9m de ensinar valores, ainda se come\u201d, dizia outra.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas percebem que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Baradel, que s\u00e3o centenas e milhares de docentes? O que querem? Agravar o conflito?\u201d, afirmou Roberto Baradel, l\u00edder dos professores em Buenos Aires, onde a greve \u00e9 mais forte. O Governo o acusava de n\u00e3o querer negociar porque \u00e9 aliado pol\u00edtico de Kirchner. \u201cEste \u00e9 o momento, eles t\u00eam de nos convocar. O Governo precisa refletir, ver esta pra\u00e7a e cumprir a lei. Em primeiro lugar, queremos falar \u00e9 de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade. Isso n\u00e3o \u00e9 uma guerra, \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o salarial. Pe\u00e7o \u00e0 governadora que veja esta mobiliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia de Buenos Aires, foram mais de 150.000 os que vieram aqui hoje. Somos centenas de milhares de professores e milh\u00f5es de pais que estamos esperando uma solu\u00e7\u00e3o.\u201d Esta enorme marcha parece servir de pr\u00e9via a uma greve geral que est\u00e1 sendo convocada para o 6 de abril, a primeira que Macri vai enfrentar.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/566087-multidao-sai-as-ruas-na-argentina-para-apoiar-greve-de-professores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A pol\u00edtica argentina se faz na rua h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. 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