{"id":13944,"date":"2017-03-28T00:06:32","date_gmt":"2017-03-28T03:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13944"},"modified":"2017-04-08T16:25:08","modified_gmt":"2017-04-08T19:25:08","slug":"%ef%bb%bf%ef%bb%bfas-ilusoes-revividas-o-melancolico-retorno-dos-orfaos-da-burguesia-nacional-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13944","title":{"rendered":"\ufeff\ufeffAs ilus\u00f5es revividas: o melanc\u00f3lico retorno dos \u00f3rf\u00e3os da burguesia nacional no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-KECH6H9mDgQ\/VdDeznWGPFI\/AAAAAAAAAcw\/pxMgLyoH9Ns\/s1400\/4.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><strong>Edmilson Costa*<\/strong><\/p>\n<p>As recentes den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e promiscuidade entre o setor p\u00fablico e privado nas \u00e1reas de constru\u00e7\u00e3o civil e petr\u00f3leo e g\u00e1s levantadas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava a Jato e, mais recentemente, as den\u00fancias de uma s\u00e9rie de irregularidades sanit\u00e1rias na produ\u00e7\u00e3o dos principais monop\u00f3lios de processamento de carnes ressuscitaram um velho debate sobre o papel da burguesia nacional no Pa\u00eds e trouxeram de volta os ing\u00eanuos defensores da chamada burguesia brasileira. Eles agora argumentam <!--more-->que as opera\u00e7\u00f5es contra a corrup\u00e7\u00e3o e as fraudes contra esses grandes monop\u00f3lios, realizadas pela Pol\u00edcia Federal, procuradores e ju\u00edzes, na verdade seriam uma ofensiva da pol\u00edtica e da justi\u00e7a para destruir as grandes empresas nacionais, justamente aquelas que s\u00e3o respons\u00e1veis por parcelas expressivas das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Haveria nesse processo uma alian\u00e7a entre esses setores e os interesses do imperialismo para quebrar as empresas nacionais e possibilitar \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras ocuparem os mercados deixados pelas empresas brasileiras.<\/p>\n<p>\u00c9 importante entendermos os meandros desse processo, o papel dessas corpora\u00e7\u00f5es na economia e sua rela\u00e7\u00e3o com os trabalhadores e os la\u00e7os que existem entre o setor econ\u00f4mico e a pol\u00edtica eleitoral para compreendermos o dom\u00ednio do poder pol\u00edtico exercido pelas classes dominantes no Brasil. O Brasil n\u00e3o \u00e9 para amadores: para se compreender a complexidade da forma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica brasileira, os 300 anos de escravid\u00e3o e sua influ\u00eancia ideol\u00f3gica sobre as classes dominantes, a industrializa\u00e7\u00e3o tardia, a forma\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra e constitui\u00e7\u00e3o do proletariado urbano, a urbaniza\u00e7\u00e3o da sociedade e a forma\u00e7\u00e3o das grandes metr\u00f3poles, o papel das camadas m\u00e9dias urbanas em sociedades complexas como a nossa, \u00e9 preciso um estudo aprofundado da economia e das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o no teatro de opera\u00e7\u00f5es em que estamos atuando. Do contr\u00e1rio, reproduziremos velhos chav\u00f5es do s\u00e9culo passado, decalques societ\u00e1rios que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a nossa experi\u00eancia nem ader\u00eancia com a realidade brasileira.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o papel da burguesia nacional \u00e9 antiga. Por d\u00e9cadas o PCB foi o principal formulador da necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o nacional-democr\u00e1tica, em alian\u00e7a com a burguesia nacional, pois imaginava que esta tinha contradi\u00e7\u00f5es com o imperialismo. Tamb\u00e9m em meios intelectuais e acad\u00eamicos essa tese tem larga aceita\u00e7\u00e3o. No entanto, o pr\u00f3prio PCB, no seu processo de reorganiza\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, realizou um profundo estudo sobre a realidade brasileira, as classes sociais e o Estado e rompeu com essa formula\u00e7\u00e3o, a partir da constata\u00e7\u00e3o de que a globaliza\u00e7\u00e3o hegemonizou o dom\u00ednio das burguesias centrais sobre os pa\u00edses perif\u00e9ricos e que a burguesia brasileira, por caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas, est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 subordinada \u00e0 din\u00e2mica do grande capital internacional, como a ele est\u00e1 associada, al\u00e9m do fato de que em todos os momentos de crise se perfilou ao lado do imperialismo.<\/p>\n<p>O mais ir\u00f4nico desse processo \u00e9 que organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que antes criticavam o PCB como reformista, exatamente por sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia nacional, agora s\u00e3o os principais entusiastas dessa tese, evidentemente sem o charme e a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do velho Partid\u00e3o. Amoldando-se \u00e0 ordem capitalista, esses setores chegaram ao governo e praticaram ao longo de 13 anos a pol\u00edtica de alian\u00e7a com a burguesia. Foram descartados pela pr\u00f3pria burguesia e amargaram uma derrota humilhante, mas parece que n\u00e3o compreenderam as li\u00e7\u00f5es da vida. Como num baile de m\u00e1scara, procuram esquecer a realidade recente e retomar as velhas teses como se estivessem exercitando uma fantasia masoquista.<\/p>\n<p><strong>Um pouco de hist\u00f3ria n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p>\u200bVale lembrar que, ao longo do per\u00edodo colonial, o Brasil foi uma col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o, com o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio pelos colonizadores, a proibi\u00e7\u00e3o de construir ind\u00fastria e a maioria absoluta da popula\u00e7\u00e3o analfabeta, o que representou mais de tr\u00eas s\u00e9culos de riquezas saqueadas, atraso econ\u00f4mico e obscurantismo cultural. S\u00f3 para lembrar: em 1540 o Peru j\u00e1 tinha universidade, enquanto no Brasil a primeira universidade s\u00f3 foi formada na d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo XX.\u00a0 Os mais de 300 anos de escravid\u00e3o deixaram marcas ideol\u00f3gicas profundas nas classes dominantes, cujos reflexos at\u00e9 hoje se manifestam no autoritarismo, na trucul\u00eancia e no desprezo dessas classes aos trabalhadores. Outra caracter\u00edstica \u00e9 que no Brasil o Estado tem a tradi\u00e7\u00e3o de funcionar plenamente como um Comit\u00ea Central das classes dominantes e sempre procurou subjugar a popula\u00e7\u00e3o mediante a coopta\u00e7\u00e3o, quando esse m\u00e9todo era poss\u00edvel, ou pela repress\u00e3o, quando a coopta\u00e7\u00e3o n\u00e3o era fact\u00edvel, tudo isso no sentido de afastar as grandes massas das decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Essas caracter\u00edsticas se aliam ao fato de que, como assinal\u00e1vamos em outro trabalho, a economia, desde os seus prim\u00f3rdios j\u00e1 nasceu integrada e subordinada aos circuitos do capital mercantilista internacional (Caio Prado, 2000). Formou-se uma classe dominante agr\u00e1rio-exportadora, conservadora, predat\u00f3ria, antindustrialista, dependente do Estado e subordinada aos centros do \u00a0capitalismo internacional, marcas que continuaram ap\u00f3s a independ\u00eancia e a Rep\u00fablica. A escravid\u00e3o e suas sequelas sociais retardaram a forma\u00e7\u00e3o de um mercado de m\u00e3o-de-obra assalariada nacional. O preconceito contra os trabalhadores brasileiros era t\u00e3o forte que as classes dominantes decidiram por uma pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o de europeus, brancos, para trabalhar nas lavouras de caf\u00e9 e, depois, nas pequenas ind\u00fastrias que se formaram nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.<br \/>\nO processo de industrializa\u00e7\u00e3o brasileiro foi muito tardio: 300 anos depois da revolu\u00e7\u00e3o burguesa na Inglaterra e cerca de 200 depois da revolu\u00e7\u00e3o industrial. A revolu\u00e7\u00e3o de 1930 abriu espa\u00e7o para a industrializa\u00e7\u00e3o e deslocou os setores agr\u00e1rio-exportadores para um segundo plano na economia, mas perdeu-se na concilia\u00e7\u00e3o com a velha ordem e n\u00e3o realizou sequer a reforma agr\u00e1ria. O processo de industrializa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se completou com o Plano de Metas, na segunda metade dos anos 50. Mas a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira completou-se quando a segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial estava madura (metalurgia, qu\u00edmica, pl\u00e1sticos, etc), os monop\u00f3lios dominavam a economia mundial, e iniciavam-se os primeiros passos da internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, per\u00edodo em que as empresas transnacionais passaram a produzir e extrair o valor foram de suas fronteiras nacionais. Al\u00e9m disso, essa industrializa\u00e7\u00e3o foi realizada mediante a jun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas blocos de capitais: o capital privado nacional, o capital do Estado e o capital internacional, sendo que este \u00faltimo passou a controlar os setores mais din\u00e2micos da economia.<\/p>\n<p>Outra singularidade socioecon\u00f4mica brasileira \u00e9 o fato de que a burguesia nacional nunca protagonizou uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa cl\u00e1ssica, como a inglesa e a francesa. Cresceu e se desenvolveu a partir de la\u00e7os org\u00e2nicos com o capitalismo internacional, sempre de maneira subordinada, o que a inviabilizou de lutar por um projeto nacional como as burguesias dos pa\u00edses centrais. Por exemplo: grande parte da burguesia industrial foi formada a partir da cadeia de produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica e da din\u00e2mica desse setor no conjunto da economia. Mesmo levando-se em conta que o Estado brasileiro foi o comandante-em-chefe do processo de industrializa\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura e das grandes empresas p\u00fablicas produtoras de insumos, essas empresas e a infraestrutura estatal funcionaram muito mais no sentido de dar suporte ao processo de acumula\u00e7\u00e3o do capital privado nacional e internacional do que efetivamente de um projeto nacional.<\/p>\n<p><strong>O fim das ilus\u00f5es com a burguesia nacional<\/strong><\/p>\n<p>Essa complexa forma\u00e7\u00e3o e o grande papel do Estado na economia levaram muitos a pensar \u2013 inclusive o PCB durante v\u00e1rias d\u00e9cadas \u2013, como j\u00e1 enfatizamos, que a burguesia brasileira tinha um papel a cumprir numa luta antimperialista e num processo de transforma\u00e7\u00f5es sociais e distribui\u00e7\u00e3o de renda para a constru\u00e7\u00e3o de um mercado de massas. Mas essas ilus\u00f5es sobre um papel progressista da burguesia nacional foram sufocadas pelo golpe militar de 1964, quando esta burguesia se perfilou inteiramente com os golpistas e foi a construtora de um modelo econ\u00f4mico predat\u00f3rio, com repress\u00e3o brutal aos trabalhadores, arrocho salarial e concentra\u00e7\u00e3o de renda, processo que forjou uma economia de baixos sal\u00e1rios, mantido e aprofundado nos governos p\u00f3s-ditadura. Imaginava-se que as li\u00e7\u00f5es do golpe militar seriam compreendidas pela esquerda (afinal tratou-se da maior derrota dos setores populares na nossa hist\u00f3ria moderna) e que as ilus\u00f5es com a burguesia nacional seriam sepultadas de uma vez por todas.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o, com a internacional da produ\u00e7\u00e3o e financeira, consolidou ainda mais o papel da grande burguesia dos pa\u00edses centrais sobre as na\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, que passaram a interferir diretamente na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas nacionais em fun\u00e7\u00e3o de seu peso econ\u00f4mico. Representou tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio dos monop\u00f3lios internacionais sobre as burguesias dom\u00e9sticas. Nessa nova conjuntura aumentou a subordina\u00e7\u00e3o dos capitais nacionais ao capital estrangeiro, que agora s\u00f3 podem se desenvolver se estiverem ligados aos circuitos do mercado de produtos e ao mercado financeiro internacional, todos controlados com m\u00e3o de ferro pelas grandes empresas transnacionais. Nessas novas condi\u00e7\u00f5es, o capital dom\u00e9stico ampliou sua associa\u00e7\u00e3o com o capital internacional para se aproveitar das sinergias do s\u00f3cio maior e aumentar seus lucros.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as que ocorreram no capitalismo mundial, no final dos anos 70, in\u00edcio dos anos 80, a partir da emerg\u00eancia dos governos Tatcher e Reagan, impactaram de maneira profunda o processo de acumula\u00e7\u00e3o mundial, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais, com o advento do monetarismo, e a amplia\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio do capital internacional, especialmente o setor financeiro. A partir dos anos 90, o neoliberalismo se tornou a ideologia hegem\u00f4nica no mundo capitalista, reestruturando e reorganizando a economia mundial sob o dom\u00ednio do polo financeiro do grande capital. A partir das sinaliza\u00e7\u00f5es da economia norte-americana, todas as economias foram abrindo seus mercados, desregulamentando as finan\u00e7as, desmantelando as regulamenta\u00e7\u00f5es trabalhistas, reduzindo sal\u00e1rios, privatizando as empresas p\u00fablicas, o que aumentou ainda mais o dom\u00ednio do capital internacional nos pa\u00edses da periferia.<\/p>\n<p>Apesar de implementada em praticamente todos os pa\u00edses capitalistas, nos anos 80 n\u00e3o existiam as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para a implanta\u00e7\u00e3o do neoliberalismo no Brasil. Nos primeiros cinco anos da d\u00e9cada, a ditadura estava nos seus estertores e n\u00e3o tinha for\u00e7a para realizar a pol\u00edtica neoliberal. Na segunda metade dos anos 80, o movimento de massas ainda em ascen\u00e7\u00e3o e em luta pela Assembleia Constituinte tinha for\u00e7a suficiente para inviabilizar a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais. Portanto, apesar de a d\u00e9cada de 80 ser considerada como os anos perdidos, a luta de classes n\u00e3o permitiu que o neoliberalismo fosse implantado no Pa\u00eds. Somente com a derrota de Lula e a elei\u00e7\u00e3o de Fernando Collor em 1989 foi poss\u00edvel \u00e0 burguesia iniciar a implanta\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington, s\u00edntese da pol\u00edtica neoliberal. Mas Collor ficou apenas dois anos no governo e foi deposto em fun\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o em seu governo e do grande movimento de massas pelo seu impeachment. Somente com a implanta\u00e7\u00e3o do Plano Real, a elei\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique e a unifica\u00e7\u00e3o da burguesia em torno de seu governo foi poss\u00edvel a implanta\u00e7\u00e3o plena do projeto neoliberal.<\/p>\n<p>O governo FHC, aproveitando-se da popularidade do Plano Real, desenvolveu uma radical e fulminante pol\u00edtica neoliberal no Pa\u00eds. Reformou a Constitui\u00e7\u00e3o para favorecer o capital estrangeiro e permitir a desregulamenta\u00e7\u00e3o da economia, liberalizou o fluxo internacional de capitais, atacou os direitos dos trabalhadores, combateu ferrenhamente as greves e realizou um radical programa de privatiza\u00e7\u00f5es que praticamente transferiu para o setor privado a grande maioria dos setores da economia at\u00e9 ent\u00e3o p\u00fablicos. Foram privatizados todos os bancos estaduais, todo o setor de siderurgia, telecomunica\u00e7\u00f5es, petroqu\u00edmico, setor el\u00e9trico, infraestrutura, entre outros, restando apenas a Petrobras, que o governo n\u00e3o teve for\u00e7a para privatizar, apesar das tentativas, o Banco do Brasil e a Caixa Econ\u00f4mica Federal. Mesmo assim os dois \u00faltimos salvaram-se bastante fragilizados, uma vez que, atrav\u00e9s da venda de suas a\u00e7\u00f5es, o setor privado passou a ter grande influ\u00eancia na governan\u00e7a dessas empresas.<br \/>\nNo bojo da ofensiva neoliberal e abertura da economia, uma parcela expressiva das empresas de capital dom\u00e9stico foi adquirida pelo capital estrangeiro ou a ele se associou. Muitos de seus antigos donos foram viver de rendas proporcionadas pela ciranda financeira e pelos juros obscenos que at\u00e9 hoje s\u00e3o praticados na economia brasileira. A abertura da economia quebrou praticamente todo o setor de autope\u00e7as, parte do setor eletro-eletr\u00f4nico, brinquedos, cal\u00e7ados, entre outros, e as fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es completaram o processo. A pol\u00edtica neoliberal significou o dobre de finados para as ilus\u00f5es dos ing\u00eanuos defensores da burguesia nacional. Se a chamada burguesia nacional j\u00e1 vinha sendo reduzida com o movimento do capital internacional, com a globaliza\u00e7\u00e3o, o neoliberalismo e as privatiza\u00e7\u00f5es do governo FHC, seu papel econ\u00f4mico se tornou ainda mais fr\u00e1gil e sua subordina\u00e7\u00e3o ao capital estrangeiro muito maior.<br \/>\n\u201cPara se ter uma ideia, o processo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, a maior parte comandada pelo capital internacional, foi intenso. Entre 1994 e 2006 ocorreram 415 fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es nos setores de alimentos, bebidas e fumo; 308 no setor de tecnologia das informa\u00e7\u00f5es; 282 no setor de telecomunica\u00e7\u00f5es; 217 no setor de energia el\u00e9trica; 208 no setor de metalurgia; 167 na \u00e1rea petroqu\u00edmica; 158 no setor petrol\u00edfero; 108 no setor de pe\u00e7as automotivas e 100 no setor eletr\u00f4nico. Se observarmos o Investimento Direto Externo (IDE), entre 1994, inicio do governo FHC, e 2000, o IDE cresceu da seguinte forma: em 1994 era de U$ 2,4 bilh\u00f5es; passou para U$ 10,7 bilh\u00f5es em 1996; U$ 18,9 bilh\u00f5es em 1997; U$ 28,8 bilh\u00f5es em 1998; e 32,7 bilh\u00f5es em 2000. Ressalte-se que o IDE, com a emerg\u00eancia do neoliberalismo, ganhou novos contornos, uma vez que a\u00a0 maior parte desses investimentos vieram para alavancar as fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es no Brasil (Costa e Manzano, 2007)\u201d.<\/p>\n<p><strong>O governo Lula e as \u201ccampe\u00e3s nacionais\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Como os romeiros em prociss\u00e3o, os \u00f3rf\u00e3os da burguesia nacional sempre esperam um milagre para atenuar suas agruras e afli\u00e7\u00f5es. O governo Lula, especialmente no segundo mandato, significou para esses setores uma esp\u00e9cie de emerg\u00eancia da terra prometida. Com abundantes recursos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDEs), desenvolveu-se uma intensa pol\u00edtica de fortalecimento das empresas nacionais, visando construir as chamadas <em>campe\u00e3s nacionais, <\/em>cujo objetivo era articular um processo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es desses grupos nacionais, tornando-os grandes <em>players globais<\/em>, com economias de escala e sinergias que lhes proporcionassem m\u00fasculos suficientes para realizar competitividade internacional, especialmente em nichos de mercado da periferia capitalista. Mediante uma pol\u00edtica de est\u00edmulo e revigoramento de setores industriais, a Petrobr\u00e1s entrou em campo para apoiar setores industriais, mediante pol\u00edtica de compras junto a empresas nacionais, bem como programas governamentais de habita\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios via Itamaraty fortaleceram as grandes empresas do setor da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Muitos desses grupos do setor privado, que se conglomeraram a partir de financiamentos praticamente a custo zero do BNDES, adquiriram expressiva atua\u00e7\u00e3o internacional. As empresas de constru\u00e7\u00e3o civil ampliaram sua atua\u00e7\u00e3o no mercado externo, que j\u00e1 existia antes desses est\u00edmulos; o setor de carnes transformou o Brasil num dos l\u00edderes da exporta\u00e7\u00e3o mundial. Empresas de outros setores tamb\u00e9m se multinacionalizaram. O agroneg\u00f3cio, tamb\u00e9m com vastos cr\u00e9ditos subsidiados e desrespeito ao meio ambiente, aos direitos dos trabalhadores e trabalho escravo, expuls\u00e3o de ribeirinhos e quilombolas de suas terras origin\u00e1rias, parecia a reden\u00e7\u00e3o nacional com os recordes de exporta\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em>. Seu marketing agressivo veiculava diariamente as vantagens do agroneg\u00f3cio: \u201c<em>Agro \u00e9 tech, agro \u00e9 pop, agro \u00e9 tudo<\/em>\u201d, praticamente buscando reviver o velho sonho das elites agr\u00e1rio-exportadoras, que nunca se conformaram com a industrializa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas a grande ironia do destino e certo constrangimento para os \u00f3rf\u00e3os da burguesia nacional foi a crise pol\u00edtica que veio embara\u00e7ar as ilus\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia nacional. Com a crise econ\u00f4mica mundial e suas repercuss\u00f5es no Brasil, essa mesma burguesia, t\u00e3o mimada com cr\u00e9ditos subsidiados do BNDEs e que tanto \u00a0lucro obteve no governo Lula, resolveu apear o PT do poder e descart\u00e1-lo como um baga\u00e7o de laranja quando este j\u00e1 n\u00e3o servia mais plenamente aos seus interesses. Primeiro, n\u00e3o estava mais conseguindo administrar bem o capitalismo e levou o pa\u00eds \u00e0 recess\u00e3o e ao desemprego. Segundo, tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o conseguia conter as massas, afinal as jornadas de junho de 2013, que envolveram milh\u00f5es de pessoas em cerca de 600 cidades do Brasil, foram realizadas por fora da influ\u00eancia do PT e da CUT e seus instrumentos de coopta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, como a burguesia necessitava de um ajuste r\u00e1pido e profundo, e o PT s\u00f3 poderia faz\u00ea-lo de maneira lenta e gradual em fun\u00e7\u00e3o de sua base pol\u00edtica, esse partido j\u00e1 n\u00e3o servia mais diante da gravidade da crise. Por isso, a burguesia o substituiu por um governo puro sangue. Suprema ingratid\u00e3o, imaginam os \u00f3rf\u00e3os constrangidos.<br \/>\nMas a luta de classes \u00e9 assim mesmo: quem dorme com o inimigo pode acordar morto, ou quase. Os 13 anos de pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes e de alian\u00e7as com a burguesia parece que n\u00e3o foram suficientes para convencer os \u00f3rf\u00e3os de que esse tipo de alian\u00e7a, em fun\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de desenvolvimento do capitalismo, dos interesses de classe da burguesia brasileira e de seus v\u00ednculos com o capital internacional, s\u00f3 levar\u00e3o a derrotas sucessivas. Eles imaginavam que a chamada estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular, agora derrotada, era o instrumento que possibilitaria as mudan\u00e7as no Pa\u00eds. Esperavam ingenuamente que as alian\u00e7as com a burguesia iriam fortalec\u00ea-los e lhes possibilitaria acumular for\u00e7as a um ponto tal que poderiam mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e realizar as transforma\u00e7\u00f5es. Esqueceram que todos os setores progressistas que se aliaram com a burguesia no Brasil foram absorvidos, humilhados e derrotados pela pr\u00f3pria burguesia.<\/p>\n<p><strong>O que est\u00e1 efetivamente acontecendo?<\/strong><\/p>\n<p>Esse processo desencadeado pela Justi\u00e7a, com as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es, dela\u00e7\u00f5es premiadas, divulga\u00e7\u00e3o seletiva e mesmo favorecimento a figuras expressivas da pol\u00edtica nacional, veio demonstrar de forma did\u00e1tica para a popula\u00e7\u00e3o a podrid\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es brasileiras, as artimanhas do setor privado para ganhar contratos, influenciar nas pol\u00edticas governamentais e aumentar seus lucros. Bem revelou ainda a promiscuidade entre as grandes empresas privadas e as representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no Parlamento e no Executivo. Evidentemente que no curso dessas opera\u00e7\u00f5es se cometeram abusos e desrespeito \u00e0s normas constru\u00eddas pela pr\u00f3pria burguesia. Mas agora est\u00e1 claro para todos que praticamente ningu\u00e9m se elege no Brasil se n\u00e3o fizer parte dos esquemas de suborno e caixa dois das grandes empresas. Est\u00e1 claro por que as campanhas eleitorais do Executivo custam cerca 300 milh\u00f5es de reais (U$ 100 milh\u00f5es), e um deputado federal n\u00e3o consegue se eleger se n\u00e3o gastar entre 5 e 10 milh\u00f5es de reais. Est\u00e1 ainda mais cristalino que o poder econ\u00f4mico \u00e9 quem efetivamente elege deputados, senadores e presidentes. Estes n\u00e3o s\u00e3o representantes do povo, mas lobistas da burguesia para defender seus interesses.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que os esquemas de corrup\u00e7\u00e3o montados na Petrobras, por exemplo, causaram danos \u00e0 imagem nacional e internacional da empresa. Ap\u00f3s os julgamentos e pris\u00f5es, a estatal dever\u00e1 seguir seu rumo e recuperar sua imagem. Mas esta n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o principal: o problema n\u00e3o \u00e9 a empresa ser estatal, mas sua dire\u00e7\u00e3o ter sido capturada pelos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o das quadrilhas que comp\u00f5em as institui\u00e7\u00f5es brasileiras. Todos os executivos pegos com a boca na botija foram nomeados por partidos pol\u00edticos, ou da base aliada do governo e at\u00e9 mesmo da oposi\u00e7\u00e3o, exatamente para executar os esquemas de corrup\u00e7\u00e3o. Que os velhos partidos sejam useiros e vezeiros nessas pr\u00e1ticas pol\u00edticas j\u00e1 era de se esperar. Mas o PT, que nasceu das lutas oper\u00e1rias, que era cr\u00edtico feroz das bandalheiras institucionais (Lula quando era deputado chegou a dizer que l\u00e1 no Congresso existiam 300 picaretas), se enlamear nesses esquemas de corrup\u00e7\u00e3o e transform\u00e1-los em parte constitutiva de sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 uma trai\u00e7\u00e3o aos milh\u00f5es de oper\u00e1rios e trabalhadores que se levantaram no final dos anos 70 e in\u00edcio dos anos 80 contra os patr\u00f5es e a ditadura.<\/p>\n<p>\u00c9 claro tamb\u00e9m que as den\u00fancias dos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o e o envolvimento at\u00e9 o tutano das principais construtoras do Pa\u00eds nessa promiscuidade, tanto no Brasil quanto no exterior, provocam certos danos aos neg\u00f3cios dessas corpora\u00e7\u00f5es. Mas esses danos n\u00e3o eliminam a experi\u00eancia, a tecnologia acumulada e a expertise dessas corpora\u00e7\u00f5es. Resolvidos os problemas judiciais, elas voltar\u00e3o ao mercado, retomar\u00e3o seus neg\u00f3cios. A pris\u00e3o de um ou outro diretor n\u00e3o as deixam menos capazes de construir grandes obras, participar e ganhar concorr\u00eancias nacionais e internacionais como faziam antes das den\u00fancias. Portanto, as den\u00fancias foram positivas,\u00a0 pois obrigar\u00e3o essas empresas a melhorar suas pr\u00e1ticas de governan\u00e7a, muito embora n\u00e3o se possa ser ing\u00eanuo e imaginar que a corrup\u00e7\u00e3o ir\u00e1 se acabar com essas den\u00fancias. A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria da g\u00eanese da concorr\u00eancia e, portanto, do capitalismo.<\/p>\n<p>J\u00e1 o esc\u00e2ndalo das grandes corpora\u00e7\u00f5es produtoras e processadoras de carnes tem uma conota\u00e7\u00e3o mais grave. A quest\u00e3o principal \u00e9 que todos n\u00f3s ficamos sabendo estarrecidos das pr\u00e1ticas inescrupulosas das empresas denunciadas, do desprezo com que os diretores dessas empresas lidam com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e da gan\u00e2ncia do capital que, para aumentar seus lucros, vende carne podre para a popula\u00e7\u00e3o, maquia carne vencida e corrompe funcion\u00e1rios p\u00fablicos para encobrir seus crimes. Vender produtos desse tipo \u00e9 o mesmo que vender rem\u00e9dio adulterado. Esses meliantes, do fiscal corrupto ao diretor, devem ser punidos exemplarmente. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem da empresa e o impacto nos seus neg\u00f3cios \u00e9 evidente que num primeiro momento ter\u00e1 algum impacto negativo, mas, com transpar\u00eancia e fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa, nacional e internacional e novas pr\u00e1ticas de controle, essas empresas retomar\u00e3o seus neg\u00f3cios internos e externos.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o se pode \u00e9 cair na armadilha de transformar essas empresas num patrim\u00f4nio nacional, que deva ser defendido diante de um imagin\u00e1rio inimigo externo que est\u00e1 conspirando para tomar seus mercados, esquecendo-se das pr\u00e1ticas criminosas que vinham realizando contra a economia nacional e a popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode tamb\u00e9m esquecer que essas empresas pertencem ao grande capital e seus propriet\u00e1rios t\u00eam como objetivo a maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros. As empresas do setor de carnes s\u00e3o respons\u00e1veis pela superexplora\u00e7\u00e3o, intoxica\u00e7\u00e3o e mutila\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, persegui\u00e7\u00e3o de sindicalistas e demiss\u00e3o daqueles que lutam por seus direitos. S\u00e3o ainda campe\u00e3s de acidentes de trabalho, realizam jornadas extenuantes e pagam baixos sal\u00e1rios. At\u00e9 mesmo na Petrobras uma parcela expressiva da m\u00e3o de obra \u00e9 terceirizada, recebem baixos sal\u00e1rios e n\u00e3o tem os mesmos direitos que os ligados diretamente \u00e0 empresa.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma l\u00e1grima para a burguesia nacional<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, torna-se incompreens\u00edvel a choradeira dos \u00f3rf\u00e3os da burguesia nacional diante dos acontecimentos recentes com essas corpora\u00e7\u00f5es. Parece que esse pessoal est\u00e1 com a s\u00edndrome de Estocolmo ou age como aquele apaixonado alucinado que sofre e mais quer sofrer. Que os integrantes dos governos petistas que realizaram as mais esp\u00farias alian\u00e7as de classes continuem querendo se iludir, at\u00e9 se compreende. Mas ver os companheiros que se mantiveram na resist\u00eancia virem \u00e0 cena defender essas empresas e atribuir \u00e0 opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal uma conspira\u00e7\u00e3o para destruir esse setor da economia nacional \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 uma insensatez como s\u00e9rio ind\u00edcio de que perderam a perspectiva de classe.<\/p>\n<p>A burguesia nacional brasileira n\u00e3o merece nenhuma l\u00e1grima e nenhuma solidariedade. Esse setor que hoje est\u00e1 na berlinda \u00e9 o principal financiador da bancada ruralista, a mesma que defende as pautas mais conservadoras, os latifundi\u00e1rios, pratica o trabalho escravo, toma as terras dos camponeses e polui o meio ambiente. O que as investiga\u00e7\u00f5es desnudaram foram as pr\u00e1ticas criminosas desses monop\u00f3lios contra a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o para a amplia\u00e7\u00e3o de seus lucros. Para realizar essas falcatruas, corrompem agentes p\u00fablicos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, trocam fiscais quando estes n\u00e3o se dobravam \u00e0s pr\u00e1ticas inescrupulosas e montam lobbys no Parlamento para defender seus interesses. Se esses senhores n\u00e3o levam em conta sequer a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, como imagin\u00e1-los defensores dos interesses nacionais? Santa ingenuidade!<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode tamb\u00e9m confundir a soberania nacional com os interesses dos empres\u00e1rios gananciosos, nem esquecer que os trabalhadores desses frigor\u00edficos, al\u00e9m de trabalhar em prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, recebem um sal\u00e1rio de mis\u00e9ria. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode cair no conto de que a opera\u00e7\u00e3o desenvolvida pela Pol\u00edcia Federal destr\u00f3i esse setor da economia. Ressalte-se que 80% da produ\u00e7\u00e3o total desses monop\u00f3lios s\u00e3o vendidos no mercado interno e s\u00f3 20% s\u00e3o destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. Portanto, quem est\u00e1 sendo mais prejudicado com as pr\u00e1ticas sujas desses monop\u00f3lios \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o brasileira, que consome um produto de p\u00e9ssima qualidade imaginando que aquilo que come est\u00e1 de acordo com as boas pr\u00e1ticas sanit\u00e1rias. Pode ser que existam ainda mais falcatruas e que o que foi descoberto seja apenas a ponta do iceberg das sujeiras desse setor.<\/p>\n<p>Mas esse n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o centro da quest\u00e3o: o problema mais relevante \u00e9 o fato de que, por tr\u00e1s dessa choradeira em defesa da burguesia nacional, est\u00e1 um projeto pol\u00edtico que j\u00e1 fracassou historicamente e agora quer voltar \u00e0 cena com as mesmas alian\u00e7as que a vida demonstrou ser um projeto sem futuro. A pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes e alian\u00e7as com a burguesia \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela trag\u00e9dia social e pol\u00edtica que estamos atravessando. Foram suas trai\u00e7\u00f5es, erros e vacila\u00e7\u00f5es que possibilitaram e emerg\u00eancia desse governo que est\u00e1 a\u00ed. Nos tempos de governo petista desarmou-se os trabalhadores para a luta, cooptou-se o movimento social, despolitizou-se a juventude. O resultado dessa trajet\u00f3ria \u00e9 o governo usurpador de Michel Temer.<\/p>\n<p>Querer reviver uma pol\u00edtica que a vida j\u00e1 demonstrou fracassada \u00e9 impor aos trabalhadores um novo per\u00edodo de derrotas. A burguesia brasileira, s\u00f3cia e aliada do imperialismo, e o grande capital internacional s\u00e3o os principais inimigos do povo brasileiro e, especialmente, dos trabalhadores e da juventude. Portanto, \u00e9 uma fantasia masoquista, uma quimera que s\u00f3 existe na imagina\u00e7\u00e3o dos saudosistas dos anos 50 do s\u00e9culo passado, imaginar que essa classe possa desempenhar qualquer papel progressista na conjuntura brasileira. Essa burguesia est\u00e1 umbilicalmente associada ao capital internacional, subordinada aos seus interesses, e tem no proletariado brasileiro seu principal inimigo porque sabe que um levante social, nas condi\u00e7\u00f5es de um capitalismo em desenvolvimento como no Brasil, o passo seguinte ser\u00e1 a transi\u00e7\u00e3o para uma sociedade socialista, com a expropria\u00e7\u00e3o de todos os seus bens.<\/p>\n<p>Basta de ingenuidade, mistifica\u00e7\u00e3o e esperteza. A hora \u00e9 juntar for\u00e7as tendo como n\u00facleo central o campo prolet\u00e1rio, de forma a que possamos reverter o dom\u00ednio burgu\u00eas e construir o Poder Popular.<\/p>\n<p><strong>*Edmilson Costa \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Edmilson Costa* As recentes den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e promiscuidade entre o setor p\u00fablico e privado nas \u00e1reas de constru\u00e7\u00e3o civil e petr\u00f3leo e \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13944\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-13944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3CU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}