{"id":13961,"date":"2017-03-31T13:19:46","date_gmt":"2017-03-31T16:19:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13961"},"modified":"2017-04-20T14:57:41","modified_gmt":"2017-04-20T17:57:41","slug":"bancos-privados-e-que-criam-97-por-cento-de-todo-o-dinheiro-nao-os-governos-ou-os-bancos-centrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13961","title":{"rendered":"Bancos privados \u00e9 que criam 97 por cento de todo o dinheiro \u2013 n\u00e3o os governos ou os bancos centrais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/ZhujHc7tAPMpXp3NW1QU1lkd9d6JpmwcKxt9dnvtiqixOGvwnr6adNGC3EjaX0Ssoz1o0BjJtVJSx463KtL0nPkfppNuwqTpF90V5umk=s0-d-e1-ft#http:\/\/resistir.info\/financas\/imagens\/printing_money.jpg\" alt=\"imagem\" \/>por George Washington<\/p>\n<p>Quem cria a moeda?<\/p>\n<p>A maior parte das pessoas sup\u00f5e que a moeda \u00e9 criada por governos&#8230; ou talvez pelos bancos centrais.<!--more--><\/p>\n<p>Na realidade \u2013 como foi observado pelo Banco da Inglaterra, o banco central brit\u00e2nico \u2013 <a href=\"http:\/\/www.bankofengland.co.uk\/publications\/Documents\/quarterlybulletin\/2014\/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf\" target=\"_blank\">97%<\/a> de toda a moeda em circula\u00e7\u00e3o \u00e9 criada pelos bancos privados.<\/p>\n<p>Empr\u00e9stimos banc\u00e1rios = Cria\u00e7\u00e3o de moeda a partir do ar<\/p>\n<p>Mas como \u00e9 que os bancos privados criam moeda?<\/p>\n<p>Fomos ensinados que os bancos primeiro captam dep\u00f3sitos e a seguir eles emprestam esses dep\u00f3sitos \u00e0s pessoas que querem contrair empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Mas isto \u00e9 um mito&#8230; O <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2014\/03\/bank-england-admits-loans-come-first-deposits-follow.html\" target=\"_blank\">Banco da Inglaterra<\/a> e o <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2010\/03\/german-central-bank-admits-that-credit-is-created-out-of-thin-air.html\" target=\"_blank\">banco central alem\u00e3o<\/a> j\u00e1 explicaram que os empr\u00e9stimos s\u00e3o concedidos antes de os dep\u00f3sitos existirem&#8230; e que os empr\u00e9stimos criam dep\u00f3sitos.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o acima \u00e9 de um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CvRAqR2pAgw\" target=\"_blank\">v\u00eddeo oficial<\/a> divulgado pelo Banco da Inglaterra. O Banco da Inglaterra <a href=\"http:\/\/www.bankofengland.co.uk\/publications\/Documents\/quarterlybulletin\/2014\/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf\" target=\"_blank\">explica<\/a> em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=15&amp;v=CvRAqR2pAgw\" target=\"_blank\">https:\/\/<wbr \/>www.youtube.com\/watch?time_<wbr \/>continue=15&amp;v=CvRAqR2pAgw<\/a><\/p>\n<p>Todas as vezes que um banco faz um empr\u00e9stimo, ele simultaneamente cria um dep\u00f3sito em contrapartida na conta banc\u00e1ria do tomador, criando dessa forma nova moeda. A realidade de como a moeda \u00e9 criada hoje diverge da descri\u00e7\u00e3o encontrada em alguns manuais de economia:<\/p>\n<blockquote><p>Ao inv\u00e9s de os bancos receberem dep\u00f3sitos das poupan\u00e7as das fam\u00edlias e a seguir emprestarem tais poupan\u00e7as, os bancos criam dep\u00f3sitos atrav\u00e9s da concess\u00e3o de empr\u00e9stimos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Um conceito errado habitual \u00e9 que os bancos atuam simplesmente como intermedi\u00e1rios, emprestando os dep\u00f3sitos que os aforradores neles colocam. Nesta vis\u00e3o os dep\u00f3sitos s\u00e3o tipicamente &#8220;criados&#8221; pelas decis\u00f5es de poupan\u00e7a das fam\u00edlias e os bancos a seguir &#8220;emprestam&#8221; aqueles dep\u00f3sitos existentes a tomadores de empr\u00e9stimos, como por exemplo empresas que procuram financiar investimentos ou indiv\u00edduos que querem comprar casas.<\/p>\n<p>Na realidade, na economia moderna, os bancos comerciais s\u00e3o os criadores da moeda depositada&#8230; Ao inv\u00e9s de os bancos emprestarem a partir dos dep\u00f3sitos neles efetuados, o acto de emprestar cria dep\u00f3sitos <b>\u2013 o inverso da sequ\u00eancia descrita tipicamente nos manuais. <\/b><\/p>\n<p>Bancos comerciais criam moeda, na forma de dep\u00f3sitos banc\u00e1rios, ao fazerem novos empr\u00e9stimos. Quando um banco faz um empr\u00e9stimo, como para algu\u00e9m que contrai uma hipoteca para comprar uma casa, ele tipicamente n\u00e3o faz isso dando-lhe um valor de milhares de libras de papel-moeda. Ele, ao inv\u00e9s, credita a sua conta banc\u00e1ria com um dep\u00f3sito da dimens\u00e3o da hipoteca. Nesse momento \u00e9 criada nova moeda.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, alguns economistas t\u00eam-se referido aos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios como &#8220;moeda de caneta&#8221;, criada com um rabisco de banqueiros quando aprovam empr\u00e9stimos. Esta descri\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e moeda contrasta com a no\u00e7\u00e3o de que bancos s\u00f3 podem emprestar a partir de moeda pr\u00e9-existente, esbo\u00e7ada acima. Dep\u00f3sitos banc\u00e1rios s\u00e3o simplesmente um registo de quanto o pr\u00f3prio banco deve aos seus clientes. De modo que eles s\u00e3o um passivo do banco, n\u00e3o um activo que poderia ser emprestado.<\/p>\n<p>Analogamente, o Federal Reserve Bank of Chicago na d\u00e9cada de 1960 publicou um folheto chamado &#8220;Modern Money Mechanics&#8221; em que<a href=\"https:\/\/books.google.com\/books?id=iUhgAwAAQBAJ&amp;pg=PA6&amp;lpg=PA6&amp;dq=%22do+not+really+pay+out+loans+from+the+money+they+receive+as+deposits.+If+they+did+this,+no+additional+money+would+be+created.+What+they+do+when+they+make+loans+is+to+accept+promissory+notes+in+exchange+for+credits+to+the+borrowers%E2%80%99+transaction+accounts.%22&amp;source=bl&amp;ots=viH7PWG-7B&amp;sig=yW06hEn9rkdnLKBSN_P6BvpTlQI&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwimn4vNrszSAhVlqFQKHcR-BpIQ6AEIPDAG#v=onepage&amp;q=%22do%20not%20really%20pay%20out%20loans%20from%20the%20money%20they%20receive%20as%20deposits.%20If%20they%20did%20this%2C%20no%20additional%20money%20would%20be%20created.%20What%20they%20do%20when%20they%20make%20loans%20is%20to%20accept%20\" target=\"_blank\"> declara<\/a> :<\/p>\n<p>[Bancos] realmente n\u00e3o distribuem empr\u00e9stimos a partir da moeda que recebem como dep\u00f3sitos. Se assim fizessem, nenhuma moeda adicional seria criada. O que eles fazem ao efetuar empr\u00e9stimos \u00e9 aceitar notas promiss\u00f3rias em troca de cr\u00e9ditos nas contas \u00e0 ordem do tomador.<\/p>\n<p>O perito monet\u00e1rio e professor de teoria econ\u00f4mica Randall Wray explicou ao Washington&#8217;s Blog que:<\/p>\n<p><b>Dep\u00f3sitos banc\u00e1rios s\u00e3o promiss\u00f3rias do banco <\/b><\/p>\n<p>Ao professor de teoria econ\u00f4mica Richard Werner \u2013 que obteve o seu PhD em <em>economics<\/em> por Oxford, foi o primeiro investigador Shimomura no Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o para a Forma\u00e7\u00e3o de Capital no Banco de Desenvolvimento do Jap\u00e3o, investigador visitante do Instituto de Estudos Monet\u00e1rios e Econ\u00f4micos do Banco do Jap\u00e3o, acad\u00e9mico visitante no Instituto de Estudos Monet\u00e1rios e Or\u00e7amentais do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as e economista chefe de Jardine Fleming \u2013 foi-lhe concedido acesso para fins de estudo \u00e0 contabilidade de um banco e <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1057521914001434\" target=\"_blank\">confirmou<\/a> que os bancos privados criam moeda quando eles simplesmente criam dep\u00f3sitos fict\u00edcios na conta de um tomador de empr\u00e9stimo. Werner explica:<\/p>\n<p>O que os bancos fazem \u00e9 simplesmente reclassificar nas contas a pagar o ato da concess\u00e3o do empr\u00e9stimo como &#8220;dep\u00f3sito de cliente&#8221; e o p\u00fablico em geral, quando recebe um pagamento na forma de uma transfer\u00eancia banc\u00e1ria, acredita que uma forma de moeda foi paga ao banco.<\/p>\n<p>Nenhum saldo \u00e9 retirado para efetuar um pagamento ao tomador do empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>O banco n\u00e3o torna realmente dispon\u00edvel qualquer moeda para o tomador do empr\u00e9stimo: N\u00e3o se verifica nenhuma transfer\u00eancia de fundos de qualquer lugar para o cliente ou sequer para a conta do cliente. <i>N\u00e3o h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o igual no saldo de uma outra conta para custear (defray) o tomador do empr\u00e9stimo. <\/i>Ao inv\u00e9s disso, o banco simplesmente reclassificou os seus passivos, mudando a obriga\u00e7\u00e3o das &#8220;contas a pagar&#8221; decorrente do contrato do empr\u00e9stimo banc\u00e1rio para uma outra categoria do passivo chamada &#8220;dep\u00f3sitos de clientes&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar de o tomador do empr\u00e9stimo ter a impress\u00e3o de que o banco lhe transferiu moeda do seu capital, das reservas ou de outras contas para a conta do tomador (como na verdade afirmam erroneamente as principais teorias da banca, da intermedia\u00e7\u00e3o financeira e da reserva fraccion\u00e1ria), na realidade n\u00e3o \u00e9 o caso. Nem o banco nem o cliente depositaram qualquer moeda, nem quaisquer fundos fora do banco foram para qualquer lugar a fim de fazer o dep\u00f3sito na conta do tomador. Na verdade, n\u00e3o houve dep\u00f3sito de quaisquer fundos.<\/p>\n<p>O passivo do banco \u00e9 simplesmente redenominado como &#8220;dep\u00f3sito banc\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Os bancos criam moeda quando concedem um empr\u00e9stimo: eles inventam um dep\u00f3sito fict\u00edcio de cliente, o qual o banco central e todos os utilizadores do nosso sistema monet\u00e1rio consideram ser &#8220;moeda&#8221;, indistingu\u00edvel de dep\u00f3sitos &#8220;reais&#8221; n\u00e3o rec\u00e9m inventados pelos bancos. Portanto os bancos n\u00e3o concedem apenas cr\u00e9dito, eles <i>criam <\/i>cr\u00e9dito e, simultaneamente, eles <i>criam moeda. <\/i><\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de descarregar o seu passivo para distribuir empr\u00e9stimos, os bancos simplesmente reclassificam os seus passivos com base em contratos de empr\u00e9stimos de &#8220;contas a pagar&#8221; para a rubrica &#8220;dep\u00f3sito de clientes&#8221;&#8230;<\/p>\n<p><b>Como os bancos fazem isto? <\/b><\/p>\n<p>O professor Werner explica a raz\u00e3o porque os bancos \u2013 mas mais ningu\u00e9m \u2013 podem criar moeda a partir do ar: \u00e9 que eles s\u00e3o a <i>\u00fanica <\/i>institui\u00e7\u00e3o isenta das regras normais de contabilidade. Especificamente, qualquer outra empresa estaria em infrac\u00e7\u00e3o por contabilidade fraudulenta se conjurassem nova moeda a partir do ar pela reclassifica\u00e7\u00e3o de um passivo (isto \u00e9, contas a pagar) como um activo (isto \u00e9, um dep\u00f3sito). Mas os bancos conseguiram isso atrav\u00e9s de isen\u00e7\u00f5es de modo que n\u00e3o t\u00eam de seguir as regras normais da contabilidade:<\/p>\n<p>O que permite aos bancos criarem cr\u00e9dito e portanto moeda \u00e9 a sua isen\u00e7\u00e3o das &#8220;Normas sobre o dinheiro do cliente&#8221; <i>(Client Money Rules). <\/i>Gra\u00e7as a esta isen\u00e7\u00e3o \u00e9-lhes permitido manterem dep\u00f3sitos dos clientes no seu pr\u00f3prio balan\u00e7o. Isto significa que os depositantes que depositam sua moeda num banco j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais os possuidores legais desta moeda. Ao inv\u00e9s disso, eles s\u00e3o apenas um dos credores gerais do banco a que deve dinheiro. Isto tamb\u00e9m significa que o banco tem acesso aos registos dos dep\u00f3sitos do cliente mantidos com ele e inventa um novo &#8220;dep\u00f3sito de cliente&#8221; que n\u00e3o foi criado a partir de um dep\u00f3sito, mas ao inv\u00e9s \u00e9 fruto da reclassifica\u00e7\u00e3o em contas a pagar no passivo do banco em consequ\u00eancia de um contrato de empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>O que torna os bancos singulares e explica a combina\u00e7\u00e3o de concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e tomada de dep\u00f3sitos sob o mesmo tecto \u00e9 o fato mais fundamental de que eles n\u00e3o t\u00eam de segregar contas de clientes e, assim, s\u00e3o capazes de entrar num exerc\u00edcio de &#8220;re-etiquetagem&#8221; e mistura de diferentes passivos, especificamente pela re-designa\u00e7\u00e3o das contas a pagar dos seus passivos, verificadas quando entram em acordos de empr\u00e9stimo, para uma outra categoria do passivo chamada &#8220;dep\u00f3sitos de clientes&#8221;.<\/p>\n<p>O que distingue bancos de n\u00e3o-bancos \u00e9 a sua capacidade de criar cr\u00e9dito e moeda atrav\u00e9s da concess\u00e3o de empr\u00e9stimos, a qual \u00e9 cumprida pela escritura\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o realmente passivos de contas a pagar como dep\u00f3sitos imagin\u00e1rios de clientes. E isto por sua vez \u00e9 tornado poss\u00edvel por uma regulamenta\u00e7\u00e3o particular que transforma os bancos em entidades singulares: sua isen\u00e7\u00e3o das &#8220;Normas sobre o dinheiro do cliente&#8221;. [Werner d\u00e1 um exemplo concreto na lei brit\u00e2nica para institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias e n\u00e3o banc\u00e1rias.]<\/p>\n<p>Soa fraudulento?<\/p>\n<p>O professor Werner tamb\u00e9m pensa assim. Mas ele tamb\u00e9m destaca mais alguns pontos importantes&#8230;<\/p>\n<p><b>O que significa tudo isto? As implica\u00e7\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o de moeda pelos banca privada <\/b><\/p>\n<p>Os economistas convencionais <i>(mainstream) <\/i>acreditam que <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2011\/11\/greenspan-was-worried-that-the-u-s-would-pay-off-its-debt-causing-the-fed-to-lose-control-of-monetary-policy-so-he-suggested-tax-cuts-for-the-wealthy-to-increase-the-debt.html\" target=\"_blank\">a d\u00edvida privada nem mesmo &#8220;existe&#8221;<\/a> como uma for\u00e7a actuante sobre a economia. Exemplo: Ben Bernanke e Paul Krugman assumem que n\u00edveis enormes de d\u00edvida familiar n\u00e3o prejudicam a economia porque mais d\u00edvida entre fam\u00edlias significa apenas que poupadores lhes emprestaram moeda&#8230; isto \u00e9, que se trata de uma rede de lavagem <i>(net wash) <\/i>para a economia. Para fazerem esta suposi\u00e7\u00e3o, eles confiam no mito desmascarado acima&#8230; que os bancos s\u00f3 podem emprestar quanta moeda tiverem nos seus dep\u00f3sitos. Na realidade, 143 anos de hist\u00f3ria mostram que a <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2012\/09\/138-years-of-economic-history-show-that-keen-and-minsky-are-right-and-all-of-the-mainstream-economists-are-wrong.html\" target=\"_blank\">d\u00edvida privada excessiva \u2013 de per si \u2013 pode <i>causar depress\u00f5es.<\/i><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o professor Werne <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1057521914001434\" target=\"_blank\">destaca<\/a> que tentativas de escorar o sistema banc\u00e1rio com exig\u00eancias de capital (tais como nos acordos de Basil\u00e9ia) est\u00e3o condenadas ao fracasso, uma vez que n\u00e3o reconhecem que os bancos podem criar moeda \u00e0 vontade:<\/p>\n<p><b>As regras de Basil\u00e9ia est\u00e3o condenadas ao fracasso, <\/b>pois consideram os bancos como intermedi\u00e1rios financeiros quando, nos fatos reais, eles s\u00e3o os criadores da oferta monet\u00e1ria. Uma vez que os bancos inventam moeda como dep\u00f3sitos fict\u00edcios, pode-se mostrar de imediato que a adequa\u00e7\u00e3o de capital com base na regulamenta\u00e7\u00e3o da banca n\u00e3o tem de restringir a actividade banc\u00e1ria: os bancos podem criar moeda e portanto providenciar para que a moeda fique dispon\u00edvel para comprar ac\u00e7\u00f5es rec\u00e9m emitidas que aumentam o seu capital banc\u00e1rio. Por outras palavras, os bancos poderiam simplesmente inventar a moeda que \u00e9 ent\u00e3o utilizada para aumentar o seu capital.<\/p>\n<p>Foi o que Barclays Bank fez em 2008, a fim de evitar a utiliza\u00e7\u00e3o de dinheiro dos impostos para escorar o capital do banco. O Barclays &#8220;levantou&#8221; \u00a35,8 mil milh\u00f5es em nova participa\u00e7\u00e3o accionista junto a investidores de riqueza soberana do Golfo \u2013 ao, como transpirou, emprestar-lhes a moeda! Como \u00e9 explicado por <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1057521914001434#bb0070\" target=\"_blank\">Werner (2014a)<\/a> , o Barclays implementou uma opera\u00e7\u00e3o padr\u00e3o de empr\u00e9stimo, inventando portanto os \u00a35,8 mil milh\u00f5es de dep\u00f3sito &#8220;emprestados&#8221; ao investidor. Este dep\u00f3sito foi ent\u00e3o utilizado para &#8220;comprar&#8221; as ac\u00e7\u00f5es rec\u00e9m emitidas do Barclays.<\/p>\n<p>Portanto, neste caso o passivo do banco originado com o empr\u00e9stimo banc\u00e1rio ao investidor do Golfo transmutou-se de (1) um passivo de contas a pagar para (2) um passivo de dep\u00f3sito de cliente, para finalmente acabar como (3) participa\u00e7\u00e3o acionista \u2013 uma outra categoria no lado do passivo do balan\u00e7o do banco.<\/p>\n<p>Efectivamente, o Barclays inventou o seu pr\u00f3prio capital. Isto certamente foi mais barato para o contribuinte do Reino Unido do que utilizar dinheiro dos impostos. Como \u00e0s companhias cotadas publicamente n\u00e3o \u00e9 permitido emprestar moeda para firmas com o prop\u00f3sito de comprar as suas ac\u00e7\u00f5es, isto n\u00e3o estava em conformidade com o Companies Act 2006 (Sec\u00e7\u00e3o 678, Proibi\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia para a aquisi\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es em companhia cotada em bolsa). Mas os reguladores estavam desejosos de olhar para o lado.<\/p>\n<p>Como argumenta <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1057521914001434#bb0060\" target=\"_blank\">Werner (2014b)<\/a> , utilizar o banco central ou a cria\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito banc\u00e1rio \u00e9 em princ\u00edpio o meio mais eficaz para limpar o sistema banc\u00e1rio e assegurar que o crescimento do cr\u00e9dito banc\u00e1rio se recupere rapidamente. Entretanto, o caso do Barclays evidencia que exig\u00eancias mais estritas de capital n\u00e3o impedem necessariamente os bancos de expandir cr\u00e9dito e cria\u00e7\u00e3o de moeda, uma vez que a sua cria\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos gera mais poder de compra com a qual aumentos de capital do banco tamb\u00e9m podem ser financiados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Werner destaca que bancos <i>criam <\/i>o ciclo de crescimento e queda ao emprestarem demasiado para prop\u00f3sitos especulativos, n\u00e3o produtivos:<\/p>\n<p>Ao deixar de considerar o facto de que os bancos criam moeda, economistas e governos est\u00e3o a lan\u00e7ar as sementes de crashes futuros. Mas o campo da teoria econ\u00f4mica \u00e9 muito resistente \u00e0 mudan\u00e7a&#8230; O professor de teoria econ\u00f3mica Steve Keen <a href=\"http:\/\/www.forbes.com\/sites\/stevekeen\/2016\/01\/06\/note-to-joe-stiglitz-banks-originate-not-intermediate-and-thats-why-aggregate-demand-is-stuffed\/#6f37d0d910a67768378810a6\" target=\"_blank\">observa<\/a> na [revista]<i>Forbes: <\/i><\/p>\n<p>Em qualquer ci\u00eancia genu\u00edna, dados emp\u00edricos como este teriam for\u00e7ado a ortodoxia a repensar a sua posi\u00e7\u00e3o. Mas na teoria econ\u00f4mica, a profiss\u00e3o navega em frente, alegremente inconsciente de como o seu modelo de &#8220;bancos como intermedi\u00e1rios entre aforradores e investidores&#8221; est\u00e1 gravemente errado \u2013 e agora cega-os para o rem\u00e9dio para a crise tal como anteriormente os cegou para a possibilidade de ocorrer uma crise.<\/p>\n<p>Um dito humor\u00edstico definiu um economista como algu\u00e9m que, quando se mostrava que alguma coisa funcionava na pr\u00e1tica, respondia: &#8220;Ah! Mas ser\u00e1 que funciona na teoria?&#8221;<\/p>\n<p>E um documento de 2016 do FMI <a href=\"http:\/\/www.imf.org\/external\/pubs\/ft\/fandd\/2016\/03\/kumhof.htm\" target=\"_blank\">observa<\/a> :<\/p>\n<p>Cerca da d\u00e9cada de 1960 os bancos come\u00e7aram a desaparecer completamente da maior parte dos modelos macroecon\u00f4micos acerca do funcionamento da economia.<\/p>\n<p>Isto ajuda a explicar porque, quando confrontados com a Grande Recess\u00e3o em 2008, a macroeconomia inicialmente n\u00e3o estava preparada para contribuir muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise da intera\u00e7\u00e3o de bancos com a economia macro. Hoje h\u00e1 um apreci\u00e1vel corpo de investiga\u00e7\u00e3o sobre este t\u00f3pico, mas a literatura ainda tem muitas dificuldades.<\/p>\n<p>Virtualmente, toda a investiga\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica neocl\u00e1ssica convencional est\u00e1 baseada na altamente enganosa descri\u00e7\u00e3o da banca como &#8220;intermedia\u00e7\u00e3o de fundos emprest\u00e1veis&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Nas teorias modernas neocl\u00e1ssicas da intermedia\u00e7\u00e3o de fundos emprest\u00e1veis, os bancos s\u00e3o encarados como a intermediarem poupan\u00e7as reais. A concess\u00e3o de empr\u00e9stimos, nesta narrativa, come\u00e7a com bancos a coletarem dep\u00f3sitos de recursos reais poupados anteriormente (bens de consumo perec\u00edveis, bens de consumo duradouros, m\u00e1quinas e equipamentos, etc) por aforradores e acaba com a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos daqueles mesmos recursos reais a tomadores. Mas <b>tais institui\u00e7\u00f5es simplesmente n\u00e3o existem no mundo real. <\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 fundos emprest\u00e1veis de recursos reais que banqueiros possam coletar e a seguir emprestar. Os bancos naturalmente coletam cheque ou instrumentos financeiros semelhantes, mas porque tais instrumentos \u2013 para terem qualquer valor \u2013 devem ser extra\u00eddos de fundos vindos de outro lugar no sistema financeira, eles n\u00e3o podem ser dep\u00f3sitos de novos fundos vindos de fora do sistema financeiro.<\/p>\n<p>Novos fundos s\u00e3o produzidos s\u00f3 com novos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios (ou quando bancos compram activos financeiros ou reais adicionais), atrav\u00e9s de entradas por escritura\u00e7\u00e3o feitas por digita\u00e7\u00e3o no teclado do banqueiro no momento do desembolso. Isto significa que os fundos n\u00e3o existem antes do empr\u00e9stimo e que eles est\u00e3o na forma de entradas eletr\u00f4nicas \u2013 ou, historicamente, entradas no livro raz\u00e3o \u2013 ao inv\u00e9s de recursos reais.<\/p>\n<p>Esta fun\u00e7\u00e3o &#8220;financiamento atrav\u00e9s de cria\u00e7\u00e3o de moeda&#8221; dos bancos tem sido reiteradamente descrita em publica\u00e7\u00f5es dos principais bancos centrais do mundo \u2013 ver McLeay, Radia e Thomas (2014a, 2014b) para resumos excelentes. <b>O que tem sido muito mais desafiante, contudo, \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o destas percep\u00e7\u00f5es dentro dos modelos macroecon\u00f4micos <\/b><a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2012\/06\/mainstream-economics-is-a-cult.html\" target=\"_blank\">[muito verdadeiro]<\/a> .<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o? <\/b><\/p>\n<p>Temos visto os problemas criados por n\u00e3o se considerar o fato de que os bancos privados criam moeda. Mas h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es&#8230; Inicialmente, o professor Werne observa que impedir bancos de criarem <i>nova <\/i>moeda para empr\u00e9stimos destinado a especula\u00e7\u00e3o e mero consumo pessoal preveniria [ciclos] de ascens\u00e3o e queda.<\/p>\n<p>Werner afirma que o &#8220;Milagre asi\u00e1tico&#8221; aconteceu exatamente por esta raz\u00e3o:<\/p>\n<p>Adicionalmente, permitir a pequena comunidade de bancos que cres\u00e7a levaria a economia real a florescer&#8230; uma vez que bancos pequenos emprestam a pequenos neg\u00f3cios (os quais criam a maioria dos empregos), ao passo que bancos grandes emprestam s\u00f3 a companhias gigantes e a especuladores:<\/p>\n<p>Na verdade, grandes bancos est\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2015\/02\/big-fails-stopped-banks.html\" target=\"_blank\">virtualmente fora do neg\u00f3cio tradicional da concess\u00e3o de empr\u00e9stimos&#8230; e os pequenos bancos s\u00e3o os \u00fanicos a financiar os neg\u00f3cios comuns<\/a> . Werner diz que isto \u00e9 o segredo do \u00eaxito econ\u00f4mico alem\u00e3o:<\/p>\n<p>PS: Devido aos seus poderes \u00fanicos de impress\u00e3o da moeda, os bancos agora <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2014\/04\/oligarchy.html\" target=\"_blank\">literalmente possuem o mundo<\/a> &#8230; incluindo <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2010\/03\/82-of-americans-clamp-down-on-wall-street-%E2%80%A2-financial-experts-rein-in-big-banks-to-save-economy-%E2%80%A2-politicians-keep-them-lobbying-dollars-coming.html\" target=\"_blank\">todo o sistema pol\u00edtico<\/a> .<\/p>\n<p>H\u00e1 uma guerra extrema em conex\u00e3o com a banca. Recorde que os bancos gigantes <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2013\/04\/big-banks-attempt-secret-coup-against-low-interest-loans.html\" target=\"_blank\">tentaram aniquilar a comunidade banc\u00e1ria<\/a> atrav\u00e9s da Parceria Trans Pac\u00edfico (TPP). E, como destaca o professor Werner, o Banco Central Europeu est\u00e1 atualmente numa guerra para destruir bancos da comunidade:<\/p>\n<p>Hoje uma das batalhas chave para a prosperidade e a democracia \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.washingtonsblog.com\/2012\/07\/11869.html\" target=\"_blank\">descentraliza\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio<\/a> .<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.zerohedge.com\/news\/2017-03-13\/banking-secret-neither-economists-nor-laypeople-know-%E2%80%A6-which-makes-fatcats-richer-wh\" target=\"_blank\">http:\/\/www.zerohedge.com\/<\/a>A Mafia Global est\u00e1 a manter o seu poder contratando e pagando mercen\u00e1rios armados e pol\u00edticos com divisas de papel cujo valor real repousa somente na f\u00e9 das pessoas neste sistema que eles mesmo constru\u00edram.<\/p>\n<p>O Castelo de Cartas n\u00e3o ter\u00e1 alternativa sen\u00e3o ser sugado para dentro do seu pr\u00f3prio v\u00e1cuo quando o povo come\u00e7ar a abrir os olhos a toda esta chicanice elaborada.<\/p>\n<p>13\/Mar\u00e7o\/2017<\/p>\n<p>O original encontra-se em <a href=\"https:\/\/geopolitics.co\/2017\/03\/14\/the-banking-secret-that-neither-economists-nor-laypeople-know\/\" target=\"_blank\">geopolitics.co\/&#8230;<\/a><\/p>\n<p><b>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por George Washington Quem cria a moeda? A maior parte das pessoas sup\u00f5e que a moeda \u00e9 criada por governos&#8230; ou talvez pelos \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13961\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-13961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Db","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}