{"id":13965,"date":"2017-03-31T13:28:52","date_gmt":"2017-03-31T16:28:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=13965"},"modified":"2017-04-20T14:57:34","modified_gmt":"2017-04-20T17:57:34","slug":"argentina-mais-de-600-mil-manifestantes-repudiaram-a-ditadura-e-o-macrismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13965","title":{"rendered":"Argentina: mais de 600 mil manifestantes repudiaram a ditadura e o macrismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/211111.jpg?w=747\" alt=\"\" \/><strong>Quanta for\u00e7a e quanta mem\u00f3ria <\/strong><\/p>\n<p>POR CARLOS AZN\u00c1REZ, Resumen Latinoamericano, 24 de mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p>Seiscentas mil ou mais? N\u00e3o existem olhos que alcancem para contar quantas mulheres, homens, jovens, adolescentes, meninos e meninas marcharam no dia 24\/03 pelas ruas de Buenos Aires e de todo o pa\u00eds para repudiar os militares da ditadura de 1976 e, ao mesmo tempo, assinalar como um de seus herdeiros o governo atual de Mauricio Macri.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9ramos muitos e muitas. Sobrava imagina\u00e7\u00e3o nos cartazes que cada um portava, onde se expressava a homenagem emotiva \u00e0s e aos revolucion\u00e1rios dos anos 70, \u00e0s e aos 30 mil desaparecidos, a essa gera\u00e7\u00e3o rebelde e insurgente que decidiu tomar os c\u00e9us por assalto e sofreu um dos grandes genoc\u00eddios de nossa hist\u00f3ria. Ali estavam, junto a todos e todas que marchavam, as crian\u00e7as que alfabetizavam nas vilas e foram sequestradas, os trabalhadores da Ford ou Mercedes Benz que tamb\u00e9m foram sequestrados, assim como os cortadores de cana de Tucum\u00e1n e Salta, as companheiras do magist\u00e9rio, os religiosos Palotinos e o Padre Carlos Mugica, os e as militantes dos partidos de esquerda, todos eles assassinados por capangas da Triple A ou da estrutura militar e policial repressiva. N\u00e3o faltaram no percurso de tantas horas de caminhada, as e os insurgentes das FAP, FAR, Descamisados, Montoneros, ERP, FAL, OCPO, PCML e tantas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, que foram detidos, torturados, assassinados. Por\u00e9m, tamb\u00e9m, marcharam muitas da Madres, Abuelas, HIJOS, irm\u00e3s que em todos estes 40 anos mantiveram a chama acesa da mem\u00f3ria e aquelas que foram semeadas junto \u00e0s \u00e1rvores da Pra\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, gra\u00e7as a alguns cartazes juvenis, pudemos nos sentir mais pr\u00f3ximos de Rodolfo Walsh, Haroldo Conti, Daniel Santoro, Raymundo Gleyzer, Pir\u00ed Lugones, todas e todos os jornalistas assassinados pela ditadura.<\/p>\n<p>No entanto, o que n\u00e3o puderam matar \u00e9 a mem\u00f3ria. Nem os milicos de ontem, nem os \u201cdemocratas\u201d que os sucederam, sequer este presidente que tenta faz\u00ea-lo por todos os meios. Impressionava ver as colunas majoritariamente jovens, alegres por estar ombro a ombro, incisivos nas palavras de ordem e inflex\u00edveis na luta contra o macrismo governante. Tampouco se economizaram ep\u00edtetos dirigidos ao ex-chefe do ex\u00e9rcito Milani, a quem em grandes estandartes se tipificava como genocida.<\/p>\n<p>A hist\u00f3rica Plaza de Mayo recebeu a todos e todas durante praticamente oito horas e se escutaram todas as vozes, primeiro a dos organismos de direitos humanos, acompanhados por organiza\u00e7\u00f5es majoritariamente kirchneristas e, depois, uma multid\u00e3o de n\u00facleos de esquerda.<\/p>\n<p>Ao final de uma jornada inesquec\u00edvel, ficou a satisfa\u00e7\u00e3o de que somos mais do que acreditamos, que se nos un\u00edssemos acima das siglas estar\u00edamos construindo um germe de poder popular impar\u00e1vel. Se pensarmos bem, \u00e9 poss\u00edvel tentar um pouquinho. Sempre na rua como agora, com for\u00e7a, com garra, com alegria, sem esquecer o que nos fizeram, sem perdoar e sem nos reconciliarmos. Fugindo de todos as possibilidades e propostas de resigna\u00e7\u00e3o. Recorrendo ao legado dos 30 mil, para demonstrar que a luta deles e delas n\u00e3o foi em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Cabe a todas e todos n\u00f3s cumprir com esse desafio.<\/p>\n<p><strong>FOTOS: Cobertura coletiva de Agencia Resistir y Luchar (Resumen Latinoamericano, Revista Venceremos, FM Riachuelo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma multid\u00e3o na Plaza de Mayo junto aos organismos de Direitos Humanos <\/strong><\/p>\n<p>Milhares e milhares de pessoas ocuparam a Plaza de Mayo, continuaram mobilizando-se pela Avenida de Mayo desde o Congresso e pelas ruas paralelas, reunidas pela palavra de ordem \u201cS\u00e3o 30 mil\u201d. Os organismos de Direitos Humanos denunciaram \u201ca mis\u00e9ria planificada\u201d pelo Governo nacional e advertiram: \u201cH\u00e1 41 anos denunciamos o mesmo plano econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p>Do palco central na Plaza de Mayo, exigiram colocar fim \u00e0 repress\u00e3o e \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica, e denunciaram que \u201cos discursos negacionistas\u201d dos funcion\u00e1rios do Governo nacional operam sobre o setor do Poder Judici\u00e1rio, pondo em risco a continuidade dos julgamentos.<\/p>\n<p>No documento, os organismos tamb\u00e9m renovaram o pedido de liberdade a Milagro Sala e os presos pol\u00edticos da Tupac Amaru e o pedido de justi\u00e7a por Luciano Arruga, Julio L\u00f3pez e militantes das organiza\u00e7\u00f5es sociais. Tamb\u00e9m se pronunciou um forte respaldo \u00e0 luta docente pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cO governo tentou transferir este feriado para que seja um dia de lazer e reduzir a mobiliza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m novamente somos milhares nas ruas e pra\u00e7as. 24 de mar\u00e7o \u00e9 um dia no qual o povo reivindica a luta\u201d, sentenciaram os organismos para recordar \u201ca luta dos 30 mil\u201d.<\/p>\n<p>Os organismos lamentaram os discursos negacionistas do presidente Mauricio Macri e funcion\u00e1rios, como Dar\u00edo Lop\u00e9rfido e Juan Jos\u00e9 G\u00f3mez Centuri\u00f3n; e denunciaram o fechamento e o esvaziamento de v\u00e1rios programas destinados a impulsionar as causas jur\u00eddicas por crimes de lesa humanidade.<\/p>\n<p>\u201cOs processos s\u00e3o parte do povo argentino. Vamos continuar lutando por mais mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a\u201d, reivindicaram e destacaram os 750 condenados desde o rein\u00edcio dos julgamentos, por\u00e9m advertiram que \u201cos discursos negacionistas operam sobre um setor do poder judici\u00e1rio\u201d e exigiram que a Corte Suprema assuma a \u201cresponsabilidade\u201d frente \u00e0s manobras ditatoriais, al\u00e9m da abertura dos processos por crimes de lesa humanidade pr\u00e9vios \u00e0 ditadura e os cometidos contra combatentes das Ilhas Malvinas. Com o mesmo tom, celebraram o avan\u00e7o da causa contra o ex-titular do Ex\u00e9rcito, C\u00e9sar Milani.<\/p>\n<p>A leitura do documento dos organismos come\u00e7ou pouco depois das 16 horas, quando milhares j\u00e1 tinham marchado pela Avenida de Mayo at\u00e9 a Plaza de Mayo, outros milhares ainda estavam fazendo o percurso, e quando as M\u00e3es e as Av\u00f3s j\u00e1 tinham ingressado \u00e0 hist\u00f3rica pra\u00e7a com a bandeira com os rostos dos 30 mil detidos-desaparecidos.<\/p>\n<p>Como antecipava a palavra de ordem da convocat\u00f3ria, o documento foi muito cr\u00edtico \u00e0 gest\u00e3o do Cambiemos desde as declara\u00e7\u00f5es negacionistas de seus funcion\u00e1rios at\u00e9 o plano econ\u00f4mico. \u201cReinstalaram um sistema econ\u00f4mico no qual os trabalhadores voltam a ser os prejudicados. S\u00e3o milhares de demitidos, enquanto tentam que regressemos aos tempos de flexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d, advertia o documento.<\/p>\n<p>Nesse tom, se defendeu que \u201co plano econ\u00f4mico \u00e9 completado pela persegui\u00e7\u00e3o\u201d aos trabalhadores, sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es sociais, e que \u201cos planos econ\u00f4micos de fome t\u00eam como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a repress\u00e3o\u201d, a partir do qual se pronunciou um dos v\u00e1rios apoios \u00e0s associa\u00e7\u00f5es docentes, em meio de \u201cum mar\u00e7o de mobiliza\u00e7\u00f5es\u201d, e \u201c\u00e0 luta pelo direito ao trabalho\u201d.<\/p>\n<p>O documento enfatizou os conflitos que mant\u00e9m os trabalhadores da tipografia AGR do Grupo Clar\u00edn, Textil Neuqu\u00e9n, Atanor e a Cooperativa do Bauen; para depois repudiar as novas amea\u00e7as da ministra de Seguran\u00e7a, Patricia Bullrich, de aplicar \u201cum protocolo de repress\u00e3o aos protestos sociais\u201d. \u201cEssa \u00e9 sua resposta diante de um povo organizado\u201d, sentenciaram e recordaram a persegui\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o \u00e0s mulheres que participaram do Encontro Nacional de Mulheres em Rosario e da paralisa\u00e7\u00e3o e marcha mundial do 8 de mar\u00e7o. Em outro momento, se denunciou o \u201cPoder Judiciario patriarcal\u201d que revitimiza as v\u00edtimas e os \u201cfuncion\u00e1rios que por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o s\u00e3o parte do delito\u201d.<\/p>\n<p>Cada organiza\u00e7\u00e3o, cada grupo de trabalhadores que se mencionava no documento, continuava na Avenida de Mayo com suas bandeiras, com suas reivindica\u00e7\u00f5es. Os trabalhadores da gr\u00e1fica AGR repartiam sua revista \u201cViva, las luchas obreras\u201d, La Garganta Poderosa reivindicava dezenas de esquinas aos 30 mil, vestidos de jalecos brancos; os que marchavam juntos a seu sindicato, movimento social ou organiza\u00e7\u00e3o social; cantavam, filmavam renovavam as palavras de ordem de luta.<\/p>\n<p>No palco, os organismos tamb\u00e9m recordaram que \u201cos povos origin\u00e1rios seguem sofrendo o abandono do Estado, que responde com repress\u00e3o\u201d, ap\u00f3s o ocorrido com a comunidade mapuche em Chubut, e destacaram que se defende \u201cos empres\u00e1rios, que s\u00e3o os s\u00f3cios e amigos de Mauricio Macri, como Joe Lewis\u201d.<\/p>\n<p>O pronunciamento dos organismos tamb\u00e9m denunciou a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sociais e os casos de viol\u00eancia institucional, recordando o caso dos jovens militantes de La Garganta Poderosa, Iv\u00e1n e Ezequiel, e reclamando justi\u00e7a pelo desaparecimento de Luciano Arruga, e pelo assassinato do militante do Movimento Popular La Dignidad Dar\u00edo \u201cIki\u201d Juli\u00e1n.<\/p>\n<p>Ao mencionar os jovens, os organismos se pronunciaram contra a inten\u00e7\u00e3o do Governo nacional de impulsionar o debate de um novo regime penal juvenil com o objetivo de baixar a idade jur\u00eddica. \u201cO Estado deve garantir os direitos, o Estado n\u00e3o pode atuar contra os tratados de prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes. Vemos funcion\u00e1rios mais preocupados em prender nossas crian\u00e7as, que em garantir todos os direitos que lhes correspondem\u201d, denunciaram.<\/p>\n<p>Nesse momento, os organismos apresentaram as deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias como parte do sistema repressivo e voltaram a reclamar a Liberdade de Milagro Sala e de todos os presos pol\u00edtidos da Tupac Amaru. \u201cPresos e presas pol\u00edticas do governador Gerardo Morales, do presidente Mauricio Macri e do empres\u00e1rio, respons\u00e1vel por crimes de lesa humanidade, Carlos Blaquier\u201d, assegurou a m\u00e3e da Plaza de Mayo, Taty Almeida.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o 30 mil. Foi genoc\u00eddio\u201d, \u201cTodos somos netos, todos somos filhos\u201d, \u201cEu sou os que faltam\u201d, rezavam centenas de cartazes empunhados pelos milhares de participantes. \u201cDentro o <em>chori<\/em>, fora Macri\u201d, eram algumas das convocat\u00f3rias dos comerciantes de ocasi\u00e3o. Cada movimento para a pra\u00e7a, cada canto estava marcado nas dezenas de silhuetas de cores que a Associa\u00e7\u00e3o de Madres de Plaza de Mayo colocou ao longo da Avenida de Mayo, emulando aquele lembrado <em>\u201csiluetazo\u201d<\/em> de meados da d\u00e9cada de 80, por\u00e9m desta vez a partir da \u201calegria\u201d para representar \u201cos meninos que lutam\u201d, explicou Hebe de Bonafini.<\/p>\n<p>Durante a manifesta\u00e7\u00e3o, os organismos voltaram a reclamar o \u201crompimento dos pactos de sil\u00eancio dos genocidas para saber onde est\u00e3o os corpos dos desaparecidos\u201d. \u201cSem essa verdade, sem cada neto com sua fam\u00edlia, a d\u00edvida da democracia continua sendo enorme\u201d, expressaram e lembraram que este ano se cumprir\u00e3o 40 anos de luta das Av\u00f3s e M\u00e3es. \u201c40 anos buscando encontros, 40 anos buscando verdades\u201d, resumiram.<\/p>\n<p>Como encerramento, lembraram os 40 anos da Carta Aberta \u00e0 Junta Militar de Rodolfo Walsh, e nas palavras do jornalista desaparecido, descreveram os 15 meses de governo de Macri: \u201cO que voc\u00eas chamam acertos s\u00e3o erros, aqueles que s\u00e3o reconhecidos como erros s\u00e3o crimes, e os que s\u00e3o omitidos s\u00e3o calamidades\u201d.<\/p>\n<p><strong>Outra multid\u00e3o participou do Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a na Pra\u00e7a de Mayo<\/strong><\/p>\n<p>A convocat\u00f3ria denunciou a pol\u00edtica do macrismo. Exigem perp\u00e9tua para Cesar Milani.<\/p>\n<p>24 de mar\u00e7o<\/p>\n<p>O Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a se congregou na Pra\u00e7a de Mayo, onde realizou um ato em comemora\u00e7\u00e3o dos 41 anos do golpe genocida. A enorme coluna deste espa\u00e7o pol\u00edtico, todavia, n\u00e3o para de ingressar \u00e0 hist\u00f3rica pra\u00e7a. A convocat\u00f3ria nuclea m\u00faltiplos organismos de direitos humanos, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edtica e sociais, e a esquerda.<\/p>\n<p>Esta convocat\u00f3ria tem um car\u00e1ter independente dos distintos setores pol\u00edticos padr\u00f5es. No documento que se leu \u00e0 tarde, no ato ao fim da mobiliza\u00e7\u00e3o, afirma, entre outras coisas \u201cestamos aqui, enfrentando o governo de Macrie sua pol\u00edtica de \u2018reconcilia\u00e7\u00e3o\u2019 com os genocidas, contr\u00e1ria \u00e0 mem\u00f3ria, \u00e0 verdade e \u00e0 justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Documento completo do Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a<\/p>\n<p>O texto foi acordado por dezenas de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, pol\u00edticas, sindicais, estudantis e culturais, e lido na Pra\u00e7a de Mayo no marco da mobiliza\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n<p>Sexta-feira, 24 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<p>A Izquierda Diario reproduz o documento completo que na tarde de sexta-feira, dia 24, foi lido na Pra\u00e7a de Mayo no marco da mobiliza\u00e7\u00e3o independente de toda variante pol\u00edtica padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Companheiros e companheiras: estamos na Pra\u00e7a, como temos feito sistematicamente durante mais de quatro d\u00e9cadas, para repudiar o golpe que instalou a ditadura mais sangrenta de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mais que nunca, nosso compromisso \u00e9 hoje com a mem\u00f3ria rebelde, com a mem\u00f3ria que rende homenagem a nossos 30 mil companheiros e companheiras detidas-desaparecidas, a seus sonhos de um pa\u00eds sem opress\u00e3o nem explora\u00e7\u00e3o, ratificando o compromisso e a unidade na luta contra a impunidade de ontem e de hoje, e pelos direitos dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>Estamos aqui, enfrentando o governo de Macri e sua pol\u00edtica de \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d com os genocidas, contr\u00e1rio \u00e0 mem\u00f3ria, \u00e0 verdade e \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Dizemos: N\u00c3O \u00c0 RECONCILIA\u00c7\u00c3O! N\u00c3O \u00c0 TEORIA DOS DOIS DEM\u00d4NIOS!<\/p>\n<p>Hoje efrentamos uma ofensiva do Governo nacional a favor da impunidade dos genocidas da ditadura. O governo de Macri est\u00e1 desenvolvendo uma p\u00e9rfida campanha pol\u00edtica e midi\u00e1tica a favor da reconcilia\u00e7\u00e3o, negando o plano sistem\u00e1tico de desaparecimento de pessoas e colocando em xeque o processo de 30.000 detidos-desaparecidos.<\/p>\n<p>Basta recordar as declara\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Presidente quando disse \u201cn\u00e3o saber\u201d quantos foram os desaparecidos e falou de \u201cguerra suja\u201d, negando assim o terrorismo de Estado ou os decretos de \u201cautogoverno\u201d das for\u00e7as armadas; o desfile do carapintada Aldo Rico e dos genocidas do \u201cOperativo Independencia\u201d\u037e as entrevistas do secret\u00e1rio de Direitos Humanos Avruj com os grupos defensores dos repressores; os ditos de G\u00f3mez Centuri\u00f3n, que prop\u00f5em um novo ponto final e a postula\u00e7\u00e3o de um reconhecido defensor de genocidas como Carlos Horacio de Casas para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, entre outros tantos fatos.<\/p>\n<p>Esta campanha do Governo \u00e9 respaldada por uma campanha midi\u00e1tica que inclui os editoriais de La Naci\u00f3n tra\u00e7ando uma verdadeira apologia do golpe de Estado.<\/p>\n<p>No Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a denunciamos que a nega\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio da ditadura visa isentar o Estado de sua responsabilidade nos crimes contra o povo.<\/p>\n<p>Denunciamos que se busca envolver as For\u00e7as Armadas nas tarefas de repress\u00e3o interna. Processo que teve um ponto de inflex\u00e3o no ano de 2013 com a designa\u00e7\u00e3o de Milani como Chefe do Ex\u00e9rcito durante o governo de Cristina Fern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>Busca-se instalar a ideia de que se tratou de uma guerra, retomando o velho argumento da ditadura e restaurando a velha teoria dos dois dem\u00f4nios. O questionamento do n\u00famero de desaparecidos \u00e9 o t\u00edpico argumento utilizado para negar todos os genoc\u00eddios. S\u00e3o 30.000! Foi Genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o n\u00famero que surge da quantidade de habeas corpus apresentados na Justi\u00e7a, do testemunho de centenas de sobreviventes e da exist\u00eancia comprovada de mais de 600 campos de exterm\u00ednio; inclusive um informe do Batalh\u00e3o 601 da Intelig\u00eancia, reportava \u201c22.000 entre mortos e desaparecidos\u201d.<\/p>\n<p>Nenhum dos governos constitucionais abriu os arquivos da ditadura. Com isso, seria poss\u00edvel conhecer o destino de nossos companheiros desaparecidos e recuperar a identidade de seus filhos nascidos em cativeiro e capturados. Por\u00e9m, para o Governo e os apologistas de Videla e Massera, a verdade hist\u00f3rica \u00e9 insignificante. S\u00f3 querem tr\u00e2nsito livre e impunidade para reprimir e fazer passar o ajuste.<\/p>\n<p>C\u00c1RCERE COMUM E EFETIVO A TODOS OS GENOCIDAS! ABERTURA DE TODOS OS ARQUIVOS! RESTITUI\u00c7\u00c3O DA IDENTIDADE DE TODOS OS JOVENS CAPTURADOS!<\/p>\n<p>Hoje, 41 anos do golpe, repudiamos a ditadura que, a custa do sangue de nosso povo, impulsionou a entrega e o endividamento, a explora\u00e7\u00e3o e a fome. Repudiamos o genoc\u00eddio que imp\u00f4s o desaparecimento e homens, mulheres, jovens e crian\u00e7as como paradigma do terror; o assassinato, o c\u00e1rcere, o ex\u00edlio, o sequestro, a tortura e o roubo de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio teve como objetivo aniquilar o movimento oper\u00e1rio e popular em ascens\u00e3o, que se propunha alcan\u00e7ar profundas transforma\u00e7\u00f5es na Argentina. Por isto, buscou-se destruir todas as formas de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo, como corpos de delegados, centros de estudantes, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, de bairros, profissionais, as mais diversas milit\u00e2ncias, que ganharam as ruas a partir do Cordobazo.<\/p>\n<p>A ditadura colocou em marcha uma m\u00e1quina genocida. Cada cidade importante do pa\u00eds contou com campos de concentra\u00e7\u00e3o, tortura e exterm\u00ednio a cargo das for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a. Denunciamos, tamb\u00e9m, os crimes contra o povo que come\u00e7aram a ser ensaiados antes do golpe, no Operativo Independencia de Tucum\u00e1n e na a\u00e7\u00e3o da Triple A e demais grupos fascistas em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Repudiamos os grupos do poder econ\u00f4mico, o setor financeiro, os grandes empres\u00e1rios, os latifundi\u00e1rios, que planejaram e financiaram o golpe.<\/p>\n<p>Denunciamos, tamb\u00e9m, os patr\u00f5es e dirigentes sindicais traidores, que entregaram corpos de delegados, como no Engenho Ledesma, Mercedes Benz, Ford; a maioria da hierarquia da Igreja que os benzeu, os ju\u00edzes que os ampararam, os pol\u00edticos que os apoiaram e os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o que lavaram o rosto de todos eles.<\/p>\n<p>Por todos e cada um dos companheiros desaparecidos, por cada um dos ultrajes sofridos por nosso povo:<\/p>\n<p>EXIGIMOS JUSTI\u00c7A! N\u00c3O ESQUECEMOS, N\u00c3O PERDOAMOS, N\u00c3O NOS RECONCILIAMOS!<\/p>\n<p>O caminho iniciado com o hero\u00edsmo das m\u00e3es plantadas frente \u00e0 ditadura e a resist\u00eancia antiditatorial de nosso povo, com as milhares de solidariedades que a sustentaram, teve continuidade nestes 41 anos de presen\u00e7a nas ruas onde v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es expressaram a vontade inquebrant\u00e1vel de obter puni\u00e7\u00e3o aos genocidas. Enfrentamos, construindo mem\u00f3ria, todas as pol\u00edticas de esquecimento, de impunidade, de criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto, da pobreza e da juventude impulsionadas pelos governos constitucionais posteriores \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>A partir do Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, comprometidos com esta luta, dizemos:<\/p>\n<p>SEGUIMOS LUTANDO CONTRA A IMPUNIDADE DE ONTEM E DE HOJE! N\u00c3O \u00c0 RECONCILIA\u00c7\u00c3O!<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das organiza\u00e7\u00f5es populares e a rebeli\u00e3o de 19 e 20 de dezembro de 2001, que fez girar o governo De la R\u00faa e questionou a governabilidade do sistema, tornaram poss\u00edvel essa conquista hist\u00f3rica que foi a anula\u00e7\u00e3o das leis de impunidade de Alfons\u00edn. Assim, se abriu a possibilidade de julgar os genocidas.<\/p>\n<p>Foram as d\u00e9cadas de luta empreendidas por nosso povo contra a impunidade que permitiram a realiza\u00e7\u00e3o dos processos dos genocidas. Conquista extraordin\u00e1ria da mobiliza\u00e7\u00e3o popular e n\u00e3o propriedade de governo algum.<\/p>\n<p>Conseguimos que se realizassem julgamentos em diferentes lugares de nosso pa\u00eds. No entanto, h\u00e1 14 anos da anula\u00e7\u00e3o das leis de impunidade e h\u00e1 11 anos de julgamentos orais s\u00f3 se conseguiu a condena\u00e7\u00e3o de 737 genocidas, menos da metade dos repressores processados.<\/p>\n<p>Se considerarmos que existiram mais de 600 Centros Clandestinos de Deten\u00e7\u00e3o, ao largo e ao longo do pa\u00eds, as condena\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram apenas a propor\u00e7\u00e3o de pouco mais de um genocida por campo de concentra\u00e7\u00e3o. A realidade \u00e9 que desde 2012, diminuiu o n\u00famero de julgamentos por ano em todo o pa\u00eds, e nos \u00faltimos 4 anos quase a metade dos processos foram cortados e parciais, onde s\u00e3o acusados de 1 a 3 repressores por cada julgamento.<\/p>\n<p>40% dos repressores com causas abertas (mais de 520) gozam do benef\u00edcio da pris\u00e3o domiciliar, outorgadas em sua maioria durante o governo anterior. A partir da ascens\u00e3o de Macri, diferentes ministros de seu governo avalizaram a outorga da pris\u00e3o domiciliar, por raz\u00f5es de idade, a conhecidos torturadores e respons\u00e1veis pelos mais atrozes crimes.<\/p>\n<p>No ano passado, conseguimos frear a pris\u00e3o domiciliar do genocida Etchecolatz, que n\u00e3o \u00e9 investigado pelo segundo desaparecimento de Julio L\u00f3pez. Por\u00e9m, este ano, foi outorgado esse benef\u00edcio a um dos mais conhecidos torturadores da ESMA: Antonio Azic.<\/p>\n<p>Os s\u00f3cios e c\u00famplices civis da ditadura \u2013 empres\u00e1rios, ju\u00edzes, pol\u00edticos \u2013 permanecem impunes. Da mesma maneira, os crimes da Triple A e de outros grupos fascistas.<\/p>\n<p>Denunciamos que goza de impunidade o procurador geral de Mar del Plata, Fern\u00e1ndez Garello, um dos respons\u00e1veis pelo sequestro, tortura e assassinato de Ana Mar\u00eda Mart\u00ednez.<\/p>\n<p>Os governos de N\u00e9stor e Cristina Kirchner, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o agilizaram os julgamentos, dispondo dos recursos pol\u00edticos para faz\u00ea-los, como decidiram conviver com um poder jur\u00eddico repleto de ju\u00edzes designados durante a ditadura e que atuaram uma e outra vez como garantidores da impunidade.<\/p>\n<p>Denunciamos que o Estado continua ocultando os arquivos da ditadura militar. A desclassifica\u00e7\u00e3o prometida a partir de 2014 foi uma farsa. Os documentos difundidos pelo Minist\u00e9rio de Defesa j\u00e1 eram conhecidos ou diretamente irrelevantes.<\/p>\n<p>Milhares de militares, policiais ju\u00edzes, promotores, membros do aparato de intelig\u00eancia, que atuaram sob a ditadura continuam em suas fun\u00e7\u00f5es. Em toda a d\u00e9cada anterior, como com todos os governos constitucionais, o Estado n\u00e3o contribuiu com uma s\u00f3 prova contra os repressores: os julgamentos se baseiam exclusivamente no testemunho e na contribui\u00e7\u00e3o de sobreviventes e familiares.<br \/>\nExigimos:<\/p>\n<p>N\u00c3O \u00c0 PRIS\u00c3O DOMICILIAR! ABERTURA DE TODOS OS ARQUIVOS DAS FOR\u00c7AS ARMADAS, DE INTELIG\u00caNCIA E DA IGREJA!<\/p>\n<p>O segundo desaparecimento de nosso companheiro Jorge Julio L\u00f3pez no ano de 2006, foi encoberto pelo governo kirchnerista, que n\u00e3o tomou nenhuma medida para investigar a bonaerense, nem os servi\u00e7os de intelig\u00eancia. H\u00e1 mais de 10 anos, os respons\u00e1veis pol\u00edticos e materiais seguem impunes.<\/p>\n<p>EXIGIMOS A APARI\u00c7\u00c3O COM VIDA DE JULIO L\u00d3PEZ! CASTIGO A TODOS OS RESPONS\u00c1VEIS POL\u00cdTICOS E MATERIAIS POR SEU DESAPARECIMENTO!<\/p>\n<p>Sob o governo anterior, se aprovaram leis \u201cantiterroristas\u201d para perseguir as lutas populares. Tamb\u00e9m tivemos o repressor Berni e o Projeto X de espionagem. Nomear Milani a frente do Ex\u00e9rcito, em julho de 2013, foi um salto na tentativa de reconcilia\u00e7\u00e3o com os genocidas. No mesmo dia em que Cristina Kirchner o designou, ocorreu o Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, apoiando a den\u00fancia de familiares e v\u00edtimas, exigindo sua destitui\u00e7\u00e3o, julgamento e puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fruto da den\u00fancia, a mobiliza\u00e7\u00e3o e o rep\u00fadio popular, hoje esse genocida est\u00e1 preso. Com essa autoridade, hoje dizemos:<\/p>\n<p>PERP\u00c9TUA PARA MILANI! REVOGA\u00c7\u00c3O DAS LEIS ANTITERRORISTAS!<\/p>\n<p>Em todos estes anos, unimos as bandeiras de nossos 30 mil \u00e0s lutas de hoje. Nos une a defesa do direito de lutar. Por isso, denunciamos todas as a\u00e7\u00f5es repressivas do governo de Macri e dos governadores.<\/p>\n<p>As novas ordens de Macri para aplicar os \u201cprotocolos antipiquetes\u201d, ratificadas pelas declara\u00e7\u00f5es da ministra Bullrich e acompanhadas por uma infame campanha midi\u00e1tica para demonizar os que lutam e para impedir violentamente os piquetes.<\/p>\n<p>A perman\u00eancia na pris\u00e3o, h\u00e1 mais de um ano, de Milagro Sala, detida em um acampamento e escandalosamente condenada por um escracho ao atual governador Gerardo Morales, que persegue sistematicamente trabalhadores do a\u00e7\u00facar, estatais e povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios, as listas negras e os descontos com que pretendem amedrontar os docentes hoje em luta por seus sal\u00e1rios e a amea\u00e7a de tirar a representatividade gremial de seus sindicatos.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o aos docentes, encabe\u00e7ada por Vidal na Prov\u00edncia de Buenos Aires, utilizando a Bonaerense para fazer intelig\u00eancia e dela\u00e7\u00e3o dos grevistas nas escolas.<\/p>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o penal e o processo de exonera\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do SUTEF e de 17 docentes, promovido hoje pela governadora Bertone em Tierra del Fuego.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o aos docentes, trabalhadores e cooperativistas petroleiros em Santa Cruz por parte do governo de Alicia Kirchner.<\/p>\n<p>A deten\u00e7\u00e3o do companheiro Nelson Salazar, dirigente da CCC de Salta, com dois meses de pris\u00e3o preventiva e a decis\u00e3o de leva-lo \u00e0 julgamento oral, assim como os 3 atentados contra instala\u00e7\u00f5es da CCC, na prov\u00edncia governada por Urtubey.<\/p>\n<p>A cumplicidade do governo com as demiss\u00f5es na AGR-Clar\u00edn e a tentativa patronal de recrutar provocadores para desalojar os trabalhadores.<\/p>\n<p>O processo dos delegados do Editorial Perfil como castigo por sua greve em 2013 contra as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O veto \u00e0 lei de expropria\u00e7\u00e3o e a ordem judicial de desalojamento contra os trabalhadores do Bauen, que autogerem o Hotel h\u00e1 mais de 14 anos.<\/p>\n<p>A falha trabalhista que revogou a inscri\u00e7\u00e3o sindical dos delegados do metr\u00f4, em sintonia com a patronal, o governo e a burocracia da UTA e a tentativa de impeachment dos delegados de Sarmiento.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a de demiss\u00e3o de 40 trabalhadores da linha 60, por denunciar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que provocaram a morte de David Ramallo.<\/p>\n<p>A falha jur\u00eddica que criminaliza o canal comunit\u00e1rio Antena Negra TV e censura a comunica\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>A deten\u00e7\u00e3o por policiais civis de 6 companheiras feministas por uma pintura convidando para o 8 de Mar\u00e7o, e a deten\u00e7\u00e3o de outras 20 companheiras, tamb\u00e9m de forma violenta, ao fim da marcha das mulheres na Pra\u00e7a de Mayo.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o 154 do Minist\u00e9rio da Defesa, que abre a porta para a espionagem interno por parte dos militares.<\/p>\n<p>O equ\u00edvoco jur\u00eddico na causa que criminaliza os manifestantes que apoiaram os trabalhadores de Lear.<\/p>\n<p>A demiss\u00e3o de 350 trabalhadores na General Motors, Rosario, por parte de um patronato c\u00famplice da ditadura em acordo com Pignanelli, secret\u00e1rio geral do SMATA.<\/p>\n<p>A continuidade na persegui\u00e7\u00e3o dos lutadores populares. Seguem abertas as velhas causas e se somam novas ante cada conflito.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e despojo das terras dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o e as persegui\u00e7\u00f5es \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, como em San Juan e Chubut.<\/p>\n<p>Diante de tudo isto, dizemos:<\/p>\n<p>N\u00c3O \u00c0 CRIMINALIZA\u00c7\u00c3O DO PROTESTO! LIBERDADE PARA MILAGRO SALA! LIBERDADE PARA TODOS OS PRESOS POL\u00cdTICOS! ABSOLVI\u00c7\u00c3O DOS PETROLEIROS DE LAS HERAS CONDENADOS \u00c0 PRIS\u00c3O PERP\u00c9TUA! ENCERRAMENTO DE TODAS AS CAUSAS E ANULA\u00c7\u00c3O DAS CONDENA\u00c7\u00d5ES! N\u00c3O AOS PROTOCOLOS REPRESSIVOS!<\/p>\n<p>Desde 1983 at\u00e9 hoje o gatilho f\u00e1cil, a tortura e a morte nas pris\u00f5es e delegacias tirou a vida de mais de 5.000 jovens, em sua maioria de setores humildes. Em 2016, o Estado assassinou 216 pessoas, ou seja, um crime a cada 25 horas. Enquanto deixa sem futuro os jovens, o governo criminaliza, militariza os bairros populares e pretende diminuir a maioridade penal. Por isso, dizemos:<\/p>\n<p>N\u00c3O AO GATILHO F\u00c1CIL E \u00c0 MILITARIZA\u00c7\u00c3O DOS BAIRROS! N\u00c3O \u00c0 DIMINUI\u00c7\u00c3O DA MAIORIDADE PENAL! N\u00c3O \u00c0 CRIMINALIZA\u00c7\u00c3O DA JUVENTUDE E DA POBREZA!<\/p>\n<p>Do Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a denunciamos o tr\u00e1fico de pessoas sob o amparo do poder pol\u00edtico, jur\u00eddico e das for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>EXIGIMOS O APARECIMENTO COM VIDA DE TODAS AS MULHERES DESAPARECIDAS NA DEMOCRACIA!<\/p>\n<p>Ao melhor estilo Trump. Macri ditou o xen\u00f3fobo DNU 70, aprovado por Pichetto e a Comiss\u00e3o Bicameral, que restringe a lei nacional migrat\u00f3ria. Demoniza os imigrantes, corta seus direitos, agrava a hostilidade policiais e, inclusive, afeta as radica\u00e7\u00f5es j\u00e1 outorgadas e pretende enfrentar pobres contra pobres. Por isso, dizemos:<\/p>\n<p>N\u00c3O AO DNU CONTRA OS IMIGRANTES! EXIGIMOS DO CONGRESSO SUA IMEDIATA REVOGA\u00c7\u00c3O!<\/p>\n<p>Reivindicamos a luta dos familiares das v\u00edtimas da trag\u00e9dia de Once contra a impunidade, que conseguiram a condena\u00e7\u00e3o de boa parte dos funcion\u00e1rios e empres\u00e1rios respons\u00e1veis. Exigimos puni\u00e7\u00e3o para De Vido e demais envolvidos. Exigimos:<\/p>\n<p>PRIS\u00c3O EFETIVA PARA TODOS OS RESPONS\u00c1VEIS! EM DEFESA DAS ESTRADAS DE FERRO: REESTATIZA\u00c7\u00c3O SOB O CONTROLE DE SEUS TRABALHADORES E DO POVO!<\/p>\n<p>Rendemos homenagem aos 194 jovens mortos no massacre de Croma\u00f1\u00f3n e a todas as v\u00edtimas de trag\u00e9dias que s\u00e3o produto da corrup\u00e7\u00e3o estatal-empresarial.<\/p>\n<p>H\u00e1 23 anos do massacre impune da AMIA, o julgamento oral AMIA 2 est\u00e1 terminando com os arquivos fechados, sem investigar a participa\u00e7\u00e3o criminosa do Estado argentino e ningu\u00e9m ir\u00e1 preso.<\/p>\n<p>Para obter verdade e justi\u00e7a necessitamos de uma Comiss\u00e3o Investigadora Independente, com pleno acesso a todos os arquivos que este governo tamb\u00e9m se nega a abrir.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo dia 4 de abril se cumprem 10 anos do assassinato de Carlos Fuentealba, docente e militante.<\/p>\n<p>EXIGIMOS PRIS\u00c3O PARA SOBISCH E TODOS OS RESPONS\u00c1VEIS POL\u00cdTICOS POR SEU ASSASSINATO!<\/p>\n<p>Desta Pra\u00e7a, repudiamos a pol\u00edtica de entrega e ajuste de Macri e os governadores, que descarregam a crise sobre os trabalhadores e o povo. Se o governo anterior pagou ao FMI e ao Clube de Paris e indenizou a Repsol, Macri devolveu uns 50%, pactuou com os fundos abutre, endividou ainda mais o pa\u00eds, eliminou os impostos \u00e0s mineradoras e agroexportadoras, e protege as corpora\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, criam <em>tarifazos<\/em>, infla\u00e7\u00e3o e a reforma da Lei de ART para precarizar ainda mais os trabalhadores.<\/p>\n<p>Nestes 15 meses de Macri, ocorreram mais de 200.000 demiss\u00f5es, suspens\u00f5es e um milh\u00e3o e meio de novos pobres. Hoje, frente a 13 milh\u00f5es de pessoas na pobreza e quase 3 milh\u00f5es na indig\u00eancia, resultam obscenos os casos dos Panam\u00e1 Papers, o Correo Argentino, Avianca e outros esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ante cada ataque do governo se responde com mobiliza\u00e7\u00e3o e essa Pra\u00e7a \u00e9 um exemplo mais. A resist\u00eancia popular cresce. Desde a grande greve estatal de fevereiro de 2016 contra as demiss\u00f5es at\u00e9 as ocupa\u00e7\u00f5es de Bangh\u00f3, Textil Neuqu\u00e9n ou AGR-Clar\u00edn e dezenas de lutas por f\u00e1brica, como Cresta Roja, Mascardi, Atanor e General Motors Rosario. No m\u00eas passado, os banc\u00e1rios romperam o teto salarial.<\/p>\n<p>E em princ\u00edpios deste m\u00eas, a insatisfa\u00e7\u00e3o popular saiu massivamente \u00e0s ruas. Assim, foi em 6 de mar\u00e7o, na greve nacional e nas grandes marchas docentes.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o de 7 de mar\u00e7o, chamada pela CGT, convocou mais de 300.000 trabalhadores e desbancou os dirigentes, exigindo Greve nacional j\u00e1!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 8 de Mar\u00e7o, no marco de uma in\u00e9dita paralisa\u00e7\u00e3o internacional, as in\u00fameras mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds confirmaram o papel protagonista das mulheres em defesa de seus direitos. Dizemos:<\/p>\n<p>BASTA DE FEMIC\u00cdDIOS! NEM UMA A MENOS! IGUAL TRABALHO, IGUAL SAL\u00c1RIO!<\/p>\n<p>Desta hist\u00f3rica Pra\u00e7a de Mayo reiteramos, em especial, todo nosso apoio \u00e0 luta dos docentes. Se eles ganham, ganhamos todos. E, tamb\u00e9m, a todos os trabalhadores empregados, desempregados aposentados e demais setores populares em luta.<\/p>\n<p>A partir do Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, damos todo nosso apoio \u00e0 greve nacional ativa de 6 de abril. Exigimos:<\/p>\n<p>N\u00c3O AO AJUSTE, \u00c0 ENTREGA E \u00c0 REPRESS\u00c3O DE MACRI E DOS GOVERNADORES! N\u00c3O \u00c0S DEMISS\u00d5ES E <em>TARIFAZOS<\/em>! PARIT\u00c1RIAS SEM TETO! N\u00c3O AO PAGAMENTO DA D\u00cdVIDA EXTERNA!<\/p>\n<p>Mais uma vez denunciamos a agress\u00e3o imperialista aos pa\u00edses e povos do Oriente M\u00e9dio e sua pol\u00edtica criminosa, com a mar\u00e9 de refugiados que fogem das guerras e da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Repudiamos o governo fascista de Erdogan na Turquia, que aplica o terrorismo de Estado sobre o conjunto dos trabalhadores e o povo de seu pa\u00eds e, especialmente, sobre o povo curdo. Nos solidarizamos com o povo s\u00edrio e repudiamos o massacre de Aleppo por parte do genocida Al Assad com o apoio imperialista. Nos solidarizamos com a luta do palestino contra a agress\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Denunciamos o massacre de 35 mulheres e meninas guatemaltecas e a feroz repress\u00e3o do narcoestado no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Exigimos a puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelo desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa.<\/p>\n<p>Nos solidarizamos com todos os povos do mundo que lutam contra a opress\u00e3o e por sua autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, 41 anos depois do golpe genocida, permanecemos lutando. Cada conquista obtida nos d\u00e1 mais for\u00e7a para seguir. Assim, fizemos retroceder a ditadura. Assim, rompemos a impunidade que buscaram com leis e indultos. Assim, enfrentamos um governo ajustador atr\u00e1s do outro. Assim, levamos a julgamento e condena\u00e7\u00e3o mais de 700 repressores. Assim, recuperamos 121 netos.<\/p>\n<p>Por isso, hoje estamos aqui e nas pra\u00e7as de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Companheiras e companheiros:<\/p>\n<p>Ante nossos 30.000 queridos detidos-desaparecidos, nos comprometemos a continuar dizendo presentes! em cada luta at\u00e9 conseguir que seus sonhos se tornem realidade, em uma Argentina livre da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse caminho, estivemos, estamos e estaremos a cada 24 de Mar\u00e7o nesta Pra\u00e7a. Pela Mem\u00f3ria, pela Verdade e pela Justi\u00e7a. 30.000 companheiros detidos-desaparecidos, presentes! Agora e sempre!<\/p>\n<p>Buenos Aires, 24 de Mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/03\/24\/argentinauna-muchedumbrede-recordo-a-los-30-mil-desaparecidos-y-enjuiciaron-al-gobierno-actual-lo-que-se-dijo-en-los-dos-actos\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2017\/03\/24\/argentinauna-<wbr \/>muchedumbrede-recordo-a-los-<wbr \/>30-mil-desaparecidos-y-<wbr \/>enjuiciaron-al-gobierno-<wbr \/>actual-lo-que-se-dijo-en-los-<wbr \/>dos-actos\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quanta for\u00e7a e quanta mem\u00f3ria POR CARLOS AZN\u00c1REZ, Resumen Latinoamericano, 24 de mar\u00e7o de 2017. Seiscentas mil ou mais? N\u00e3o existem olhos que \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/13965\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-13965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Df","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}