{"id":14,"date":"2009-11-24T21:41:46","date_gmt":"2009-11-24T21:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=14"},"modified":"2009-11-24T21:41:46","modified_gmt":"2009-11-24T21:41:46","slug":"saudacao-ao-povo-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14","title":{"rendered":"Sauda\u00e7\u00e3o ao Povo Negro"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Em nossa Primeira Confer\u00eancia Nacional de julho de 1934, realizada na mesma \u00e9poca em que se iniciava a propaga\u00e7\u00e3o da tese da &#8220;democracia racial brasileira&#8221;, denunci\u00e1vamos o racismo das classes dominantes e nos compromet\u00edamos a apoiar todas as lutas pela igualdade de direitos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e sociais de negros e \u00edndios.<\/p>\n<p>Ainda em meados da d\u00e9cada de 30, o intelectual comunista baiano Edison Carneiro iniciava uma vasta e significativa obra de investiga\u00e7\u00e3o e resgate da cultura afro-brasileira, tornando-se um dos pioneiros em tal campo de estudos e uma refer\u00eancia fundamental at\u00e9 os dias de hoje. Este mesmo Edison Carneiro, com o apoio de outros intelectuais comunistas como Jorge Amado e Aydano do Couto Ferraz, criava, no ano de 1937, a Uni\u00e3o de Seitas Afro-Brasileiras, a primeira entidade criada no pa\u00eds com o objetivo de proteger e cultivar os valores e as tradi\u00e7\u00f5es religiosas de matriz africana.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940, o PCB solidificou seu engajamento na luta contra o racismo e em defesa da cultura afro-brasileira. Sob sua legenda elegeu-se, em 1945, Claudino Jos\u00e9 da Silva, primeiro negro a exercer mandato parlamentar e primeiro constituinte negro da hist\u00f3ria do Brasil. Durante os trabalhos da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte de 1946, coube ao escritor e deputado comunista Jorge Amado a elabora\u00e7\u00e3o do projeto da primeira lei federal que estabeleceu a liberdade para a pr\u00e1tica das religi\u00f5es afro-brasileiras. Este per\u00edodo registra tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o do Teatro Experimental do Negro, que tem como um de seus principais expoentes o ator, poeta e teatr\u00f3logo comunista Francisco Solano Trindade, que marcaria com sua atividade intensa a arte popular brasileira das d\u00e9cadas seguintes. Alguns anos mais tarde, apareceram os primeiros trabalhos de Cl\u00f3vis Moura, ent\u00e3o vinculado ao PCB, cuja contribui\u00e7\u00e3o aportaria uma importante contribui\u00e7\u00e3o aos estudos hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos sobre o negro no Brasil.<\/p>\n<p>Se no passado n\u00f3s comunistas estivemos presentes em praticamente todos os momentos relevantes da trajet\u00f3ria do povo negro brasileiro, no presente continuamos a apoiar e nos envolver com essas lutas. Apoiamos as reivindica\u00e7\u00f5es imediatas e conquistas parciais do movimento negro brasileiro, como o acesso ao ensino p\u00fablico e gratuito de qualidade, o acesso ao ensino p\u00fablico gratuito e de qualidade, a titula\u00e7\u00e3o das terras das comunidades remanescentes de quilombos e o Estatuto da Igualdade Racial. No entanto, compreendemos que nenhuma destas conquistas parciais estar\u00e1 assegurada no futuro enquanto perdurarem: a) o esvaziamento e sucateamento das universidades p\u00fablicas, a privatiza\u00e7\u00e3o e a mercantiliza\u00e7\u00e3o do ensino; b) o controle do Estado pelos grandes propriet\u00e1rios fundi\u00e1rios e a subordina\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica agr\u00e1ria do governo aos interesses do agro-neg\u00f3cio; c) a hegemonia dos interesses do grande capital nacional e internacional no interior da sociedade brasileira e a subordina\u00e7\u00e3o das necessidades do povo \u00e0 l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Para que as atuais conquistas sejam mantidas e aprofundadas e para que novas sejam alcan\u00e7adas \u00e9 essencial que as lutas do povo negro, sem prescindir de sua especificidade, estejam combinadas \u00e0s lutas gerais do povo e dos trabalhadores brasileiros. \u00c9 necess\u00e1rio somar esfor\u00e7os aos movimentos em defesa de uma universidade p\u00fablica gratuita e de qualidade, voltada para a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas nacionais e para a promo\u00e7\u00e3o social das classes populares, apoiar as a\u00e7\u00f5es contra o monop\u00f3lio da propriedade da terra pelos grupos latifundi\u00e1rios e por uma reforma agr\u00e1ria ampla e radical, mobilizar-se enfim, por um poder pol\u00edtico que seja a encarna\u00e7\u00e3o da vontade de negros e negras, trabalhadores das cidades e dos campos, pequenos propriet\u00e1rios urbanos e rurais, artistas e intelectuais avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Salve o Dia da Consci\u00eancia Negra!<\/p>\n<p>PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) <\/p>\n<p>20 de novembro de 2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"(Nota Pol\u00edtica do PCB)\nO Partido Comunista Brasileiro associa-se \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es pela passagem do Dia da Consci\u00eancia Negra.\nO comprometimento de nosso partido para com as lutas pela valoriza\u00e7\u00e3o do povo negro brasileiro vem de longa data. J\u00e1 em julho de 1930, denunci\u00e1vamos a persist\u00eancia de elementos de escravid\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o real experimentada pelos negros do pa\u00eds, n\u00e3o obstante a t\u00e3o propalada Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura. Neste mesmo ano, nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, apresentamos ao povo a candidatura de Minervino de Oliveira, militante de nosso partido, que se tornou ent\u00e3o o primeiro negro e o primeiro oper\u00e1rio a disputar a presid\u00eancia da rep\u00fablica. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/14\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-14","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-e","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}